A infância começa com o renascimento do Espírito no corpo físico, constituindo o período de desenvolvimento da personalidade e de execução do que foi estabelecido no planejamento reencarnatório: “Encarnando, com o objetivo de se aperfeiçoar, o Espírito, durante esse período, é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de educá-lo.”1
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Ao retornar à existência física, o Espírito apresenta, desde a mais tenra idade, predisposições que caracterizam as suas diferenças individuais, resultantes da carga genética herdada dos pais, da educação recebida, das tendências instintivas e das ideias inatas que o Espírito traz ao renascer: “O princípio dessa diversidade reside nas qualidades do Espírito, que pode ser mais ou menos adiantado. Mas é preciso que se leve em conta a influência da matéria, que entrava com maior ou menor intensidade o exercício de suas faculdades.”2
A influência da matéria pode, sim, estar subordinada ao desenvolvimento dos órgãos, pois estes são “[…] os instrumentos da manifestação das faculdades da alma. Essa manifestação se acha subordinada ao desenvolvimento e ao grau de perfeição desses mesmos órgãos, como a excelência de um trabalho está subordinada à qualidade da ferramenta.”3
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A influência do meio familiar, escolar e social são fatores culturais que, se espiritualmente positivos, favorecem o pleno desenvolvimento intelectual e moral do Espírito reencarnante. A educação familiar, em especial, exerce significativa ação na moldagem do caráter da criança, cabendo aos pais, neste particular, grande responsabilidade: “[…] Pois bem, os Espíritos dos pais têm por missão desenvolver os de seus filhos pela educação. Isto constitui para eles uma tarefa: se falharem, serão culpados.”4
Durante a infância, é comum observar a manifestação de tendências instintivas e ideias inatas que, em geral, surgem na forma de lembranças fragmentárias. Há, porém, crianças que recordam com nitidez experiências reencarnatórias anteriores ou de suas vivências no plano espiritual. Resulta daí a afirmação dos Espíritos orientadores:
“[…] os conhecimentos adquiridos em cada existência não se perdem; liberto da matéria, o Espírito sempre se recorda. Durante a encarnação, pode esquecê-los em parte, momentaneamente, mas a intuição que deles guarda lhe auxilia o progresso, sem o que estaria sempre a recomeçar. Em cada nova existência, o Espírito toma como ponto de partida aquele em que se encontrava em sua existência anterior.”5
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Atualmente, é comum a mídia transmitir informações a respeito de crianças-prodígio nos diferentes campos do conhecimento (arte, ciências exatas, literatura, etc.). Tais ocorrências comprovam, por si só, a imortalidade e a individualidade do Espírito sobrevivente à morte do corpo físico, assim como a ideia da reencarnação.
Na oportunidade, sugerimos a leitura das pesquisas do famoso psiquiatra Ian Stevenson (1918 – Montreal/Canadá – 2007/USA), da Universidade de Virgínia/EUA, que, ao longo de décadas, desenvolveu extenso trabalho científico e investigativo das evidências da reencarnação, por meio de lembranças espontâneas. Os livros Reencarnação – Vinte casos e Casos Europeus de Reencarnação, ambos da Editora Vida e Consciência, são leitura imprescindível para quem deseja aprofundar-se no assunto.
Ian Stevenson: considerado até hoje, o maior pesquisador da reencarnação pelo prisma científico dualitycheck.net
A memória integral, propriamente dita, das experiências reencarnatórias ainda está bloqueada, a fim de que o Espírito possa melhor aproveitar os benefícios da nova existência corporal, sobretudo em se tratando de Espíritos que reencarnam sob dolorosas provações ou expiações reparadoras de delitos cometidos anteriormente:
“Frequentemente, o Espírito renasce no mesmo meio em que já viveu, estabelecendo de novo relações com as mesmas pessoas, a fim de reparar o mal que lhes haja feito. Se reconhecesse nelas as pessoas a quem havia odiado, talvez o ódio despertaria outra vez no seu íntimo. De qualquer modo, ele se sentiria humilhado em presença daquelas a quem houvesse ofendido.
Deus nos deu, para melhorarmos, justamente o que nos é necessário e nos basta: a voz da consciência e as tendências instintivas, mas Ele nos tira o que poderia prejudicar-nos. […].”6
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Por outro lado, é oportuno lembrar que “[…] o esquecimento ocorre apenas durante a vida corporal. Retornando à vida espiritual [pelo sono], o Espírito recobra a lembrança do passado. […].”6
Não é somente depois da morte que o Espírito recobra a lembrança do passado. Pode-se dizer que jamais a perde, pois a experiência demonstra que, mesmo encarnado, o Espírito goza de certa liberdade durante o sono e tem consciência de seus atos anteriores; sabe por que sofre e que sofre justamente. A lembrança somente se apaga no curso da vida exterior de relação. Mas, na falta de uma recordação exata, que lhe poderia ser penosa e prejudicar suas relações sociais, ele haure novas forças nesses instantes de emancipação da alma, se souber aproveitá-los.6
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A criança, enquanto ser espiritual, encontra na infância o momento propício para sua reeducação, pelo aprimoramento da inteligência e do desenvolvimento moral, como orienta o Espírito André Luiz:
Ante os pequeninos 7A criança é uma edificação espiritual dos responsáveis por ela.
Não existe criança — nem uma só — que não solicite amor e auxílio, educação e entendimento.
Cada pequenino, conquanto seja, via de regra, um Espírito adulto, traz o cérebro extremamente sensível pelo fato de estar reiniciando o trabalho da reencarnação, tornando-se, por isso mesmo, um observador rigoroso de tudo o que você fala ou faz.
A mente infantil dar-nos-á de volta, no futuro, tudo aquilo que lhe dermos agora.
Toda criança é um mundo espiritual em construção
André Luiz
ou reconstrução, solicitando material digno a fim de consolidar-se.
Ajude os meninos de hoje a pensar com acerto, dialogando com eles, dentro das normas do respeito e sinceridade que você espera dos outros em relação a você.
A criança é um capítulo especial no livro do seu dia a dia.
Não tente transfigurar seus filhinhos em bibelôs apaixonadamente guardados, porque são eles Espíritos eternos, como acontece a nós, e chegará o dia em que despedaçarão perante você mesmo quaisquer amarras de ilusão.
Se você encontra algum pirralho de maneiras desabridas ou de formação inconveniente, não estabeleça censura, reconhecendo que o serviço de reeducação dele, na essência, pertence aos pais ou aos responsáveis, e não a você.
Se veio a sofrer algum prejuízo em casa por depredações de pequeninos travessos, esqueça isso, refletindo no amor e na consideração que você deve aos adultos que respondem por eles.