Dublin, a capital da República da Irlanda, foi sempre um lugar que tive muita vontade de visitar. Sempre gostei de fazer turismo por minha ...

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Dublin, a capital da República da Irlanda, foi sempre um lugar que tive muita vontade de visitar. Sempre gostei de fazer turismo por minha própria conta, isto é, organizando meu roteiro particular e visitando só o que me interessa. O idioma inglês sempre me ajudou, graças ao incentivo de meu pai. A partir dos dez anos, ensinou-me as primeiras letras do idioma de Shakespeare, o qual me entusiasmei, estudando desde essa idade, nas Cultura Inglesa (Alan Douglas Bennett) e Francesa (Pierre Gallice). Aos 16 anos, já era professor de inglês da Cultura Inglesa e este fato, muito facilitou minha aprendizagem na vida profissional. Porém, sempre que pensava em viajar à Irlanda, havia o problema da passagem aérea. Muito cara. Um dia, recebi uma notícia da companhia alemã Lufthansa oferecendo um desconto de 40% de desconto no bilhete aéreo. Foi então que tive a oportunidade de conhecer esse interessante país.

"Quem enfrenta monstros deve permanecer atento para não se tornar também um monstro. Se olhares demasiado tempo dentro de um abismo,...

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"Quem enfrenta monstros deve permanecer atento para não se tornar também um monstro. Se olhares demasiado tempo dentro de um abismo, o abismo acabará por olhar dentro de ti”.


A frase de Nietzsche me vem à memória a cada novo episódio da batalha campal em que se converteu a política brasileira.

A pequena mercearia num bairro pobre de Cajazeiras e a rica intuição do merceeiro, pai de Nonato Guedes, respondem, não há dúvida, pela pa...

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A pequena mercearia num bairro pobre de Cajazeiras e a rica intuição do merceeiro, pai de Nonato Guedes, respondem, não há dúvida, pela parte que viemos ter, paraibanos de todas as latitudes, com esses três Guedes do jornalismo, das letras e da cordialidade. Tem a parte deles, sem dúvida, mas como está no livro, “há um chamado que todo homem experimenta, seja no interior da própria consciência, seja graças à convocação que vem de fora dele, por meio de outras pessoas e até de causas naturais, como a ecológica.” A gotinha seminal, exposta a influências, pode ser ajudada ou perturbada.

Três grandes descobertas, invenções ou criações foram, sem dúvida, o avião, a internet e a escrita. Coincidentemente, constituem elos form...

Três grandes descobertas, invenções ou criações foram, sem dúvida, o avião, a internet e a escrita. Coincidentemente, constituem elos formidáveis de comunicação. Para locomoção material, a aeronave é imbatível no tempo e no espaço. Promoveu notável interação presencial entre povos e lugares.

A internet é outro fenômeno que impressiona progressivamente, multiplicando possibilidades, expandindo-se em capilaridade assombrosa. A escrita, quem sabe, supere todas as invenções humanas. Ainda que não se tenha domado às virtudes do Esperanto, ideia que sucumbiu desacreditada.

A palavra, engenhosidade pensada para criar e combinar sons com significado linguístico, compôs dialetos falados que posteriormente se consolidaram na escrita, e é possivelmente o invento mais esplêndido! Aos poucos, ideias germinadas no pensamento que as compõe se codificaram capazes de definir, instruir, divulgar, registrar, transmitir a história dos povos entre povos.

E da palavra se fez poesia, literatura, diálogo, criou-se um outro mundo, em nova frequência de entendimento. Cultura, ciência, filosofia, dramaturgia, religião, ficção, e muitos outros tentáculos do saber se expandiram pelas letras propulsionando a evolução. Unidos e veiculados pelo milagre cibernético, a informação, o conhecimento, a sabedoria eclodiram e transpuseram limites com magnitude inimaginável. Que seria de nós sem a linguagem, os idiomas, a fala, a escrita, enfim?

