S ó se vê gente alegre na rua. Gente sorrindo, fazendo as coisas correndo como se o mundo fosse acabar amanhã. E todo esse alvoroço por caus...

Só se vê gente alegre na rua. Gente sorrindo, fazendo as coisas correndo como se o mundo fosse acabar amanhã. E todo esse alvoroço por causa da Copa, que está mexendo com a cuca de muita gente. E essa ansiedade ainda vai aumentar quando for na hora do jogo. Coração batendo, mãos geladas, boca pronta para gritar o gol, que é tão gostoso como um orgasmo. Assim, como Arquimedes saiu correndo nu pela rua quando descobriu a lei da hidrostática, o torcedor é capaz de fazer o mesmo quando a bola entrar na rede...

Não censuro essa exaltação futebolística. Já fui tão fanático que na hora do jogo com o Brasil eu ficava tremendo que nem vara verde. Houve uma final da Copa que eu não aguentei assistir toda. Fui esconder minha emoção na praia. E fiquei esperando ouvir um foguetão anunciando um gol do Brasil.

Hoje a coisa mudou. Se eu for para a TV, será sem aquele entusiasmo de outrora. E talvez nem vá... Mas, se Deus é brasileiro como se diz, que o nosso país seja campeão. Mil vezes a gritaria, a exaltação, o culto da chuteira do que a guerra, que os Estados Unidos e a Rússia estão cogitando. Esses provocadores de guerra é que merecem o nosso repúdio.

Copa sim, guerra não. O povo brasileiro não cabe em si de contente. As bandeirinhas do país mais pacífico do mundo já estão tremulando nos carros. O país que deu berço ao maior médium do planeta, o nosso Chico Xavier, que morreu, justamente, quando o povo delirava com a vitória da “Pátria do Evangelho”, como dizem os espíritas. O Brasil de Chico Xavier.

E amanhã, terça-feira, é dia do meu aniversário. Um aniversário sem bolo, sem a modinha do “parabéns pra você”, quando se deseja para o aniversariante muitos anos de vida, uma prova de que todo mundo deseja a velhice, que é sinônimo de sabedoria. Sabedoria pra ver o povo contente, virando menino, ansiando pelo gol. O povo sem guerra, pacífico por natureza. Um povo sem Napoleão, sem Hitler, sem Stalin.

Sonhar com a bola na rede, com a Copa do Mundo, é melhor do que com a bomba atômica dos países fazedores de guerra. Vá ver que até as criancinhas, lá no Hospital do Câncer, estarão sorrindo e torcendo pelo Brasil... O povo é assim mesmo.

A belardinho muito contente com a publicação de seu recém-lançado livro, que tem título sugestivo. Lembrar que janela é símbolo de comunicaç...

Abelardinho muito contente com a publicação de seu recém-lançado livro, que tem título sugestivo. Lembrar que janela é símbolo de comunicação. O mestre José Américo já dizia que ir à janela é ir à ua sem sair de casa. Outrora, as janelas eram tudo de uma residência. Ah, as conversas pelas janelas... E haja conversa.

O nosso Abelardinho, doutor em um diferenciado colunismo social, que aprendeu com o seu mestre Heitor Falcão, é um homem em lua de mel com a vida. Teve um pai, o ministro Abelardo Jurema, com quem aprendeu muita coisa na vida, menos odiar. E eu fui aluno dele, de Literatura Brasileira, lá no Liceu Paraibano. Você precisava ver que elegância, no traje, no comportamento, no bom humor.

Este quinto livro que Abelardo publica é um documentário excelente da nossa vida social, de que o autor conhece a fundo. Uma janela escancarada do nosso cotidiano muito humano. Nele, o colunista-cronista rememora diversos personagens ilustres e não esquece o barbeiro Tião, cuja tesoura cortou o cabelo de muitos governadores, inclusive os de José Américo de Almeida, que não me deixe mentir a escritora Lourdinha Luna.

Abelardo alude ao exílio do pai no Peru, um dos momentos dramáticos de sua vida política. Mas o exilado não perdeu a dignidade, chegando a dizer: “É nos momentos difíceis que o homem cresce e amadurece”. A Paraíba deve muito ao ex-ministro Abelardo Jurema, pois foi de sua mão que saiu a federalização de nossa universidade.

Estou aqui com “Na Janela da Cidade”, o livro que virou realmente janela. Uma beleza de impressão gráfica. Como já disse, um livro que dá vontade de beijá-lo, e valorizado com o prefácio do acadêmico Damião Ramos Cavalcante, posfácio do arquiteto e cronista Germano Romero e “orelha” do jornalista Kubitschek Pinheiro.

