A escritora Heloísa Buarque de Hollanda, que acabou de tomar posse na Academia Brasileira de Letras, na vaga de Nélida Piñon, resolve...

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A escritora Heloísa Buarque de Hollanda, que acabou de tomar posse na Academia Brasileira de Letras, na vaga de Nélida Piñon, resolveu, aos 84 anos, trocar de sobrenome. Reirou o Buarque de Hollanda de seu ex-marido e colocou no lugar o Teixeira de sua mãe. Heloísa é uma intelectual respeitada, independentemente de gênero. É também uma feminista antiga (no bom sentido) e militante, e é provavelmente por este viés que ela explica a inusitada decisão.

O Brasil não merece os brasileiros... O brasileiro não conhece o Brasil... Quando na cerimônia da XXXI Abertura dos Jogos Olímpicos ...

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O Brasil não merece os brasileiros... O brasileiro não conhece o Brasil...

Quando na cerimônia da XXXI Abertura dos Jogos Olímpicos de Verão, no Rio de Janeiro, escolheu-se aclamar Larissa de Macedo Machado em detrimento de inúmeras cantoras de fato, tivemos, ali, um crasso exemplo de que o importante no Brasil de hoje é lacrar, fechar, abafar, parecendo ser, e nada mais...

Em 1987 a grande musicista, já aposentada há tempos, Balduína de Oliveira Sayão concedeu uma densa entrevista ao importante radialista e produtor musical Lauro Gomes Pinto. Desse precioso momento, Bidú nos dá muito o que refletir sobre

Nos poucos momentos de pausa e de lazer, contrapondo-se ao meu exercício da prática médica diária, busco sempre a contemplação, e de im...

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Nos poucos momentos de pausa e de lazer, contrapondo-se ao meu exercício da prática médica diária, busco sempre a contemplação, e de imediato surgem retalhos, lembranças que me levam a uma viagem retrospectiva no tempo pretérito, ativando sutilmente meu cérebro e meus neurônios. Buscando por conseguinte fatos de minha vida, concomitante as grandes mutações que vem sofrendo a humanidade nos tempos atuais.

“Assim, em toda cultura, entre o uso do que se poderia chamar os códigos ordenadores e as reflexões sobre a sua ordem, há a experiência...

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“Assim, em toda cultura, entre o uso do que se poderia chamar os códigos ordenadores e as reflexões sobre a sua ordem, há a experiência nua da ordem e de seus modos de ser.

... o que se quer trazer à luz é o campo epistemológico, a epistémê onde os conhecimentos, encarados fora de qualquer critério referente a seu valor racional ou as suas formas objetivas, enraízam sua positividade e manifestam assim uma história que não é a de sua perfeição crescente, mas, antes, a de sua condição de possiblidade...”

(Foucault, 1987. P.11)

Neste último 19 de agosto comemorou-se o dia do Historiador. Claro que não existe, entre os diversos saberes humanos, uma hierarquia valorativa que estabeleça graus de importância maiores ou menores, mas distintas características que determinam o seu lugar na ordem dos dias dos homens.

Gastão d'Orleans tinha 22 anos de idade quando, em setembro de 1864, chegou ao Brasil. Seu avô, o rei francês Luis Filipe, fora de...

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Gastão d'Orleans tinha 22 anos de idade quando, em setembro de 1864, chegou ao Brasil. Seu avô, o rei francês Luis Filipe, fora deposto pela revolução que irrompera, em 1848, em Paris, e a sua família se exilara na Inglaterra, onde Gastão foi educado. Depois, ele foi para a Espanha cursar a academia militar de Segóvia e, em seguida, ingressou no exército espanhol onde conseguiu a patente de capitão, tendo se destacado em batalha no Marrocos. Gastão ostentava o título nobiliárquico de Conde d'Eu, que tinha sua origem na Comuna de Eu, na Normandia, onde os Orleans tinham um Castelo.

Travessia: aquele constante entrelugar. O mantra. Entre uma ponta e outra da vida, mas não somente. Entre mundos, entre vidas, entre in...

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Travessia: aquele constante entrelugar. O mantra. Entre uma ponta e outra da vida, mas não somente. Entre mundos, entre vidas, entre instantes, entre dias, entre noites. Deixar, ficar, voltar, permanecer.
Tudo travessia.

