Estilo é o que tem ponta.
Estilete que corta com um lado
e acerta, quando se excede
com o outro. Na cera do tempo
que endurece para ganhar
a pedra definida, o papel
definitivo, passa por variações
de intenção e temperatura
até chegar à luz dos olhos
de quem não sabe ao certo, através
dos séculos, quem firmou primeiro
aquilo, que nos desconcerta.
“Oficina de escritores”, de Stephen Koch, é uma dessas bíblias que todo aspirante a escritor deve conhecer. Nele o autor condensa uma experiência de décadas ensinando a escrita. Ele conhece bem as expectativas, as fantasias e os medos de quem lida com as palavras, mesmo porque na qualidade de autor ficcional sente o problema “por dentro”. Uma coisa é apenas ensinar; outra é também “fazer”, e tirar da experiência lições que se podem passar a outras pessoas.
É Dezembro. É Natal. É tempo de luzes e esperanças renovadas. É momento de trazer à cena o amor por estas delicadezas tão preciosas...
Muitas foram presentes de pessoas amadas e vieram de longe (México, Bolívia e Peru). E a árvore (a primeira da minha vida) chegou pelas mãos caridosas e carinhosas da amiga Juvinete, no ano passado, para iluminar o mais triste período natalino da minha vida.
Aqui, cada detalhe, cada Sagrada Família, é fruto de um olhar que bateu e que me fez apaixonada à primeira vista...
Em diversas partes da casa, lembro e sinto a emoção do (re)nascer a história de Cristo. O menino iluminado nasceu simples, numa manjedoura na Terra Sagrada, e há mais de 2 mil anos muda o caminho daqueles que abraçam e amam o próximo; que têm o coração limpo de mágoas e ódios; que combatem o bom combate e que são bem-aventurados...
Na arrumação das minhas relíquias natalinas, lembro da minha mãe... Todos os anos, desde que aqui cheguei, era ela quem dava o "toque final".
Há 2 anos, porém, vivo o Natal sem ela; sem sua presença física e sentindo a ausência do carinho e amor que me dedicava...
Sinto o peito acelerar e doer forte, diante de tanta saudade!
No entanto, carrego uma retumbante certeza: lá do alto, ela brilha como um estrela cadente!
Agora e sempre, mamãe se junta a papai! Eles iluminam a minha casa, a minha vida, o meu caminho...
Ele trocou o macacão da fábrica pela farda da polícia. Dois modelos de disciplina, porém com feições diferentes. Cresceu correndo pelas ruas da pequena cidade, aquela rua cheia de vizinhos, aqueles vizinhos que criam os filhos seus e de outros como se filhos fossem. A vida lhe trouxe um lar, dentro do possível que se é um lar, com seus reverses autoritários, mas sempre com um contrapeso do olhar dos mansos.
Aumentou a fome. Mais de 3 milhões vieram juntar-se aos 10 milhões que já vinham esfomeados na pesquisa de 2018. Não é estatística do PT, é do IBGE, até agora insuspeitável em seus registros, seja em que governo for. “Mais de 10 milhões vivem em lares nessa situação” acrescenta.
Carros, calor, asfalto e logo ali há uma flor, num cantinho de muro, nos canteiros do meio-fio. Ela se abre em amarelo e branco durante poucos instantes da manhã para em seguida se disfarçar de mato. Por entre recantos, ao largo de pneus, de pés em sapatos apressados, de bancas de ambulantes, detalhes urbanos.
Nas décadas de sessenta e setenta, tempo de minha juventude, nosso programa preferido nas tardes de domingo eram as matinês do Astrea. Os clubes sociais não haviam ainda caído em decadência. Eles eram, portanto, os espaços favoritos dos jovens.
Percorridos os caminhos de “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, por mais de uma vez em trinta anos, livro revelador da alma humana, novas impressões me ocorreram.
Muitos motivos me levaram a retardar a releitura, porque é um livro inquietante, provocador e, por todo este tempo, busquei a opinião de estudiosos para alicerçar minha vontade de adentrar no mundo do mineiro que colocou a literatura brasileira num outro patamar. Não escondo, nem renego meu apego por “Grande Sertão: Veredas”, mesmo porque José Lins do Rego é meu consolo literário. Cada leitura refresca como água de riachos.
A primeira leitura foi estimulada por Nathanael Alves, com a recomendação de não se aperrear se largasse a obra antes do final. Assim ocorrendo, era um bom início. Haveria de retomar tempo depois, mais de uma vez durante trinta anos, contudo abandonado pela metade.
Quando escutei a conferência da professora Ângela Bezerra de Castro sobre a personagem Diadorim, tentado, inevitavelmente retornei a obra de Guimarães Rosa, com premeditara Nathan. Foi uma leitura lenta, rabiscando os contornos do livro, sublinhando palavras para mais tarde iluminar nossos reencontros.
