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O tema das celebridades é contemplado à exaustão em diferentes modalidades pela sétima arte e aparece majestoso no filme O Crepúsculo dos ...

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O tema das celebridades é contemplado à exaustão em diferentes modalidades pela sétima arte e aparece majestoso no filme O Crepúsculo dos Deuses (1950), retratando a decadência da estrela Norma Desmond, que envelheceu e sendo esquecida, enlouquece e mata o jovem amante, quando descobre que perdeu o amor, o glamour e a glória do passado. O clássico Sunset Boulevard (no original) antecipa a histeria das pessoas em busca de fama e visibilidade no campo midiático,
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algo que vai ganhar intensidade no século XXI, na era dos realities shows.

O filme atira contra o sistema opressivo da "sociedade do espetáculo" (Debord), denunciando a crueldade da indústria do cinema que explora os atores, absorvendo-lhes o talento, a energia, o vigor da juventude e depois os atira à margem da vida, quando chegam irremediavelmente à velhice.

Abordando o mundo dos ídolos e celebridades, Woody Allen atualiza a sua verve irônica no filme sintomaticamente chamado Celebridades (1998), uma leitura ácida da indústria cinematográfica. Lançando um olhar satírico sobre os famosos, Allen desconstrói o esquema das mitologias da fama, exibindo os superstars como pessoas emocionalmente desequilibradas.

O desejo extremo da fama midiática constitui a substância principal de um trabalho insólito, encarnado por Nicole Kidman, Um Sonho sem Limites (Gus Van Sant, 1995), cuja personagem representa uma ambiciosa "moça do tempo" e ajudada por dois adolescentes problemáticos, mata o marido (Matt Dillon), que lhe ameaça o sucesso pessoal. No desfecho final, a metáfora da aspirante à celebridade morta e congelada, deslisando sob a superfície de um lago canadense é implacável.

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Porém, mais radical na exposição da ânsia dos indivíduos de ficarem famosos é a película 15 Minutos (John Herzfeld, 2001), no qual um emigrante russo (ajudado pelo cúmplice) exagera no desejo mórbido de realizar os seus "quinze minutos de fama", deixando-se filmar enquanto mata as suas vítimas com requintes de crueldade.

Com estilo mais clean, bonito e sofisticado, o cineasta Robert Altman modela um retrato irônico e divertido do mundo das passarelas, em Prêt-à-Porter (1994), satirizando os repórteres e outros agentes do "mundo fashion".

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São impagáveis as cenas das editoras de moda nuas, ajoelhadas, implorando os favores de um fotógrafo profissional. A estória se passa na cidade de Paris, onde estão reunidos os estilistas, modelos, jornalistas e celebridades para a temporada dos desfiles da alta costura; dentre eles circulam oportunistas, bajuladores, ladrões, envolvidos em falcatruas, em luta ferrenha para se sobressair no cobiçado e lucrativo mundo da moda.

Contudo, nada parece mais extremo do que Assassinos por Natureza (Oliver Stone, 1994), que narra a odisséia sinistra de uma dupla de jovens facínoras, usando a mídia eletrônica e câmeras portáteis roubadas para contar suas estórias macabras.

Um repórter inescrupuloso os adula, os coloca no ar em cadeia nacional, fazendo deles celebridades criminosas. Mas os assassinos exibicionistas superam a perversidade do jornalista, tomam-no como refém e atiram nele, preferindo o testemunho da câmera automática que registra as suas proezas sádicas, assegurando seu lugar na posteridade.

O cinema de Woody Allen representa certamente o que há de mais "genuíno" na arte cinematográfica norte-americana com sotaque nov...

O cinema de Woody Allen representa certamente o que há de mais "genuíno" na arte cinematográfica norte-americana com sotaque nova iorquino. Mas a sua relevância reside antes pela ironia que caracteriza as narrativas do que pela glamourização da vida chique dos habitantes de Manhattan.

Fui ver o filme ESTRANGEIRO (Edson Lemos Akatoy). É um daqueles filmes que você tem que ir bem descansado, espírito aberto e disposto a uma ...


Fui ver o filme ESTRANGEIRO (Edson Lemos Akatoy). É um daqueles filmes que você tem que ir bem descansado, espírito aberto e disposto a uma profunda contemplação da natureza. É longo (quase 2 horas).

Me lembrou LIMITE (Mário Peixoto) o tempo todo e a música de Satie (repetidamente) me reavivou essa lembrança. Correto, bem feito, em verdade, abissal, meio existencialista, meio metafísico, supõe refletir a temática da saudade, mas sendo extremamente intimista, me tocou - entretanto - como uma espécie de busca juvenil da personagem que "volta" às origens (?) e "viaja".

Terá sido tudo somente um sonho? Well... o onírico tem sua potência, claro. O filme tem matizes oníricas e brilha nos flagrantes fotográficos da natureza bela das praias paraibanas (principalmente Tabatinga). A sacada de fazer o filme em preto e branco foi genial, pois respalda a proposta meio espectral, nostálgica, fantasmagórica (quanto a isso, nenhum pecado). Bem nordestino, brasileiro (o sotaque não nega, nem ofende), mas é de um outro Nordeste que se trata (longe desse insensato e miserável mundo).

Acadêmico sim senhor, mas há lugar também para uma nova escola de cinema nordestino, por que não?. E provavelmente, "Estrangeiro" terá seu lugar na filmografia nordestina (e brasileira) do futuro.

Feito com poucos recursos tem o mérito de captar a beleza do lugar, o silêncio e a generosidade ecológica que os deuses concederam à região. As interpretações das jovens atrizes não comprometem, mesmo porque no centro da cena reina mesmo a Mãe Natureza (talvez idílica, edênica, paradisíaca em demasia, pois sabe-se, a Natureza é também madrasta).

O filme é norteado por uma vibe aguçadamente feminina (guardando grandes enigmas, sutis mistérios). Mas o experimentalismo valeu demais. Principalmente porque a estética é deslumbrante.

No que concerne ao fenômeno cinema, lembrei das aulas de Linduarte Noronha, cinema é "imagem em movimento". Mas e o pathos? A saída foi buscada na música trovejante de Wagner. (Algo que - me parece - não ficou bem resolvido).

No mais, elipses, flashback, fusões... porque a juventude pode também ensaiar novos itinerários de (trans)vanguarda. E... uma ode à paisagem, cheia de encantamentos: chuvas lindas, suavidade, êxtase das crianças correndo à beira-mar, e que coisa bonita as imagens das bolhas de ar em raro flagrante submarino, justo quando a atmosfera do Brasil e do Nordeste real parecem irrespiráveis. Enfim, estranheza poética, e muita poesia!