Na semana que passou, ocupei estas mal traçadas linhas para um desabafo; ou seja, resolvi falar de duas qualidades de criaturas que e...

O babão

puxa saco babao
Na semana que passou, ocupei estas mal traçadas linhas para um desabafo; ou seja, resolvi falar de duas qualidades de criaturas que encontro pelos becos da vida e cuja presença muito me incomoda: o bêbado raiz e o abstêmio convicto. Dois chatos de galocha. Hoje vou me ocupar com um outro modelo de gente, se assim posso chamar,
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que veio ao mundo para nos incomodar, não que nos tragam transtorno (as vezes trazem), mas que vieram ao mundo com a missão de bajular, lisonjear, adular. Têm como alvo alguém que lhes possa, de um modo e do ou de outro, trazer alguma vantagem com essa prática muito afeita aos espíritos menores. Então, confesso que a presença de um puxa-saco — perdoem-me o vocábulo — causa-me desconforto.

Lembremos, antes de aprofundarmos no tema, um pouco dois fenômenos da natureza: o comensalismo e o parasitismo.

O primeiro se trata de uma relação ecológica caracterizada pela associação entre dois indivíduos onde um é beneficiado e o outro se mantém indiferente a essa associação, não sofrendo benefícios nem prejuízos. Exemplo clássico é o do tubarão e a rêmora. A rêmora é um peixe carnívoro com uma ventosa no dorso e pega carona com o dentuço assassino para se aproveitar das sobras de refeições do grandão.

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Foto: B. Snelson
Já o parasitismo é a associação entre seres vivos onde existe unilateralidade de benefícios, sendo um dos associados (o de maior porte ou hospedeiro) prejudicado pela associação. Um exemplo conhecido é o carrapato, cuja atuação todos nós conhecemos, principalmente que tem totó em casa ou um boi no pasto.

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Imagem: PxN
Voltemos ao babão. Inicialmente descreveremos certas características comuns aos baba-ovos. São criaturas sorridentes, fazem do sorriso uma arma como a ventosa da rêmora, é por aí que fisgam seus alvos. Sempre solícitos, têm sempre um elogio na algibeira para as mais diversas situações. E onde estão os bajuladores para praticarem seu comensalismo social? Detalhe é que alguns “evoluiram” para a modalidade de parasitas.

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Um lugar onde proliferam é no trabalho, aderem aos testículos dos chefes, patrões como os mariscos aderem às rochas. Praticam o dedurismo, puxam para si os méritos de outrem e o que está bem feito “fui eu”; o que deu errado “foi ele”. Fazem o que for necessário para subirem alguns degraus na hierarquia.

Outros estão nas repartições públicas e ali agem como o faz o babão nas empresas privadas. Do mesmo jeito sem o que tirar e o que colocar. Já no convívio social, o alvo são os de conta bancária mais robusta, não esquecem as datas comemorativas, enviarão cartão de “boas festas” ao final do ano desejando saúde e mais prosperidade. Darão um jeito de comparecer às festas para à primeira oportunidade grudarem “naquelas partes” do anfitrião Gritará vivas, irá propor tocarem os copos para os brindes bajulatórios. Será o último a sair e se precisar dará uma mãozinha para “ajudar arrumar as coisas”.

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Um tipo que muito prolifera é o escova-botas de político. Comecemos pelo lambeteiro de vereador que é um puxa-saco meia-boca, quer uma sinecurazinha para garantir uma renda ou outro benefício de somenos. O baba-ovo de prefeito já é mais qualificado, é cabo eleitoral, assessor nas campanhas eleitorais e onde o homem vai ele vai atrás para marcar presença e sair em todas as fotos. Já quer ser nomeado e garantir uma boquinha para os parentes.

Babão de deputado estadual e federal e ainda de senador é mais preparado, tem diplomas, outras graduações acima do diploma da faculdade. Se precisar se servir de laranja ele topa e de outras frutas se estas existissem para tais finalidades.

Puxa-saco bem graduado é aquele grudado nos ovos do governador. Aí é brincadeira. Claro que não me refiro aos que estão ali por mérito e competência, mas os que rodeiam e fazem questão que o chefe do executivo de seu estado o veja onde quer que nossa autoridade estar. Faz questão de cumprimentá-lo, abraçá-lo e se o governador der mole o babão tasca um beijo na boca de Sua Excelência.

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E bajulador de presidente? É melhor pararmos por aqui. Já fui gestor e convivi com alguns babões de plantão. Hoje, já no meu outono nesta vida não tenho nem mesmo um babãozinho meia-tigela. É um inconteste sinal de minha decadência.

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