Desde a Antiguidade existem advertências sobre o consumo excessivo de álcool, bebido na forma de vinho, cerveja ou hidromel em muita...

Andar correto e muito beber, não pode ser

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Desde a Antiguidade existem advertências sobre o consumo excessivo de álcool, bebido na forma de vinho, cerveja ou hidromel em muitas culturas ancestrais. Em Provérbios 20:1, está escrito: “O vinho é zombador e a bebida fermentada provoca brigas; não é sábio deixar-se dominar por eles.” Na Bíblia, além dessa e de outras severas advertências, há também a ilustração dos efeitos práticos do abuso da bebida, através do episódio presente em Gênesis 9:20-21: “Noé, que era agricultor, foi o primeiro a plantar uma vinha. Bebeu do vinho, embriagou-se e ficou nu dentro da sua tenda.”

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Ds_30
Outras culturas e escritos remotos também avisaram sobre os exageros na ingestão de bebidas alcoólicas. Na Grécia, Hipócrates, considerado o pai da medicina ocidental, expressou preocupações sobre o consumo excessivo de álcool e descreveu seus efeitos negativos sobre o fígado, o sistema nervoso e a reputação social, recomendando moderação em seu uso. Na antiga civilização egípcia, embora o consumo de álcool também fosse comum, os seus efeitos negativos já eram igualmente conhecidos. Em "O Conto do Náufrago", uma história popular do Egito antigo, um personagem é castigado sendo forçado a beber até ficar embriagado como punição por suas ações.

Até hoje, a humanidade sofre com as consequências do uso contumaz de bebidas alcóolicas. Dados da Organização Mundial de Saúde dão conta de que o uso abusivo do álcool é responsável por dois milhões e oitocentas mil mortes por ano no mundo, sendo cem mil delas só no Brasil. Sem dúvida, é um drama sanitário e social, tanto para indivíduos, quanto para as suas famílias e a sociedade.

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Capuski
Há casos em que o vício por álcool atinge até mesmo os animais de estimação. Foi o que ocorreu com Coco, um cão do Reino Unido, da raça labrador, que se tornou dependente porque o seu falecido dono deixava as garrafas de suas bebidas acessíveis. De algum modo, o pet provou o conteúdo dos recipientes e passou a apreciá-lo, tornando-se alcoólatra. Após ser resgatado junto com outro cão por funcionários do Woodside Animal Welfare Trust, de Plymouth, logo após a morte do seu dono, Coco teve de ser internado sob cuidados intensivos.

O falecido tutor dos animais, que também era alcoólatra, ao adormecer, esquecia as garrafas abertas no pátio. Desse modo, Coco e seu companheiro aproveitavam a oportunidade para beber praticamente todos os dias e, após anos de abuso, adquiriram a mesma compulsão do seu dono. A dependência se tornou tão grave que um dos animais não resistiu e morreu durante o período de abstinência. Para sobreviver, Coco teve de ser sedado por quatro semanas.

Celyn Kang
O psiquiatra José Ângelo Gaiarsa tinha uma opinião radical sobre o consumo de álcool: o seu simples uso leva ao abuso. Dizia que em todo rótulo de bebida alcoólica deveria ser colocado o aviso de veneno.

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Sponchia
Sendo o álcool uma substância tão perigosa e tóxica, talvez a sua ingestão devesse ser radicalmente evitada para efeito recreativo, ficando o seu uso restrito a outras aplicações e atividades. Quem sabe não foi Shafqat Rajput, um cabeleireiro da cidade de Bahawalpur, na província paquistanesa do Punjab, quem melhor encontrou uma utilidade construtiva para a substância inflamável. Convertido em uma celebridade da internet, Shafqat revolucionou o mercado de penteados prendendo fogo na cabeça daqueles que comparecem ao seu salão.

Os vídeos mostram o cabeleireiro sacudindo um pó na cabeça dos seus corajosos clientes, e depois despejando a dose de um líquido combustível, que se supõe tratar-se de álcool. Logo em seguida a esta preparação, Shafqat toca fogo nesse coquetel explosivo com um acendedor. Com as madeixas do freguês em chamas, o estilista começa a dar forma a sua criação com um pente e uma tesoura. Durante o processo, a pessoa que está sendo atendida pode assistir, no espelho, a sua própria cabeça pegando fogo. É uma boa opção para quem quer transformar o ato de remover fios quebrados e ressecados numa aventura com risco de morte.

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Hams/AFP
Até agora Shafqat não produziu nenhuma tragédia, já que, logo após o incêndio, os cabelos dos seus consumidores têm voltado a aparência normal, sem sinais de terem sido chamuscados.

Alguém pode contestar que a invenção desse piromaníaco capilar paquistanês não se compara a outro emprego muito mais útil para o álcool: a propulsão de veículos. O feito é do engenheiro brasileiro Urbano Ernesto Stumpf. Claro que alguém que resolva beber o etanol anidro, cuja graduação alcoólica se próxima de 100%, terá pouco tempo de vida. Porém, o mesmo não acontece com o combustível utilizado pelo norte-americano Ky Michaelson para a sua motocicleta: cerveja. Nesse caso, quem se dispuser, pode colocar o canudinho direto no próprio tanque. Pelo menos, isto pode ser feito antes que a cerveja seja aquecida a trezentos graus e se transforme no vapor que movimenta os bicos que impulsionam a máquina.

É possível adaptar a moto para funcionar com bebidas destiladas, o que pode aumentar ainda mais a clientela, incluindo assim os consumidores de whisky e de vodca que desejam ter um veículo como companheiro de farra. O invento pode atingir até duzentos e quarenta quilômetros por hora, desde que o seu piloto também não esteja abastecido.

A sabedoria chinesa diz que “o sábio nunca se embriaga, pois o vinho excita paixões desordenadas e obscurece o juízo." Nesse caso, diferentemente do que disse Gaiarsa, a culpa estaria no excesso.

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MasterTux
De modo semelhante, veio do oriente a história que encerra este texto. No povoado de Chandan Nukat, situado na Índia, uma manada de cerca de quarenta elefantes bebeu a cerveja de arroz preparada pelas tribos da região de Meghalaya. Após se embriagarem, começaram a correr animadamente pelos arrozais. Um dos paquidermes bêbados, tentou esfregar as costas num poste elétrico e acidentalmente derrubou o fio de alta tensão que era sustentado por ele, sendo eletrocutado junto com outros cinco elefantes que tentaram ajudá-lo.

Penso que, de uma notícia tão trágica, tenho de retirar alguma lição, mas ainda não sei bem qual. Será que devo me tornar totalmente abstêmio, ou fazer um regime? Ou será que, simplesmente, devo ter sempre muito cuidado com a eletricidade?

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  1. Paulo Roberto Rocha27/5/23 01:25

    Espetacular texto🫵🏻Que nos faz conhecer tantas histórias dramáticas que giram em torno "álcool"!!!
    Affff !! que dilema atroz!! Que fazer para saborear os bons momentos de "tragos" ...
    Os sociais e os eteceteraetais!! néeeee

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