O poeta dos poetas que nasceu entre nós, na juventude viveu à sombra do tamarindo e permaneceu como essa paisagem na alma por toda a vida,...

Artesãos da paz

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O poeta dos poetas que nasceu entre nós, na juventude viveu à sombra do tamarindo e permaneceu como essa paisagem na alma por toda a vida, suponho que fala em seus poemas da luta incessante contra o inimigo invisível.

Desde o primeiro momento do seu Pontificado, o papa Francisco ressalta a necessita de mais artesãos da paz. Essa paz que há milênios se busca e parece cada vez distante das pessoas. Lembra que enquanto são criados mecanismos capazes de contribuir com a convivência pacífica,
outros armam as rinhas para desedificar a proposta de sossego.

Nem no ambiente da pandemia que criou uma aldeia global de dor, muitos foram capazes de transformar o barro bruto em vasos refinados na construção de paisagem humanizada, mas outros, ao contrário, recorrem a comportamentos incompatíveis ao surgimento de novos artesãos da paz, como proclama o papa.

Num tempo quando as mãos deveriam afagar, grupos espalham ódio e desavenças. Precisamos de construtores da paz e nunca da desunião. Pessoas que criem corrente de solidariedade e não gestos que causam sequelas aos habitantes do vale de lágrimas.

Deseja-se artesão para reconstruir a humanidade ferida pela catástrofe da pandemia. Que ajude a redescobrir a finitude do relacionamento humano. Que não traga o otimismo obtuso, nem voluntária autoilusão. Nem tão pouco seja folgazão com o mal, como temos visto na sociedade residente do andar, coberto com telhados de vidro. Muitos despedaçam quem agoniza no flagelo e na dor, parecendo alegar-se com o sofrimento alheio.

A paz quando revestida de pequenos gestos se torna grande. Como agiu a freira Ann Rose Nu Tawng, de Myanmar, ao clamar diante do pelotão militar para cessar o pisoteio do povo com coturnos.

Esta freira de pequena estatura se fez grande diante da aflição. Com um gesto atingiu o estágio de sentir a dor do outro. Uma artesã da paz que se compadece e cura feridas do seu semelhante. Ao contrário de uns que dizem “não posso fazer nada”, “nem estou ai”. É presunçoso e néscio quem age assim diante da agonia coletiva dessa pandemia e outras mazelas, igualmente cruel, como a fome que definha mentes e corações. A dor global deve trazer proximidade e nunca distanciamento.

Em nosso país, mais do que a pandemia que ceifa vidas, outra mazela mais grave se espalha, que é oficina do ódio funcionando a todo vapor, azeitando o fosso entre os ricos e os pobres.

Não esqueçamos que um homem rude, o escravo Spartacus, há mais de dois mil anos liderou uma rebelião com três mil homens e abalou os alicerces da república romana, conforme o livro de Howard Fast e o belo filme dirigido por Stanley Kubrick, com Kirk Douglas no papel principal.

Ressaltado pela literatura, a começar por Plutarco, e imortalizado em esculturas, buscou a paz usando os métodos da época, quando a brutalidade da exigia usar a espada. Estamos carente de artesão com habilidades para a paz, sem ódio nem rancor.

A paz começa quando se renuncia ter inimigos, com todos olhando na mesma direção, apesar da noite sem estrelas. Uma paz que às vezes encontramos à sombra de uma árvore.

Quem conta as estrelas com o coração contrito, como poeta, não tem razão para construir inimigos. Haverá tranquilidade entre os homens quando houver partilha, acolhimento, justiça com equidade e ajuda aos fracos e desvalidos.

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  1. Salvas 👏🏻👏🏻👏🏻José Nunes neste pungente clamor pela PAZ.
    Viva Germano Romero que nos apresenta tão precioso texto.
    Paulo Roberto Rocha

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