“Um homem médico é, pois, igual em valor, a muitos outros, para retirar dardos e aplicar fármacos calmantes.” (Idomeneu a Nestor, em plen...
A medicina entre o clássico e o popular
Sempre que vai um ano e vem outro, é comum refletir sobre o que se viveu e fazer planos para o futuro....
Um brinde aos sobreviventes
2021 vai ser o ano da vacina. Ou das vacinas, pois haverá muitas, com diferentes níveis de eficiência para as distintas faixas da população. O vírus não se extinguirá sem que em nosso organismo proliferem os anticorpos capazes de devorá-los. Curiosamente, ainda assim há quem se oponha a esse inestimável recurso da ciência – por ignorância, birra ou (o que parece mais comum) posicionamento ideológico. Chega-se ao ponto de desejar o fracasso de quem se empenhe em importar um tipo de vacina que tenha mais eficácia na cura da doença.
A vida é um processo de ajustamento contínuo às circunstâncias. Chegamos aonde chegamos na escala evolucionária devido à nossa ilimitada capacidade de adaptação. O ser humano se adapta a tudo, pois o instinto de conservação o impulsiona a ir em frente. Mas “ir em frente” não significa necessariamente evoluir. Pode significar, como no atual momento, apenas sobreviver. À meia-noite do dia 31, brindaremos sobretudo à nossa sobrevivência num ano em que tantos se foram.
Há que se entender ou não o "ornitorrinco do pau oco"? Eu, por exemplo, vivo em busca de algum autoentendimento. Só recentem...
Eu me apresento
Eu, por exemplo, vivo em busca de algum autoentendimento. Só recentemente, relendo uma definição do Breviário da decomposição, de Emil Cioran, é que me descobri um pessimista entusiasmado.
Mas, antes de uma definição psicológica, quem ler esta coletânea de meus três primeiros livros já publicados, em que incluí poemas inéditos, terá primeiro uma impressão de estranhamento e de curiosidade: o porquê de meu nome.
Todas as vezes que via essa data, 2020, imaginava algo estranho. Gostava mais do 1982, 1986, 1995... até 2019, ainda ia. Eu me sentia em c...
Insuportável 2020
O Ano Novo estava para chegar. O rebuliço tomando a casa: a mesa se enfeitando de comidas variadas. Luz faiscando por toda a parte, cumpr...
Parábola do Ano Novo
Narinha e o marido Durvalino não perdiam um pagode nas tardes de sábado, lá no botequim do Alcides. Dos que freqüentavam aquele samba, Cel...
Narinha e a ambulância
No que pese a importância dos estruturalismos, houve quem utilizasse os gráficos, os esquemas, as chaves, os colchetes etc., como se foss...
O visgo das coisas
Parte III Um banquete na abadia Tenho verdadeiro fascínio por abadias. Antes havia lido muito sobre a primeira que iria conhece...
Percorrendo a rota do vinho tinto (III)
Um banquete na abadia
Em seu 18º episódio, a Pauta Cultural da ALCR-TV homenageia 3 textos de autoras que se revelaram pela acolhida e recepção com relevante nú...
Pauta Cultural (Ep. 18)
A pretexto do Natal de luzes falsas, mais de venda que de louvor, sem que se apresente em tempo o ouro dos paus d’arco nem o fervor amoro...
Balduíno e as ilhas da liberdade
Sou do tempo (isto é apenas um fato, não um juízo de valor) em que experiência era algo que se fazia em laboratório, com pipetas e tubos de...
Sobre experiências
O “Memorial do Convento” é um dos principais romances do escritor português José Saramago , Prêmio Nobel de Literatura. O livro trata da c...
O Padre que queria voar
Por ser professor de pós-graduação em uma empresa com atuação nacional, com certa frequência estou em algum aeroporto. Geralmente, entre a ...
Leveza e mobilidade
Nestas esperas, fico observando o vai-e-vem das pessoas: aos grupos, sozinhas, com pressa, com crianças, enfim, cada uma de sua forma. Contudo, chama-me atenção dois diferentes tipos de pessoas: os idosos e os cadeirantes: eles não ficam presos às suas limitações, mesmo que, para isso, precisem da ajuda de alguém. Simplesmente vão! Não se rendem às dificuldades e encontram alguma forma de atingir seus objetivos. Tais exemplos, podemos trazer para nossas vidas.
