DA ESPERA Vivemos um tempo de esperas. Esperamos, a cada dia, que o dia seguinte seja mais promissor. Esperamos ...

Cotidiano II

 
 
 
DA ESPERA
Vivemos um tempo de esperas. Esperamos, a cada dia, que o dia seguinte seja mais promissor. Esperamos que as horas maçantes, vazias, passem logo. Esperamos o carnaval, o Dia das Mães, as festas juninas, o Dia dos Pais, o nosso aniversário, o Dia das Crianças, o Natal, o Ano Novo, e até o Dia de São Nunca. Esperamos, apenas. E sempre.
DAS DORES
Mais uma dor, sobreposta às outras que já tenho, em mim se instala. Parece que fazem uma aposta e me provocam para saber até quando meu corpo suporta.
A MENINA DA JANELA
A menina está trancada num apartamento. Sua diversão é olhar para dentro da casa ao lado e observar tudo o que acontece. Ela sabe dos gatos, das plantas, das partidas de dominó e até do jabuti, que pouco fica ao dispor do seu campo de visão. A vida lá fora é assim, para ela: o que a vista alcança, pelo quadro emoldurado que é a janela dela.
POEMINHA MAL-ASSOMBRADO
Fantasma, arrasto, noite adentro, pesadas correntes de angústias, incertezas e pensamentos mórbidos dos quais não consigo me desvencilhar. A cada elo que se me soma, outros se engatam, tornando meu fardo penoso demais. E quando, finalmente, durmo, espero num sonho, louco e revelador, como num conto de Natal antecipado, a resposta que me salve do pesadelo dessa prisão.

NOTA
Poemas incluídos no capítulo COTIDIANO, do livro "Entre Parênteses - Poemas" (Ed. Da Autora), de Marineuma de Oliveira, com participação, em áudio, do grupo Poética Evocare.
Clique na imagem ao lado para acessar episódios completos do podcast homônimo, já publicados em plataformas de streaming (Link)

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