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I A existência deste objeto justifica minha narrativa. É um vaso de bordas pretas bordado de cores por todos os lados. Este vaso é uma ...

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I

A existência deste objeto justifica minha narrativa. É um vaso de bordas pretas bordado de cores por todos os lados. Este vaso é uma ilha que me persegue. Estou ilhado. Daqui para adiante é recolher os restos que sobraram do meu processo de desertificação e seguir. Pego as folhas secas, interrogações e interrogatórios. Símbolos atemporais guardados na gaveta me acompanham na ocupação do solo.

Tua linguagem soa oxítona aos meus ouvidos. A última sílaba ressoa em escassez. É desta ótica que vejo tua fala. A língua parece um objeto...

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Tua linguagem soa oxítona aos meus ouvidos. A última sílaba ressoa em escassez. É desta ótica que vejo tua fala. A língua parece um objeto cortante. Resvala na pele e o resto é só ferida. Será demorada a cura? Tuas palavras pagaram todas as despesas da minha viagem. Guardei tua fala na carteira e resolvi partir. Depois disso, ficaram na estrada, e a cada quilômetro rodado, deixei o grito, o gesto e o nefasto. Deixei você no asfalto.

Recentemente, fiz a leitura do livro Aprendendo a viver, do filósofo espanhol Lúcio Anneo Sêneca. É uma coletânea de cartas que ele escr...


Recentemente, fiz a leitura do livro Aprendendo a viver, do filósofo espanhol Lúcio Anneo Sêneca. É uma coletânea de cartas que ele escreveu para Lucílio, seu amigo e interlocutor.

      Da inconsistência de todas as coisas a vida é uma pétala de rosa que brotou no chão de um discurso vazio no olho do furacã...

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Da inconsistência de todas as coisas
a vida é uma pétala de rosa que brotou no chão de um discurso vazio no olho do furacão a vida esconde um véu cheio de fragilidades estampada na camiseta à venda na esquina do desequilíbrio fluida e frágil, escapa das intenções e do destino se querem dar-lhe nome de batismo e sobrenome de menino

É suficientemente tranquilo para mim o fato de negar a multiplicidade de experiências amorosas e qualquer incredulidade a esse respeito ...

É suficientemente tranquilo para mim o fato de negar a multiplicidade de experiências amorosas e qualquer incredulidade a esse respeito em nada me aflige. Mesmo com a vida modificada por certas circunstâncias, desconheço o movimento dos móveis em casa estranha e penso que um relacionamento estável nada tem de extraordinário. Desconheço os efeitos patentes do amor produzidos fora do círculo habitual da minha casa. O amor para mim foi desenhado em um âmbito bastante restrito.

      três por quatro Você ficou bem na foto síntese! das nervuras da folha simétrico coração no meio do traço m...

 
 
 
três por quatro
Você ficou bem na foto síntese!
das nervuras da folha
simétrico coração no meio do traço multiplica-se em tons de verde es curo e traça caminhos na impressão digital há pouco digitalizada.

O território Pés pousados no chão. Abro os olhos para a realidade e sint...

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O território
Pés pousados no chão. Abro os olhos para a realidade e sinto meu corpo, instrumento de reorganização da vida e luta pela sobrevivência, maturada nas instabilidades. A costura da vida não precisa ter um arremate perfeito e a junção dos pontos é retrato da multiplicidade de experiências. Sou múltipla. Preciso caber em muitos lugares, sem sair de onde estou. Preciso caber no poema e na prosa, em vozes caladas e mapas por onde transito. Meu terreno é mapeado com códigos ocultos aos quais, por vezes, nem eu tenho acesso. Sou um mix de texturas a buscar espaço onde menos se espera e ali firmo território.

Sinto a cidade do meu jeito. Gosto do paradoxo que mora nas ruas vazias, cheias de histórias para contar. Ruas feitas por gente e cheias ...

Sinto a cidade do meu jeito. Gosto do paradoxo que mora nas ruas vazias, cheias de histórias para contar. Ruas feitas por gente e cheias de ausência me apetecem. Meu olfato suga as histórias que ali ecoam. Memórias guardadas nas paredes, folhas, chão. Consigo ouvi-las quando transbordam na falta de transeuntes. Penso que em mim confiam e como nem tudo são flores (às vezes são folhas), as memórias entregam-me as pedras que encontram no caminho.

As rodas de conversa são um caminho para compartilhar os medos, desejos, fragilidades. Ela precisa ter medo para preservar o tempo e a vid...

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As rodas de conversa são um caminho para compartilhar os medos, desejos, fragilidades. Ela precisa ter medo para preservar o tempo e a vida.

Ela precisa do medo para o autocontrole e ruptura do insensato. Ela precisa. O olhar ficou sofisticado e o espaço pequeno. Ela busca a expansão no divã do analista e no diário escrito à mão.

Minha rua não tem o esboço da tradição, mas é minha rua. Sou estrangeira de cinco anos para cá no lugar onde moro. Desde às cinco da manhã...

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Minha rua não tem o esboço da tradição, mas é minha rua. Sou estrangeira de cinco anos para cá no lugar onde moro. Desde às cinco da manhã, vizinhos fechados em salas abafadas e escuras. Janelas fechadas para o mundo, roupas surradas. Uma das casas tem a voz calada pela morte do filho. A mulher é clara, olhos azuis, delgada. Nunca responde a chamados no portão ou chamadas telefônicas. Deslinkou-se do mundo. Quer copiar o filho. Enquanto aguarda na fila da autorização Suprema, raramente abre o portão e se alimenta de focos de luz solar. Fecha depressa a fresta pro mundo. Ignora-me.

I A cor amarela tem cheiro de infância. Luz, vida, inocência. Antes de me estabelecer na vida adulta, pensava que essa cor viesse do ...

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I
A cor amarela tem cheiro de infância. Luz, vida, inocência. Antes de me estabelecer na vida adulta, pensava que essa cor viesse do Sol e que bastava estar acordado para compartilhar energia com todos nós. Nessa época, eu já experimentava o sabor das ideias em meu pensamento. No calor dos meus sete anos, comecei a organizar cadernos de escrita para desenhar, com letras, o brilho daquele Corpo amarelo. A cada desenho, o ânimo se renovava.

Gosto da brutalidade do solo onde piso, do cheiro do verde e da palavra. O solo me transmite a sensação de terra firme. Nela, aprecio a su...

autobiografia escrever primeiro livro rosa acasssia luizari
Gosto da brutalidade do solo onde piso, do cheiro do verde e da palavra. O solo me transmite a sensação de terra firme. Nela, aprecio a suavidade do colibri e a materialidade da escrita. Mas eu não vivo unicamente da palavra. Dou risadas de bobagens que vejo naquele filme assistido repetidas vezes, do chinelo que guarda um lugar na fila cheia de gente, da piada sem cabimento. Isso também é viver. Música suave me agrada. Guns n' Roses também. Falo baixo com palavras escandalosas, amorteço a guerrilha interna, leio. Gosto do livro que me segura na mesma página quando a conversa é boa, gosto do texto. Ele é meu território, já disse muitas vezes, mas, antes dele, precisava de um chão consistente para criar.