Sei que para Roberto, meu primogênito, foi mais difícil. Por isso, chorava muito quando o ônibus escolar chegava. Para Matheus, nem tanto. Pegou na mão do irmão e mergulhou pelas portas do novo mundo. Vitor, meu caçulinha, nem deu cabimento para minha aflição,
Quando meus filhos estavam no início de suas vidas escolares e nas descobertas fora do mundo familiar, meu coração ficava acelerando ao...
Famílias
Sei que para Roberto, meu primogênito, foi mais difícil. Por isso, chorava muito quando o ônibus escolar chegava. Para Matheus, nem tanto. Pegou na mão do irmão e mergulhou pelas portas do novo mundo. Vitor, meu caçulinha, nem deu cabimento para minha aflição,
O filósofo prussiano Immanuel Kant (1724-1804) curiosamente se parece um pouco com uma boa parcela dos políticos e juristas: quase sempre ...
Kant, um pensador 'pão de queijo'
Caminhando pelas ruas do bairro de Bodocongó, como a acostumar o olhar depois de passar tanto tempo privado desses passeios, avisto de lon...
Memórias de circo
Os proparoxítonos são nobres. Os paroxítonos, triviais (correspondem à maior parte do léxico). O que dizer dos oxítonos? Com a tônica na ...
Oxítonos
Talvez por isso eu tenha por eles um “xodó”. Um inexplicável “lundum”. Uma admiração sem “rapapés”. Sou Chico, mas gostava de ouvir um amigo que me chamava de “Chicó”. O esticamento e a abertura da sílaba final faziam a palavra soar como um dó de peito. Era difícil resistir ao apelo de quem me chamava assim.
Que mulher bonita e elegante foi Lygia Fagundes Telles, a escritora recentemente falecida. Uma prova viva de que a inteligência e o talen...
Lygia
Tento apurar a atenção, sobretudo as ouças, no que está dizendo o comentarista acerca das razões ou interesses de fundo e de impérios de...
A araponga e o que me lembra
Estou nessa, a luz do entardecer já me aconselhando a acender a da Energisa, quando sou subitamente arremessado de mim e, por pouco, da cadeira em que me achava, agredido pela sonora violência de uma batida aguda de ferro ou de bigorna a um metro de minha janela. Janela alta de edifício urbano sem nenhuma mata mais próxima que justifique a visita.
Numa puxada atrás de casa, seu Terto mantinha engaiolado esse bigorneiro então popularíssimo, presente em terraços e quintais de dezenas de amadores. “Cantor extraordinário das matas litorâneas” na bela descrição de Heretiano Zenaide, em seu precioso livro “Aves da Paraíba” . “Aí (nas matas) tem ele sua tenda e tange o ferro sobre o ferro, na hora solene do entardecer”.
É o famoso ferreiro que andou pelo meu telhado de infância rural. Presença incomum na região brejeira, e por isso marcante, inesquecível aos ouvidos de quem só tinha a passarada nativa como orquestra, dispersa durante o dia, mas invisivelmente reunida, completa e bem regida para receber ou se despedir, em cantata, do sol. Quando ouvi a “Fuga” de Carlos Romero ou de Bach vagando na API da minha chegada aqui, só me lembrei da minha aérea passarada.
Mexo-me, o ferreiro ou araponga dá-se por satisfeito, retoma seu voo, e saio atrás do velho Heretiano. Só a distância me consente hoje a liberdade desse tratamento. Menino, o que me chagava por ouvir dizer, trazida pelos ventos vizinhos de Alagoa Grande, era a fama do usineiro. Crescido, já colega de ofício do seu filho Hélio, avistava-o de barbas veneráveis em seu terraço ali pela Maximiano. Mas me liguei a ele, a sua memória, à sua verdadeira grandeza, quando li o “Meu herbário cariri” e, logo depois, “Aves da Paraíba”, obras raras do relicário natural e cultural da Paraíba e do Nordeste. Pena que me tenham levado ou não tenham devolvido o “Meu Herbário Cariri”. Se voltassem os tempos, eu o faria editar pela “Biblioteca Paraibana” de saudosa memória.
OFÍCIO Como troféu, carrego em meu pescoço os ossos do meu ofício. O peso, de tantos que são, me impele a não olhar para trás,...
Que saudades das flores de plástico
Como troféu, carrego em meu pescoço os ossos do meu ofício. O peso, de tantos que são, me impele a não olhar para trás, a diminuir os passos e a pensar que chegou a hora de enterrá-los, em cova rasa, para que descansem em paz.
Na adolescência, ainda morando no bairro do Róger, troquei cartas em inglês com uma garota polonesa. Consegui seu endereço numa seção espe...
Sonhando acordado
Quando o escritor português José Saramago lançou o “Memorial do Convento”, um dos seus livros mais elogiados, muitos leitores se depararam...
O primeiro inventor da Paraíba
Creio que existam poucas obras de arte tão belas, perfeitas e completas como a Nona Sinfonia de Beethoven (Opus 125, ré menor, 1824). Um m...
Cantos e encantos da Ode à Alegria
Tenho dois amigos que escrevem romances. Um que usa palavras e outro que pinta quadros para contar suas histórias. Ambos com suas obras ...
Romancistas e artistas plásticos
“O que foi visto naquela noite no Cassino Tabarís por bêbados, putas e anjos do céu transbordou até a Praça do Poeta Castro Alves e desa...
Entretecendo o mito
Eu lia uma dessas pesadas Histórias da Arte, quando tive um alívio enorme: depois de mais uma vez atravessar a Renascença Italiana – che...
O mágico está no momento
DESPEDIDA É na transição que me despeço pois outro em torno passa a ter sentido Não que seja felicidade a sucessão de p...
Despedidas
É na transição que me despeço pois outro em torno passa a ter sentido Não que seja felicidade a sucessão de portas, imagens, e a nova transparência do Mundo Não saber o nome que se diz quando se está surpreso passa a ser a vida (o recorte de cada adeus é essa bruma triste afastada dos olhos)
Tua linguagem soa oxítona aos meus ouvidos. A última sílaba ressoa em escassez. É desta ótica que vejo tua fala. A língua parece um objeto...




