Mas além das três grandes criações mencionadas no início, uma quarta sobressai-se por juntar todas as outras: A música! Linguagem que supera idiomas e barreiras, culturais ou cronológicos e atinge qualquer um que se afine à beleza. Talvez nela se consagre a sublime união de todo e qualquer elo, em tudo o que se entende como comunicação.

Entoada em melodias, desde a grécia antiga, declamou-se em liturgia solfejada na paixão do trovador ensimesmado. E tudo prosperou, dos motetos primitivos à comédia dos barrocos; dos jubilosos corais, entre missas, oratórios, a cantatas e elegias como a Ode à Alegria, de Beethoven e a transcendental “Ressurreição de Mahler”.


Só a música foi capaz de ir além do que se escreve. Ainda que o poema multiplique a abstração, que emerge e se expande tão difuso na emoção, ela fala uma língua que atinge o mundo inteiro, sem signos que limitem o que soa aos ouvidos pois se funde à alma toda.

É verdade que letra e música caminharam por milênios enlaçadas no intuito de criar e recriar sentimento e formosura. Mas nem sempre se obrigaram na intrínseca simbiose. Livres, uma da outra, são capazes de brilhar cada qual com sua luz.

Nas canções para piano que Felix Mendelssohn escreveu, prescindiu de utilizar algo além da melodia. Era essa a intenção. Demonstrar que sem letras o canto pode exprimir o que todos compreendem, mesmo que entre si não professem a mesma língua.

Mendelssohn publicou 48 “Canções sem palavras”, em vários opus (capítulos) que permearam cronologicamente quase toda sua obra; de 1829 (com 20 anos) a 1845, dois anos antes de seu desenlace, aos 38.

Adotou o formato de voz acompanhada, à imagem do canto lírico, em que o solo tem suporte rítmico sonoro de um ou mais instrumentos, ou de uma orquestra inteira. Com admirável riqueza criativa, tais acompanhamentos não se limitam a estabelecer planos harmônicos para servir apenas de base ou recheio sobre os quais o canto se desenvolve. Nestas canções de Mendelssohn, exclusivas para piano, a voz solista se posta como tradicionalmente nos registros mais agudos, harmonizando-se com as demais camadas sonantes que volitam, juntas ou independentes, caracterizando o significado peculiar da expressão mais próxima das “palavras”, em cada conto que se canta.

O que se diz de algo, o que se narra ou se descreve, não se mostra com a precisão literária, por vezes incapazes de retratar com total fidelidade a intenção exata do narrador.

E não é esse o propósito; de ser exato, óbvio, e sim deixar que variadas sensações se multipliquem com a mais diversa volatilidade. E assim suscitar o lirismo, a ficção romanesca, a história que nos transporta pela leitura à imaginação sem fronteiras, a ideias que se promanam multíplices, em espectros que reluzem conforme ecoam na intimidade sentimental de cada espectador.


Ainda que se configurem como canto marcado pela linearidade melódica que flui amparada e em harmonia com o conjunto sonante, as canções de Mendelssohn não descrevem ou sugerem apenas poemas. Elas produzem imagens, paisagens, cenários e contextos existenciais que emanam e se propagam impulsionadas pela comoção de cada instante, desenhando-se no imaginário pessoal, da maneira mais sutil e multímoda possível.

As frases insinuam diálogos estabelecidos reciprocamente, não apenas entre a música e o ouvinte, mas com paisagens que se estampam em janelas, fictícias ou não. Desvelam conversas mágicas entre os eus poéticos que se versatilizam em profícua atmosfera, povoada com difusos pensamentos. A riqueza dos significados percebidos nestas canções se avultam na proporção do que fazem brotar intimamente. São momentos únicos, infinitamente variados, pois se transmutam cada vez que se ouvem, criando luz e imagens próprias. Não há idioma específico. Não há barreiras linguísticas ou interpretações alheias. As músicas são sussurradas muito além de qualquer sentido semântico, em segredos íntimos, particulares,
que envolvem e fundem a arte, autor e espectador numa conexão que transcende qualquer linguagem.

