E is aí, leitor, três coisas que lembram muito a minha infância. Lembranças gustativas. A água curava, o vinho alegrava e a bolacha se disso...


Eis aí, leitor, três coisas que lembram muito a minha infância. Lembranças gustativas. A água curava, o vinho alegrava e a bolacha se dissolvia na boca, deixando a gente com gosto de quero mais. Mais ainda: a água ainda continua sendo vendida, o vinho e a bolacha ficaram apenas no nosso paladar. Havia ainda outras lembranças, que insistem em trazer o passado para o presente, enchendo a gente de saudade.
Vamos à água, que curava tudo que era de ferimento. Bastava um ligeiro corte no dedo e lá vinha a recomendação: “bote Água Rabelo”. Tiro e queda, num instante o corte desaparecia. Rabelo era o nome de seu fabricante, que, se não me engano, era farmacêutico. E a fábrica ficava lá na Rua da Areia. Ele era parente da cronista e imortal Adhylla Rabelo, mãe dos jornalistas Gerardo e Neno Rabello. Este último, embora sem a visão, vê mais longe do que muita gente.
Mas continuemos mexendo com a memória. O vinho era chamado “Celeste” e até uma criança podia bebê-lo, pois quase não tinha álcool. Em toda casa quase não faltava o vinho, que tinha gosto de beijo. Daí o poeta e historiador paraibano Eudes Barros, meu irmão por parte de mãe, dizer em verso: “O vinho Celeste tem sabor do beijo que tu me deste”.
A verdade é que em nenhuma casa faltavam a Água Rabelo, o Vinho Celeste e a bolacha Yayá. Esta, gostosíssima. E com manteiga, então... A bolacha marcava presença em todas as ceias. E o seu fabricante escolheu para sua propaganda, o seguinte e sugestivo slogan: “É isto, bolacha só Yayá”.
Havia outras gostosuras para o nosso paladar, a exemplo do “doce americano”, que era vendido na rua. Só em me lembrar dele já começo a sentir água na boca. Havia o cavaco chinês, o doce Cumaru, o rolete de cana. Ah, leitor, basta de salivação.
Outras coisas que desapareceram de nosso cotidiano: os pregões. Pregões de jornais, pregões de vassoura, pregões de fígado, pregões de pitomba. E o vendedor ainda gritava: “chora menino para comprar pitomba”. E pregoeiro gritava “figo”, amedrontando as crianças. Diziam que o homem vinha tirar o fígado do menino desobediente.
Mas o gostosa mesmo era a bolacha Yayá, que a gente comia com manteiga Turvo ou Garça... E viva a memória gustativa!


Houve uma época dourada para intérpretes e compositores, na qual o sucesso podia ser medido pelo número de álbuns vendidos. Um bom lançamen...

os artistas que mais venderam discos na historia da musica

Houve uma época dourada para intérpretes e compositores, na qual o sucesso podia ser medido pelo número de álbuns vendidos. Um bom lançamento chegava facilmente à marca dos milhões de exemplares, trazendo riqueza e prosperidade ao universo da música.

É hoje o Dia dos Pais, o que faz com que eu escreva esta crônica em louvor de meu pai, que tanto respeitei e amei e com quem tanto aprendi. ...


