A indignação que surge ao perceber o abismo entre o cidadão comum e o poder público é tão antiga quanto a própria civilização. Gastar energia, tempo e afeto defendendo figuras que sequer sabem o nosso nome é uma das maiores ilusões da vida moderna.
Arte: Ramón Martí Alsina ▪ Col. particular
Quando rompemos com amigos de infância ou parentes por causa de discursos partidários, permitimos que a política nos transforme em ferramentas descartáveis para o projeto de poder alheio.
A verdadeira tragédia das divisões políticas não está nos gabinetes ou nos palanques, mas dentro das nossas próprias casas.
Ao adotar uma postura arrogante, convictos de que somos os únicos donos da verdade, esquecemos a profunda lição do estoico Epicteto: "Não são as coisas que perturbam os homens, mas a opinião que eles têm sobre as coisas." O orgulho de ter razão em uma discussão ideológica não cura o estresse, não paga as contas e certamente não substitui o abraço sincero de quem sempre esteve ao nosso lado nos momentos difíceis.
Arte: Adolph Menzel, 1848 ▪ Col. particular
Essa desilusão fica evidente ao olhar para a trajetória de quem dedicou a vida inteira a instituições ou sistemas públicos: ao final do ciclo, percebe-se que as estruturas são impessoais e frias, enquanto as relações humanas reais são as únicas capazes de nos sustentar. A vida pública enxerga números e estatísticas; os nossos pares enxergam a nossa humanidade. Como bem resumiu o filósofo francês Jean-Paul Sartre, "o homem é condenado a ser livre", o que significa que cabe exclusivamente a cada um de nós escolher os valores pelos quais vale a pena lutar.
Arte: Thomas Ludwig Herbst, S.XIX ▪ Col. particular