Abelardo pai já se imortalizou nas Letras. Por que o filho também não se imortaliza, unindo-se ao pai, cada vez mais, merecidamente?

Digo com toda a sinceridade. Este “Na janela da cidade” tem a cara da cidade. Não a cidade do Rio de Janeiro, onde o autor nasceu, mas a da Capital das Acácias, onde o sol nasce primeiro!

C hegou a vez de falar sobre a mente. Deixemos as mãos, os pés, os olhos e falemos da mente, que fica lá no alto do cérebro e onde moram nos...

Chegou a vez de falar sobre a mente. Deixemos as mãos, os pés, os olhos e falemos da mente, que fica lá no alto do cérebro e onde moram nossos pensamentos.

A mente é a grande realidade da vida. A mente não mente. E sua importância foi ressaltada pelos antigos, que já diziam: ”mente sã, corpo são”. Repito: lá é onde moram nossos pensamentos. E não esqueçamos que somos o que pensamos. Tão importante é o pensamento, que o filósofo Descartes, pai da filosofia moderna, ganhou fama com a famosa sentença: ”Penso, logo existo”.

Mas para chegar a essa assertiva, o famoso pensador não fez outra coisa na vida, a não ser pensar. Nunca viu as manhãs, porquanto dormia até meio dia. E acordava para pensar, que o pensamento para ele era tão importante como o oxigênio. Descartes, portanto, morava na mente.

Como disse, somos os nossos pensamentos, que se transformam em atos. Está ai a necessidade de nossa constante vigilância, a necessidade de estar atento. Jesus nos deu uma grande receita: ”orai e vigiai para não entrardes em tentação”. A tentação é um perigo. E há tantas tentações: a do sexo, a do poder, a do dinheiro, a da vaidade, a da gula, dos vícios. Na oração do Pai Nosso, Jesus não esqueceu o “não nos deixeis cair em tentação. ”

Disse o apóstolo Tiago que há tentação quando há concupiscência. E o que é concupiscência? Responde o dicionário: ”apetite sensual, inclinação para a lascívia”. Concluindo: tendência. Por conseguinte, se não existisse a concupiscência, não haveria a tentação. Tiago tem razão.

Voltemos à mente, que fica lá no alto do nosso corpo, este maravilhoso cosmo orgânico. Deus sabe o que faz. Estejamos, portanto, vigilantes com a mente. O ditado popular já disse que se cochilarmos o cachimbo cai.

E quem também ressaltou a importância de nossa mente foi Emmanuel, mentor do médium Chico Xavier, no livro “Pensamento e vida”. Livro de uma profundidade impressionante. E fico pensando como é que o médium, de instrução primária, conseguiu escrever aquilo?

Veja só o que disse o autor espiritual do citado livro: “A mente é o espelho da vida em toda parte. O campo da consciência desperta. ” Mais adiante, completa: “Respiramos no mundo das imagens que projetamos e recebemos.”

O pensamento é tudo. Daí lecionar Emmanuel que “o pensamento sombrio adoece o corpo são e agrava os males do corpo enfermo. ”Mas muita gente pensa que pensa. Ah, como eu gostaria que Descartes tivesse conhecido Emmanuel...

Acontece que muita gente deseja não pensar, não refletir, que nem um animal. E haja álcool na cachola. E haja distração, e haja alienação.

“Penso, logo existo”, disse Descartes. Penso, logo sou responsável, diz o cronista. No próximo texto, escreveremos sobre o corpo, este maravilhoso santuário tão desrespeitado pela insânia de muitos.

Quem é fanático por astronomia deve estar dando piruetas com a possibilidade de ver a Terra em tempo real, por meio de câmeras instaladas ...

terra vista do espaço em tempo real


Quem é fanático por astronomia deve estar dando piruetas com a possibilidade de ver a Terra em tempo real, por meio de câmeras instaladas na Estação Espacial Internacional.

Há pouco tempo, zapeando descontraidamente no Stumble Upon , deparei-me com uma matéria interessante da BBC World acerca da criminalização...

homofobia homossexualismo


Há pouco tempo, zapeando descontraidamente no Stumble Upon, deparei-me com uma matéria interessante da BBC World acerca da criminalização da homossexualidade adotada em legislações de mais de 100 países.

A notícia me surpreendeu principalmente ao constatar que o Brasil atuou na vanguarda, ainda no Século XIX, sendo um dos 7 primeiros países a descriminalizar a comunhão afetiva entre pessoas do mesmo sexo, à frente, inclusive, de nações mais desenvolvidas. Mesmo sob toda a carga de sua formação religiosa e dos níveis educacionais primários, a legislação e a jurisprudência brasileiras progrediram, desde cedo, baseadas no respeito aos direitos humanos, como um todo.

