Alguém sabe a diferença entre bolacha e biscoito? Não? Pois bem, a bolacha e o biscoito vão aparecer ao fim deste causo sem que desfaçamos esta dúvida. Mas primeiro tenho que apresentar Zezinho Gafanhoto.
José A.L.S. era o que poderíamos chamar de comilão de mão cheia; ou melhor, de boca cheia. Tinha, acreditem, um apetite voraz, o que justifica plenamente a alcunha. É o que precisam saber dessa criatura. Então, agora, feita essa resumida apresentação do protagonista, vamos ao causo.
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Nossa anfitriã pegou no batente desde cedo, abastecendo o fogão à lenha que ficava debaixo de um puxadinho. O rega-bofe estava marcado para as três da tarde, mas às dez o pagode já estava a todo vapor.
Roda de samba sem uma cerveja gelada, sem uma cachacinha para espantar os capetas e sem tira-gosto não é pagode que se preze. Assim, quando a cantoria começou a esquentar, já saiu um prato de torresmo, depois o sarapatel, não
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Bem, agora imaginem, depois de tudo isso, uma buchada de bode. Acompanhando, arroz no alho, feijão preto temperado com louro e carne de charque e um mocotó que saíra da panela de pressão para dar um reforço ao cardápio. Imaginem...
Juntaram as mesas e o povão não perdeu tempo. Todo mundo fazendo seu prato, e os garfos logo entraram no exercício de suas funções. Conversa animada entre uma garfada e outra, e ainda sobrava um tempinho para uma bicada nos copos de cerveja e nos da “marvada”.
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Todo mundo ali comentando o apetite de Zezinho: “Deixa um pouco pra gente”. “Como é que isso cabe dentro de você, Zezinho?”. “Só quero saber como é que isso tudo vai sair”. E por aí seguiam os comentários, enquanto nosso comilão, sem se importar com o que diziam, ia mandando ver.
Mas, de repente, começou a suar frio, pediu licença e saiu ligeiro para os sanitários. Não chegou lá, caiu no corredor que ligava a cozinha da casa ao banheiro. Ficou sentado, sôfrego, como se estivesse esperando a morte. Matilde Perna Grossa deu o alarme.
— Gafanhoto tá passando mal. Tá lá no corredor. Não consegue nem falar.
Foi um corre-corre danado, gente abanando o pobre, Arlindo já ligou para o SUS pedindo uma ambulância. Dona Maricotinha preparou um chá de carqueja com boldo e foi servir para o coitado.
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Zezinho recolheu o que lhe sobrava de forças e perguntou:
— O que é isso, comadre?
— Chá de boldo com carqueja, toma que você melhora.
— Mas tomar chá assim, sem uma bolacha, sem um biscoito...









