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Voz é a forma com que o verbo se apresenta para indicar a relação entre ele e o sujeito. As vozes verbais constituem um assunto difíc...

lingua portuguesa humor vozes verbais
Voz é a forma com que o verbo se apresenta para indicar a relação entre ele e o sujeito.

As vozes verbais constituem um assunto difícil que nossas gramáticas nem sempre analisam com a devida profundidade. A rigor, só os verbos transitivos diretos ou os adequadamente chamados bitransitivos (na antiga nomenclatura) podem ter voz ativa, passiva ou reflexiva, pela Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB). Em frases como José saiu, Antônio foi ao Rio ou Preciso de dinheiro e quejandas, os verbos estariam no que se deveria chamar de voz medial, de que também é exemplo a voz reflexiva, mas seria uma solução conveniente para a análise de frases

Os versos mais conhecidos no Brasil e em Portugal são de uma poetisa de quem poucos sabem o nome. Trata-se de Bertha Celeste Homem d...

bertha celeste feliz aniversario felicidade plural
Os versos mais conhecidos no Brasil e em Portugal são de uma poetisa de quem poucos sabem o nome. Trata-se de Bertha Celeste Homem de Mello, paulista de Pindamonhagaba, nascida no dia 21 de março de 1902 e falecida no dia 16 de agosto de 1999. Publicou um livro de poemas – Devaneios – mas talvez, em seus 97 anos de vida, só tenha tido sucesso com apenas uma trovinha.

Qual é a origem do emprego do pronome pessoal nós como plural majestático (que, na verdade, é semanticamente singular)? O plural de m...

imperio romano plural portugues linguistica
Qual é a origem do emprego do pronome pessoal nós como plural majestático (que, na verdade, é semanticamente singular)? O plural de majestade é utilizado por reis, chefes de Estado e autoridades eclesiásticas, como no exemplo seguinte:

Muitas são as definições de pronome. E nem todas são isentas de críticas, apesar de bem-exploradas e de há muito ensinadas em gramátic...

lingua portuguesa uso pronome
Muitas são as definições de pronome. E nem todas são isentas de críticas, apesar de bem-exploradas e de há muito ensinadas em gramáticas e compêndios escolares.

A etimologia tem sido má conselheira dos que pretendem explicar fatos atuais da língua. O uso leva com frequência ao esquecimento de ...

lingua portuguesa hipercaracterizacao
A etimologia tem sido má conselheira dos que pretendem explicar fatos atuais da língua. O uso leva com frequência ao esquecimento de como determinada palavra ou expressão se formou. E pode ocorrer o que em linguística se chama hipercaracterização, que é uma redundância incorporada

Nos estudos etimológicos, é frequente encontrar-se o folclore ou a imaginação dos mais afoitos. Fernão de Oliveira, no séc. XVI, aler...

forro folclore forrobodo linguistica
Nos estudos etimológicos, é frequente encontrar-se o folclore ou a imaginação dos mais afoitos. Fernão de Oliveira, no séc. XVI, alertava contra as adivinhações que tentassem explicar as dicções portuguesas, como: homem, porque está no

Há algum tempo, uma aluna de um curso de letras, ao comentar num artigo a “Carta pras Icamiabas”, cap. IX do Macunaíma , de Mário d...

mario andrade luis verissimo
Há algum tempo, uma aluna de um curso de letras, ao comentar num artigo a “Carta pras Icamiabas”, cap. IX do Macunaíma, de Mário de Andrade, se insurgiu contra a gramática, na presunção de que a língua ou a comunicação linguística possa existir sem ela, ou na ignorância do fato de que o próprio Mário de Andrade escreveu uma Gramatiquinha, que

Há palavras latinas que se incorporaram ao léxico português, seguindo as regras ortográficas da nossa acentuação, como superávit (do p...