(De "Todo o tempo que existe")

No seu livro Todo o tempo que existe, Adriana Lisboa, Belo Horizonte: Relicário, 2022, ensaio de caráter autobiográfico, fala da sua experiência de luto quando da perda dos pais, em curto intervalo de tempo. Entre uma perda e outra, longos passeios pelo Jardim Botânico e devaneios sobre a existência.

Para desfrutar com mais intensidade o sabor das manhãs parisienses, costumava ir logo cedo à “boulangerie” mais próxima, no país onde ...

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Para desfrutar com mais intensidade o sabor das manhãs parisienses, costumava ir logo cedo à “boulangerie” mais próxima, no país onde há os melhores croissants e baguetes do mundo. A cidade ainda parecia adormecida, quase ninguém na rua, já que era inverno, quando os dias se encurtam e o Sol se atrasa.

Há coisa de uns quatro anos li aqui em “A União”, no Caderno 2, a inspiradíssima (como soe acontecer) crônica da lavra do acadêmico H...

sonho inveja fantasia
Há coisa de uns quatro anos li aqui em “A União”, no Caderno 2, a inspiradíssima (como soe acontecer) crônica da lavra do acadêmico Hildeberto Barbosa Filho: “Outras vidas”. Se as tivesse, nosso ilustre cronista aventara para elas algumas possibilidades que a presente existência não lhe obsequiou. Quem nunca sonhou para si um cenário de sortilégios? Eu sonhei e não poucas vezes.

O Estado, a Associação, os Municípios Eram mortos. De todo aquele mundo Restava um mecanismo moribundo E uma teleologia sem princípios...

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O Estado, a Associação, os Municípios Eram mortos. De todo aquele mundo Restava um mecanismo moribundo E uma teleologia sem princípios.
“As Cismas do Destino”, versos 409-412

Pois é, sonhadores leitores, quando vi a informação de que a loteria americana mega millions iria pagar sete bilhões, setecentos e cin...

loteria sabedoria piada esperteza
Pois é, sonhadores leitores, quando vi a informação de que a loteria americana mega millions iria pagar sete bilhões, setecentos e cinquenta milhões de reais não me contive. Apostei como sempre aposto em todas as loterias brasileiras, porém mantendo o valor mínimo em cada aposta. Nunca me iludi com a possibilidade de ganhar. O que vale mesmo é sonhar o que farei com esses prêmios milionários. É o sonho mais barato do mundo. Mesmo porque não posso ter fé absoluta num sistema que não revela o nome dos ganhadores para conferirmos a veracidade dos resultados.

Friedrich Nietzsche, Arthur Schopenhauer, Andre Comte-Sponville e outros filósofos já discorreram amplamente sobre a relação conflit...

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Friedrich Nietzsche, Arthur Schopenhauer, Andre Comte-Sponville e outros filósofos já discorreram amplamente sobre a relação conflituosa entre prazer e sofrimento. A nossa incessante busca pelo prazer se mistura ao combate à dor. Na contemporaneidade, o discurso do hedonismo, do “aproveite a vida”, do “deixa a vida me levar” tem promovido a urgência, acarretando patologias. Nessa seara, vivemos uma época de abundância extrema, de tal modo que a expressão não pode ser vista como redundante, mas importante para entendermos as circunstâncias que nos fazem adoecer. Do trabalho às redes sociais, das telas aos alimentos, até a droga e o sexo. Tudo isso como estímulo para nos sentirmos mais interligados à vida, porém afasta-nos mais dela. É um tempo de muita vulnerabilidade, em que, como diria Sartre, o universo das possibilidades nos angustia.

Impressionam-me esses aparelhos de rádio moderníssimos, com dispositivos eletrônicos para encaixe de pen drive e captura de sinais, v...

radio nostalgia
Impressionam-me esses aparelhos de rádio moderníssimos, com dispositivos eletrônicos para encaixe de pen drive e captura de sinais, via bluetooth. Você pode conectá-los sem fio ao telefone celular, ou computador, e pronto: passa a desfrutar dos muitos canais de notícia e música dispostos pela internet ao bel prazer e pelo tempo que desejar.