Assim, da mesma forma que existem pessoas que buscam a mobilidade física, também se deve buscar a mobilidade emocional! A leveza é que traz felicidade, e este deve ser o nosso o objetivo: alcançá-la, mesmo encontrando pedras no caminho. Em nosso DNA, está a resiliência.
Encontrar pessoas prostradas pelos becos da vida, sem saber lidar com seus sofrimentos e limitações, que deixaram de sonhar, entregues à apatia, não é raro ou incomum. Ficar chorando as dores do passado só vai trazer peso à nossa alma. É necessário quebrar os grilhões que nos acorrentam a sentimentos dolorosos, armazenados no coração. Limpar a mente de pensamentos tóxicos, nocivos, que inundam o coração, que nos fazem enxergar os problemas com lente de aumento e embaçam o olhar para o horizonte, é uma forma de conquistar mobilidade. Retirar todo este “peso” extra, trará leveza para a vida, dará condições de passos mais largos, com sonhos bem traçados, sem âncoras a nos prender, para, finalmente, encontrar novos portos.
Minha mãe nasceu em Itabuna , Bahia. E desde então a Bahia faz parte da minha vida. Daquela cidade cacaueira saiu a belíssima e exótica Mi...
Eu vim da Bahia
Na antiga Vila de Batalhão, um cavaleiro andante iniciou uma viagem sem volta. Ancorado em seus oitenta e oito anos intensamente vividos, ...
Balduíno Honoris Causa
Partida quando eu estiver velhinho, cheio de rugas só os galos estarão cantando o amanhã e o pasto já terá incendiado ...
'Quando eu ficar velhinho...'
Sempre achei que os estudos científicos sobre o comportamento humano são profundas viagens. Lembro-me de que na década de 1980, já lia os ...
As viagens do circuito hormonal
Difícil imaginar um pai perder sua única filha, vítima de doença súbita com apenas 5 anos de idade, logo após ser sentenciado com endocard...
A Canção da Terra
Choveu pela manhã... Uma água leve, pequenas gotas que se derramavam no asfalto, nem chegavam a ser suficientes para banhar a cidade. Era i...
Choveu pela manhã...
Fica longe e faz muito tempo. Não me lembro, portanto, quem tenha me animado a pegar o giz e sair garatujando em portas e janelas a alegri...
'Que a germinação se faça!'
À guisa de introdução. Desde muito tempo admiro as crônicas de José Augusto Romero, ou “Seu Romero”, como respeitosamente assim o chamo. ...
O Mestre nasceu
A casa era de madeira e a mesa havia sido feita por meu pai, marceneiro amador. Sobre ela, a toalha de motivos natalinos, bordada em ponto...
Nossos cálices sagrados
Em tempo de pandemia parece que até a natureza sente sua ação devastadora, pois a devastação é perceptível. Basta olhar as praças e os arr...
As acácias e os ipês
Ele estava seriamente desconfiado de que Papai Noel não existia. Os pais protestavam, não queriam que se despedisse tão cedo da infância (...
A verdade e o sonho
Um pouco de Natal Ponha um pouco de Natal Na sua preocupação, Acenda velas de tranquilidade, Deixe que venham a paz e a oração....
Seja sua própria árvore
Inspirado no belo texto de Germano Romero , " Poema de fogo e luz ", sobre a sinfonia de Scriabin , resolvi escrever um pouco s...
Prometeu e o início da civilização
Essa frase não é minha, foi proclamada pelo filósofo Sócrates, mas expressa uma grande verdade. Ninguém pode se considerar uma pessoa com ...
'A sabedoria começa na reflexão'
A Pauta Cultural da ALCR-TV, segmento do Ambiente de Leitura Carlos Romero, exibe neste episódio nº 17 uma visita a algumas cidades da Ale...
Parte II Um célebre jantar na Borgonha Após dez dias na França, sendo uma semana em Paris e três dias no Vale do Loire, partimos...
Percorrendo a Rota do Vinho Tinto (II)
Um célebre jantar na Borgonha
Nós escolhemos este destino por três motivos: conhecer uma abadia; conhecer o famoso “Hôtel Dieu”, na cidade de Beaune; e comer um boeuf borguignon! Começamos pela cidade de Beaune, deixando a abadia para o dia seguinte.
