Havia, tempos passados, um rapaz que saía anotando num caderno as placas dos carros estacionados nas ruas. Consideravam-no um maníaco. Ma...

Anotador de placas

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Havia, tempos passados, um rapaz que saía anotando num caderno as placas dos carros estacionados nas ruas. Consideravam-no um maníaco. Mal trajado, lápis na mão, não falava com ninguém. Robotizado pelo seu comportamento esdrúxulo.

Pois se já não brilham os olhos, brilham os cristais de poeira. Jorge Elias Neto Pai No chão lavrado se faz premen...

De pai e mãe

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Pois se já não brilham os olhos, brilham os cristais de poeira. Jorge Elias Neto
Pai
No chão lavrado se faz premente o fruto.   Se o em torno repele, formam-se na pele sulcos dilatados donde escorrem incertezas.   No vão arado se faz presente o bruto.

A capital paraibana já se tornara um destino para o qual convergia, aos poucos, toda a família. Primeiro veio um filho. Depois trouxe a mã...

O sonho era lá...

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A capital paraibana já se tornara um destino para o qual convergia, aos poucos, toda a família. Primeiro veio um filho. Depois trouxe a mãe, Maria Antério, uma mulher abençoada, heroína que deu conta de criar os sete filhos com a maior das conquistas: o amor familiar.

Em seguida vieram as filhas, alguns netos e o caçula que se estabeleceu em Campina Grande. São de Patos, sertão bom, de gente boa. Faltavam Dennes, o “guerreiro”, o mais velho, que passou muitos anos trabalhando no Norte, e outro, em Santa Catarina, depois de morarem em vários estados.

E a vida foi passando… como tudo neste mundo. Com natais, reveillons e tantos encontros memoráveis de família que se ama. Após uma década, Maria adoece e alça voo. Mas foi e não foi, porque vive em todos, ainda hoje, que a têm como mãe que nunca se deixa nem deixa ninguém.

No último Natal, Dennes, o mais velho, mudou-se para cá. Sonho maturado, esperado, mesmo com a ausência da mãe que não foi… Brincalhão, jeitão de menino, símbolo inaugural de uma ninhada de amor, unida, amiga, de mais seis irmãos. Recém aposentado, com muitos anos de Amazonas, o derradeiro desejo foi vir para onde estava a família. Juntar-se aos seus e às praias queridas, com os amados irmãos, amigos-irmãos. O mundo para ele era todo irmão.

E assim chegou, no último Dezembro. Mesmo sem contar com o clima que sua vinda merecia, por causa da doença que assombra o planeta, encheu o coração de alegria. Pedalou, jogou, passeou, viu o mar, matou saudades de tantas saudades. Até de Maria.

Mas, quem diria?… Só o destino, que não se pondera, que não se prevê. Às vezes confuso, injusto ou cruel, aos olhos pequenos, mas tão soberano perante o Divino.

Quem diria que apenas seria um breve adeus?… Nem esquentou o lugar que pousou. Mal chegou e assim nos deixou. Culpar a doença, a pandemia? Não. Não há culpa no destino. Do caminho que é traçado por alguma razão. E por alguma razão há razão no destino.

O guerreiro não disse estar só de passagem. Que o sonho era lá, juntinho de Maria. Aqui flanou, nadou, caminhou, viu e reviu o que tanto queria. Mas não encontrou a paz esperada, aquela dos tempos de sua Maria. Do jeito que veio, largou sua roupa no mesmo lugar que ela deixou. Ali no Parque, que dizem de acácias, em busca de outro, do parque sublime, ao lado daquela que nunca se foi nem nunca irá.

Assim estará também o guerreiro, vindo e revendo sem nunca ter ido. No meio de todos que amam e se amam, em torno de todos, agora de todos.

Dennes chegou e já se mandou. Ah, seu guerreiro, amado e querido, segue brincando, eterno garoto!

Aqui ficaremos, ainda um tanto. Quem sabe o quanto, mas nunca em pranto, porque lembraremos de tua alegria, agora maior que todos os sonhos que é de abraçar a nossa Maria.

Vem por aqui, sempre que der. Aprende com ela o mesmo caminho. Ou venham abraçados, do jeito que estão, brincando ao léu no mundo do céu. Serás um ausente mais que presente. Presente de todos que te conheceram e que te admiram, hoje até mais. Pois aqui estarás e sempre serás o nosso guerreiro.

