Nestes dias chuvosos finalmente chegaram as chuvas para aliviar o calor quase senegalês que nos martirizou por um bom tempo, circulan...

Quo vadis, João Pessoa?

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Nestes dias chuvosos finalmente chegaram as chuvas para aliviar o calor quase senegalês que nos martirizou por um bom tempo, circulando pela cidade molhada somos levados a dar crédito de verdade ao que dizia, tempos atrás, um companheiro de batente, ao afirmar que o asfalto de nossas ruas tinha base de “bolacha cream cracker”, apresentando aquela mesma propriedade que a mídia exalta em um leite em pó, “desmancha sem bater”.

Neste circular diuturno a que somos obrigados a fazer, além da tentação de dar crédito a tal afirmativa, somos levados a outras constatações de quase verdade, ao nos depararmos com a quantidade de buracos que o pavimento de nossas ruas apresenta, buracos estes que, nesse tempo chuvoso, transformam-se em alentadas cacimbas.

Matt Hoffman
Há, também a considerar, que além do transtorno elas representam, o fato preocupante de que essas alentadas cacimbas têm boas possibilidades de se transformarem em piscinões pois, em alguns trechos estão integradas a alentados lençóis d’água provocados pela falta de escoamento pluvial eficiente, permitindo-lhe ocupar quase toda a superfície do pavimento.

Essa triste realidade me levou a rememorar crônica da saudosa jornalista Lena Guimarães que, em coluna, publicada no também saudoso Correio da Paraíba, nos idos do ano de 2019, tratava do mal emprego que nossos políticos dão às verbas públicas, fazendo dura crítica à pretensão de deputados estaduais de construir uma nova sede para a Assembleia Legislativa, com custo, então previsto, da ordem de 17 milhões de reais, crítica essa que repercuti, em comentário que ela acolheu e publicou em data subsequente, onde eu dizia que tal verba “decerto teria melhor aplicação e consequente produtividade se aplicada em projetos ou procedimentos que atendam a reais necessidades da sociedade paraibana, que, sem sombras de dúvidas, não aprova essa ideia esdrúxula e fora de propósito”.

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Dizia eu, ainda, a Lena, “que o tema central de sua coluna daquela quinta-feira me remeteu à afirmação que do professor Bruno Ferreira da Costa em seu livro Quo vadis, Europa (Edições Sílabo, Lisboa – 2019, pg 25) a respeito das ações dos agentes políticos no processo de consolidação da União Europeia, afirmando que estes veem no cidadão apenas ‘eleitores e contribuintes, num contributo que reside no voto e no pagamento de impostos’ ”.

A essa triste constatação, vem-me, também, à lembrança o que dizia o ex-Prefeito Damásio Franca, afirmando que “um prefeito municipal, para ser eficiente, tem de ser como uma dona de casa...”.

Infelizmente, isto não vemos mais.

Há muito desapareceram os prefeitos que seguissem o proceder de Damásio, sem sombra de dúvidas, integrando o rol dessas “donas de casa...”.

PMJP
E, acrescento, sigam o conselho que a formiga deu à cigarra: trabalhe no verão, para não faltar no inverno.

“Um Paraíso à beira-mar plantado”.

Vale lembrar, também, tempos já passados, que permitiam nos apossarmos, como se nos pertencesse, de direito, do mesmo autoelogio que nossos irmãos D’Além Mar faziam e fazem ao seu Portugal,

Infelizmente, hoje, esse proceder, enquadra-se apenas no axioma que o escritor Millor Fernandes nos deixou – Livre pensar é só pensar.

Hoje, são apenas tristes realidades que nos marcam.

Se verão, lixo. Se inverno, cacimbas e piscinões.

E, ninguém pergunta.

“Quo vadis, João Pessoa?”

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