É hoje o Dia dos Pais, o que faz com que eu escreva esta crônica em louvor de meu pai, que tanto respeitei e amei e com quem tanto aprendi. Ensinou-me a amar as plantas. E naquela plantação de crótons que ornamentava a entrada do sítio onde morávamos, ele me ensinou a aguá-los, dando-me um aguador pequeno, próprio para a minha idade. E mais: chegou a me dizer que as plantas agradecem quando matamos a sua sede, tanto é assim que acenam para nós. Mas depois eu vim a saber que as plantas são movidas pelo vento. Não havia aquele cumprimento de que falava o meu velho...
Meu pai, José Augusto Romero nasceu num lugar chamado Juá, perto de Alagoa Nova, onde cultivava o café. Casou-se com uma viúva linda, minha mãe. Dela teve sete filhos.
Antes, meu pai foi seminarista, pois o sonho de seu progenitor era ter um padre na família, coisa importante naquela época. Acontece que o meu velho terminou saindo do seminário e foi ser professor em Alagoa Nova, onde, já espírita, fundou um centro espírita para desespero do padre. E chegaram a jogar pedras no centro, durante as reuniões mediúnicas que lá se processavam...
Depois, ele achou de ir morar na capital, um meio maior para a educação dos filhos e atendendo ainda ao grande pedido de sua esposa, que já estava farta de cidade pequena.
Quando eu nasci, meu pai já era espírita, e por isso não me batizou. Depois foi trabalhar na Departamento de Obras Contra as Secas , chegando a ser secretário. Deu-se bem na burocracia, ele que viveu maior tempo de sua vida na lavoura.
Espírita até os ossos, ele foi presidente da Federação Espírita Paraibana durante mais de quarenta anos.
Homem pacato, incapaz, como se costuma dizer, de matar uma mosca, mesmo que fosse o mosquito da dengue. Costumava dizer que se tornou espírita depois que leu a obra de Leon Denis “O problema, do ser, do destino e da dor”. Escreveu muitas crônicas no jornal A União. Foi maçon e tinha uma grande amizade ao padre Zé Coutinho. E o padre, toda vez que o encontrava, dizia na maior intimidade: “Zé, como vai o teu Espiritismo?”
Tanta coisa para dizer dele... O que mais detestava era a desonestidade. Aludindo a uma certa pessoa, costumava dizer: aquele é um homem de caráter. Caráter para ele era tudo.  

S e a caneta-tinteiro já caiu em desuso, o mesmo não acontece em relação à caneta esferográfica. A primeira, que sucedeu a delicada pena, ex...


Se a caneta-tinteiro já caiu em desuso, o mesmo não acontece em relação à caneta esferográfica. A primeira, que sucedeu a delicada pena, exige tinteiro, a esferográfica, não, essa útil invenção que ainda permanece para as nossas anotações.
Depois, a esferográfica é hoje um símbolo, usado como souvenir e item de propaganda. Mas, porque eu estou trazendo a esferográfica como objeto desta crônica? Seria falta de assunto?...
Não, leitor, é que na passagem deste ano recebi uma coleção de esferográficas de meu amigo e primo, jamais cliente, pois o homem é advogado. Advogado PhD, advogado que começou a visitar o mundo dos cartórios, ainda estudante. Nasceu para a profissão que abraçou. Vi-o, muitas vezes, sobraçando processos, numa época em que a moderna tecnologia ainda não havia chegado à vida forense.
Mas vou matar a sua curiosidade, leitor. O advogado a que estou me referindo não é outro senão Roberto de Luna Freire, meu primo e amigo, que vive a maior parte do tempo no seu muito visitado escritório, que ficava na avenida Marcionila da Conceição, aqui em Tambaú. Um escritório sempre apinhado de gente à procura de justiça. O escritório já se mudou e hoje está muito bem instalado no Trade Center Office da Av. Rui Carneiro, ainda em melhores condições.
Roberto não daria nunca para político. Começa que ele sorri pouco, fala pouco e não é de dar aquele sorriso à cata de votos, tão em uso por estes tempos...
Mas, voltando ao presente de fim de ano que o primo me deu, foi uma primorosa coleção de esferográficas, ou melhor de muito bom gosto. Claro que elas eram publicidade de seu escritório, mas e daí, não dizem que a propaganda é a alma do negócio?
E mal peguei num exemplar e comecei a sentir uma coceira nos dedos para usá-lo.
Não faz muito tempo, tive a alegria de me encontrar com Roberto, numa conexão de voos que fazíamos no aeroporto de Lisboa. O primo, quando está de folga, no escritório, coisa rara, dana-se a viajar, o que faz muito bem. Irmão de Alexandre, juiz federal, hoje gozando a imortalidade acadêmica, Roberto é filho do grande João Lélis, o historiador da Campanha de Princesa, e um intelectual de mão cheia, imortal de nossa Academia de Letras.

