Em minha memória afetiva há algumas Cecílias. Desde uma amiguinha muito bacana dos tempos de escola a uma galinha marrom (vermelha!) que g...

Cecília

ambiente de leitura carlos romero cronica thomas bruno livraria luiz encontro amigos escritores literatura espaço arte sebastiao salgado pedra do reino
Em minha memória afetiva há algumas Cecílias. Desde uma amiguinha muito bacana dos tempos de escola a uma galinha marrom (vermelha!) que ganhamos e por semanas nos dadivou com seus ovos diários até virar cozido. Mas Vó, como pode? E Cecília — nome dado por minha irmã — saiu da vida e entrou para história. No entanto, a Cecília de hoje veio de um prazeroso encontro na Livraria do Luiz.

Em aulas de História do curso ginasial aprendíamos sobre o comércio marítimo de iguarias nas Índias. O que não imaginávamos é o que existi...

Do comércio das Índias às bolsas de hoje

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana veronnica farias wall street historia bolsa de valores comercio das indias mercado valores acoes
Em aulas de História do curso ginasial aprendíamos sobre o comércio marítimo de iguarias nas Índias. O que não imaginávamos é o que existia por trás desse comércio. Já naquela época a troca de excedentes de produção existia de fato, mas em fase embrionária (um pouco mais tarde oficializada) do mercado de ações. Através da Companhia Holandesa das Índias Orientais com sede na Bélgica o comércio era monopolizado. Havia também a mesma Companhia, explorando todo o lado do Ocidente (Companhia das Ìndias Ocidentais).

Quando o pregão dos jornaleiros anunciou, naquela manhã de maio de 1946, a morte do poeta, compositor, cantor, violonista e teatrólogo Cat...

Catulo, o poeta das paixões

ambiente de leitura carlos romero ensaio flavio ramalho brito literatura paraiba catulo paixao cearense luar sertao joao pernambucano direitos autorais epitacio pessoa
Quando o pregão dos jornaleiros anunciou, naquela manhã de maio de 1946, a morte do poeta, compositor, cantor, violonista e teatrólogo Catulo da Paixão Cearense, a tristeza se espraiou por todo o Rio de Janeiro, dos subúrbios distantes, onde morava o artista, aos bairros nobres da cidade. As biroscas e botequins humildes e os salões aristocráticos se igualaram no sentimento pela perda do poeta maranhense.

Rua Barão de Jaguaripe, Ipanema, Rio de Janeiro. Não recordo o número do apartamento. Só sei que lá fui levado pelas mãos amigas de Gilber...

'Sabadoyle', Nava, Drummond e outros

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana sergio castro pinto pedro nava sabadoyle drummond gilberto mendonca teles Alphonsus de Guimaraens Filho homero homem rachel de queiroz plinio doyle raul boop
Rua Barão de Jaguaripe, Ipanema, Rio de Janeiro. Não recordo o número do apartamento. Só sei que lá fui levado pelas mãos amigas de Gilberto Mendonça Teles.

Dou com a televisão propagando o amanho de uma família de pequenos agricultores, creio que dos nossos tabuleiros mais próximos, empenhada n...

É tempo de mangabas

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana gonzaga rodrigues mangaba mangabeira fruta tropical agricultura nordeste celso furtado
Dou com a televisão propagando o amanho de uma família de pequenos agricultores, creio que dos nossos tabuleiros mais próximos, empenhada no cultivo da mangaba. E me ocorre uma lembrança com tudo para ser exagero: a nervosa euforia de Ari Cunha, calmo e veterano editor do Correio Brasiliense dos anos 70, vindo atrás das mangabas de feira que ele papava direto do balaio, sem afrouxar a gravata, instantes depois de deixar a pista do aeroporto Castro Pinto.

A função precípua do Mito era elaborativa! Thânatos e Eros são seres mitológicos do panteão helênico, cuja representatividade simbólica de...

Os mitos têm muito a nos ensinar

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana alcione albertim mitos gregos mitologia thanatos e eros psicanalise neurose

A função precípua do Mito era elaborativa! Thânatos e Eros são seres mitológicos do panteão helênico, cuja representatividade simbólica denota aspectos da vida humana, conferindo-lhes sentidos.

ENTRE VERSOS E TINTAS Gosto de me perder, De alhear-me do mundo real E penetrar o portal Do meu universo ideal. O me...