Não sei por que insisto em caminhar de manhãzinha se faz tanto frio estes dias. Comigo segue uma solidão invencível que se enrola em véus ...

Pessegueiro em flor

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Não sei por que insisto em caminhar de manhãzinha se faz tanto frio estes dias. Comigo segue uma solidão invencível que se enrola em véus de neblina, nuvens de grafite e árvores sem folhas. Ando com amendoins no bolso do casaco para dar aos corvos e esquilos. É fim de inverno e os bichos têm fome. A minha é outra fome, a de ver tudo renascer no parto anual da Terra.

Depois que ficou viúvo meu avô paterno Samuel passou a dividir a casa com o filho mais novo, tio Chico, e Luiza, uma senhora a quem nós ac...

Elefante de louça

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Depois que ficou viúvo meu avô paterno Samuel passou a dividir a casa com o filho mais novo, tio Chico, e Luiza, uma senhora a quem nós achamávamos carinhosamente de Pepeta. Era neta de escravos e quando nasci já fazia parte da família.

Cabia-lhe a função de arrumar e cozinhar, e o fazia com tanto zelo que meu avô, às vezes, reclamava, pedindo que fosse descansar, que não precisava de tanto.

Ele acreditava que Pepeta, talvez, tivesse feito alguma promessa à minha avó na hora da sua morte, pois cuidava dos interesses da casa como se sua salvação dependesse daquilo.

Parecia estar em todos os lugares, e volta e meia nos surpreendia, surgindo silenciosa e inesperadamente.

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- No tempo da finada, essa casa tinha ordem! – protestava, aos gritos, erguendo o cabo da vassoura contra nós. Mas acabava rindo. Era um riso doce, mudo, de quem tinha a alma pura.

Na sala extensa havia uma mesinha ornada com um elefante grande, cinzento, de louça. A tromba estava sempre voltada para a parede. Eu achava aquilo esquisito e, quando passava, mudava sua posição.

Na manhã seguinte encontrava-o de costas novamente, e tinha pena de vê-lo daquele jeito. Era como se ele não participasse dos acontecimentos do mundo.

E não demorou. Dias depois Pepeta me surpreendeu no momento em que eu me aproximava da mesinha.

- Ah... é você? Vá simbora antes que eu lhe mate! – explodiu medonha, ameaçando-me com a vassoura.

Depois meu tio me explicou que elefantes de bunda para rua traziam sorte. A partir dali tudo de bom que acontecia em nossa família eu pensava no elefante.

Observei, contudo, que nem na casa de Luiz nem da de Rubinho, dois amigos da rua, tinham elefantes na sala.

“Talvez não saibam que elefantes com a bunda para a rua trazem sorte”, pensei. Depois imaginei algo mais objetivo: “ Eles não têm elefantes porque não acreditam em elefantes.”

Quando perguntei ao meu tio a respeito, disse-me que era isso mesmo, que a sorte dependia do tamanho da vontade de cada um.

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“ Quando você acredita, tem vontade, e quem tem vontade tem sorte!”

A não ser galinhas e patos, na casa de vovô não tinha animais domésticos. Mas um dia meu tio arranjou um gato amarelo, assanhado, com listras brancas e pelo espesso.

Achou que sua aparência lembrava, de algum modo, o cantor Erasmo Carlos, que fazia muito sucesso na época.

Então o gato passou a se chamar Tremendão, o apelido do cantor. Pepeta não gostou muito, por isso lhe deu outro nome: Tupin.

Uma vez cheguei na sala com Tremendão nos braços. Vovô folheava o jornal.

- Vô, quando morrer o senhor deixa o elefante cinza para mim?

Ele me olhou por cima dos óculos, meio intrigado, perguntou:

- Está desejando minha morte?

- Não, vô! O senhor vai morrer um dia, não vai? É só quando morrer.

- Para que tanto interesse em meu elefante?

- Tio Chico falou que eles dão sorte.

- Você gosta de mim?

- Sim, vô, gosto muito.

- Então peça sorte para mim, aí eu não vou morrer.

Eu achei que ele estava certo, mas lembro que lhe disse:

- Só quero que morra quando ficar muito velho. Também quero que deixe Tremendão para mim. O senhor deixa?

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Na esquina da nossa rua ficava a casa de dr. Willian, um tipo alto, entufado e de muita conversa. O homem criava canários-da-terra e se gabava dos seus pássaros, dizendo onde chegava que, para briga, não existiam melhores na região.