É aí que reside o sentido que deu nome ao mais significativo capítulo da obra pianística de Mendelssohn - As canções sem palavras!

Algumas foram nominadas por ele, como a quinta do opus 62: “Gôndolas Venezianas” . Embora a tessitura cantante sugira o balanço do barco a deslizar pelos canais da bela cidade, impregnado de romantismo desde o desenho sinuoso a muitas histórias às quais, real ou simbolicamente se ligam, outras cenas são captadas. Um dia chuvoso, por exemplo, pode fluir na direção do ouvinte, por entre a janela enevoada, com a neblina lá fora respingando. É muito próxima deste aconchego a imaginação que se esboça ao som desta canção.

Na seguinte, nº 6, do mesmo opus, a Canção da Primavera (título dado por Mendelssohn), são borboletas que esvoaçam na manhã ensolarada, bailando graciosamente pelas flores de um jardim perfumado e acariciado por resquícios do orvalho que ainda brilha. Volteiam na mesma delicadeza das notas que parecem ter a cor de cada flor, em cada asa, em cada pétala.

Na primeira canção deste opus 62, são nuvens que transitam ao longe, por um céu saudosamente tênue; umas mais iluminadas do que outras, passeiam nos arpejos em distintas velocidades.


Os contornos se alteram na medida que desfilam, dentro ou fora do sentido. Nada disso está explícito em palavras, mas é dito com a clareza que ecoa na emoção.

Na opus 67, nº 2 , um casal de abelhas em colóquio e circunlóquio perseguem-se voejantes rumo ao néctar que emerge da poesia que as atrai. O ritmo que sustenta o canto rodopia ondeante na doçura que aflora, e as frases acompanham o bailado que se agita na mais pura floração.

A canção Opus 85, nº 4 , é um diálogo com as coisas do passado. Reflexões sobre o que se fez, ou não se fez, vêm à tona Ora resignadas pela compreensão existencial mais ampla, ora com nostálgica lacuna da frustrada incompreensão de suas razões de ser. Reminiscências tão antigas, mescladas de ternura, nostalgia e saudades que suplicam ou se acalentam com grata intimidade. Do amor que tudo cura, tudo vence e supera, na arte que se ouve com tamanha perfeição.
Algo que foi dito, ou deixou de ser falado, também se evidencia na canção a recordar um passado que dormia, mas que agora vem à tona em sublime harmonia.

Na canção opus 102, nº 5 , que leva o nome de “peça infantil”, todas as brincadeiras infantis são recontadas. Crianças saltitantes, serelepes ressuscitam, se renovam em correria no seu mundo colorido, capaz de ser vivido novamente em melodia.

Há também as confidências percebidas nas “palavras” da canção opus 102, nº 4 : “Eu bem que te avisei, quis dizer e não me ouviste. Insisti, fiz-te ver que o amor era o caminho, mas a vida separou rumos que se prometiam”… Com afetuosas ponderações, tais confissões traduzem a paixão contida no que oportunamente revelam estes momentos de sincero desprendimento. Há pedidos de desculpas sutilmente compensados na certeza de que tudo foi esclarecido e mantido num futuro esperançoso.

Na opus 67, nº 6 , inesquecíveis valsas dançadas quando enamorados surgem com a nitidez de então, trazendo toda a graça coreografada nos envolventes compassos que avivam o dourado anos que passaram, mas que nunca se esqueceram.

Reverências corteses ao estilo igualmente dançante da canção opus 62, nº 4 , remontam ao período dos minuetos, das danças de salão, ornamentadas ao estilo mais rebuscado, tanto na indumentária como nos cavalheiros gestos de outrora. Falam-nos de uma delicadeza que se perdeu no tempo da vida moderna, mecanicamente árida, veloz e portanto agressiva, sobretudo quando ouvidas nos dias atuais.