Versos e tintas

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana volia loureiro amaral amor verao luz manha charme tintas chuva

ENTRE VERSOS E TINTAS
Gosto de me perder, De alhear-me do mundo real E penetrar o portal Do meu universo ideal. O meu mundo é composto De versos e tintas. Palavras soltas, Cores infinitas. Colho as palavras, Como quem colhe as flores da primavera, E compõe um lindo ramalhete. Escolho as tintas, Como quem se apodera das cores do arco íris, Em uma linda quimera. Assim me perco entre versos e tintas. E pinto a poesia que brota de mim, Em imagens, Poemas... É assim que eu me mostro, Gosto de me perder, Para que assim eu me encontre, E fique assim de alma serena. DIAS DE SOL
Ultimamente, os dias têm sido de Sol. E as manhãs claras, estivais, Trazem-me a sensação de alegria, De calmos domingos ensolarados. As flores multiplicam-se, Como beijos dos enamorados, E alegram a paisagem, Antes sombria. Eu caminho por entre as flores, Sentindo a poesia me tomar, E bailo ao som de uma canção sussurrada. Enterneço-me com as rimas de amor. Adiante, sei que nuvens férteis Observam-me a dança, Todavia não temo mais a procela, Porque, a alma anda iluminada. O chover quando vier, Fertilizará o solo do sentimento, E as raízes de amor, Haverão de mais aprofundar-se Neste coração de verão. EQUILIBRISTA
Coloco meu coração Na palma da tua mão E deixo que me leves Aonde teu sonho vai. Fico assim: Equilibrando-me, Entre os teus sorrisos, Entre o piscar de teus olhos, E agarro-me às lembranças, Para que a realidade Não me jogue ao chão. Caminho na corda bamba Entre o real e o ideal. E o vento me balouça. E de longe vem uma música Que me faz dançar. E como bailarina, Rodopio, E deixo-me levar, Pela alegria, Em um longo “pas de deux” Em que me acompanha a poesia, Na grande aventura do amar. DUALIDADES
Eu troco palavras com meu silêncio. Caminho rumo a lugar nenhum. Navego célere em mar de calmaria. Busco o luar na noite do Nadir, Escondo-me da luz do meio-dia. Encontro a realidade na fantasia. Embriago-me na gota dágua, No vinho encontro lucidez Sacio-me de nada comer. Danço sobre minhas lágrimas, Enfrento a tormenta sem medrar. Extraio coragem da minha tibiez. Sou feita de antíteses, São muitos os contrários, São tantos os mistérios. Que vez em quando, Quedo-me a buscar em meus escaninhos, Onde foi que perdi a chave de mim. DELICADEZA
É como a pétala da flor, Bela e frágil como a asa da borboleta. Suave como a brisa da manhã. Macia como a seda chinesa. Assim, quero para mim Toda delicadeza. Que a música seja prece Em meus ouvidos, E que as palavras fluam dos meus lábios, Como finas bolhas de sabão, Que eu possa caminhar nas nuvens E que meus passos sejam leves, Macios como puro algodão. E que meus olhos possam contemplar Todas as flores e as cores que a Natureza Possa em sua mágica tela pintar. E que minhas mãos reproduzam essa beleza, Na arte, na vida, no servir e trabalhar. E que eu conheça os sabores, Do doce ao salgado, Do amargo ao suave, E que assim tempere, Na medida certa, o amor Que eu puder dar. Quero beber da Vida, E conhecer todas as cores e sons, Entendendo a sua delicadeza, E assim, tornando-me leve, E que eu me transforme em luz Que brilhará no peito De todos a quem eu puder me dar. CLARICE E EU
Clarice tão forte, tão intensa, tal imortal! Eu, poetisa pequena, lírica, quase banal... Clarice e eu Ela me estende a mão, E me coloca agora sob a sua proteção. Clarice é do conto, romances, rompantes! Eu navego na poesia, Sou tímida, introspectiva, porém, nunca vazia. Clarice me conta o conto, Eu trago o poema pronto. Clarice é intrigante, atemporal, fascinante! Não economiza a vida, sorve-a, mexe na ferida! Eu, poetisa fascinada, Absorvo a poesia como o elixir da vida, E no lirismo puro, procuro curar minhas feridas. Clarice e eu, Em tempos diversos, Em estilos diferentes, Em pontos que se tocam, Realidade presente. Clarice e eu, Uma nova aventura, Um novo caso de amor, Encontro na Literatura, Na poesia mais pura, Na Hora da Estrela, Nas asas de um condor! ADORÁVEL
Eu diria que você é assim, adorável. Como um céu azul de primavera, Como o campo depois da chuva, Como o mar numa manhã de sol. Eu diria que você é puro charme, Como as bolhas que espocam do champanhe, Como uma tarde em Paris, Como fino jazz em um vinil verdadeiro. Eu diria que seu olhar azul capta a beleza, Você navega seu mundo com firmeza, E tem consciência de tal poder. Eu diria que a arte te pôs no mundo, E você o saboreia livremente, Apreciando o seu gosto profundo.