E stavam os dois em plena discussão. Desejavam saber qual deles era o mais importante em nossa vida. Curioso, os dois são mudos, mas, assim ...


Estavam os dois em plena discussão. Desejavam saber qual deles era o mais importante em nossa vida. Curioso, os dois são mudos, mas, assim mesmo, discutiam, reuniam argumentos e provas em defesa de suas bem fundamentadas teses. Fiquei por alguns momentos a observá-los em silêncio. Mas, afinal, quem eram eles? Caia das nuvens, leitor, eram as minhas mãos e meus pés que entabulavam esta conversa.
E me veio a indagação: que seria de nós, se nascêssemos sem eles? Mas voltemos à discussão dos dois. E falavam as mãos dizendo: graças a nós, o homem pode levar o alimento até a boca, escrever, assim como bater nas teclas deste computador; pode acariciar, aplaudir, tocar piano e outros instrumentos. Sem nós, uma sinfônica ficaria muda. E como ajudar os outros, sem nossa presença? Como fazer o asseio pessoal, como acariciar o nosso amor, como varrer a casa, como plantar e aguar as plantas de um jardim? Como indicar o caminho a alguém que está perdido? Como preparar a nossa comida, como dirigir um automóvel, como abraçar um amigo? As mãos são tudo ou quase tudo em nossas vidas.
Entretanto, não esqueçamos que elas podem fazer coisas boas e coisas más, pois a vida é um constante teste, pois evoluimos num mundo de provas expiações.
Mas os pés nada diziam. Depois, contra-argumentaram: sim, as mãos são todo em nossa vida. No entanto, graças a nós, os pés, é que o homem caminha. Somos conscientes de nossa humildade, todavia, sabemos que também ajudamos na direção dos veículos, seja carro, seja moto, seja uma bicicleta. E quem movimenta o pedal de um piano, ou de uma harpa para o músico tocar? Por fim, disseram os pés. Que seriam de Jesus e dos doze apóstolos, na caminhada da evangelização, cheia de poeira e de muito calor, se não fôssemos nós? E não esqueçam de que, se Pilatos lavou as mãos, foi Jesus quem lavou os pés dos discípulos. Num gesto de muito amor e muita humildade. E as mãos só fizeram escutar...
Mas a verdade é que nada é inútil. E o nosso corpo, este veículo que Deus nos deu, é a nossa casa, que devemos saudar, cuidar, conservar, e limpar todos os dias. E ainda há quem o maltrate com a má alimentação, com o fumo, com álcool, drogas e outros excessos e abusos...

E stou fazendo justiça, a cidade é boa mesmo. Boa como Lisboa, embora sem o bacalhau. Cheia de encantos mil. Se você duvida, vá descendo o p...