"Q uem tem boca, vai a Roma” - diz o ditado. Não, amigos, quem tem boca vai para toda parte. Falei sobre as mãos, sobre os olhos, sobre...

"Quem tem boca, vai a Roma” - diz o ditado. Não, amigos, quem tem boca vai para toda parte. Falei sobre as mãos, sobre os olhos, sobre os pés, e agora chegou a vez da boca. Você pode viver sem os olhos, sem as mãos, sem os pés, mas sem a boca é impossível.

Sem ela, como falar, como se alimentar, como beijar? É importante o alimento que se ingere, a água que hidrata, o remédio que se toma, mas a palavra que sai da boca é a alma da convivência. Não se convive sem a fala. Dize-me como falas e eu te direi quem és. O homem não é somente aquele que pensa, mas aquele que fala.

Se não me engano, foi Voltaire que costumava dizer a uma pessoa que lhe era apresentada: ”fala para que eu saiba quem tu és”. E como ele dava importância à fala, chegando a dizer: “Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”.

Tem muita gente que bota a palavra fora. Que diz coisa que não era para se dizer, fala pelos cotovelos. Mas, a palavra não é para se desperdiçar.

Voltando à boca, Jesus, certa vez, disse: “não é o que entra na boca, que contamina o homem, e, sim, o que dela sai. “Ora, o que sai da boca é a palavra.

“Orai e vigiai para não entrardes em tentação”, receitou também o Mestre. Estejamos, portanto, atentos ao que dizemos.

Há uma mediunidade chamada Psicometria. O médium psicômetra se entrar numa sala, por exemplo, percebe tudo o que se disse naquele ambiente. As palavras dos que estiveram ali ficaram gravadas na parede. Veja aí quanta responsabilidade no falar.

A verdade é que nada se perde do que dizemos. Por isso, repitamos a advertência: muito cuidado com a palavra! Muita franqueza dói. Daí dizer Chico Xavier: “a verdade que fere é pior do que a mentira que consola”.

Aqui já falamos dos olhos, dos pés, das mãos, e vimos sua grande importância em nossa vida e da responsabilidade de usá-los. E agora falamos da boca, pois muita gente se utiliza mal da boca, não só pela má palavra como pelos venenos do fumo e da bebida alcoólica.

A fala é uma benção. Que digam os mudos. Jesus ensinava a discrição: “Que o teu falar seja sim, sim, não, não”. A palavra é tão importante que a Bíblia começa dizendo: “No princípio era o verbo”.

Ninguém soube usar tão bem a palavra como o Mestre. Tinha resposta para tudo. Só uma vez ele deu o silêncio como resposta. Justamente quando o procurador Pilatos lhe perguntou: ”O que é a verdade?” O procurador estava junto da verdade e não sabia. Jesus calou-se. Nunca um silêncio falou tão alto. Como explicar ao cético procurador o que era a verdade? Jesus poderia muito bem ter respondido: “A verdade é a lei”. Ou senão: “A verdade sou eu”. Mas o seu silêncio disse tudo. Impressionante aquele encontro entre a Verdade e a Mentira...

G osto de viajar de avião. Que me perdoem Ariano Suassuna, Oscar Niemeyer e Carlos Drummond de Andrade. Este chegou a escrever um belo poema...

Gosto de viajar de avião. Que me perdoem Ariano Suassuna, Oscar Niemeyer e Carlos Drummond de Andrade. Este chegou a escrever um belo poema: ”A morte no avião”.

E gostoso mesmo é subir a escadinha que nos leva até o pássaro de alumínio. E tem sempre uma comissária bonita ou simpática à entrada do avião a nos desejar boa viagem.

Tudo começa com aquela arrumação de bagagens de mão. Não sei porque noto na maioria dos passageiros certa apreensão no rosto. Quase ninguém sorri.

Saímos de Lisboa para Bruxelas, que para mim foi um reencontro. Depois de tudo quieto, o avião começa a deslizar no asfalto. É o preparo para a decolagem, quando ele se desprega do solo e enfrenta as alturas. Aí a gente nota como a aeronave não é nada lá em cima. Se olharmos para baixo, vemos tudo pequeno. O avião vai atropelando as nuvens. A paisagem é polar.

O silêncio é grande. Um silêncio, às vezes, perturbado com o choro espremido de uma criança. E o que perturba um pouco são as chamadas turbulências. Dir-se-ia que a aeronave está tremendo de medo. São as quedas no vácuo. E lembrar que minha neta Raíssa, de 13 anos diz que adora as turbulências... Eu desconfio que o avião tem medo daquelas alturas. Daí a tremedeira.

