TODO OUVIDOS O eu lírico sofre de delírios esquizofrenoides: Ponge ouve coisas; Bilac ouve estrelas; Gullar, muitas vozes.

Livros crepitam no forno das estantes

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana sergio de castro pinto seis poemas infancia copa do mundo cirurgia catarata debora pires

TODO OUVIDOS
O eu lírico sofre de delírios esquizofrenoides: Ponge ouve coisas; Bilac ouve estrelas; Gullar, muitas vozes. COPA DO MUNDO DE 1958
(Aos speakers Waldir Amaral, Jorge Curi e Oduvaldo Cozi)
no rádio, as vozes eram válvulas de escape do imaginário. eram vagens de imagens que eu debulhava grão a grão: sintonizava o dial do rádio nas ondas da imaginação. INSTANTÂNEO
o gatilho o tiro o estampido e uma nuvem negra de pássaros desarvorada chispa da árvore como estilhaços de bala COMUNHÃO
livros crepitam no forno das estantes livros são pães eucarísticos crocantes OPERAÇÃO CATARATA
(À Dra. Débora Pires)
O ato cirúrgico transcorreu assim: a doutora encontrou e devolveu os perdidos óculos de Miguilim. INFÂNCIA
a infância recendia à lavanda das estampas do sabonete eucalol. e eu – estrela de primeiríssima grandeza – alumiava meu pai, minha mãe, meus avós.


Sérgio de Castro Pinto é doutor em literatura, professor e poeta, membro da APL
COMPARTILHE
comente via facebook
COMENTE
  1. Parabéns ..Sergio de Castro Pinto!!
    BOAS poesias!!!
    Paulo Roberto Rocha

    ResponderExcluir
  2. Caro amigo
    Como sempre, sua poesia nos surpreende com o seu fino humor.

    ResponderExcluir

leia também