Nesses dias escutei uma discussão na calçada. Saí para ver. O tal doutor, desaforado, fora enredar ao meu tio que que um gato amarelo tinha comido seus canários. Meu tio, que não ficou por baixo, disse-lhe que havia outros gatos em nosso bairro, dezenas deles.

Sem provas, o homem foi embora. Mas pelo jeito não se dera por vencido.

E não se dera mesmo. Na noite seguinte Pepeta reclamou que Tremendão - para ela Tupin - tinha sumido, pois não o vira hora nenhuma e que sua tigela do leite continuava cheia.

Por trás da casa dos canários existia um terreno baldio, com mato crescido, lixo por toda parte. Um caminho estreito cortava o terreno.

Eu passeava de bicicleta, de repente entrei ali, na esperança de encontrar Tremendão. Foi quando senti um cheiro de podre, de bicho morto, quase insuportável. Estava sobre o monturo, de pernas para cima, rijo e coberto de moscas.

Muito triste, entrei na casa do meu avô para dar a notícia. Num canto da sala vi a mesinha, sobre ela o elefante de louça.

Você sabe quantos anjos podem dançar na ponta de uma agulha? Ou quantos dedos dos pés são necessários doer para sentir que é hora de tirar...

Inquietações

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Você sabe quantos anjos podem dançar na ponta de uma agulha? Ou quantos dedos dos pés são necessários doer para sentir que é hora de tirar os sapatos de salto alto e deixá-los soltos ao vento?

Você sabe quanto vento bate na sua cortina ou assanha seu cabelo e suas pestanas ao ponto de você não conseguir respirar? Respirar é mesmo necessário? Quando é que respirar faz entender que estamos vivos?

A história ocorre em Portugal, século XIX. Por ocasião da morte dos pais, o pequeno Teodorico Raposo, então com 7 anos, vai morar com a t...

Venturas e desventuras de Teodorico Raposo

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A história ocorre em Portugal, século XIX. Por ocasião da morte dos pais, o pequeno Teodorico Raposo, então com 7 anos, vai morar com a tia Patrocínio das Neves. Dona Patrocínio, ou a tia Titi, alcunha a ela destinada, é uma senhora muito rica e extremamente carola. Ajuda muito a igreja, mas ao mesmo tempo é destituída de caridade até para com as pessoas pobres da família que lhe procuram pedindo auxílio.

Waldemar N.J.P. era um homenzinho desse tamanhico, trabalhador, responsável na vida pessoal e no emprego; além disso, muito educado. Esse...

Tirinha, Bastião e o metrô

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Waldemar N.J.P. era um homenzinho desse tamanhico, trabalhador, responsável na vida pessoal e no emprego; além disso, muito educado. Esse detalhe: educado; é muito importante para este causo.

Era o futuro, um espaço imenso que se abriu aos meus olhos. E fui transportado involuntariamente, levado, diferente de antes, quando eu de...

Tempo regente

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Era o futuro, um espaço imenso que se abriu aos meus olhos. E fui transportado involuntariamente, levado, diferente de antes, quando eu desejei a viagem. Sim, eu estava à frente do tempo, digo, temporalmente, na verdade, paralelamente. Eu conseguia ver o que ainda estava por vir, mas não saíra também do presente. Eu flutuava entre o advir e o agora.

Fiquei parado, medindo cada palavra, cada gesto, a apreensão do olhar no apelo que o governador João Azevedo fez para as pessoas se cuida...

Mudar o comportamento?

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Fiquei parado, medindo cada palavra, cada gesto, a apreensão do olhar no apelo que o governador João Azevedo fez para as pessoas se cuidarem.

as cigarras são guitarras trágicas. plugam-se/se/se/se nas árvores em dós sustenidos. kipling recitam a plenos pulmões. ...