Há duas coisas chatas na viagem aérea: aquela comidinha requentada, que parece comida de hospital e o apertadíssimo sanitário. Mas, as companhias aéreas sabem atenuar o medo dos senhores passageiros com aquele video defronte da cadeira.

Quanto a mim, adoro pensar e ler no avião, quando não estou na janelinha vendo aquele mar de nuvens silenciosas. Viajar de avião é ótimo, principalmente quando as jovens comissárias nos trazem a comida e o sorriso.

Gosto do silêncio dentro da aeronave. Um silêncio que faz a gente dormir e sonhar até que venha o aviso dizendo que o avião está aterrissando. Uma descida de bêbado.

Agora ele já desliza sereno no asfalto. Pouco mais é hora de pegar as bagagens e o aeroporto nos espera para uma porção de formalidades. E haja filas, morosidades, o diabo!

O baiano Dorival Caymi cantava que “é doce morrer no mar”. Não chego a dizer isto com relação ao avião.

D esde que eu estou no mundo, nunca vi este acordo entre o sol e a chuva. Sempre um dia um, um dia o outro, na mais agradável parceria. Um d...

Desde que eu estou no mundo, nunca vi este acordo entre o sol e a chuva. Sempre um dia um, um dia o outro, na mais agradável parceria. Um dia céu nublado, friozinho correndo pelo corpo, pedindo roupa mais quente. No outro dia, o sol sorrindo, aquecendo o nosso corpo, mostrando um firmamento todo azul. Dia seguinte, cai a chuva, e aí dá aquela vontade para uma caminhada debaixo d'água.

Sol e chuva, frio e calor, água e luz, que a vida é feita de contrastes. A monotonia traz depressão. Ler e ouvir boa música é muito gostoso. Dormir nem se fala. Pensar muito mais. E ainda tem mais esta: a chuva, o frio, o silêncio são condições maravilhosas para a reflexão, para a conversa interior, para o filosofar. Já o sol é propício para a distração. Dir-se-ia que o sol propicia a poesia e a chuva a filosofia. Até rimou. Lembrar que as grandes filosofias nasceram nos países frios.

Mas voltemos á crônica. Lá fora o sol esbanja luz e parece gritar para o cronista: “Saia daí. A praia está uma beleza”. E eu fico a imaginar como a praia deve estar mesmo bonita, a areia limpinha, o céu azul, o mar brincando com as ondas, feito menino...

Pra falar a verdade, gosto mais de países quentes, embora tenha nascido numa terra fria de gelar: Alagoa Nova, onde o sol é escasso e as pessoas se valem dos cobertores e da cachaça para esquentar o corpo. E eu soube que a cachaça é o que anima os festivais de arte que ali se realizam...

Mas o clima está assim, instável. Chuva hoje, sol amanhã, coisa que nunca vi antes. Que dizem os entendidos de meteorologia sobre esse fenômeno?

Diz a modinha, que ouvi muito na minha infância: “Chuva com sol, casa-se a raposa com o rouxinol”. E eu imaginava que isso era verdade...

Mas a verdade é que tem vez que estou doido por um dia chuvoso e vice-versal

E viva a reflexão a que nos condiciona a chuva, e a distração que nos proporciona o sol. Muita água caindo do céu e muita luz iluminando os nossos caminhos...

F oi Jesus quem disse: se teus olhos forem bons, todo o teu corpo se iluminará. Olhos bons, olhos maus. Muita gente adverte: “cuidado com o ...

Foi Jesus quem disse: se teus olhos forem bons, todo o teu corpo se iluminará. Olhos bons, olhos maus. Muita gente adverte: “cuidado com o mau-olhado”. E há até quem diga que o mau-olhado chega a matar uma planta.

Os olhos! E muitos têm olhos mas não vêem. É grande a responsabilidade dos que vêem. Dai o valor das testemunhas de vista. Se você viu, você se comprometeu.

Disse bem o Mestre, os olhos são a candeia do corpo. Olhamos para muitas direções. Olhamos para cima, olhamos para baixo, olhamos para os lados, olhamos para trás. Este o olhar dos saudosistas.

Jesus convidou-nos a olhar os lírios do campo, dando uma lição de transcendência. Olhou para a multidão faminta e multiplicou pães. Olhou para o alto e se comunicou com o Pai. Olhou para as criancinhas e disse que o Reino dos Céus era delas. Olhou para a mulher adúltera e não a condenou. Que a condenassem os “sem pecados”. Por que lá, até hoje, não condenam o sem vergonha do adúltero? Que justiça é aquela?