Estávamos participando de um seminário de Yoga com o ilustre professor Hermógenes , quando escutei sua explanação sobre doença psicossomát...

Saúde emocional para uma vida feliz

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana marco granjeiro Lima Espiritismo Yoga ioga meditacao conhece-te a ti mesmo socrates joanna de angelis
Estávamos participando de um seminário de Yoga com o ilustre professor Hermógenes, quando escutei sua explanação sobre doença psicossomática. Ele nos explicou que se tratava de uma patologia cuja origem encontrava-se nos conflitos da mente (psique) e que reverberava no corpo (soma). Citou vários exemplos de pessoas que o procuravam, com um nível de ansiedade tal, de medo, de ressentimentos, de culpas, que os seus órgãos físicos gritavam em busca de ajuda.

Quando partimos do Brasil três semanas atrás, tínhamos como objetivo conhecer os Andes e assistir ao sol se pôr no mar, em oposição ao ...

A conquista dos Andes (Parte 3)

ambiente de leitura carlos romero cronica viagem jose mario espinola andes peru rodovia panamericana deserto atacama arequipa arica chile

Quando partimos do Brasil três semanas atrás, tínhamos como objetivo conhecer os Andes e assistir ao sol se pôr no mar, em oposição ao seu nascer em nossas praias do Oceano Atlântico.

O livre arbítrio é um tema bastante polêmico. Tem sido objeto de discussão e estudos por parte de pensadores e filósofos, tanto na concepç...

O livre arbítrio

ambiente de leitura carlos romero cronica rui leitao auto ajuda livre arbitrio liberdade religiao cristianismo calvinismo espiritismo santo agostinho
O livre arbítrio é um tema bastante polêmico. Tem sido objeto de discussão e estudos por parte de pensadores e filósofos, tanto na concepção teológica quanto na visão ateísta. O debate suscita a pergunta: o livre arbítrio é um mito? Ou é uma faculdade que foi concedida por Deus aos seres humanos?

O pioneirismo da Paraíba em conceder o direito do voto aos presidiários aconteceu nos idos de 2010, aproximadamente. A notícia deu em qu...

Feio é não saber o que é bonito

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana saulo mendonca marques prisao feminina exploracao preconceito beleza fisica hipocrisia politica
O pioneirismo da Paraíba em conceder o direito do voto aos presidiários aconteceu nos idos de 2010, aproximadamente. A notícia deu em quase todos os jornais do Estado e foi, sem dúvida, uma grande iniciativa, um grande reconhecimento, cujo direito, já há muito tempo, mofava atrás das grades, dentro das gavetas, impedindo esse exercício de cidadania, durante longos anos.

Para Claude, minha irmã querida e companheira de viagem! Foi tudo muito rápido. E, quando nos demos conta, minha irmã Claude e eu e...

Buenos Aires, cultura pulsante

ambiente de leitura carlos romero cronica viagem ana adelaide peixoto buenos aires argentina tanto recoleta san telmo palermo rio da prata colonia del sacramento floralis generica parques
Para Claude, minha irmã querida e companheira de viagem!

Foi tudo muito rápido. E, quando nos demos conta, minha irmã Claude e eu estávamos no voo de inauguração João Pessoa— Buenos Aires, da Gol, que abria, assim, um canal de comunicação do turismo entre as duas cidades. À época, batemos palmas para o Governo do Estado e para a PBTur, na pessoa exultante de Ruth Avelino. Lá fomos nós, inaugurando os céus. Um luxo! Para quem, há longo tempo,

Em um dos episódios de The Crown, o líder do Trabalhistas e ex-primeiro-ministro Clement Attlee recebe a visita de um funcionário que tra...

