O quanto carrego de mim ...

Só as cigarras entendem...

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O quanto carrego de mim nesse retrato cinzento desbotado? Carrego o tempo que é vivo e um amor imenso permanente intenso alado ligado e infinito!
Metade de mim é interno onde estou me dou e me vejo lugar onde me procuro e me encontro. Metade de mim é integralmente ancestral kármico cósmico pleno absoluto e simplesmente!
O firmamento expôs uma janela com vistas pro infinito. Um anjo torto (qual aquele de Drummond) de prontidão ajoelhou-se na entrada a guardar o céu e sua vastidão.
Como pode haver ainda, meu Deus, tantos fanáticos se digladiando com outros fanáticos,(cegos pelo ódio), que não andam de frente, nem caminham condignamente, rumo a uma só consciência mais lúcida e menos desumana?
Nunca vi uma lua tão minguante e com tanta escuridão! Tão longe e tão angustiante que o seu sono incerto fez do céu pardo e aberto a sua própria solidão.
Memórias de um pavilhão As últimas vulvas posam pelas noites da praça vetusta do Pavilhão do Chá. Silhuetas de mariposas desenham estrelas como se fossem de fantasia e mel o inebriante olhar do tempo desfeito. Essência vadia!!! Beijos absorvidos comprados, vendidos caminham sem graça e o tempo não disfarça: balbucia difuso guardando na história os rubros beijos. Antigos gemidos sussurros, recolhem-se a inúmeros abraços de esquecidos amores. Lânguidas e soturnas as noites amortecem desbotando sabores. Agora se dobram logo cedo à alcova aos entornos frugais. Sozinhas descansam e logo cedo se recolhem porque hoje são todas pardais. O Pavilhão de agora se abre sem aurora sem noites, sem tardes sem luzes nem alardes. O lugar que urge hoje quieto impreciso deita-se embalsamando o vazio convertido inebrio tristemente se indo. Só as cigarras entendem o silêncio dos domingos.

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