Estou fazendo justiça, a cidade é boa mesmo. Boa como Lisboa, embora sem o bacalhau. Cheia de encantos mil. Se você duvida, vá descendo o planalto do Cabo Branco, perto da estatua de Iemanjá e olhe para aquela enseada... É um trecho de deixar a gente em êxtase poético. Quer ver outro lugar maravilhoso? A praia de Manaíra, com o mar bem perto. Ah, João Pessoa, cidade boa e bela, que faz muita inveja aos paulistas, que não têm praia. Praia de Tambaú.
Mas vamos adiante. Adiante não, vamos recuar um pouco no tempo e ver como a cidade nasceu. Fazem muitos anos. Nasceu no ano de 1585, lá em baixo, onde desfila o rio Sanhauá, afluente do Paraíba. Foi ali que se deu, oficialmente, a fundação ou melhor, o nascimento da capital paraibana. Foi ali que a mão indígena apertou a mão portuguesa, num pacto de paz. A nossa capital, portanto, nasceu sob o signo da paz e da concórdia. Um soberbo acontecimento, que ocuparia as manchetes dos jornais, se estes existissem. O índio Piragibe seria entrevistado pela TV.
Fundada, a nova capital achou de subir, deixar a cidade baixa em busca da cidade alta. E nessa caminhada, foi bater no centro, onde existia uma lagoa. Uma lagoa que poderíamos chamar de espelho, onde a cidade havia de se mirar.
Mas a cidade continuou subindo em busca do mar, ainda bem longe. E teve de se aventurar pela densa floresta, que o presidente João Pessoa precisou destruir, um dia, para construir a grande avenida que iria dar acesso à decantada praia, hoje a mais importante da cidade. Assim, descoberta a praia, a cidade ficou entre o rio, o mar e uma lagoa no centro.
João Pessoa, que já se chamou Paraíba, é hoje uma gostosa cidade. Boa de clima, de verde, muito visitada pelos turistas, embora venha se tornando num inferno sonoro, com propaganda comercial e eleitoreira. Mas, um dia, ainda temos esperança que isto se acabará.
João Pessoa! Vim para cá com quatro anos de idade. E me apaixonei logo por ela. Alagoa Nova que me perdoe, não é Wills Leal? Afinal, podemos definir a nossa capital como cidade dos flamboyants, das acácias, ou uma cidade entre o rio e o mar, com uma lagoa ao centro...

H élio Zenaide... Pois não é que, uma noite dessas, ouvi-o falando, lá no Centro Espírita “Leopoldo Cirne”, dissertando sobre o futuro na vi...


Hélio Zenaide... Pois não é que, uma noite dessas, ouvi-o falando, lá no Centro Espírita “Leopoldo Cirne”, dissertando sobre o futuro na vida da gente. E Hélio ilustrou sua fala com fatos retirados da Bíblia. Ele, que está com a visão diminuída, viu longe na sua palestra. Afinal, vivemos entre três realidades: a do passado, a do presente e a do futuro. E curioso, com exceção do presente, as outras são incógnitas. Não sabemos, como espirito, o que fomos na vida passada. E quanto ao futuro o ignoramos, completamente, o que não deixa de ser uma benção. Já imaginou se tivéssemos consciência de tudo que vai nos acontecer? Já pensou se, daqui a um minuto, eu soubesse que seria atingido por um infarto? Ou que amanhã seria atropelado por um automóvel? Se... Não, leitor, não adianta ficar horrorizado. O futuro é uma grande mistério.
Mas voltemos ao nosso Hélio, que outrora era cronista político. E depois, já maduro, a filha levou-o a um centro para assistir a uma reunião mediúnica, onde ele pôde testemunhar fatos que o levaram a mudar de ótica religiosa. Hélio se tornou espírita, dando passes e conversando , não mais com os políticos, mas com os espíritos, ora vejam só...
E Hélio como jornalista? Um primor de estilo, clareza e argúcia. Falando bem perto de mim, notei que ele não tem nenhuma ruga. A cara enxuta que me fez inveja. E que tal conversar com ele? A gente sai outro da conversa. Depois da palestra, ele cumprimentou, ligeiramente, os amigos e foi para o seu abrigo doméstico. Foi com a consciência tranqüila de mais um dever cumprido com a sua doutrina.
Foi aqui neste jornal A União, onde ele mais escreveu. E eu gostaria que ele voltasse a escrever no nosso tradicional matutino, hoje dirigido por um mestre do jornalismo, o meu amigo Fernando Moura.
Hélio Zenaide é filho do grande paraibano, escritor e pesquisador Heretiano Zenaide, autor de vários livros didáticos sobre temas ecológicos. E, aqui para nós, o governo bem que poderia reeditar as obras de Heretiano.
Mas, voltando ao nosso Hélio, que ele me perdoe esta crônica, ele que agora vive escondido na sua modéstia, na sua paz de consciência limpa.

N ós temos, hoje, boas livrarias, duas no Manaíra Shopping, uma no Shopping Tambiá, recém-inaugurada lá no centro da cidade, a Livraria do L...