Há muitos olhares: o da cobiça, o da inveja, o do ciúme, o do ódio. Mas belo é o olhar da compaixão, da compreensão, o olhar da sabedoria. Sublime é o olhar da mãe para o filhinho recém-nascido.

Um rosto que não se ilumina com um sorriso é tão triste como uma cegueira. Os olhos, cuidado com eles! É uma das nossas maiores riquezas. É a candeia do corpo, como disse Jesus. E me vem à imaginação aquele olhar do Mestre diante a multidão que o condenou. Um olhar de profunda tristeza, de muita compaixão. Afinal, eles não sabiam o que faziam.

Repitamos a sentença do Mestre: “Se teus olhos forem bons, todo o teu corpo se iluminará. Portanto, bastante cuidado, pois, com o olhar. Que ele se ilumine de muito amor, compreensão, e de muita compaixão.

Lamentável aquele que vê e faz que não vê. Confesso que jamais faria o que o samaritano fez, sobretudo considerando a insegurança dos dias atuais. Mas, na estrada de Jericó, o lugar era deserto e cheio de ladrões. Se ao menos houvesse celular naquele tempo, eu chamaria logo a polícia...

Entretanto, é preciso, vez por outra, fechar os olhos. Quando você fecha os olhos, você pensa melhor, se interioriza. O olhar distrai. É por isso que é conveniente orar de olhos fechados. Os fariseus oravam de olhos escancarados. Oravam e gritavam para todo mundo ver e ouvir. Mas Jesus aconselhava que quando fôssemos orar, entrássemos para um quarto, no maior silêncio e no maior sigilo. Tão importante foi esse silêncio, que ele, de vez em quando, deixava os apóstolos e se retirava para um lugar de muita paz. Os apóstolos então pediram: ”Mestre, ensina-nos a orar”. Foi daí que surgiu a oração do “Pai Nosso”. Orar é olhar pra dentro. Os fariseus não oravam, rezavam. Rezar é orar para fora, para todo mundo ver...

Na parábola do Bom Samaritano, um homem acudiu outro que estava caído no chão, todo ferido. Tinha sido assaltado pelos bandidos. Ele medicou-o com óleos e terminou levando-o para uma hospedaria. O samaritano não escondeu o olhar como fizeram os religiosos que ali passaram indiferentes ao sofrimento do próximo. Um samaritano, que era homem de negócios e não tinha tempo a perder....

É um truísmo, bem sei, mas que não deve ser esquecido. E viva aquele que pensa, isto é, que conversa consigo mesmo. É preciso lembrar que s...

É um truísmo, bem sei, mas que não deve ser esquecido. E viva aquele que pensa, isto é, que conversa consigo mesmo. É preciso lembrar que somos nossos pensamentos. Lembrar ainda que só o homem pensa, ou melhor, dispõe dessa faculdade, que muitos negligenciam... É o caso de dizer que há quem pensa que pensa, mas não pensa.

Observe que o barulho é inimigo do pensar. Talvez seja essa a razão de os filósofos, homens que pensam, em sua quase unanimidade, nascerem nos países frios e silenciosos. Pensar na Suécia é muito diferente de pensar num país quente da África.

Pensar exige silêncio. Aquele que fala muito, não pensa. E hoje as pessoas estão falando demais, sobretudo através do celular. E o curioso é que falam alto, como se a pessoa do outro lado fosse surda. É tão bonito e elegante quem fala baixo, seja no celular ou em conversa...

E aqui ergamos um brinde ao genial Rodin que exaltou o ato de pensar com aquela escultura “O Pensador”, que está em Paris, no jardim de sua casa que virou o museu do famoso escultor. E eu, na primeira visita que fiz à casa de Rodin, não deixei de ficar ao lado de O Pensador, na sua mudez de bronze... E muita gente passando indiferente aquela obra de arte...

E sabe quem foi que fez de sua filosofia o simples ato de pensar?: Descartes! Que é cognominado o pai da Filosofia Moderna. Filosofia em que está expressa o “Penso, logo existo”. Descartes fez a apologia do pensamento. O mestre da dúvida revolucionou a filosofia. Pagou caro pela coragem de duvidar. Nada de aceitar tudo sem um rigoroso exame, explicava ele. Chegou até a duvidar se estava sonhando ou acordado.

Jesus, vez por outra, procurava um recanto silencioso para pensar. Pensar e orar. E a gente quase que não ora, isto é, não procura estabelecer uma sintonia com a Divindade, esquecido que orar é como respirar.