Fôssemos falar de todas estas peças, infinitas seriam as possibilidades de descrever tudo o que nos dizem as Canções sem palavras. Haveria o que contar a cada dia, a cada instante, por anos e décadas a fio, tal como criadas há quase dois séculos. Não seriam assim tão ricas se houvessem sido escritas, sem a liberdade que se abstrai no sentido que projetam.

Idiomas nasceram, idiomas morreram. Dialetos se extinguem, serão outras línguas mortas. Mas a música ultrapassa qualquer letra sem ter letras. E o canto sem palavra que aqui foi mencionado, viverá, reviverá, nascerá, renascerá em qualquer povo e lugar, sem amarra nem escudo, entoando com clareza a linguagem que supera as fronteiras da grafia porque fala ao coração.

A pandemia tem feito com que a gente sinta, com muito mais intensidade, a saudade de um abraço. Aquela vontade enorme de abraçar as pessoa...

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A pandemia tem feito com que a gente sinta, com muito mais intensidade, a saudade de um abraço. Aquela vontade enorme de abraçar as pessoas que amamos e que, por força das circunstâncias, estão distantes fisicamente. Esse gesto simples, mas tão carregado de sentimentos e emoções, é a expressão mais verdadeira de afetividade e afinidades. O necessário isolamento social a que estamos obrigados a vivenciar, tem nos maltratado nesse aspecto, fazendo com que sintamos a falta do calor humano que só o abraço pode proporcionar.

O vermelho em sua obra retratava o artista errante, mas violência de sobra ceifou, mais cedo, um gigante. Caravaggio foi um dos maiores ...

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O vermelho em sua obra retratava o artista errante, mas violência de sobra ceifou, mais cedo, um gigante.

Caravaggio foi um dos maiores artistas do barroco italiano e viveu no século XVI. Dono de uma personalidade forte e um estilo extravagante, grande parte de sua obra chocou, e ainda choca, a sociedade. Sua pintura foi considerada revolucionária para a época, seja nas técnicas utilizadas, seja nas pessoas retratadas.

Esse livro de Francine Prose resgata a velha definição de que a literatura é a “arte da palavra”. O grande compromisso de quem escreve é c...

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Esse livro de Francine Prose resgata a velha definição de que a literatura é a “arte da palavra”. O grande compromisso de quem escreve é com a matéria verbal, que se deve explorar em todas as suas possibilidades.

Muitos, sobretudo no meio acadêmico, parecem se esquecer disso. Utilizam o texto como pretexto para a veiculação de mensagens, conceitos e dogmas ligados a outros domínios do saber. Ou como instrumento de pregação ideológica. Tais pessoas, observa a autora, não amam a literatura. O que significa ler como um escritor?

Não há o que mais me impressione no ser humano do que vê-lo pintando bisontes e mamutes nas paredes e tetos das cavernas, há 15 mil, 30 mi...

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Não há o que mais me impressione no ser humano do que vê-lo pintando bisontes e mamutes nas paredes e tetos das cavernas, há 15 mil, 30 mil anos. Talvez por isso, a primeira forma de arte que encarei tenha sido a pintura e, antes dela, o desenho. Posaram para mim o meu avô, meu pai, mãe e irmãos.

"Fosse o pó o essencial da escultura, a matéria valeria mais que a arte, e o vazio seria a verdade celebrada por todos". ≗ Jorg...

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"Fosse o pó o essencial da escultura, a matéria valeria mais que a arte, e o vazio seria a verdade celebrada por todos". ≗ Jorge Elias Neto "Assim, os sacrifícios, e os Sacrifícios do altar, e as esmolas de qualquer espécie, que são oferecidas para todos os mortos, para os muito bons, são ações de graças”. ≗ Santo Agostinho

Ser o primeiro, no sentido de ser o titular, o superior, o chefe, nunca foi fácil, em qualquer circunstância. Mas ser o segundo, no sentid...