Nós temos, hoje, boas livrarias, duas no Manaíra Shopping, uma no Shopping Tambiá, recém-inaugurada lá no centro da cidade, a Livraria do Luiz, que acaba de passar por uma radical reforma, e por último, a livraria do Shopping Via Sul, dos Bancários.
Aqui para nós, tais livrarias deixaram aquele velho costume que, para ler um livro, só depois de comprá-lo. Costume provinciano e estúpido. Nada de namorar com o livro, nada de uma maior intimidade com ele...
No novo conceito de livraria moderna, além de um bom atendimento por recepcionistas competentes, informados e bem-humorados, costuma-se deixar os clientes à vontade. Mais: não lhes faltam confortáveis recantos com cadeiras e poltronas para ele fazer uma leitura do livro, que pretende ler, só sendo proibido fazer anotações nele, é lógico. Outra coisa: a moderna livraria estimula a presença do leitor infantil, que também dispõe desses espaços. E nessa questão, estão merecedoras de aplausos a Leitura e a Saraiva, no Manaíra Shopping. Ambas abriram tais ambiente para as crianças.
Mas, vai aqui uma observação: as livrarias, aqui instaladas, têm obrigação de dar mais destaque aos escritores da terra. A Leitura, nessa parte, merece aplausos. E o que dizer dos livros espíritas? Tem delas que ao invés de Espiritismo, colocam Esoterismo. Simples preconceito com a Doutrina codificada por Allan Kardec, cujos livros têm prioridade na venda, a começar pelos psicografados por Chico Xavier. Toda essa preconceituosa atitude é merecedora de repulsa. Bem disse o grande Einstein, para quem é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.
Aqui para nós, conheci muitas livrarias estrangeiras, mas nenhuma delas me encantou mais do que a El Atheneo, em Buenos Ayres, onde os freqüentadores ficam inteiramente à vontade. Têm deles que lêem até deitados nos tapetes. E que silêncio! Só não vi lá crianças.
Ah, as livrarias, que belos refúgios para a leitura, a reflexão e o bem-estar intimo! A verdade é que, como profetizou a Bíblia, ”fazer livros não tem fim”.

Q uando eu era adolescente, até que gostava da Festa das Neves, cuja parte profana não atrapalhava a parte religiosa, razão maior do tradici...


Quando eu era adolescente, até que gostava da Festa das Neves, cuja parte profana não atrapalhava a parte religiosa, razão maior do tradicional acontecimento religioso.
Eu morava na rua Nova, hoje General Osório, e a festa vinha alegrar todos os seus moradores. Minha alegria começava com o batuque na madeira anunciando a construção de pavilhões.
E a festa era bonita mesmo. Muita disciplina, muito bom gosto, muita segurança. E quantos casamentos começaram ali...
A parte profana era chamada a bagaceira, onde o povo ia beber, comer e se divertir, esquecido de que o evento era primordialmente religioso, um culto à Nossa Senhora das Neves, a padroeira da terceira capital mais antiga do país.
Mas o progresso, aos poucos, foi avançando para a orla marítima. Tambaú era e continua sendo a grande atração. O centro da capital foi mudando de lugar. Vieram as edificações gigantes, vieram os congestionamentos, vieram os assaltos, a falta de segurança, a poluição sonora. Acabaram-se os quintais, o ecológico foi agredido. E a tradicional festa já não dispunha de espaço, porquanto a população crescera. A catedral ficou completamente esquecida. O comércio preponderou sobre tudo. A Festa das Neves atrapalhou o trânsito, terminou produzindo muito barulho para a vizinhança, e assim por diante. O objetivo maior quase que ficou esquecido. Preponderou o profano em detrimento do religioso, e ninguém para expulsar os “vendilhões do templo”
Mas pouca gente deu por essa transformação. E se deu, calou-se. E eis que surge uma voz de quem não tem papa na língua. Um homem de coragem e que viu na citada festa puro mercantilismo, puro mundanismo, nada de religiosidade. E que ficou sensibilizado com os problemas urbanos que a festa agora produz. Este homem não é outro senão o nosso Arcebispo Dom Aldo, que teve a coragem de vir a público, lançar o seu protesto contra o desvirtuamento a que chegou a Festa. Ele, que desde que aqui chegou, demonstrou força e atitude perante costumes equivocados da cidade, que passou a adotar como sua.
Parabéns, meu Arcebispo. Um homem que prefere viver com a consciência, do que com a conveniência.

