As folhas das castanholas formam um tapete de cor terral quebradiço pela calçada, pela grama. Caem no final do inverno como um outono às a...

Aleatoriedades

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As folhas das castanholas formam um tapete de cor terral quebradiço pela calçada, pela grama. Caem no final do inverno como um outono às avessas, às vésperas da primavera. Nos troncos dessas grandes árvores não encontramos as dezenas de soldadinhos amontoados de outrora. E questiono mentalmente para onde teriam ido nos últimos meses. O que fez com que levantassem acampamento e partissem? Só o banco de concreto permanece com seu testemunho alheio e frio,
enquanto o vento de agosto varre o chão e forma pequenos furacões.

"Confortavelmente anestesiado" pela música da junção de Pink Anderson e Floyd Council reparo em cenas em looping recheadas de luzes a explodir sintonizadas com os acordes e sonoridades através de décadas. Casinhas, flores, horizontes, damas grafadas no concreto, peças de dominós tão comuns e especiais se misturam. Os seres de mim mesmo criança, adolescente e adulto conversam entre si.

Nas garrafas e latas vazias a soma de novas lembranças a juntar-se às memórias, miragens e sonhos. Em etiquetas de preços, tamanhos e locais de produção, identidades distintas a indicar pistas que deixamos em nossa passagem. Seriedades e levezas levadas na batida de um violão. "Olá! Há alguém aí dentro?"

Enquanto isso, a comida queima a boca, a bebida amacia a carne, o beijo tira o fôlego. Folhas trazem nutrientes que se prendem à grade, a ferro e fogo palavras emboladas soltas no ar ganham sentidos,
sentimentos e sentinelas. Acordes dominicais para um sonolento dia e noite de insônias de prata chuvosa.

Capas metálicas para nuvens inoportunas. Proteção psicodélica em doses musicais, canções bregas em puro rock'n'roll, companhia de Chicos em compostos simples e complexos B e C*, frutos de uma caixinha azul mágica. Badalos de sinos são notas que paralisam a Terra em redor, chamada alegórica, em papel carbono do "Carimbador maluco".

Pela rua passam histórias, sonoras, silenciosas, aleatórias. Do olho saem palavras que se reúnem em folhas de páginas, papel virtual. Verdade é palavra a ser contada no plural.

Quem escreve se alimenta do tudo.

*Chico Buarque e Chico César

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  1. Salvas pelo texto!!
    Gostei bastante!!! caro Clóvis Roberto.
    E..agradeço ao seu "Editor chefe" Germano Romero.
    Paulo Roberto Rocha

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