Zoo imaginário faz 16 anos

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as cigarras
são guitarras trágicas. plugam-se/se/se/se nas árvores em dós sustenidos. kipling recitam a plenos pulmões. gargarejam vidros moídos. o cristal dos verões poeta X poema
nem sempre o poeta ronda o poema como uma fera a presa. às vezes, fera presa e acuada entre as grades do poema-jaula, doma-o o chicote das palavras. o elefante a João de Farias Pimentel Neto (Netinho)
a cor de pólvora que não explode barril de pólvora mansa apesar do pavio da tromba a coruja
são todo ouvidos os teus olhos de vigília. olhos acesos luzeiros de sabedoria. olhos atentos à geografia do dentro, és uma concha. um encorujado caramujo. monja em voto de silêncio. a zebra a Manoel Jaime Xavier Filho e Silvino Espínola
a zebra é a edição extra de um cavalo que virou notícia do leão, a juba
sol de pelos ao redor da cabeça, a fulva juba flameja: estrela de primeiríssima grandeza! a girafa (II)
a girafa é girassol, a girafa é de lua, não gira bem. é top model, é audrey hepburn, olhem o pescoço que a girafa tem! a girafa (IV)
da terra antípoda, és um gajeiro que só nuvens avista. sarapintado mastro de uma nau à deriva. a girafa (V)
mastro de um circo a céu aberto, sem empanada. aéreo caniço pensante do nada. a garça
na tarde gris, a garça encolhe a perna: ariano saci entre vitórias-régias? a araponga A Sergio Faraco
carcereira, abre a lingueta da garganta e aperta-me o cerco: o canto que a liberta dos ferros me faz prisioneiro. andorinha, andorinha À Maria Carolina, filha caçula
a andorinha anda breve e mínima, tão confusa e cheia de ser fusa ou semicolcheia na pauta dos fios de eletricidade, que já chilreia em alta voltagem. os pardais
os pardais são me(l)ros vira-latas de asas fuçando os quintais o pavão
são tantos olhos abertos sobre a cauda polvilhados que em leque entreaberto há sempre quem o enxergue qual um indiscreto voyeur em um narciso disfarçado noturnos c) nenhuma ovelha pula a cerca de minha insônia. abato a todas. e quanto à lã, serve de enchimento para o travesseiro. serve - a cada manhã – para travestir-me de cordeiro.

*Poemas do livro "Zoo imaginário", que atingiu a maioridade: 16 anos do seu lançamento (2005). O Zoo é ilustrado pelo artista plástico paraibano Flávio Tavares, recebeu o prêmio Guilherme de Almeida, Melhor Livro do Ano (2005), outorgado pela União Brasileira de Escritores. Foi adotado nas escolas públicas de 1º e 2º graus do estado de São Paulo, através do programa Lendo e Aprendendo. Em 2009, por iniciativa do Ministério da Educação, teve uma tiragem de 25 mil exemplares, passando a integrar o acervo do Programa Nacional Biblioteca na Escola. No mesmo ano, a Prefeitura Municipal de João Pessoa (PB) também o adotou - no ano cultural Sérgio de Castro Pinto - para ser lido e analisado por professores e alunos das escolas públicas da capital paraibana.

Conquanto o desejemos, podemos viver sem a felicidade. Esperamos para conquistá-la. Se a felicidade não vem, a esperança se prolonga e o c...

O que está por vir

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Conquanto o desejemos, podemos viver sem a felicidade. Esperamos para conquistá-la. Se a felicidade não vem, a esperança se prolonga e o charme da ilusão dura o mesmo tempo que a paixão que a causa. Assim, esse estado basta a si mesmo e a inquietude que ele traz é uma espécie de alegria que suplanta a realidade, talvez melhorando-a. Pena de quem não tem nada a desejar. Ele perde tudo aquilo que possui. Gostamos menos daquilo que obtemos do que daquilo que desejamos e ficamos felizes antes de realmente nos tornarmos.
Jean Jacques Rousseau

Tem muita gente que não está preparada para ser vidraça, porque se acostumou a ser estilingue. Críticos ferrenhos de outrora, ficam incomo...

De estilingues e vidraças

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Tem muita gente que não está preparada para ser vidraça, porque se acostumou a ser estilingue. Críticos ferrenhos de outrora, ficam incomodados quando são apontados os erros e equívocos que antes eram motivos de suas desaprovações. Se a vidraça não está preparada para receber as pedradas que lhe são lançadas, corre o risco de se despedaçar com rapidez.

Paris é um corpo vivo, dinâmico, que troca a pele e se transforma continuamente; que se veste e que se desnuda; que se entrega ao trabalh...