O pensamento é tudo. Daí a nossa mente ficar lá no alto quando os pensamentos são elevados. Não pensamos pelos pés, como parece ocorrer com muita gente. Que só pensa baixo e não sabe refletir...

E vidente que há outras riquezas em nosso corpo, mas desejei começar pelas mãos, que a gente deveria beijar, toda vez que acordasse, manhã c...

Evidente que há outras riquezas em nosso corpo, mas desejei começar pelas mãos, que a gente deveria beijar, toda vez que acordasse, manhã cedo. As mãos são tão importantes como os olhos. Que digam os destituídos de visão, cujas mãos são seus olhos.

Mãos de pedreiros, de pianistas, violinistas, de maestros, arquitetos, de pintores, de escritores, dos artistas em geral. Mãos que ferem, mãos que acariciam. Mãos de mães acalentando os filhos. Mãos que abençoam e mãos que amaldiçoam. Mãos que castigam, mãos que indicam o bom caminho.

Você, às vezes, se sente infeliz e esquece as riquezas que possui. Coisas que não daria por nenhum preço.
Bem-aventurados aqueles que sabem fazer bom uso de suas mãos. Estou agora mesmo no teclado deste computador em que as minhas vão formando palavras. E a moda agora é o smartphone, é o iPad, que não dispensam as mãos.

São as mãos que levam a colher até as nossas bocas, ajudando-nos a alimentar. Mãos que dirigem veículos. Mãos de crianças, de adultos e de idosos. Vi muitos destes últimos se apoiando em suas bengalas nos países que visitei recentemente.

Outrora, falava-se em pedir a mão da moça, isto é, pedi-la em casamento. Nos esportes as mãos são indispensáveis, seja no voleibol, basquete, e até no futebol. E as mãos de cirurgiães, como são valiosas?!

Mas vamos adiante. Que dizer das mãos que limpam leprosos, como as de Madre Teresa de Calcutá, a mão de Chico Xavier que escreveu centenas de livros profundos de filosofia e ciência, conquanto tivesse apenas o curso primário. Chico Xavier psicografava de olhos fechados, minha gente, e em idiomas que jamais estudara!

E que dizer de Jesus, cujas mãos levantaram paralíticos, deram vistas aos cegos, curaram leprosos? Mãos que terminaram pregadas numa cruz, sob fortes e dolorosas marteladas. Mãos de Jesus abençoando crianças e dizendo que delas é o Reino dos Céus.

Mãos! Como as adoro. E ontem, ao meio dia em ponto, vi um homem, em pleno trânsito, sem as mãos. Muitos fingiam que não o viam. Olhar implica em responsabilidade. O pedinte segurava um caneco com os braços, e ainda esboçava um alegre sorriso de amor e paz.

As mãos! Dizem que nelas está escrita a nossa existência, se longa, se curta. Pelos traços que formam um “M”, vejo que a minha vida se alonga.

A crônica já vai se alongando, e já é o momento de retirar as mãos do computador. Mais ainda: beijá-las!

E como disse no início, há muitas outras riquezas neste cosmo orgânico que é o nosso corpo, a começar pelos nossos olhos. Riquezas que nos foram dadas, pelas quais não pagamos sequer um centavo.

Olhos, mãos, pés, não esquecendo a maior de todas as nossas riquezas: a mente, espelho de nossa vida, que pode refletir o bem e ou o mal.

Muitos sites promovem o ensino de inglês usando os mais diversos métodos de aprendizagem, como textos, vídeos, arquivos de áudio e exercíc...



Muitos sites promovem o ensino de inglês usando os mais diversos métodos de aprendizagem, como textos, vídeos, arquivos de áudio e exercícios didáticos. O problema é que, na maioria deles, as explicações e as dicas são expostas também em inglês, o que pode dificultar a compreensão dos temas propostos, principalmente por quem está começando a estudar o novo idioma.

P edra, símbolo de inflexibilidade, de dureza e firmeza, foi sempre citada no Evangelho, a começar quando Jesus se dirigindo ao apóstolo Ped...

Pedra, símbolo de inflexibilidade, de dureza e firmeza, foi sempre citada no Evangelho, a começar quando Jesus se dirigindo ao apóstolo Pedro, disse: “Tu és pedra e sobre ti edificarei minha igreja”.

Acontece que a pedra era humana. Daí ter dito, diante do tribunal que julgou Jesus, que desconhecia o seu mestre. Fato que ocorreu “antes que o galo cantasse”, como foi previsto.

