NORDESTE O controle das pedras e ampulhetas cabem nas bordas do vento nordeste Vento e agreste, guias dos pés no sem fundo

Sertão é o meu nome

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NORDESTE
O controle das pedras e ampulhetas cabem nas bordas do vento nordeste Vento e agreste, guias dos pés no sem fundo O beijo nos seios, sugar o leite salgado do azul infinito e o olhar da mãe e seu mar de ossos sertanejos Gotejar na alma este não sei o quê de sal, mórbido, verdadeiro, que canta aos ouvidos a canção de despertar para a selva Restingas, caatingas, conchas e colchas de retalhos, o beiral dos anjos desesperados, a sacrossanta fala da matriarca e um suspiro profundo ressoando no ventre morno, fustigando os olhos com um calor do saber-se terra a caminho da areia de uma praia que não é minha, de um sertão que é o meu nome.


PAISAGEM SUBMERSA
I Não bastasse o açoite do Sol no lajedo, a terra arrasada, o desconsolo, a palma, o borrego morto, o pau a pique e a trajetória salvadora da Arribaçã Não bastasse a fuga para o Sul, o pau de arara, o rugido da fome, as bonecas de ossos de minha mãe (Não bastasse chamar de vitória o reconhecimento da derrota) II A nau catarineta do apocalipse reparte o milagre: a Severina noite, a ironia, o lusco-fusco da paisagem morta III (A lágrima negra só brota nos olhos dos homens) IV A asfixia dos peixes, o piche escorrendo nos degraus dos arrecifes, a miséria dos seres de sal famintos nos berçários dos mangues, as tatuagens nos cascos, o visgo do óleo nas algas, o sem cor de um horizonte sem promessas V Que palavra colhida nessa areia pode ser pura? VI O grão é inútil se não sacia a fome e a boca seca só permite o engasgo VII O Sol sempre ferveu nesse sertão de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas na costa, a água, se não era doce, era pura e abençoada, e contava a história de um tempo em que não se percebia que o vento movia o Mundo sobre o Atlântico VIII Essa colcha de retalhos é a pele estendida, cerzida, é a vela de uma jangada que escreve o poema cabotino na crosta de óleo, nos trapos das ondas, na consciência.


O QUE SE VÊ
Pela fresta estreita em que me permito ver a vida, insiste em me turvar a visão esta névoa contínua das minhas incertezas. O lugar do horizonte o seu próprio nome diz. Vejo apenas uma fração do nascer ou do porvir da existência. Se claro, vejo pálido; se escuro, aí vejo tudo. Tão limitada é a consciência dos seus limites que como um asno se permite tampar os olhos para trilhar seguro seu pedaço na história.



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  1. Já resenhei vários livros de Jorge Elias. Ele é sempre MUITO bom.

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  2. Bravo Jorge Elias!!!
    Ótimas!!! ...Inspirações Nordestinas!
    Parabéns👏👏👏

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