Partida quando eu estiver velhinho, cheio de rugas só os galos estarão cantando o amanhã e o pasto já terá incendiado ...

'Quando eu ficar velhinho...'

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Partida
quando eu estiver velhinho, cheio de rugas só os galos estarão cantando o amanhã e o pasto já terá incendiado todos os trigos já não haverá mais porque procurar fugas, da varanda, nem escolher entre a tarde e a manhã já estarei velhinho e só em meus abrigos já estarei velhinho e só, meus amigos mas não chorem por mim sei que quando estiver velhinho terei um cobertor para cobrir meus dedos finos e nada, nem a maior das oceânicas dores, conseguirá disfarçar meu gosto pelo frio e pela ausência de ausências em teus olhos de carmim quando eu estiver velhinho, cheio de rugas sorrirei feliz por encontrar abrigo em ti, também já velhinha agora, poderemos dormir. a noite chegou! Mapa de rugas
(para isabel allende) o mapa de minhas rugas não cabe na palma de mil mãos são cartografias com milhões de afluentes extensão territorial de barro marcada na pele branca clientes de minhas rusgas minhas teimosias e aleivosias e de tanto rasgos de dores – que abrem fendas de fatos sempre a calar fênix diante de minhas ruínas. Sem perder a ternura
letargia que invade as avenidas do XXI terra sem lei, com fardas dormindo igual aos fardões cabeças baixas, bolsos vazios, pés descalços maiakovski apenas como um poema desbotado na estante patrulhas cercando o quintal do vizinho : a nova ordem não vem de caetano, zeloso de todos os sonhos que fugiam do haiti silêncio, é a palavra que barulheia todos os sentidos mas as damas aristocráticas formam vassalos na terra onde o verde quase se torna uma lembrança vã e ainda dizem que existe o amanhã e eu acredito como acredito no gosto estranho da romã vejo, na retina da memória, soldadinhos de papel crianças correndo por ruas de barro brincando e gingando para as dores que não conhecia é verão – hora de lembrar lições guevarianas: não podemos perder a ternura! No mundo de Walt Disney
lamparina cansou do professor pardal cansou dos inventores sempre geniais sempre descobrindo pólvoras enquanto a bomba já explodiu faz séculos lamparina cansou dos maniqueísmos: eu sou do bem você, do mal lamparina, coitado, cansou dos insultos aos burgueses de quem quer formar a nova poesia burguesa quando o poema sai mesmo é da chama de lamparina e do sorriso sacana no púbis da menina. Juvenília
cansei de pasárgada – este negócio de sentar-se eternamente no trono não compensa a mulher que queremos chorei em busca das setes faces de drummond e voando com o passarinho de quintana mas não saí da tabacaria de pessoa tragando vícios e poemas. Dostoeiwviskiana
os ganchos já estão me levando os anjos louvam: é hora de dormir.


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