Não tema o Clássico e os seus presentes

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana milton marques junior leitura claassica italo calvino the crown Winston Churchill letras gregas ensino
Em um dos episódios de The Crown, o líder do Trabalhistas e ex-primeiro-ministro Clement Attlee recebe a visita de um funcionário que trabalha para o primeiro-ministro Winston Churchill, seu algoz nas últimas eleições. O funcionário é portador de uma correspondência do serviço de meteorologia, prevendo um efeito climático desastroso sobre Londres, para os próximos dias. Embora seja uma mensagem importante, ela não se encontra entre aquelas que sejam lidas pelo primeiro-ministro.

Na abrangência do vento que rodopia o Sertão da Serra do Teixeira , na Paraíba, em debanda do Pajeú, em Pernambuco, desde o linear do sécu...

Poetas das caatingas e dos canaviais

ambiente de leitura carlos romero cronica jose nunes cantadores nordestinos viola violeiros literatura cordel teixeira brejo paraiba patativa assare otacilio batista
Na abrangência do vento que rodopia o Sertão da Serra do Teixeira, na Paraíba, em debanda do Pajeú, em Pernambuco, desde o linear do século XIX, muita poesia foi espalhada por poetas repentistas e cantadores que traziam consigo raízes fincadas nas terras do além-mar. Num tempo quando a vida era edificada na solidão do campo, muitos beberam na fonte da rústica paisagem do Nordeste, que inspira e favorece intensamente a criação poética com profunda raízes na alma.

O acaso escapa a qualquer tentativa de explicação. Mesmo assim procuramos lhe dar um sentido, e a arte é um dos meios que utilizamos para ...

O sentido da beleza

O acaso escapa a qualquer tentativa de explicação. Mesmo assim procuramos lhe dar um sentido, e a arte é um dos meios que utilizamos para isso. O outro é a religião. Existe ainda um terceiro: a ciência — mas esta, embora nos traga evidências confiáveis, não tem a amplitude das outras duas. A ciência não envolve (ou envolve muito pouco) nossas fantasias e emoções. Não há poesia em fazer exames laboratoriais ou em tomar remédios, apesar dos bons efeitos que tais recursos propiciam.

Senhoras e senhores... Hoje tem espetáculo. Tem, sim senhor! Sob a velha lona rasgada, mais trapos que proteção, ou embaixo de uma re...

Um mundo sob a lona

Senhoras e senhores... Hoje tem espetáculo. Tem, sim senhor!

Sob a velha lona rasgada, mais trapos que proteção, ou embaixo de uma reluzente cobertura com listras e estrelas, parecendo uma bandeira americana novinha em folha, a alegria estava garantida. E tábuas, cordas... e mastros erguidos. Uma casa de festa, emoção e felicidade. Espetáculo garantido.

O episódio nº 22 da Pauta Cultural entra no ar na ALCR-TV com a participação dos autores, leitores e telespectadores do Ambiente de Leitur...

Pauta Cultural (Ep. 22)

O episódio nº 22 da Pauta Cultural entra no ar na ALCR-TV com a participação dos autores, leitores e telespectadores do Ambiente de Leitura Carlos Romero.

Como é curto o tempo da inocência. E ficará cada vez mais difícil ser surpreendido por uma criança em um momento de lampejo poético, alg...

Os cachos dourados das borboletas

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana jorge elias neto olhar crianca observacao infantil filhos encanto
Como é curto o tempo da inocência. E ficará cada vez mais difícil ser surpreendido por uma criança em um momento de lampejo poético, algo apenas possível aos que começam a descobrir a linguagem. São tantas informações, imagens, mídias, que cada vez mais precocemente o vocabulário da criança é enriquecido, e isso ocorre na mesma velocidade em que se embota a espontaneidade – a inocência.

Foi em Cabedelo. Faz tempo. Uma senhora grisalha, já avançada na casa dos setenta, dá entrada numa ação judicial de divórcio. Quer se se...