Encontrei o professor Milton Marques Junior numa livraria comprando “Grande Sertão: Veredas” porque a antiga edição estava bastante riscada, para recompor sua biblioteca composta de obras de incontestável valor, com anotações para estudos. Ele motivou meu retorno a esse romance que há décadas me inquieta.
Em casa, naquela mesma noite, reiniciei a leitura deste livro com igual ansiedade de quando o peguei pela primeira vez, afinal continuo o leitor em busca da compreensão de sua leitura. Nathanael, Ãngela e Milton, de modo particular, e outros críticos literários, têm dados pistas para a com preensão desta obra-prima que a literatura brasileira produziu.
Agora, tanto tempo decorrido do primeiro encontro com o livro, que muito amedrontou, ainda passeio por suas páginas tentando desvendar as veredas, situações e entender os viveres que são tão grandes quanto os sertões. O Sertão de Rosas, menos rústico e sem as feridas que esfarelam nosso viver em todo verão entrante, é maior do que imaginamos e quem penetrar nele, sai diferente.
Lemos o livro como refrescando a memória, que se alarga a cada passagem narrada, como um riachinho onde usufruímos da sua água refrescante. A primeira leitura durou o tempo de o milharal crescer, do açude ganhar água, do sol secar a babugem. No decorrer dessa viagem até ouvir a estimulante aula da professora Ângela, outros passeios ocorreram por suas páginas até chegar ao recomendado pelo professor Milton, de que, no caso dessa obra, é pegar sem interrupção da leitura. Seguindo os conselhos dos dois mestres, mais uma vez fui agarrado pela leitura, como se fosse a primeira vez.
A manhã de João ficou feliz quando o contido Antenor lhe falou com entusiasmo sobre uma colega do curso de Química que o tinha encantado. Como naquela época ainda havia flerte, apresentação, conversa, aproximação, antes do namoro, levou algum tempo até o domingo em que Antenor apresenta sua namorada a João. Os três conversaram um pouco e João fica de ir à casa de Antenor no mesmo domingo, à tarde. Despediram-se, e João saiu perguntando aos seus botões como alguém poderia ficar encantado com uma “obra” daquelas.
O episódio nº 16 da Pauta Cultural entra no ar na ALCR TV com atualidades do mundo cultural participação dos autores, leitores e telespectadores do Ambiente de Leitura Carlos Romero.
Ninguém mais fala em Newton Rique. Acredito que nem mesmo em Campina Grande, cidade onde nasceu este paraibano operoso, cuja instituição bancária expandiu-se além das fronteiras estaduais, constituindo-se em emblema do empreendedorismo local, numa época que, infelizmente, ficou para trás. Refiro-me ao Banco Industrial de Campina Grande, com filial até no Rio de Janeiro.
A partir do final dos anos 1950 até meados de 1970, as suas músicas estavam sempre entre as mais tocadas nas rádios de todo o país. Compôs mais de mil canções, de todos os gêneros: baião, fado, tango, samba, bossa-nova, música de natal, marcha-rancho e até samba-enredo. Mas tinha uma habilidade especial nos boleros e nas canções marcadamente românticas. Todas as suas músicas tinham em comum uma característica: caíam no gosto popular. Ele era o que se chama, atualmente, um hitmaker. Além do mais, os seus grandes êxitos não ficaram restritos àquele determinado período temporal. Continuam a ser regravados e cantados pelo povo.
Jojoba tinha uma carreta velha. O que lhe encomendassem levar, estava pronto. Nasceu entre o condutor e a conduzido tamanha interação e amizade que dialogavam. Os parceiros de quilometragem, motoristas como ele, galhofavam: achavam que a carreta estava para lá de fuçada. Tinha freguesia certa de pequenos ou médios comerciantes. O que ganhava dava, no limite, para sustentar a pequena família, pagar as obrigações carimbadas nos boletos; no banco conservava pequena conta corrente e, para não mentir, um cartãozinho de crédito limitado, de baixo espaço para gastos
O planeta inteiro apenas para os dois irmãos povoarem! Um coordenaria e outro executaria o ousado projeto. Tal como uma tela em branco, perante a qual o pintor se depara sob prévia inspiração, foram incumbidos de moldar inúmeras formas de vida sobre aquele paraíso nada morto. Não havia limites. Toda criatividade era permitida, obviamente para resultados ao nível do berço em que brotariam privilegiados seres.
Faz algum tempo, escrevi: “O meu Drummond de cabeceira era o de alguns poemas experimentais do livro ‘Lição de coisas” e o de ‘No meio do caminho”, poema-catapulta através do qual ele arremessou a pedra do inconformismo poético contra os arraiais do ‘lirismo bem comportado’. Esse o Drummond com o qual o poeta adolescente que eu fui mantinha ‘afinidades eletivas’”. E concluía: “O outro, o arguto observador da vida humana, somente o descobri passada a febre das vanguardas, pois, até então, cultivava-se um discurso metalinguístico que havia praticamente abolido a ‘autobiografia do imaginário’”