linguistica portugues plural plurais
Há palavras latinas que se incorporaram ao léxico português, seguindo as regras ortográficas da nossa acentuação, como superávit (do pretérito perfeito do verbo superare, “sobrar”), déficit (do presente do indicativo do verbo deficere, “faltar”), hábitat (do presente do indicativo do verbo habitare, “morar”), hábeas (de habeas corpus, “que tenhas o corpo”, do verbo habere, “haver,ter” + corpus = corpo), fórum (do neutro latino forum, i, “praça pública”),

Não clameis por sua sorte! Tanto é noite quanto é dia, E vida e morte. Cecília Meireles Felizes éramos nós, meu pai, minha mãe e eu. ...

conto romance melodrama medieval
Não clameis por sua sorte! Tanto é noite quanto é dia, E vida e morte.
Cecília Meireles

Felizes éramos nós, meu pai, minha mãe e eu. Meu pai caçava nas folgas, na semana trabalhava. Minha mãe, comigo em casa, ou na cozinha, ou na costura, cumpria também sua parte na muita luta diária pelo agasalho e sustança. E eu, quando não estudava, também pegava no duro, lavando pratos ou varrendo a casa. E éramos felizes e de tudo tínhamos do que cada um deve ter, para uma vida apertada, de pouca renda, mas de algum conforto. O pão não faltava, o principal nos sobrava.

Há algumas etimologias encontradiças em obras de referência, que não me parecem adequadas, embora divulgadas de maneira categórica. U...

linguistica etimologia gramatica portuguesa
Há algumas etimologias encontradiças em obras de referência, que não me parecem adequadas, embora divulgadas de maneira categórica. Uma delas é a de que “sincero” teria vindo da expressão “sem cera”. Como as máscaras eram de cera, uma pessoa sincera seria uma pessoa sem máscara, não falsa, natural. Comunga dessa ideia o Dicionário Morfológico da Língua Portuguesa (de Evaldo Heckler, Sebold Back e Egon R. Massing), editado em São Leopoldo pela Unisinos, em 1984. Em latim, cera é feminino e a preposição sine (sem) exige ablativo. Não sei como se daria a transformação de uma locução adjetiva feminina (sine cera) no adjetivo masculino sincerus, de primeira classe.

Existem pares de substantivos comuns, semanticamente relacionados, em que o feminino e o masculino se usam diferentemente pelos falante...

lingua portuguesa palavras casadas linguistica
Existem pares de substantivos comuns, semanticamente relacionados, em que o feminino e o masculino se usam diferentemente pelos falantes, guiados pela intuição. Pergunte-se a um brasileiro se ele põe uma jarra d’água ou um jarro d’água na mesa, se ele compra um saco de café ou uma saca de café, se ele pegava a barca ou o barco para ir do Rio a Niterói... A todas essas perguntas, ele responderá sem hesitação, de

José Ramos Horta, prêmio Nobel da paz de 1996, por sua luta pela independência do Timor Leste, disse, numa entrevista, que, embora a ...

lingua portuguesa
José Ramos Horta, prêmio Nobel da paz de 1996, por sua luta pela independência do Timor Leste, disse, numa entrevista, que, embora a língua tetum seja falada pela grande maioria da população malaio-papua (chineses, árabes e europeus são minoria), foi a língua portuguesa que simbolizou a resistência contra a opressão da Indonésia. Proibido pela ditadura do general Suharto que anexou o Timor Leste à Indonésia em julho de 1976, o português era ensinado às escondidas e aprendido com orgulho pelos timorenses que sonhavam com a liberdade. Pelo menos lá, o português era ensinado como um instrumento de libertação.

