Em nosso país, poucos escritores sobrevivem dos rendimentos de seus livros. Somente jornalistas se mantêm com o salário proveniente do que escrevem. O leitor é o maior ganho do escritor. Mesmo que seja um único leitor que se tenha do livro publicado, no dizer do paraibano Ariano Suassuna, bastaria para justificar o ato de escrever.
A menina chora. Chora e não quer acordo, hostil ao que represente aceno, apelo, intercurso harmônico da linguagem. E chora com uma particular noção de ritmo, alternando ganidos com soluços e gemidos. Tudo isso compõe uma música cruel, disfonia enervante que estoura os ouvidos. É noite, e a menina trucida o silêncio a cutiladas roucas.
O dia começa comum. Café passado, o jornal aberto na mesa da cozinha, o sol insistente atrás da cortina. É num intervalo banal, entre um gole e a leitura de uma manchete qualquer, que ela chega. Não é dor. É um silêncio que se instala no peito, um espaço quente e vazio que, paradoxalmente, se enche de uma presença.
Toda grande imagem simples revela um estado de alma. A casa, mais ainda que a paisagem, é "um estado de alma".
"Quando a casa é feliz, a fumaça brinca delicadamente acima do telhado".
A Poética do Espaço – Gaston Bachelard
Meu filho caçula, Daniel, saiu de casa em janeiro de 2020. Foi para São Paulo batalhar a vida. Fiquei de cama, literalmente. E logo eu que dizia que não me importava se meus filhos ganhassem os mundos. Uma coisa é o que idealizamos ser, outra, o que somos. E eu dizia isso quando era mais jovem, todos em casa, família reunida. Lucas, o filho mais velho, já havia saído de casa há tempos. Mas mora perto, e a casa de mãe é logo ali... tem outros significados. Mas, mesmo assim, e com outro temperamento, tenho certeza do lugar que essa casa simbólica ocupa no seu coração.
O leitor lembra? Não faltava na mesa de ninguém, nem do rico nem do pobre. Eram universais e democráticas, como as bananas e o feijão. Redondinhas, estavam presentes no café da manhã, na lancheira das crianças que iam à escola, no café da tarde e até no jantar. Só perdiam, talvez, nessa onipresença gastronômica, para o pão francês, este senhor absoluto das mesas nordestinas (e brasileiras) até hoje. Não sei a razão, veio-me à mente há poucos dias essa iguaria de minha infância e aí eu pensei: dará uma crônica?
Fonte: iguaria.com
Não sei. À primeira vista, parece que serão necessárias muitas bolachas para preencher lauda e meia de palavras que façam o mínimo de sentido para quem lê. Mas vamos lá.
Uma lenda conta que, em meados do século XIX, um camponês se dirigia com sua carroça rumo a Constantinopla. Quando o sol estava alto, já quase chegando à cidade, ele avistou uma senhora idosa na beira da estrada pedindo carona.
“Descobrir que povos de caçadores, pescadores e apanhadores de frutos foram capazes de construir Göbekli Tepe é como descobrir que alguém havia construído um avião 747 com um estilete.”
Klaus Schmidt, arqueólogo e professor em arqueologia pré-histórica
Göbekli Tepe (em turco: “colina da barriga”), é um sítio arqueológico localizado numa montanha de aspecto bizarro, a 15 km de Şanlıurfa, no sudeste da Turquia (distante 60 km da fronteira com a Síria) que remonta ao período Neolítico, cerca de 9600 a.C. Declarado Património Mundial da UNESCO em 2018, é imensa a sua importância para a história da Humanidade. É considerado o templo
TEMPO
As moiras tecem silenciosas
a passagem do tempo
logram o desejo de controle
sobre os rumos da vida
Nunca podemos
quando se trata do tempo
Senhor do destino
A vida se revela
apenas quando olhada ao inverso
como quem lê vestígios
de uma passagem sagrada
não como tristeza
mas como consciência
“Erramos por ruas, bares, cinemas, gentes e retratos que, dele, tomamos como nossos” – é Antônio Mariano, poeta, escritor e editor de Pão com sabor de poesia, na orelha de abertura do livro, a anunciar exatamente o que vivi a cada página de João Batista de Brito, memória e encanto que nos levam além da admiração respeitosa à afinidade mais próxima de sentimentos.
Quando se pensa em nomes de grandes cientistas, dois deles são imediatamente lembrados: Isaac Newton e Albert Einstein. Embora tenham vivido com dois séculos de diferença, a contribuição que eles deram para o nosso conhecimento sobre o Universo foi inestimável. Einstein fez questão de ressaltar em uma reedição de uma obra do cientista inglês que para “Isaac Newton a natureza não tinha segredos”. O historiador norte-americano Daniel J. Boorstin, em um dos seus livros que trata dos grandes descobridores do Universo, escreveu sobre Newton:
Dar forma ao objeto. Era esse, afinal, o propósito de Taitale, ainda que houvesse algum sacrifício a ser pago. Entre outros ofícios, na cidade da Parahyba do Norte, ele desenvolvia a xilogravura e a talha, fabricava esculturas e modelava arte tumular. Essa última, pelo tempo e pela razão, não era de seu maior agrado.
A Morte de Ivan Ilitch (1886) é uma das mais rigorosas e implacáveis investigações literárias sobre o sentido da vida, a falsidade das convenções sociais e o medo humano diante da morte. Em poucas páginas, Tolstói condensa uma crítica moral profunda à sociedade burguesa do século XIX, ao mesmo tempo em que realiza uma sondagem psicológica de extraordinária precisão, antecipando procedimentos que mais tarde seriam centrais na literatura moderna.
Cirineu chegou para nos curar de uma grande dor: o desaparecimento da gatinha Siri que, vendo o portão de fora aberto para que um carro entrasse na garagem, saiu em disparada e nunca mais voltou. Por vários dias a procuramos pelas ruas do bairro e adjacências, colamos cartazes em pet shops e contratamos anúncios em um carro de som. Meu filho
Cirineu, o gato que recentemente virou estrelinha ▪️ Acervo da autora
mais velho saía à procura dela quase toda madrugada, na esperança de encontrá-la. Recebemos alguns telefonemas com pistas e indicações de seu paradeiro, mas, quando íamos ao local, não era ela ou não estava mais por lá.
“Nada me atrai mais do que a palavra/ e toda palavra me trai;/nada me ocupa mais que a palavra/ e toda palavra me culpa.” É o que diz o meu amigo, o poeta José Antônio Assunção, em um dos seus poemas. Essa luta do poeta na sua busca da palavra, constatando a sua intangibilidade é
Vou contar esta história porque já vi o mesmo fato acontecer muitas vezes e sempre sobra a mesma lição, mote do livro que estou terminando de escrever: “O limite do suficiente”.
Sigmund Freud, o pai da Psicanálise, era grande estudioso, dentre outras matérias, da Antiguidade Clássica Greco-Latina. Nesse sentido, não é raro nos depararmos, ao longo da obra do eminente psicanalista, com a presença desse acervo na elaboração da sua metapsicologia, tendo a clínica como campo de observação e de respaldo. Assim sendo, os mitos também fazem parte desse conglomerado analítico, funcionando como subsídio para se entender o ser humano, mais especificamente a sua subjetividade, uma vez que o sentido
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intrínseco do mito reflete manifestações da psique humana, tratando-se de instrumento de elaboração da subjetividade do homem de antanho, portanto, de valor atemporal.