Eu acho, e acredito, que, dentro da agonia humana, o desespero leva ao haraquiri : o ato extremo de alguém tirar a própria vida. O jap...

Sir Tomoru nu Kuru

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Eu acho, e acredito, que, dentro da agonia humana, o desespero leva ao haraquiri: o ato extremo de alguém tirar a própria vida. O japonês, pela ética e pela honra, fazia o haraquiri. Outros, na insanidade, na solidão ou na agonia, lançam-se da janela contra a própria existência.

O desespero deixa o ser humano sem caminho, sem medida e sem lugar onde possa apoiar a própria dignidade.

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O que se vê agora em nosso entorno é outra forma de degradação: a do Supremo Tribunal Federal. Nele, ética e moral parecem palavras destinadas a cair brevemente em desuso.

O próximo fato talvez seja ainda mais escatológico, mas continuará sendo corriqueiro, pois faz parte do cotidiano, e foi observado na instituição STF, nas decisões, nos votos e nas diversas interpretações de seus membros.

É fato que já não se esconde, porque passou a circular diante de todos como se o absurdo, exposto na sala, tivesse adquirido cor, cheiro e viscosidade, uma maneira fedida de o Direito inconstitucional parecer normal.

O Judiciário, como imagem, é representado por uma figura vendada, com um manto e uma balança nas mãos. A venda deveria impedir preferências; o manto, representar a pureza; e a balança, garantir peso e medida. No entanto, sob a ótica da bestialidade, até a balança parece corrompida.

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Infelizmente, a única mulher na corte colocou uma venda preta nos olhos, esqueceu-se de fechar o nariz, despiu-se do manto da vergonha e, entre os presentes, expôs seu afeto ao apoiar, descaradamente e em público, o Ministro Maioral dos Venais, que se vendeu para a proteção do Banqueiro, o ladrão dos aposentados e o parceiro de deputados e senadores.

Ela já não diz apenas: “Eu peso e tenho medida”. Parece dizer: “Eu escolho o peso e determino a medida dos meus pares”.

É nesse desequilíbrio que os senhores do Supremo Tribunal Federal aparecem diante do país. Não quero generalizar, mas também não consigo separar cada um em suas turmas e facções, pois eles representam a instituição, e todos se alimentam dos resultados de processos das grandes corporações.

Há quarenta anos, ou um pouco menos, esse cenário vem sendo enlameado. A Constituição chamada cidadã nasceu cercada por disputas, interesses e manipulações daqueles que a redigiram. A Magnífica sempre foi criticada por aquilo que permite nas leituras e interpretações dos corruptos que a leem para aplicar o Direito.

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Sua construção não ocorreu fora da política, nem acima das forças que dominavam o país. Ao contrário: trouxe para dentro de si as contradições de uma sociedade dividida entre a promessa de cidadania e a permanência dos privilégios.

Quem se lembra da história também se lembra do tempo e dos fatos. Foi um dos poucos momentos em que o tal Luiz Inácio viu além do comum: ele conseguiu ler a composição dos representantes do povo brasileiro e daqueles que, em breve, ele poderia comprar a preço de “Mensalão”. Eram quase os mesmos constituintes de 1988.

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Os constituintes mercenários, comprometidos com as corporações, não surgiram do vazio. Muitos pertenciam a uma classe política formada sob o governo militar, amparada por padrinhos, cartórios, grupos e interesses distribuídos pelos universos do poder.

Todos têm o DNA da Arena e o RNA do MDB, que não desapareceram da memória política apenas porque o país passou a pronunciar as palavras democracia, presidencialismo de coalizão e orçamentos secretos.

Assim, a Constituição cidadã já nasceu atravessada por forças capazes de corromper a própria cidadania, favorecendo elites e grupos na interpretação das normas.

A principal vítima sempre foi, é e será o povo. A outra é o Estado, continuamente submetido a uma gestão ineficiente e compactuada com práticas antigas de corrupção e composições venais.

Por isso, não deveria surpreender o que o Supremo Tribunal Federal se tornou. Basta recordar os momentos em que ministros lavavam roupa em pleno tribunal, durante o Mensalão e o Petrolão, defendendo seus pendores corporativistas. Esse recorte não começou hoje; hoje apenas está mais exposto, escrachado e desmoralizado pelo baixo nível dos homens públicos que ascenderam ao Olimpo do lixo. As redes sociais ampliaram a exposição e transformaram o instante em notícia. Agora, o monitoramento e o bisbilhoteio são imediatos. A vida do outro parece mais importante do que a própria vida. Todos vigiam a todos, até dentro da prostituída Corte, comentam, comem e julgam juntos.

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O olho do Estado de Direito já não está sozinho. Tem ao seu lado as big techs, que nos observam, nos conduzem e parecem dizer até onde iremos e como chegaremos. E, se percebermos, basta um clique delas para que algo apareça e desapareça, espalhe-se ou submerja nos buracos negros da “dark web”.

Enquanto isso, os membros do Congresso Nacional também participam diretamente dessa decomposição. Surgem envolvidos “nus” nas mais diversas circunstâncias, inclusive nas relações com facções e na liberação daquilo que já estava, implícita ou explicitamente, desregrado.

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Hoje sabemos por que todos os deputados e senadores defendem a jornada 6 x 1: todos os senhores operadores da política partidária sonhavam em participar da festa do Vorcaro, na qual havia 120 mulheres para vinte nobres políticos com mandatos. Até o momento, não vi nenhuma crítica por parte do movimento LGBTKYGS.

O moralmente incorreto atravessa os discursos, os acordos e até o tratamento entre os pares. O desrespeito deixou de ser acidente. Tornou-se método de convivência. Quando tudo se perde entre aqueles que deveriam guardar as regras, entre marginais, resta ao cidadão assistir à disputa entre podres poderes que já não reconhecem limites.

O STF, em suas turmas, compôs as suas equipes e exibiu ao país suas escolhas. O que mais me surpreende é que temos apenas uma mulher naquele conjunto, e essa presença não rompeu a lógica dominante de que as mulheres são mais honestas. Como ela consegue sustentar essa aparência quando o cheiro da carniça se propaga de maneira tão uniforme? Alguns se vendem e mergulham nesse ambiente, acreditando estar em outro universo, acima dos demais, e que nada acontecerá.

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O mau cheiro não reconhece hierarquia. Alcança quem manda, quem obedece, quem pesa, quem mede e quem finge não ver.

É assim que vejo o momento a que chegamos. Estamos além do que Bakunin poderia imaginar e diante da coisa mais escatológica e depravada que nem Bukowsky, em sua verborragia depravada, pensou.

Se o haraquiri tradicional atravessava o ventre em nome da honra, o nosso parece percorrer o caminho inverso. É triste imaginar um ser humano fazendo um haraquiri pelo cu, pelo ânus, como se até a destruição moral precisasse perder qualquer vestígio de dignidade.

Não é apenas uma palavra grosseira. É a imagem final de uma Suprema Corte que perdeu a medida, corrompeu a balança, banalizou a vigilância e transformou a vida pública em matéria de decomposição.

A ética permanece vendada; a moral, ameaçada de desuso; a cidadania, comprimida pelos interesses; e o Estado, surrupiado por quem deveria resguardá-lo.

Realmente, vivemos uma era de tumor no cu da nação: uma fístula que cresce onde a vergonha deixou de doer e o asseio já não passa de fachada.
Ao sábio amigo Pereirão.
Sr. TUMORU NU KURU.
Ao infinito e ao além.

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