Paris dos grandes magazines

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Paris é um corpo vivo, dinâmico, que troca a pele e se transforma continuamente; que se veste e que se desnuda; que se entrega ao trabalho e ao prazer. O seu ventre é Les Halles; sua cabeça e coração, a política, a especulação e o empreendimento; seus braços, a pequena e média burguesia; suas pernas, o operário; seu baixo-ventre, os prazeres lícitos e ilícitos do amor.

Em 1994 veio a público, pela Nova Aguilar, a Obra Completa de Augusto dos Anjos . Organizada por Alexei Bueno , ela reunia pela primeira v...

Augusto dos Anjos, clássico da língua

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Em 1994 veio a público, pela Nova Aguilar, a Obra Completa de Augusto dos Anjos. Organizada por Alexei Bueno, ela reunia pela primeira vez toda a produção do paraibano. Nas palavras do organizador, o volume “constitui o depósito formal de tudo que (Augusto) produziu, do mais contingente ao mais sublime”. Ou seja: não apenas o “Eu” e as outras poesias, coligidas por Órris Soares, como também os Poemas Esquecidos, a Prosa Dispersa, a Correspondência e os chamados versos de circunstância.

Mais uma imensa perda humana e cultural para a Paraíba. É assim que vejo, que vemos todos a recente partida de Otinaldo Lourenço, ícone do...

Otinaldo: uma voz e muito mais

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Mais uma imensa perda humana e cultural para a Paraíba. É assim que vejo, que vemos todos a recente partida de Otinaldo Lourenço, ícone do jornalismo e do rádio paraibanos. E assim vai se alastrando nossa pobreza aldeã, confirmando a sabedoria popular que diz, desalentada: “De onde se tira e não se bota, a tendência é se acabar”. Pois é. É como se, com essas perdas todas, estivéssemos findando, pouco a pouco, nosso parco patrimônio humano, o único que nos coube desde sempre e que não raro temos, burramente, desperdiçado ou desconhecido.

Lembram dos religiosos que batem de porta em porta querendo nos convencer que seu Deus é o único que merece nossa devoção? Pois é, as pes...

'Torre de Babel'

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Lembram dos religiosos que batem de porta em porta querendo nos convencer que seu Deus é o único que merece nossa devoção? Pois é, as pessoas estão meio que agindo assim. Ninguém mais quer apenas dar sua opinião sobre determinado assunto. Quer bem mais que isso. Quer convencer o outro de que sua opinião é a única correta.

Talvez não haja outra explicação para essa sobrevida literária que, bem ou mal, Edilson Limeira vem alcançando no tempo: à medid...

O Retoque (Parte 2)

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Talvez não haja outra explicação para essa sobrevida literária que, bem ou mal, Edilson Limeira vem alcançando no tempo: à medida que mais pessoas o liam, certas características suas de estilo se foram aos poucos aclarando, e, dentre tais, já é possível prever, com um mínimo de certeza, que a agilidade ainda vá ser aclamada como um de seus atributos mais notáveis, uma qualidade por si já evidente, e supostamente capaz de amordaçar possíveis detratores.

Em 1978 Maria Betânia lançou um de seus melhores álbuns: Álibi. Todas as músicas são bonitas, mas uma se destaca, para mim: a canção A Voz...

Vitoriosas

Em 1978 Maria Betânia lançou um de seus melhores álbuns: Álibi. Todas as músicas são bonitas, mas uma se destaca, para mim: a canção A Voz de Uma Pessoa Vitoriosa.

Da autoria de Caetano Veloso e Waly Salomão, a letra da canção exalta aquela pessoa que venceu, mesmo enfrentando as adversidades. E se impõe pela sua personalidade, representada pela sua Voz. De forma parecida, Ilma Espínola também se enquadra nesse perfil. Senão, vejamos.

Confesso que não tenho muito apego à leitura de livros que não sejam impressos em papel, porque gosto de manusear e alisar as folhas com...

Marília Arnaud escreve com charme

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Confesso que não tenho muito apego à leitura de livros que não sejam impressos em papel, porque gosto de manusear e alisar as folhas com os dedos, sentir o cheiro da tinta. O cheiro da tinta fresca me persegue desde o tempo de quando passei por jornais e gostava de visitar as oficinas para sentir o odor do papel impresso.

Insignificância Em que pese os malefícios para o corpo, devemos arrastar a consciência de nossa insignificância Jorge Elia...