Quando o assunto é telenovela, as opiniões se dividem. Uns acham que é puro lixo. Outros consideram apenas como uma simples e inofensiva div...

Quando o assunto é telenovela, as opiniões se dividem. Uns acham que é puro lixo. Outros consideram apenas como uma simples e inofensiva diversão, indispensável para relaxar no final do dia.

Todos os sites abaixo contêm um acervo impressionante de texturas, com os mais variados padrões, desenhos, imagens e tonalidades, extremamen...

Todos os sites abaixo contêm um acervo impressionante de texturas, com os mais variados padrões, desenhos, imagens e tonalidades, extremamente úteis para o design de posters, manipulações no Photoshop, maquetes eletrônicas, projetos de arquitetura e criação de websites.

D esde cedo que Alaurinda dizia: “hoje não há quem me faça perder a abertura das Olimpíadas de Londres”. Só o violino é que ficou sentindo a...



Desde cedo que Alaurinda dizia: “hoje não há quem me faça perder a abertura das Olimpíadas de Londres”. Só o violino é que ficou sentindo a ausência de seus dedos e de seu queixo.
Ah, Londres, como a gente gosta dela! Lembro que na última visita que lhe fizemos, há poucos meses, já sentíamos a atmosfera de ansiedade pelas Olimpíadas. Fomos até visitar o Parque Olímpico, já em fase de acabamento para o monumental evento. Coisa de espantar. Uma obra de gigantes. Andamos pelo shopping Westfield, de cujo terraço avistávamos os estádios, bem perto. Muita coisa para dois olhos.
Passou a manhã, e Alaurinda, já com um pacote de pipoca na mão, foi me chamando para ver o extraordinário evento, que custou a bagatela de 12 bilhões de euros. Uma quantia que, segundo a estimativa do meu filho arquiteto Germano, acostumado a cálculos, daria para comprar todos os apartamentos da orla marítima de João Pessoa...
Mas esqueçamos os gastos, e vejamos os gostos. Uma maravilha de espetáculo. Sobretudo pelos recursos tecnológicos. E ali vimos como é grande o mundo. Países que a gente nem pensa que existissem, estavam lá, desfilando com muita alegria. Não resta dúvida que os jogos olímpicos, inventados pelo gregos, são uma verdadeira festa de confraternização humana.
Meu maior interesse, porém, era ver a Rainha, que, ao que se diz, reina, mas não governa. Pouco importa. Uma multidão de gente, e eu não sei como sua Majestade suportava tanto aperto. Evidente que ela estava ansiosa para sair dali. Ela que vive o tempo todo no silêncio de seu luxuoso palácio. E haja desfile.
E quer saber de uma coisa? A festa das Olimpíadas deveria ter sido melhor. Não gostei muito da parte musical. Fiquei pensando: bem que caberia, ali, o final da Nona de Beethoven, esse extraordinário canto de solidariedade universal. Ou pelo menos a “Pompa” do inglês Elgar. Mas, ao que tudo indica, a música dos Beatles ainda é um grande símbolo britânico.
Continuemos a crônica. Meu grande desejo era ouvir o discurso da Rainha. Mas, pouparam-na desse encargo. O desfile terminou, com Sua Majestade lendo duas palavras num papelzinho. Não aparentando muito animada, Elizabeth deve ter dado graças a Deus quando a festa terminou. Se ao menos a nossa Dilma estivesse perto dela...