A pedra também foi obstáculo no belo poema de Drummond e que começa: ”No meio do caminho tinha uma pedra”. Mas, deixemos Drummond e voltemos a Jesus, que começou a marcha da evangelização, num monte ou montanha, quando proferiu o mais belo sermão de todos os tempos, a ponto de o iluminado Gandhi dizer que se tudo acabasse, restando apenas o Sermão, nada estaria perdido.

Montanha é pedra. Pedra silenciosa. Pedra que fala. Jesus escandalizou os judeus quando disse que o templo de Jerusalém seria derrubado, não ficando pedra sobre pedra.

No episódio da Mulher Adultera, acusada pelos fariseus, o Mestre não fez nenhum julgamento. Apenas disse “aquele que estiver sem pecado, que lhe atire a primeira pedra”.

A pedra sozinha não fere ninguém. É neutra. E quem a utiliza para o mal, responde pelo ato. No “Sermão da Montanha” Jesus ensinou que casa construída sobre rocha, isto é, sobre a pedra, não ruirá, mesmo que venha tempestade.

Na tentação no deserto, o Diabo desafiou Jesus a transformar pedras em pães, querendo, assim, testar Jesus. É o que narram as escrituras.

A pedra não serve de travesseiro. Todavia, num momento de profunda melancolia, fez Jesus esta dolorosa confissão: “O Filho do Homem não tem uma pedra para repousar a cabeça". Inobstante exaltemos a pedra como símbolo de fé, a água pode simbolizar o amor. Tanto é assim que, segundo o ditado, ”água mole em pedra dura, tanto bate até que fura".

Portanto, não esqueçamos a didática da pedra. Ela ensina fé e firmeza. Jesus, ao deixar o mundo, disse que era seu verdadeiro discípulo: aquele que muito ama. Será que estamos cumprindo a receita do Mestre? Já não digo amando, mas pelo menos compreendendo o próximo?...

Tallinn, a pérola do Mar Báltico, é uma cidade aprazível, barata, de gente alegre e festiva. Reservamos apenas duas noites para percorre...



Tallinn, a pérola do Mar Báltico, é uma cidade aprazível, barata, de gente alegre e festiva.

Reservamos apenas duas noites para percorrer a Old Town, mas ficou aquele gostinho de quero mais.

Q ue história é esta, cronista? Onde você soube disso? Quem descobriu essa luz? É verdade que Jesus disse, certa vez, aos seus discípulos ”B...

Que história é esta, cronista? Onde você soube disso? Quem descobriu essa luz? É verdade que Jesus disse, certa vez, aos seus discípulos ”Brilhe a vossa luz!” Disse mais o mestre: “Não esconda a lâmpada debaixo do alqueire, mas no velador, para que a luz ilumine a todos".

Viva, portanto, a luz, seja do vagalume seja do sol. Luz é alegria. Diz a Bíblia que a primeira coisa que Deus disse ao criar o mundo foi: ”Faça-se a luz”.

E chega-nos esta indagação: qual das curas de Jesus a mais importante? Dar locomoção aos paralíticos, limpeza aos leprosos, voz aos mudos? Eu acho que foi dar luz aos cegos. Imagine-se na escuridão, num mundo cheio de belezas para ver

Goethe, já moribundo, a vista enfraquecida, pediu: ”Luz, mais luz!”. Já imaginaram um mundo sem luz? Mas Deus é tão bom que, todos os dias, acende a luz do sol para nós, sem que paguemos um centavo. Aliás, tudo que Deus nos dá é de graça, a começar pelo nosso maior alimento que é o oxigênio que respiramos sem nos lembrarmos disso.

Voltemos à luz. O genial Einstein recebeu o Prêmio Nobel pela tese da “quantização da luz” e não pela “Teoria da relatividade”, como muita gente talvez pense.

De uma coisa, porém, eu não sabia. Não sabia que dentro do nosso corpo, desse magnífico cosmo, existe luz. Mas como pode ser isso? Não, não sou eu que estou afirmando tal verdade, e, sim, o genial filósofo francês Descartes, conhecidíssimo pelo seu Discurso do Método”, que tanto disciplinou o nosso comportamento. Dele é aquela profunda reflexão, tão vulgarizada “Penso, logo existo”. E ninguém pensou mais do que o filósofo francês, que nunca conheceu as manhãs, pois acordava ao meio dia. E haja pensamento naquela cachola erudita, e tanta gente por aí preocupada mais com a distração do que com a reflexão.

Aqui para nós, certamente Descartes gostaria muito de haver conhecido o escultor Rodin, autor do conhecidíssimo “O Pensador”.