A última pele

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Insignificância
Em que pese os malefícios para o corpo, devemos arrastar a consciência de nossa insignificância Jorge Elias Neto
O azul se dissipa em tons de desespero. Os segundos corrompem nossos sonhos, e a eternidade — consome toda inocência. O céu conspira dentro de mim, ponto sujo no útero da neve.

Visita Ontem, ao contemplar As lágrimas cristalinas da chuva sobre as romãs Me visitaste.

Chuva sobre romãs

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Visita
Ontem, ao contemplar As lágrimas cristalinas da chuva sobre as romãs Me visitaste.

A gente de origem urbana não sabe nem nunca saberá quão valioso é o privilégio de se conseguir e chegar a possuir, saindo da parede de no...

A torneira, essa maravilha

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A gente de origem urbana não sabe nem nunca saberá quão valioso é o privilégio de se conseguir e chegar a possuir, saindo da parede de nossa casa, uma torneira qualquer de metal ou de plástico.

Em 1851, realizou-se no Hyde Park, em Londres, a “Great Exhibition of the Works of the Industry of All Nations” ou a “Grande Exposição Mun...

A triste história de um palácio demolido

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Em 1851, realizou-se no Hyde Park, em Londres, a “Great Exhibition of the Works of the Industry of All Nations” ou a “Grande Exposição Mundial”, como ficou conhecida. Foi o primeiro evento internacional que reuniu, em uma grande feira, produtos manufaturados dos países participantes. Em intervalos anuais, nem sempre regulares, seguiram-se Exposições Mundiais em diversos locais. No Brasil, a Exposição só viria a acontecer em 1922, no Rio de Janeiro, durante as comemorações do centenário da nossa Independência.

Na pele, ainda o frio das noites diferentes de Alagoa Nova, batendo quase gelado nas paredes mornas da memória. ...

Férias em Alagoa Nova

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Na pele, ainda o frio das noites diferentes de Alagoa Nova, batendo quase gelado nas paredes mornas da memória.

Esperava apenas que se encerrassem as tradicionais festas de fim de ano, para provar dos ares agradáveis da cidade aconchegante, que chegavam desgarrados das curvas serranas do planalto da Serra da Borborema, apelidada de Princesa da Borborema, mas que, na verdade, era a cidade de Alagoa Nova, terra de minha mãe.

Nas estórias em quadrinhos há sempre essa dupla e suas peculiaridades. Um que corre léguas e é sabido pra chuchu; o outro anda devagar e s...

Coelhos e Tartarugas

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Nas estórias em quadrinhos há sempre essa dupla e suas peculiaridades. Um que corre léguas e é sabido pra chuchu; o outro anda devagar e sempre é cascudo e sagaz. Mas na vida nem sempre é assim. Com os humanos, vejo sempre ao meu redor dois grupos de pessoas.

LUZ De onde vem essa música Que ouço tão distante? Bem-te-vis alegres gritam para os céus: Bem-te-vi! Bem-te-vi! Eu sor...

De onde vem essa música?

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LUZ
De onde vem essa música Que ouço tão distante? Bem-te-vis alegres gritam para os céus: Bem-te-vi! Bem-te-vi! Eu sorrio e penso: Um dia eu te amei... Nunca te vi!

Muito já se disse, muito já se escreveu e muito se sabe sobre o senador José Maranhão. Sobre suas qualidades políticas, parlamentares, adm...

'Zemaranhão'

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Muito já se disse, muito já se escreveu e muito se sabe sobre o senador José Maranhão. Sobre suas qualidades políticas, parlamentares, administrativas, profissionais, empreendedoras e até pessoais como de bom piloto, fazendeiro, pecuarista. E olhe que gente de valor e saber literário como Ângela Bezerra de Castro e Gonzaga Rodrigues se dispôs a escrever sobre ele com o merecido título “Uma vida de coerência".

Pode o homem angustiar-se por ter a plenitude do conhecimento livresco? Por outro lado, o conhecimento livresco é suficiente para que nos ...

A angústia do conhecimento

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Pode o homem angustiar-se por ter a plenitude do conhecimento livresco? Por outro lado, o conhecimento livresco é suficiente para que nos conheçamos como seres humanos? Em geral, a angústia de conhecer acontece diante da constatação de que quanto mais adquirimos conhecimento, maior a percepção de que precisamos aprender mais. O conhecimento seria, portanto, inapreensível na sua plenitude, só nos sendo concedido saber uma ínfima parte dele.