Na arquitetura, às vezes os padrões ditados pela simetria e pela gravidade são desafiados, resultando em edificações de visual estranho, por...

Na arquitetura, às vezes os padrões ditados pela simetria e pela gravidade são desafiados, resultando em edificações de visual estranho, porém intrigante, como esses.

N ão, leitor, não vou lhe dizer onde está esse paraíso a que me refiro no título, considerado, hoje, um intruso por muitas pessoas....


Não, leitor, não vou lhe dizer onde está esse paraíso a que me refiro no título, considerado, hoje, um intruso por muitas pessoas. Disse bem, um intruso, porquanto a época é de progresso, desenvolvimento, progresso vertical e progresso vertical pede pedras para subir. E, assim, para tapear, ainda colocam um pouco de verde ao redor dos edifícios em respeito à ecologia, que, há muito, vem sendo esmagada pela verticalização.
O paraíso a que estou me referindo é um quadrado de terra cheio de fruteiras: coqueiros, mangueiras, Pau-Brasil, flamboyants, cajazeira, limoeiro, sem esquecer um pé de pitanga. Uma exceção dentro da regra geral. A regra geral dentro da verticalização. Coloquem dois ou três coqueiros, um em cima do outro, que não chegam a suplantar os edifícios atuais.
O citado paraíso também possui animais, hoje considerados espécies em extinção: o galo, as galinhas, os pintos. Também tem pássaros que descem das árvores para comer as bananas e os mamões que os donos do quintal colocam para eles. E não faltam saguis, com suas caras gaiatas, competindo com os pássaros na busca de alimento, assim como os pombos. Sim, lá também tem papagaios, com seu humor e gargalhadas, ensinando-nos que ri melhor quem ri por último.
E não lhe conto. Vez por outra surge um camaleão, que a internet diz que é um iguana, em busca de alimentos, e convive pacificamente com os outros.
A verdade, leitor, é que o paraíso, ameaçado de extinção pelo progresso, está com os seus dias contados. Os outros edifícios já estão irritados com a presença daquele pedaço de chão, que bem poderia dar lugar a um imponente edifício, com seus apartamentos de poucos metros quadrados e com área de lazer desejando substituir a Natureza. Ah, se fosse possível levar o quintal, o paraíso a que estamos nos referindo, lá para o alto!
O paraíso, um simples e bucólico quintal cheirando a terra, talvez considerado um obsoletismo. A verdade é que quando eu quero encher os pulmões de oxigênio puro, os olhos de beleza... É pra lá que eu vou. Até quando?

M al me sento junto ao computador, para a confecção da crônica, e uma porção de assuntos já se encontra em fila, aguardando a vez d...