Mas o que tem o filósofo a ver com luz? Ora, ele descobriu que há dentro de nós uma glândula iluminada e que esta luz provava a existência de Deus. Os céticos não gostaram, tanto é assim que poucos se referem a essa afirmação do filósofo. Lembrar que Descartes tinha sonhos fantásticos. Sonhou, certa vez, com a visão matemática do Universo, sem esquecer que ele era um grande matemático.

Eu fico pensando, ah se o nosso pensador lesse a obra de André Luiz, psicografada pelo grande Chico Xavier, que no livro “Missionários da Luz” fala com muita clareza sobre uma glândula que fica na base do cérebro, chamada epífise, que brilha que é uma beleza. A glândula minúscula, também chamada pineal – acentua o autor - transforma-se em núcleo radiante e, em derredor, seus raios formavam um lótus de pétalas sublimes”.

Agora é o caso de dizer, procuremos iluminar as nossas mentes. Jesus tinha razão quando recomendou: “brilhe a vossa luz. ”
Lembremos que o Mestre, certa vez, realizou uma reunião mediúnica, no Monte Tabor, quando então se transformou em luz. Uma luz tão intensa como aquela que fez Paulo de Tarso cegar, na estrada de Damasco.

E is aí os limites aquáticos de nossa bela capital, que nasceu à beira de um rio, o rio Sanhauá, afluente do Paraíba. Nascida, a cidade-cria...

Eis aí os limites aquáticos de nossa bela capital, que nasceu à beira de um rio, o rio Sanhauá, afluente do Paraíba. Nascida, a cidade-criança começou subindo, ou melhor, engatinhando pelas ladeiras, até que encontrou a lagoa, lá no centro, com seus pés de acácia, seus paus-brasil, seus flamboyants e palmeiras. A cidade, vinda do rio, repousou um pouco à beira da lagoa, seu espelho aquático.

Mas o tempo não pára. A cidade teve de acompanhar a sua marcha, derrubando árvores, a golpe de machado, e casas, até chegar ao mar, o mar de Tambaú. E o Cabo Branco, lá no alto, parecia querer indicar que, ali, o sol nasce primeiro. Mas a cidade não desejou subir o Planalto. Fico, por alguns tempos, cá embaixo, que o mar era uma beleza.

E para se chegar até a praia de Tambaú, cadê transporte? Muita gente se valeu dos pés. Depois apareceu o automóvel. Mas automóvel era transporte de rico. O povo ainda não tinha acesso ao mar de Tambaú. Só as famílias abastadas podiam desfrutar as delícias da praia. E assim, todo fim de ano, havia uma verdadeira correria para o mar de Tambaú. Para o chamado veraneio. O povo ainda estava se contentava com a Lagoa. Praia de Tambaú só depois de muito tempo.

O tempo, porém, foi passando. E eis a praia, agora, à disposição de todos. Tornou-se atração turística. Cidade Baixa já era, com suas ladeiras, com sua história, que não atraem turista. Este só quer ir para a praia, a praia de Tambaú, onde há barracas para comer, para beber, para esquecer a vida. Ninguém deseja sair de perto do mar, onde se toma banho, seja de água, seja de sol. Os nossos visitadores ignoram, completamente, a outra parte da cidade, o sítio histórioc. O rio Sanhauá também não os atrai, a Lagoa muito menos.

Mas a capital das acácias não ficou apenas na praia. Resolveu subir o Planalto do Cabo Branco, onde o sol nasce primeiro e onde há a Estação Ciência, projeto do maior arquiteto do Brasil, o famoso Niemeyer, e outras atrações turísticas. E tudo leva a crer que cada vez mais a capital se distanciará de suas nascentes. Nada da Cidade Baixa, nada do Rio Sanhauá, completamente abandonado, nada de Lagoa, por mais bela que seja.

Eis aí um problema de difícil solução. Sim, existe o Jardim Botânico, mas quem danado vai visitá-lo, ainda mais fechado nos fins de semana? A Capital, hoje, nada mais é do que uma ladeira que começa no Sanhauá e desemboca no mar. E daí para o Planalto...

O turismo ficou na periferia. Que fazer? Como atrair o turista para o centro da Capital? Eis a questão. Nem que se promovesse, ali, espetáculos de striptease. O mar de Tambaú, ou outros mares da nossa orla, são nossas maiores atrações. E há até praia de nudismo, ora vejam só...

O que o turista gosta mesmo é espreguiçar-se à beira-mar, comer naquelas barracas, passear na calçada, beber água de coco, comprar artesanatos da terra e esquecer, se for paulista, sua cidade sem mar e de muita poluição, tão bem decantada por Caetano Veloso...