É também estratégica porque, por exemplo, fica ao sul de Dijon, outra cidade medieval, bastante conhecida por sua culinária, com destaque para a mostarda. Fica a nordeste de Autun, cidade do Chanceler Rolin, político muito importante da região, na Idade Média.
Beaune é uma cidadezinha da idade média tipicamente francesa, simpaticíssima. Possui várias atrações, mas o destaque mesmo é o hospital-museu L’Hospice de Beaune, também chamado Hôtel Dieu. Foi fundado em 1443 pelo chanceler Nicolas Rolin, natural de Autun, na Borgonha, e sua esposa, Guignone.
A Guerra dos Cem Anos deixou como herança muita fome e pobreza para os borgonheses. Casal muito católico, possuidor de sensibilidade social muito elevada, preocupavam-se com o sofrimento das classes inferiores borgonhesas. Assim, resolveram criar um hospital para as pessoas carentes. Durante o resto da sua vida, o casal destinou-lhe uma subvenção anual e participação nos vinhedos e usina de sal.
O hospital possui o telhado multicolorido, proporcionando um efeito visual muito atraente e agradável. Ao conhecê-lo, acessamos inicialmente pela cozinha. Como todas as instalações do hospital, muito bem conservadas, a cozinha está toda montada com a reprodução de uma cena do seu dia-a-dia. Bonecos de cera animados representam freiras, cozinheiras e ajudantes de cozinha, umas lavando louças, esfregando o assoalho, e outras depenando um pato ou destripando um coelho.
A ala seguinte, em ângulo reto com a primeira, uma enorme enfermaria com camas que eram usadas para realizar cirurgias. Nesta ala, duas estruturas no piso chamam atenção. A primeira é uma fenda transversal, longa e estreita, com poucos centímetros de largura. A guia turística nos explicou que era por essa fenda que escorria toda a água suja da lavagem do salão, despejada sobre o canal, que passa logo abaixo do hospital.
A outra estrutura tem uma explicação macabra: trata-se de um buraco redondo, largo, tampado por uma grande peça de metal. Por ele eram jogados restos de membros amputados e outras peças cirúrgicas.
Após a visita ao Hôtel Dieu, fomos conhecer o Museu do Vinho de Borgonha, no centro de Beaune.
Neste museu, instalado em um belíssimo prédio, o antigo Hotel des Ducs de Bourgogne, nós tivemos a oportunidade de acompanhar a história da vinicultura na região central da França.
Nele pudemos ver como evoluíram os equipamentos de produção agrícola, e os recipientes para a deliciosa bebida, desde alforjes até as garrafas dos dias de hoje, passando pelas ânforas de cerâmica. Também conhecemos a evolução dos modelos de taças, com a especificação do uso de cada uma. O museu conta, também, a história dos artifícios usados para vedar os recipientes, desde o cimento feito à base de osso moído até a rolha.
À noite fomos até o restaurante Le Fleury para conhecer a mais célebre atração gastronômica da Borgonha: o boeuf bourguignon!
Este prato tradicional da Borgonha é um ensopado à base de carne de gado charolês e vinho borgonha, claro. Além disso, são utilizados cogumelos, cebola, bacon e bouquet de garni, que são ramos de ervas aromáticas. O prato é acompanhado por batatas e torradas com alho.
Considerada uma das melhores da França, a iguaria é também o prato mais representativo da Borgonha. São necessárias muitas horas de cozimento em fogo baixo. Há chefs mais exagerados que levam pelo menos um dia até o prato ser considerado pronto para ser degustado.
Com este jantar demos por encerrada a nossa visita à cidade de Beaune. No dia seguinte partimos para conhecer a Abadia de Fontenay, tema da próxima crônica de viagem.
Você sabia, leitor, que estão construindo um centro comercial nos jardins da sede social do Esporte Clube Cabo Branco, no Miramar, desfig...
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Bonobo, meu primo peludo de sangue quente
A minha primeira leitura dessa obra já tem sete anos. O retorno agora, com outros olhos, me fez ver alguns detalhes que, à época, me passaram despercebidos, por total desconhecimento do assunto. Depois da leitura de oito livros de Dawkins, comecei a enxergar melhor o que ele tem para dizer, admirando-me com um conhecimento que deveria estar na escola básica. Enquanto batemos cabeça com uma escola que teima em ser modernosa, deixamos de lado um saber que nos faria entender melhor quem somos, o que poderia nos aproximar um dos outros e nos ver com mais respeito.