Antigamente, sim, antigamente, tu preparavas para mim caramelos de limão, de caju, caramelos que eu retirava da boca, punha-os contra o s...

Cantilena

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Antigamente, sim, antigamente, tu preparavas para mim caramelos de limão, de caju, caramelos que eu retirava da boca, punha-os contra o sol, e eles se abriam em vitrais coloridos, vitrais gosmentos, que a saliva dissolvia aos poucos. Depois, depois vinha o melhor: a língua escamoteava no caramelo – como se estivesse revolvendo resíduos da cárie de um dente – e sentia o gosto de passa ou de ameixa, de café ou de uísque. Dos cantos da sala subia um cheiro de fotografias antigas que não estavam à altura dos olhos, tampouco das mãos. Tudo ali, inclusive eu, estava dentro de uma fotografia, preso por cantoneiras.

Otinaldo não somente liderou como impôs a presença do rádio político entre os ouvintes de todas as classes aonde chegasse a sua Arapuan. ...

Meu radinho de pilha

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Otinaldo não somente liderou como impôs a presença do rádio político entre os ouvintes de todas as classes aonde chegasse a sua Arapuan. A Tabajara de grandes estrelas e espetáculos não fazia esse gênero. Tive a percepção clara disso na eleição de outubro de 1965, Agripino versus Rui dependendo das urnas finais de Piancó. Nenhum deles chegava a dois mil votos de frente. E a cidade inteira e suas vizinhanças ligadas na bolinha de cristal de Otinaldo, mesmo se sabendo das suas simpatias e as da família pelo doutor Rui.

Disse, então, Maria: "Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim que se cumpra em mim segundo tua palavra". Lucas, 1:38 – Bíbli...

Maria de Nazaré

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Disse, então, Maria: "Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim que se cumpra em mim segundo tua palavra".
Lucas, 1:38 – Bíblia de Jerusalém.

As referências históricas a respeito de Maria de Nazaré ─ forma helenizada do nome hebraico Miriã que significa Senhora da Luz ─ são escassas e se restringem às narrativas sobre a infância do Cristo, nos evangelhos de Mateus e Lucas.

Carnaval, ele com vontade de ir para a rua, e a mulher doente no quarto ao lado. Da sala ouvia a tosse — curru, curru, curru... Era a noit...

Samba no escuro

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Carnaval, ele com vontade de ir para a rua, e a mulher doente no quarto ao lado. Da sala ouvia a tosse — curru, curru, curru... Era a noite em que sairia com a turma. Podia ouvir o esquentar dos instrumentos e as vozes dos que se dirigiam à concentração. Daí a pouco passariam em frente à sua casa e gritariam, chamando-o. Assim faziam com quem não saía da toca para brincar. O combinado era convocar um por um. Diriam:

Todas aquelas tardes no lombo do seu carneinho que tinha sido presente do avô, José Paul...

Carlinhos, menino perdido

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Todas aquelas tardes no lombo do seu carneinho que tinha sido presente do avô, José Paulino, Carlinhos passeava pelo engenho, brincava com os meninos, visitava a vizinhança, os colonos e também proseava um pouco. Era muito querido pelo pessoal do engenho.

Quando os pássaros ficaram enfileirados na fiação, observando o movimento da rua, era como se estivessem hipnotizados, em uma catarse ao i...

Cinematograficamente

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Quando os pássaros ficaram enfileirados na fiação, observando o movimento da rua, era como se estivessem hipnotizados, em uma catarse ao inverso, psicose coletiva. Fixos, em guarda, mas em frenesi mental, feito espectadores diante de uma grande tela, sentados, porém inquietos com os movimentos lançados à sua frente, assistiam a um novo mundo normal. E sim, preparavam de uma janela indiscreta o ataque.

Não existe a favela idílica de Antonio Conselheiro. O Rio Vasa Barris, imortalizado por Euclides da Cunha, transbordou suas sobras de home...

Crônica dos desalojados

transgressao protesto sem teto pobreza sociedade pos moderna
Não existe a favela idílica de Antonio Conselheiro. O Rio Vasa Barris, imortalizado por Euclides da Cunha, transbordou suas sobras de homens da Canudos sobre os morros do Brasil, e elas escorreram das encostas aos manguezais e sarjetas. E não poderiam poupar a ilha do Mel.

Não o conheci pessoalmente, ou seja, nunca fomos apresentados, mas posso dizer que o conhecia mais ou menos de perto, na medida em que um...

