Você sabe quantos anjos podem dançar na ponta de uma agulha? Ou quantos dedos dos pés são necessários doer para sentir que é hora de tirar...

Inquietações

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Você sabe quantos anjos podem dançar na ponta de uma agulha? Ou quantos dedos dos pés são necessários doer para sentir que é hora de tirar os sapatos de salto alto e deixá-los soltos ao vento?

Você sabe quanto vento bate na sua cortina ou assanha seu cabelo e suas pestanas ao ponto de você não conseguir respirar? Respirar é mesmo necessário? Quando é que respirar faz entender que estamos vivos?

É quando você sobe em um palco e entoa arpejos? Ou é quando a vida reverbera amor e pulsa vibrante?

Estar vivo vale o quê?

Vale a liberdade, a ociosidade, o beijo, a dor, a saudade, o sonho e a eterna pergunta, o que é isto tudo? É algo mais do que se tem hoje?

Porque a temporalidade da felicidade? Porque a leviandade da paixão? Porque o porquê?

Se tudo tem um tempo, um fim, do que serve subir montanhas e depois descer e tornar a subir e descer até que se descobre que a vida também é esse subir e descer e que isto é melhor que ficar no plano, no reto, na mesmice, na apatia do nada diferente?

O que é o diferente? Quem afirma ou comprova o igual se sempre há duas formas de olhar. Ou você enxerga, ou apenas olha, e fim? Fim de quê? Da mexerica, do leite condensado, do shampoo com que lava a cabeça? Cabeça é o quê? Algo quente, pensante, direcionado ao nada e tudo, vazia e tumultuosa, amarga e deleitosa?

Cabeça é aquela que direciona o olhar para perceber a beleza, a distância, a solidão, o tempo que acabou, a memória do que ficou, ou para prever futuros incertos? O que não é incerto? O horário do cinema, a saída do avião? Avião voando, chegando, partindo, leva quem? Para onde, e quem fica? Sente o vazio deixado pela despedida ou a alegria trazida pela chegada? É algum hiato entre o antes esperado e o depois encontrado?

Quem encontra olhos, mãos, boca, sexo, alma, fica completo? Se isso de corpos se encontrarem é tão antigo, tão profundo, tão simples, porque o tornamos complexo, corrido, tão cheio de empecilhos?

O que são empecilhos? Aquilo que bloqueia a felicidade?

Ah! Esta sempre constante angústia dos porquês, do eterno questionar, do inacabável não saber. Que culpa tenho se transporto várias almas que não descansam? Se meus sentimentos ao perceber o mundo são de descrença, são de assombro?

Quisera ter braços antigos enlaçando minha cintura e dizendo baixinho, acalma suas dúvidas, seus medos, eu estou aqui para suavizar seus dias. Certamente eu continuaria intrigada, curiosa, mas ele com toda astúcia, me responderia quantos anjos podem dançar na ponta de uma agulha.

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  1. São as inacabáveis dúvidas de que esta atento à vida.

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  2. Salvas Cristina Porcaro... belo texto do quotidiano!! e.. muitas homenagens al nosso amigo Germano Romero que edita essas preciosidades com muito profissionalismo e carinho👊👊👊👊

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