Ateu confesso, darwinista ferrenho, Richard Dawkins é chamado por seus detratores de “o bulldog de Darwin”. No entanto, o que ele nos diz abre a nossa compreensão para a nossa origem como seres vivos, não só como seres humanos. A grande história da evolução é um livro singular, por várias razões, a estilística inclusive, mas bastaria uma para encantar o leitor: tendo em vista que a ciência já revelou como aconteceu a evolução da espécie, Dawkins resolve contar a história da frente para trás. Assim, ele parte para uma peregrinação em direção ao passado, do Homo sapiens às Eubactérias. Que cientista compararia, por exemplo, essa visão ao contrário da evolução com os Contos de Canterbury, de Chaucer, tomando, a exemplo do inglês, os seus peregrinos – todas as espécies de seres vivo –, narrando contos, “enquanto se dirigem à sua Cantuária, que é a origem da vida”? (p. 28).
Aproveitamos a oportunidade, acompanhando o raciocínio de Dawkins, para explicar que evoluir não significa, necessariamente, melhorar. Evoluir significa que houve uma volta para fora, que algo se expandiu para além do que era e, dentro da lógica da evolução, não foi o melhor ou mais bonito ou o mais forte, mas aquele que melhor se adaptou ao ambiente e conseguiu passar o seu gene adiante. Saiu de si e expandiu-se para outra geração. Um dos exemplos de Dawkins é excelente para ilustrar e destruir nossa ilusão de melhores entre todos os seres vivos: os andorinhões conseguem se manter no ar por um ano ininterrupto e copular em pleno voo. Eles, se pudessem refletir, falar e escrever se considerariam, com certeza, o ápice do progresso evolutivo... (p. 23).
Este retroceder de que fala Filippenko e que Dawkins faz, tendo como limite a vida na Terra, é necessário, porque assim celebramos “a unidade da vida”, enquanto que contar a história da evolução como já se fez, da bactéria para o homem, “exaltamos a diversidade” (p. 23). Ora, a diversidade já conhecemos e isto nos trouxe muitos dissabores, separações, segregações, ódios, guerras. Precisamos conhecer o que nos une a todos, como seres vivos, para que possamos nos aproximar, tendo a consciência de que somos um único organismo, ainda que disperso num mesmo sistema complexo. O importante nessa peregrinação é a consciência de que o DNA é a grande prova de que “todos os seres vivos são primos” (p. 31).
Esse parentesco nos é garantido pelo esclarecimento que Dawkins nos fornece a respeito do que é o DNA, um alfabeto de 4 letras, com um dicionário limitado de 64 palavras de três letras apenas. Esse dicionário, contudo, “é universal e não muda”. Já o DNA muda muito lentamente e vai deixando, através das gerações sua “história urdida no tecido dos animais e vegetais modernos e inscrita em seus caracteres codificados” (p. 38). Essa mensagem é não só maravilhosa, ela é inconfundível, pois “homens e bactérias possuem sequências de DNA tão semelhantes que parágrafos inteiros são idênticos, palavra por palavra” (p. 43).
Uma última palavra. Mesmo sendo ferrenho darwinista e ateu juramentado, a maneira como Richard Dawkins nos apresenta o seu livro faz-nos crer ainda mais numa força poderosa que comanda inteligentemente todo o universo. Veja-se o trecho em que ele se refere aos genes:
Troquemos “recipientes temporários” e “pontos de encontro temporários” por “corpo”, e “genes” por “alma” ou “espírito”, e teremos a mesma concepção para a espiritualidade, para o ser espiritual que somos. O gene está para a ciência como o espírito está para a espiritualidade; o corpo continua sendo apenas o recipiente temporário necessário para a evolução de ambos. Sobreviva e passe seu gene adiante, conforme se encontra inscrito no código genético de cada ser vivo, está em estreita relação com “nascer, morrer, renascer ainda e progredir sempre”. Tal é a lei, na ciência ou na espiritualidade.











































