Mal me sento junto ao computador, para a confecção da crônica, e uma porção de assuntos já se encontra em fila, aguardando a vez de serem chamados. E vai ser difícil a escolha. Mas nem sempre é assim.
E a indagação é: será que o leitor vai gostar desse assunto? Ora, ora, mas há leitor para todos os paladares. E examinando a fila, eis que me deparo com um assunto jamais imaginado. Não penso duas vezes, vou chamá-lo.
Trata-se de Maçonaria, a respeitável instituição que tanta projeção teve na História. E não esquecer que meu pai, José Augusto Romero foi maçon. Era espírita e maçon. E soube, como ninguém, respeitar as duas. Ele chegou a ser grão-mestre da Maçonaria. Mas, naquele meu tempo de garoto, o que queria da Maçonaria era me sentar nas duas esfinges de bronze que ficam na entrada do belo prédio da instituição. O prédio é uma jóia de arquitetura, segundo meu filho Germano, de autoria de Hermenegildo Di Láscio. Fica na avenida General Osório, antiga Rua Nova. Acontece que eu morava. ali. Muitas vezes ia sozinho, outras vezes acompanhado de meu pai. E quem ficava sempre na Loja, despachando e atendendo as pessoas, era o Augusto Simões, um homem gordo, excelente pessoa humana. Eu adorava entrar na maçonaria para ler as revistas em sua grande biblioteca. E quem me atendia era um senhor chamado Arnaud.
As reuniões dos maçons eram à noite, no primeiro andar. E às vezes, eu ouvia pancadas no soalho. A Maçonaria tem os seus segredos, que era proibido aos maçons divulgá-los a quem não era maçon.
Eles conheciam os companheiros por um simples aperto de mão. Meu pai nunca me satisfez a curiosidade. Nada me informou a respeito da Instituição. E saber que o grande Mozart era maçon...
Havia muita curiosidade em torno da Maçonaria. Diziam que lá havia um bode preto. E eu ficava com medo. Meu pai, certa vez, me perguntou: quer ser batizado pela Maçonaria? Fiquei em dúvida. Aí ele concluiu: o batismo não é com água, como na Igreja, e sim com mel. Que gostosura!
Maçonaria, uma respeitável instituição. Se não fosse, meu exigente pai não faria parte dela.
O magnífico prédio da Loja Maçônica “Branca Dias”. repito, é uma jóia de arquitetura, um valioso monumento histórico, guarnecido por duas esfinges.
Outra coisa que me intrigava: por que a Maçonaria não admite mulheres em sua administração? Nunca tive coragem de abordar essa questão ao meu venerando pai, grão-mestre de lá...

A o que saiba, dirá o leitor, porto, aqui, só existe um, o do Sanhauá - chamado “do Capim” - que fica na Cidade Baixa, afluente do Paraíba e...


Ao que saiba, dirá o leitor, porto, aqui, só existe um, o do Sanhauá - chamado “do Capim” - que fica na Cidade Baixa, afluente do Paraíba e que assistiu à fundação da nossa capital.
Mas o porto, ou melhor, os portos a que estou me referindo são homens. Homens que muito dignificaram a nossa terra, seja na política, na magistratura, seja no jornalismo.
Eis alguns: Mário Moacir Porto, jurista e homem de letras, Sílvio Porto, político, Geraldo Porto, que nunca quis se meter em nada. O de que ele gostava, era fumar o seu cigarro, na janela de sua casa, lá na descida para cidade baixa. Adorava fumar, pensar e conversar. Um gênio na ironia, na critica. Profundo conhecedor de literatura, Geraldo adorava bater papo no antigo Ponto de Cem Réis, que naquele tempo reunia tudo o que era de políticos e de intelectuais, contando, ainda, com a presença de Mocidade, tipo popular muito querido em nossa cidade.
Se tivessem gravado todas as conversas de Geraldo Porto, teríamos, um manancial de cultura. No entanto, nada deixou escrito. Que desperdício de inteligência! Um gênio anônimo, sem vaidade pessoal. Discreto. Se não estou enganado, era um autêntico solteirão.
Afastado da política, passando a maior de seu tempo pensando, pois não é que Geraldo terminou sendo convidado para diretor da nossa Biblioteca Pública, lá na avenida General Osório... E deu conta do recado. Era o homem certo para o lugar certo.
Geraldo Porto... E os outros? Antes que a crônica acabe, lembremo-nos do príncipe, do jurista, do mestre por excelência Mário Moacir Porto. Com quem convivi e aprendi muito. Um homem de uma ética admirável. Como soube dignificar a toga! E ainda hoje sou grato por ter ele aceitado o convite para vir ao lançamento para apresentar o meu livro de crônicas de viagem: ”O Papa e a mulher nua”. Mas antes de aceitar o convite, ponderou: ”Será que isto não vai me complicar perante a Santa Igreja Católica?”...
Para terminar, o Sílvio Porto, um professor de boas maneiras, um homem arguto, bom político, ex-diretor do jornal A União, em cuja gestão nasceu o “Correio das Artes”, suplemento literário de fama nacional. E seu filho, o José Porto, na intimidade Zeca Porto, é desembargador que vem honrando a toga.
Ah, os Portos, como eles dignificaram a vida que viveram...