Martinho Moreira Franco

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Não o conheci pessoalmente, ou seja, nunca fomos apresentados, mas posso dizer que o conhecia mais ou menos de perto, na medida em que um leitor pode conhecer um cronista, partindo do pressuposto de que, de uma forma ou de outra, o cronista se revela em cada crônica, já que toda literatura, assim como toda arte, é autobiográfica.

Imperceptível ou mesmo que negado seja, há nos íntimos recônditos da nossa consciência um traço, uma intuição, algo que nos sussurra um so...

Vem, Espírito Criador!

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Imperceptível ou mesmo que negado seja, há nos íntimos recônditos da nossa consciência um traço, uma intuição, algo que nos sussurra um sopro divino diante do existir. É difícil não sentir, ainda que ínfima, uma ponta de entusiasmo, de emoção, ao contemplar o mundo, o céu, o mar, a vida, flores, estrelas, animais, plantas, e tudo o que existe.

Quando eu tinha três anos sofri um atropelamento. Lembro-me muito bem dessa manhã tão distante.

Um tipo inesquecível: Humberto Nóbrega

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Quando eu tinha três anos sofri um atropelamento. Lembro-me muito bem dessa manhã tão distante.

Se alguém morre, para as crianças dizemos que a pessoa virou estrela. Talvez a forma mais simples de explicar para elas essa passagem à vi...

Martinho, sem adeus

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Se alguém morre, para as crianças dizemos que a pessoa virou estrela. Talvez a forma mais simples de explicar para elas essa passagem à vida no plano espiritual. Olhando para o alto, buscam nas estrela a pessoa que fisicamente nos deixou.

Bom Jardim, município do agreste de Pernambuco. Anos finais do século 19. Numa sala silenciosa e triste, velava-se o corpo de uma criança....

O mestre Vivo do frevo

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Bom Jardim, município do agreste de Pernambuco. Anos finais do século 19. Numa sala silenciosa e triste, velava-se o corpo de uma criança. De repente, para assombro daqueles que se encontravam no local, o menino que estava morto tornou à vida, como se estivesse ficado, nas últimas horas, apenas em um sono profundo e reparador. O espanto e o susto dos presentes se transformaram, logo em seguida, em um incontido contentamento.

O cenário é Anfiteatro Flávio. O ano é 80 depois de Cristo. O César do momento é Tito, que tinha o mesmo nome do pai, o imperador Vespasia...

Marcial e o Coliseu

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O cenário é Anfiteatro Flávio. O ano é 80 depois de Cristo. O César do momento é Tito, que tinha o mesmo nome do pai, o imperador Vespasiano — Titus Flavius Vespasianus. O evento é a inauguração do anfiteatro que leva o nome da sua Gens, sua família. Na arena, uma cena clássica de Venatio ad bestias — a caça aos animais —, entretenimento que fazia parte das munĕra, os jogos gladiatórios dados pelo imperador. O momento era solene, para gáudio da população e dos estrangeiros, que acorreram a Roma, para ver a inauguração da mais nova maravilha do mundo antigo. O poeta é Marcus Valerius Martialis, o Marcial, responsável pelo único documento, escrito na ocasião das festas da entrega do teatro à população romana.

Entrega os originais e recua para a poltrona da sala, de onde observa Cori — gordo e fumando feito um desesperado — folheá-los. De lá o ...

O Retoque (Parte 1)

Entrega os originais e recua para a poltrona da sala, de onde observa Cori — gordo e fumando feito um desesperado — folheá-los. De lá o vê deter-se rapidamente em trecho escolhido ao acaso, para logo prosseguir, passando páginas. Assiste um voo rasante sobre nova escolha aleatória, logo deixada de lado. Por instantes, há essa impressão segura de quem sabe o que busca, e que, um instante depois, vai parecer irresoluto. Ei-lo agora voltando, acelerando, até fixar-se naquele ponto anterior do calhamaço.

Peço a Deus que Ele não permita que o destino me leve a morar em um apartamento de condomínio. Com todo o respeito aos que moram em edifíc...

Normas rígidas dos silêncios de meia

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Peço a Deus que Ele não permita que o destino me leve a morar em um apartamento de condomínio. Com todo o respeito aos que moram em edifícios e a centenas de pessoas que já se acostumaram e se adaptaram a esse tipo de moradia.