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Ser o primeiro, no sentido de ser o titular, o superior, o chefe, nunca foi fácil, em qualquer circunstância. Mas ser o segundo, no sentido de ser o substituto, o vice, o sub, então nem se fala: é mais difícil ainda. Se não é todo mundo que sabe ser o primeiro, como os exemplos nos mostram, menos gente passa no teste de ser o segundo. Claro que muitos não veem nenhum problema, nenhuma dificuldade em ser o primeiro ou o segundo. Tiramos de letra, dizem esses açodados que geralmente se saem muito mal, tanto sendo o primeiro como também o segundo. Tudo é arte: ser o primeiro e ser o segundo, mas a de ser adjunto é mais sutil e exigente, não há dúvida.

Numa manhã sem graça, há mais de vinte anos, quando minha irmã comunicou pelo telefone que nossa mãe havia morrido, após deixá-la no hosp...

Numa manhã sem graça, há mais de vinte anos, quando minha irmã comunicou pelo telefone que nossa mãe havia morrido, após deixá-la no hospital na noite anterior, abaixei a cabeça como último gesto em reverência àquela que concluía sua paisagem humana entre nós e, retornando à casa do Pai Eterno, deixou lições e saudades. Nunca estamos prontos para receber semelhante notícia, mesmo sendo algo inevitável, que desejamos demorar chegar.

Tomé era um homem preguiçoso. Ninguém sabe o porquê, mas já faz uns anos que bateu uma imensa preguiça nesse cidadão. Preguiça daquelas, b...

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Tomé era um homem preguiçoso. Ninguém sabe o porquê, mas já faz uns anos que bateu uma imensa preguiça nesse cidadão. Preguiça daquelas, bravas. De fazer inveja àquele bicho de unhas compridas que carrega no nome o estigma da inércia, da lombeira, do marasmo, da sornice e não sei mais lá quantos desses adjetivos. Sabem de qual bicho estou falando, não sabem? Pois é ele mesmo. Tanto foi que nosso amigo passou a ser chamado de Tomé Sossego ou Doutor Sossego, já que era delegado de polícia na cidadezinha que aqui chamaremos simplesmente de P.

O último dia 20 de abril marcou mais um aniversário de Augusto dos Anjos. Há 137 anos, ele veio ao mundo; há 109, a força de sua poesia fo...

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O último dia 20 de abril marcou mais um aniversário de Augusto dos Anjos. Há 137 anos, ele veio ao mundo; há 109, a força de sua poesia foi plasmada em um livro singular, sob todos os aspectos – título, vocabulário, ritmo, sonoridade, concepção... –, há 107, morria o homem e, com ele, o poeta, desconhecidos ambos, mas deixando um legado incomparável à literatura.

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A passagem de efemérides, principalmente de datas cheias, leva ao reavivamento de fatos passados relacionados com as comemorações. E não seria diferente no caso dos oitenta anos de Roberto Carlos, indiscutivelmente nosso cantor mais popular.

Era fim de ano de 1953, uma manhã de redação só animada pelos sinais de radiotelegrafia do noticiário. Eu estava sozinho antecipando o not...

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Era fim de ano de 1953, uma manhã de redação só animada pelos sinais de radiotelegrafia do noticiário. Eu estava sozinho antecipando o noticiário nacional da Meridional, a agência Associada, enquanto Felizardo Montalverne, o supervisor trazido de Fortaleza, era aguardado para o fechamento da página que ao meio-dia entraria em composição. Era o tempo do jornal quente com linhas fundidas em estanho e chumbo, que eu vi com um misto de espanto e milagre ao encarar a linotipo.

"O que tem de acontecer tem muita força" José Américo de Almeida é conhecido como admirável escritor e político, do século pa...

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"O que tem de acontecer tem muita força"

José Américo de Almeida é conhecido como admirável escritor e político, do século passado. Além de ser orgulho para o nosso Estado, ele povoa minha mente sob outro ângulo: intérprete da essência da Vida. A didática é simples e direta: suas brilhantes frases, exemplificadas por lições objetivas, se encontram revestidas de pura sensibilidade.