1 O individualismo é a verdadeira religião universal. Como o indivíduo não se liga a grupos, credos, partidos, não exclui ninguém; está s...

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1
O individualismo é a verdadeira religião universal. Como o indivíduo não se liga a grupos, credos, partidos, não exclui ninguém; está sempre aberto a todos. Mas o individualismo, ressalte-se, é diferente do egoísmo. O egoísta tende a recusar os outros. O individualista, não.
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Quando as coisas passam, parecem inevitáveis. Esse é um processo de racionalização pelo qual julgamos vencer o acaso – achar que o que aconteceu tinha de acontecer. Ora, nada tinha de acontecer, a não ser depois de ter acontecido.
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Por meio do casamento, escolhemos não apenas quem será a mãe dos nossos filhos ou com quem vamos dividir as dificuldades do dia a dia. Escolhemos também com quem vamos envelhecer. E se o destino do envelhecimento é a morte, pelo casamento decidimos com quem vamos morrer. Esse é o grande teste para o amor. Amar quem nos gratifica é fácil, pois atende à cota de egoísmo presente em cada ser humano. Difícil é amar quem “dá trabalho” e tem pouca, ou mesmo nenhuma, capacidade de retribuição.
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O escritor é alguém que tem a linguagem como salvação, mas sem a ingenuidade de querer que ela seja mais do que linguagem. Ele sabe que a antítese da vida é a morte, e a antítese do nada é o sentido. Sua tarefa é afirmar o sentido contra o nada.
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No Brasil, o espírito de séquito tende a se sobrepor à avaliação do mérito. Os “nossos” são sempre inocentes (vítimas de manobras políticas!) e os “outros” são culpados, independentemente do que façam.
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O ódio do preconceituoso é diretamente proporcional à superficialidade dos motivos que o inspiram. A consciência disso o faz intensificar o sentimento de rejeição ao outro; tal sentimento em boa parte se alimenta do ódio a si mesmo. É um pouco como no ciúme doentio; o ciumento se detesta por reconhecer a própria insegurança e vinga-se dessa fraqueza no outro.
7
É impossível negar o poder corruptor do capitalismo. Ele é tão forte que atua mesmo nos seus inimigos declarados. O Brasil é um ótimo exemplo disso. Direita ou esquerda... Pouco importa se o dinheiro do povo é roubado com uma ou outra mão. O estrago é o mesmo.
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O humor é sério justamente porque combate a excessiva seriedade. Quando tudo fica sisudo demais, nada como contar uma boa piada. Isso relaxa e põe em xeque a pretensa gravidade da situação. Não é à toa que as melhores anedotas são sobre aquilo que mais nos preocupa ou angustia – sexo, religião, casamento, morte. Tratá-los jocosamente é uma forma de se sobrepor à ameaça que essas experiências representam.
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Os empresários investem no que dá dinheiro; o que dá dinheiro é o que as pessoas consomem; o que as pessoas consomem é o que as gratifica sem muito esforço (consumo e prazer são irmãos). Isso explica o largo investimento em produtos que promovem uma satisfação imediata. Quando a referência é o dinheiro, conta mais o que é fácil vender (e também comprar). Não surpreende, pois, que o mercado seja pródigo em futilidades.
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Defender a tolerância ou rejeitar a intolerância não muda o sentimento em relação ao objeto tolerado. Quem diz que tolera diz que suporta, aceita a custo. A tolerância é uma virtude ética e nada tem a ver com sentimento. Implica basicamente respeito pelo objeto que se deve tolerar. Fala-se em tolerância quando não pode haver amor.

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