Em 16 de junho do próximo ano (2027) ocorrerá o centenário de nascimento de Ariano Suassuna, patrimônio humano e cultural da Paraíba, de Pernambuco e do Brasil. É uma data importantíssima, sob todos os pontos de vista, e não poderá passar em branco. Os poderes públicos podem até ignorá-la, o que não surpreenderia num país que costuma subvalorizar as coisas da cultura, mas à sociedade civil não será dado esse direito, sob pena de abdicarmos, de vez, dos altos valores da nação e de nossa própria identidade nacional.
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Daí a relevância de um Ariano. E de outros brasileiros que orgulham a raça e que precisam ser festejados, como forma de compensar o deserto moral que assola o país. Um Ariano sozinho vale por milhares, principalmente por aqueles poderosos que todo dia protagonizam escândalos na imprensa, na TV e nas redes sociais. Uma gente sem caráter e sem nenhum valor, que nos envergonha e nos deprime. O jurista Joaquim Falcão, em recente entrevista, lembrou
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Nascido em pleno Palácio da Redenção, em fins do governo de seu pai, o presidente João Suassuna, Ariano logo cedo foi com a família para o Recife, após o traiçoeiro assassinato, no Rio de Janeiro, do seu genitor, em 9 de outubro de 1930, no vendaval que varreu a Paraíba e o Brasil após a morte violenta do presidente João Pessoa e poucos dias antes da eclosão da chamada Revolução de 30, que levaria Getúlio Vargas ao poder. Tempos difíceis para todo mundo, vitoriosos e vencidos. Estes, em não poucos casos, preocupados antes de tudo com a própria sobrevivência física, ameaçada por paixões incontroláveis, individuais e coletivas. Dona Rita Suassuna, previdente, achou por bem deixar a terra natal, naqueles momentos hostis, e ir para a capital pernambucana tentar a vida, levando consigo a prole indefesa. Tempos ásperos que marcaram profundamente o clã Vilar Suassuna, como tantos outros em situação parecida.
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Freyre e Suassuna, morando na mesma urbe, dividiram a liderança intelectual do Recife da segunda metade do século passado, sem se hostilizarem. A seu modo e em certa medida, a obra de Ariano seguia os princípios do Manifesto Regionalista de Gilberto Freyre, pode-se afirmar. E, numa coisa particular, mas significativa, foram praticamente idênticos: escolheram para morar autênticas e antigas casas pernambucanas, nas quais recolheram preciosos acervos de arte e de antiguidades, dignos de museus. O Solar de Apipucos era mais senhorial em sua arquitetura imponente de casa-grande nordestina, mas a residência de Ariano não ficava atrás, em termos de tradição e beleza.
Solar de Apipucos, casarão do século XIX, antiga casa-grande do Engenho Dois Irmãos adquirido por Gilberto Freyre em 1940, para sua moradia com a esposa, Magdalena, a partir de 1941 ▪️ FGF /// GD'Art
Viva Ariano!




