N ão, leitor, não vou lhe dizer onde está esse paraíso a que me refiro no título, considerado, hoje, um intruso por muitas pessoas....

Paraíso ameaçado


Não, leitor, não vou lhe dizer onde está esse paraíso a que me refiro no título, considerado, hoje, um intruso por muitas pessoas. Disse bem, um intruso, porquanto a época é de progresso, desenvolvimento, progresso vertical e progresso vertical pede pedras para subir. E, assim, para tapear, ainda colocam um pouco de verde ao redor dos edifícios em respeito à ecologia, que, há muito, vem sendo esmagada pela verticalização.
O paraíso a que estou me referindo é um quadrado de terra cheio de fruteiras: coqueiros, mangueiras, Pau-Brasil, flamboyants, cajazeira, limoeiro, sem esquecer um pé de pitanga. Uma exceção dentro da regra geral. A regra geral dentro da verticalização. Coloquem dois ou três coqueiros, um em cima do outro, que não chegam a suplantar os edifícios atuais.
O citado paraíso também possui animais, hoje considerados espécies em extinção: o galo, as galinhas, os pintos. Também tem pássaros que descem das árvores para comer as bananas e os mamões que os donos do quintal colocam para eles. E não faltam saguis, com suas caras gaiatas, competindo com os pássaros na busca de alimento, assim como os pombos. Sim, lá também tem papagaios, com seu humor e gargalhadas, ensinando-nos que ri melhor quem ri por último.
E não lhe conto. Vez por outra surge um camaleão, que a internet diz que é um iguana, em busca de alimentos, e convive pacificamente com os outros.
A verdade, leitor, é que o paraíso, ameaçado de extinção pelo progresso, está com os seus dias contados. Os outros edifícios já estão irritados com a presença daquele pedaço de chão, que bem poderia dar lugar a um imponente edifício, com seus apartamentos de poucos metros quadrados e com área de lazer desejando substituir a Natureza. Ah, se fosse possível levar o quintal, o paraíso a que estamos nos referindo, lá para o alto!
O paraíso, um simples e bucólico quintal cheirando a terra, talvez considerado um obsoletismo. A verdade é que quando eu quero encher os pulmões de oxigênio puro, os olhos de beleza... É pra lá que eu vou. Até quando?

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