O som das ondas do mar acaricia o meu corpo como um leve afago, era o que estava precisando. Este dia que me faz voltar ao mar para sentir ...

A carícia necessária

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O som das ondas do mar acaricia o meu corpo como um leve afago, era o que estava precisando. Este dia que me faz voltar ao mar para sentir o afago, também me coloca no mundo real.

Já faz 14 anos que não tenho mais você aqui. O carinho e o amor ficaram em outra dimensão, em uma lembrança, num olhar solto na paisagem, num cheiro, ou no barulho de uma porta que não é aqui. Não tem ninguém para chegar, e como era bom ver você chegar… A música solitária no rádio do carro ainda toca e me toca. Agradeço tudo o que vivemos, tudo que construímos nas nossas almas.

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Acho que vou lhe contar como estou agora, depois desse tempo, assim relembro o tempo que namorávamos por carta.

Apesar de tudo a terra continua linda, com sua beleza singular e diversa ao mesmo tempo, o mar hoje estava especialmente belo, prateado, calmo e seco, acho que era para você. Imagine que estamos no meio de uma pandemia, em quarentena há pelo menos 127 dias. Eu só saio para tomar 10 minutos de sol e quando não há ninguém na rua. Um vírus ameaça todos no mundo inteiro. Aqui no Brasil temos 2 milhões de pessoas infectadas e quase 80 mil mortes. Mesmo assim, muitas pessoas não acreditam no perigo e insistem em fingir que a vida está “normal” e vão para rua fazer tudo como se não houvesse perigo.

Como manter a sanidade numa situação dessa? Difícil. Estou como uma onda no mar, um dia calma, serena, no outro, revolta, remexida, cheia, cheia de muitas coisas. De medo, de ficar só, de não ter como pensar no futuro, de não ter liberdade literalmente. Mas também cheia de beleza da natureza em minha volta, vista nos pequenos detalhes, nos tons das flores silvestres, nos pássaros que vêm na janela para me dar um alento nesse momento.

É tempo de reflexão, de aprendizagem, de crescimento interior. Estou meditando mais, lendo menos, escrevendo mais, me aborrecendo menos, às vezes triste, às vezes plena, às vezes sem saco, às vezes com saco. Já tive pânico, palpitações, dor de barriga e impetigo acredita? Mas tive momentos produtivos, de escrever histórias para os netos, pequenas crônicas e até começar um curso de escrita. Acho que está crescendo aqui dentro uma vontade de levar adiante um desejo de muito tempo...

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Estou mais disciplinada e consciente de toda proteção que é poder ficar em casa. Estou morando em um apartamento com uma vista para um terreno cheio de vegetação natural, que cresce linda, com flores brancas, amarelas, lilases e muitas borboletas. Sim, agora tenho a companhia de uma gata, que às vezes esqueço e a chamo pelos nomes das gatas que tivemos.

Muitas lembranças que chegam aqui neste confinamento. Chegam como carícias, recordando coisas que vivemos juntos. Não é só uma saudade, mas a sensação de prazer por ter vivido. Estou fazendo terapia, o que me ajuda muito, com o conforto de ser em casa, pelo celular, que agora tem vídeo e podemos ficar quase na casa do outro. É assim que converso com a maioria das pessoas. É bom, ajuda.

Pelo celular também podemos ouvir livros narrados com uma voz agradável, entrevistas, palestras e uns tais de “podcasts”, que são conversas entre pessoas, como entrevistas, sobre os temas os mais variados. Há música também. Podemos ouvir qualquer artista da nossa escolha, ou assistir aos artistas fazendo seus shows em casa, com as pessoas interagindo, mandando corações e outros símbolos de afirmação de que estão gostando. Mas podem dizer que não gostam também.

Podemos fazer Yoga, ginástica, meditação, ver receitas de culinária, tudo em vídeo ou em áudio. Podemos assistir a filmes diversos, tudo isso ajuda muito, mas, às vezes, nos dispersa daquilo que queremos mesmo fazer. Nesse cenário de hoje, só tenho uma certeza: de que com você vivi os momentos mais felizes da minha vida. Com todo meu amor!


Rejane Vieira é graduada em comunicação e consultora do IPHAN
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