O dicionário Houaiss , no verbete “baderna 1”, registra a seguinte informação etimológica: “segundo Antônio Soares, do antr. Marieta ...

maria marietta baderna etimo linguistica
O dicionário Houaiss, no verbete “baderna 1”, registra a seguinte informação etimológica: “segundo Antônio Soares, do antr. Marieta Baderna, dançarina it. que esteve no Rio de Janeiro em 1851, provocando ‘um certo frisson’.” O Dicionário etimológico Nova Fronteira, de Antônio Geraldo da Cunha (Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982, s.v. “baderna2”)

A música do Hino espírito-santense, de autoria de Arthur Napoleão, é maravilhosa, mas, infelizmente, a letra de Peçanha Povoa é um am...

hino espirito santo ma escrita cara de surpresa
A música do Hino espírito-santense, de autoria de Arthur Napoleão, é maravilhosa, mas, infelizmente, a letra de Peçanha Povoa é um amontoado de equívocos e bobagens linguísticas. Recordemo-la:

Uma das caraterísticas do dialeto mineiro (“mineirês”) é a utilização generalizada da interjeição uai . Qual a sua origem? As interje...

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Uma das caraterísticas do dialeto mineiro (“mineirês”) é a utilização generalizada da interjeição uai. Qual a sua origem?

As interjeições são paralinguísticas. Não é fácil uma interjeição ser fruto de influência estrangeira, porque não é palavra real. E, por não ser a interjeição uma palavra real, mas apenas uma manifestação emotiva ou um substituto de sinais, fica difícil fazer uma pesquisa em profundidade a respeito da origem das interjeições, em geral.

Em Rosamundo e os outros , Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) conta que Álvaro Moreyra tinha contratado um pintor chamado Leônio Xa...

fabula ironia ignorancia vaidade
Em Rosamundo e os outros, Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto) conta que Álvaro Moreyra tinha contratado um pintor chamado Leônio Xanás para pintar o seu apartamento. Para provar que há falta de sinceridade nas pessoas e que ninguém gosta de confessar a própria ignorância, Álvaro Moreyra propôs

Há músicas populares que, apesar da melodia encantadora, pecam, na letra, por deslizes gramaticais ou semânticos que destoam, em parte,...

musicas antigas
Há músicas populares que, apesar da melodia encantadora, pecam, na letra, por deslizes gramaticais ou semânticos que destoam, em parte, de sua beleza.

A música Canção da Criança, de Francisco Alves, da década de 50, e divulgada também pelo palhaço Carequinha, diz, em certa parte:

De onde se origina a interjeição “Uma ova!”, que exprime repúdio ou negação? O vocábulo ova se origina do latim ova , plural de ovum...

lingua portuguesa linguistica ova ovacao
De onde se origina a interjeição “Uma ova!”, que exprime repúdio ou negação?

O vocábulo ova se origina do latim ova, plural de ovum, “ovo”, e designa a “bainha cheya dos ovosinhos do peixe, e de alguns insectos” (MORAES SILVA, Diccionario da língua portugueza. Lisboa: Typographia Lacerdina, 1813, s.v.).

Os dicionários no Brasil deveriam respeitar sempre a ortografia oficial constante no Vocabulário Ortográfico . Durante muitos anos, o A...

dicionario portugues erros dicionarios
Os dicionários no Brasil deveriam respeitar sempre a ortografia oficial constante no Vocabulário Ortográfico. Durante muitos anos, o Aurélio inventou os hifens em “dona de casa”, contrariando a ortografia oficial; o Houaiss contribui com essa desobediência ao nosso Vocabulário Ortográfico, grafando inadequadamente, numa justificativa indevida, berinjela com < g > (beringela), como vimos no nosso artigo do dia 04.12.2023, neste espaço. E a grande maioria dos dicionários brasileiros dividem as sílabas de

Vicente de Carvalho , no famoso soneto “Velho tema I”, do livro Poemas e Canções (7.ed. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1926, p..3),...

felicidade infelicidade vagalume pirilampo infancia
Vicente de Carvalho, no famoso soneto “Velho tema I”, do livro Poemas e Canções (7.ed. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1926, p..3), disse que a felicidade existe, sim, “mas nós não a encontramos / porque está sempre apenas onde a pomos, / e nunca a pomos onde nós estamos”.