Nas décadas de sessenta e setenta, tempo de minha juventude, nosso programa preferido nas tardes de domingo eram as matinês do Astrea. Os ...

As matinês do Astrea

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Nas décadas de sessenta e setenta, tempo de minha juventude, nosso programa preferido nas tardes de domingo eram as matinês do Astrea. Os clubes sociais não haviam ainda caído em decadência. Eles eram, portanto, os espaços favoritos dos jovens.

Saiamos eu e Agnaldo Azevedo, meu vizinho na Rua Sérgio Dantas, em Jaguaribe, e companheiro das baladas da cidade, de ônibus. Não possuíamos carro. Descíamos na Lagoa e íamos a pé até o Astrea. Procurávamos chegar bem antes do horário de início, de forma a que pudéssemos localizar
uma mesa que nos favorecesse a visão de todo o salão, o que facilitava a escolha de parceria na dança.

Fazíamos sempre uma aposta. Quem “abrisse o salão”, estaria livre de pagar o rum e a coca-cola que consumiríamos na festa. Era uma disputa interessante, não tinha favorito, havia alternância do ganhador das paradas. Mas era uma frustração quando, por uma opção equivocada, levávamos um “fora” da primeira garota que convidávamos para dançar.

Só íamos embora quando a matinê se encerrava. Caminhar à noite, pelas ruas do centro de João Pessoa, não era tão perigoso quanto hoje. Não vivíamos amedrontados com a violência urbana, porque praticamente não existia. Dificilmente acontecia alguma briga. A juventude que para ali se deslocava tinha os objetivos únicos de dançar e paquerar.

Estávamos em plena efervescência do movimento musical conhecido como “iê-iê-iê”. Em nossa capital existiam várias bandas de rock, elas se revezavam a cada domingo no clube de Tambiá. Os Quatro Loucos, The Gentlemen, Os Diplomatas, Os Selenitas, Os Tuaregs, eram os grupos mais conhecidos. Os sucessos dos Beatles, Rolling Stones, Renato e Seus Blue Caps, Os Incríveis e os cantores da Jovem Guarda, faziam a animação da moçada.


O que me impressiona é que as músicas tocadas naquela época enchem os salões nas festas de hoje. E vemos os jovens dançando vibrantemente ao som do rock e do twist dos anos sessenta. Para nós, que já ultrapassamos a faixa dos sessenta anos, essas tardes no Astrea ficaram como lembranças inesquecíveis, difíceis de serem apagadas da nossa memória.

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  1. Arael (Google)16/12/20 12:55

    Era, como bem lembra Fernando Aquino, aí em cima.
    Para, decerto evitar uma disputa inconcebível, esses clubes tinham horários diferentes, com as matinais do Cabo Branco animadas pelo conjunto de Aldemir Sorrentino (bom êmulo de Waldyr Calmon), tendo Bob Rabel como crooner.
    Bons tempos, que essa meninada de hoje nem imagina como era gostoso.

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  2. Parabéns🙌🙌🙌 Rui Leitão!!avivar lembranças que todos tivermos nessas gerações Aiiii e acolá!!
    Tive a minha também!!
    Paulo Roberto Rocha

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  3. Excelente lembrança, Rui! Também frequentei as matin~es do nosso tempo.
    Me lembro bem de Zé Ramalho tocando, dos Quatro Loucos, The Gentlemaen.
    Eu preferia as matinês do Astréa às do Cabo Branco

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    1. As meninas eram muito mais sociáveis, gostavam mesmo era de dançar.

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