Todavia, meu espanto maior advém da preferência dos fabricantes pelos modelos retrôs, exigência, evidentemente, da distinta clientela.

As idades já são avançadas. As peles, pintura gasta, reboco disforme, cimento esburacado, revelam mais que idades. Na verdade, indi...

parahyba joao pessoa nostalgia centro historico
As idades já são avançadas. As peles, pintura gasta, reboco disforme, cimento esburacado, revelam mais que idades. Na verdade, indicam o descuido dos entes próximos, os herdeiros, os habitantes, os passantes. Elas resistem, são guardiãs de muitas histórias, testemunhas de transformações. Os ossos, tijolos ou pedras, fortes, sustentam as estruturas e resistem aos desafios que os séculos impõem. O homem continua a ser, ora o inventor e restaurador, do mesmo modo o aniquilador que faz desmoronar as mais fortes com força bruta e tantas vezes estúpida.

Deslizo sobre o meu velho caderno de receitas e me vejo repentinamente instalada na vitalidade de antigas cozinhas familiares, cujo po...

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Deslizo sobre o meu velho caderno de receitas e me vejo repentinamente instalada na vitalidade de antigas cozinhas familiares, cujo poder de evocação vem da vida vivida ali, do afeto partilhado em singulares combinações de cores e odores, e dos sabores que dali saiam, até hoje incomparáveis, inesquecíveis. Não, não se falava em gastronomia, não havia supermercados. Minha tia comprava o “coxão” de porco no habitual vendedor de quem já era conhecida freguesa, e a batata doce, que tradicionalmente era seu acompanhamento, não podia vir de outro lugar que não daquele monturo acumulado no chão da feira pelas mãos de Manoel Cesário, que também vendia inhame e macaxeira, expostos do mesmo modo.

Leibniz, desde o início de sua produção intelectual, aspira à criação de uma ciência universal, que compile em si várias disciplinas, ...

filosofia leibniz

Leibniz, desde o início de sua produção intelectual, aspira à criação de uma ciência universal, que compile em si várias disciplinas, visando a uma organização cultural e política global. Teoriza, portanto, com bastante lucidez e pertinência, a diferença estrutural entre a pesquisa científica e a de cunho filosófico-metafísico. Com a revolução científica capitaneada por nomes como Galileu, Copérnico, Kepler, Bacon e, sobretudo, Descartes, o pensamento ocidental sofre uma reviravolta radical: extensão e movimento são então considerados causas suficientes para a explicação da realidade ontológica do mundo e de seus fenômenos.

Rembrandt morreu pobre, pois – como Bach – foi rotulado, no fim da vida, de ultrapassado. Van Gogh não conseguia vender seus quadros...

historia arte pintura

Rembrandt morreu pobre, pois – como Bach – foi rotulado, no fim da vida, de ultrapassado.

Van Gogh não conseguia vender seus quadros, ... que tornaram sua cunhada — herdeira de todo o seu lote — rica.

El Greco foi preterido pela corte espanhola.

O retrato de Mona Lisa se tornou “o mais célebre quadro do mundo” quando foi roubado do Louvre e a imprensa tratou de realçar a notícia.

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Leonardo da Vinci / El Greco / Van Gogh

Nos anos 50 – estudando pintura - comprei a História da Arte, de Sheldon Cheney, e dei de cara com isto:

“Tempo houve, em nossos anos mais impressionáveis, em que nos ensinaram a aceitar o 'milagre grego', a 'perfeição ateniense' como conceitos inacessíveis aos paralelos”.

Mas – acrescentou Cheney — sem perceber que fazia o mesmo com os leitores:

“nas três primeiras décadas deste nosso século XX houve um desafio ao classicismo e um afastamento dos artistas mais criadores dos objetivos em ideais gregos”.

Bom, aí todo mundo se tornou cubista, suprematista, fovista, surrealista, inclusive brasileiros que se mandaram para Paris, como Portinari, Di Cavalcanti, Ismael Nery. Isso me lembra que, um tempo antes, o escândalo impressionista sufocara o impulso naturalista. Que fazer, então, se somos prisioneiros da circunstância, do universo — “como disse Ortega y Gasset”? Fazer como Bach, El Greco e Rembrandt.

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Di Cavalcanti / Ismael Nery / Portinari