Enfaro

ambiente de leitura carlos romero cronica francisco gil messias idosos separacao cansaco relacionamento
Foi em Cabedelo. Faz tempo. Uma senhora grisalha, já avançada na casa dos setenta, dá entrada numa ação judicial de divórcio. Quer se separar do marido, ele um pouco mais idoso que ela. É uma mulher simples, do povo, como se diz, uma dona de casa casada há muitos anos, que teve filhos, criou-os com as dificuldades previsíveis, agora tem netos que a visitam apenas de vez em quando, sem grandes demonstrações de afeto. Sua vida parece completa, sem graça, exaurida, como se lhe restasse somente aguardar o fim, quando Deus fosse servido. Uma vida como tantas outras; uma existência sem outro sentido aparente, salvo esse de ser esposa, mãe, Nada mais além disso. Aos olhos de muitos, parece pouco esse destino comezinho; aos olhos dela, também, principalmente nos momentos em que ela,

Numa época em que dispunha de mais tempo livre, dediquei-me a viajar pela Península Ibérica. Nessas incursões, colecionei um conjunto de m...

Siesta em Zaragoza

ambiente de leitura carlos romero cronica viagem emerson aguiar zaragoza espanha peninsula iberica siesta influencia arabe arquitetura doces
Numa época em que dispunha de mais tempo livre, dediquei-me a viajar pela Península Ibérica. Nessas incursões, colecionei um conjunto de memórias e de experiências que me acrescentaram muito, não somente culturalmente, mas, sobretudo, vivencialmente. Percorri um considerável terrítório da península, o que me permitiu ter uma boa idéia da sua maravilhosa diversidade, embora conhecê-la realmente demandaria muito mais do que viajar por anos contínuos. Na verdade, exigiria o empenho de uma vida inteira ou de várias.

“Peregrinações e Sacrifícios” é o nome do sexto capítulo da segunda parte de Paulo e Estevão, romance de Emmanuel, psicografado por Chico ...

Em batalha com o espinho dos desejos inferiores

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana apostolo saulo paulo tarso chico xavier paulo e estevao evangelho espiritismo emmanuel
“Peregrinações e Sacrifícios” é o nome do sexto capítulo da segunda parte de Paulo e Estevão, romance de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier. Este capítulo relata novas atribulações de Paulo no seu apostolado, incansável em suas viagens para a pregação da palavra de Cristo e para a disseminação de Sua Igreja. Em Filipos, na Grécia, Paulo sofre perseguições, é apedrejado, preso e açoitado impiedosamente. Quando tudo parece se encaminhar para o seu desalento, as portas das celas da prisão se abrem e Paulo consegue mais provas da força da palavra redentora de Cristo, convertendo os presos e o próprio carcereiro.

O que se observa na poesia brasileira contemporânea é uma verdadeira enxurrada de livros que pretendem apreender o momento conturbado por ...

A poesia panfletária

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia politica panfletaria narrativa pauta cultural literatura paraibana sergio castro pinto politica brasileira protesto omissao indiferenca
O que se observa na poesia brasileira contemporânea é uma verdadeira enxurrada de livros que pretendem apreender o momento conturbado por que passa o Brasil, espécie de Titanic à deriva, desgovernado, cujo capetão, sem diário de bordo, erraticamente, o abalroa a cada instante contra os icebergs da insensatez.

Por aí já se conclui que motivos não faltam para indignar os poetas de bom senso, embora não faltem também aqueles que, na contramão dos princípios fundamentais da democracia, façam coro com o “Pátria, família e Deus acima de tudo”, um dos lemas que resumem exemplarmente o ideário neofacista da trupe miliciana. Isso sem contar os omissos de todos os gêneros, para os quais Dante Alighieri dedicou as seguintes palavras: “No inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise”.

Ocorre, porém, que a indignação é má conselheira, sobretudo quando o poeta deseja transformá-la em poema, pois, escrevendo no calor da hora, no olho do furacão, ele tem tudo para esquecer a sábia lição de Wordsworth: “A poesia é emoção recolhida na tranquilidade”.

Quando Ferreira Gullar recorreu à literatura de cordel como instrumento de doutrinação para despertar a consciência adormecida dos leitores, justamente por ser esse um gênero mais acessível, mais palatável, nada ou quase nada acrescentou à sua obra, embora não se deva nivelar os seus livros de poemas engajados com a safra dos livros participantes de hoje, a grande maioria natimorta, já que repousa na vala comum onde jaz a pretensa poesia de extração unicamente política. Comparados com esses, os livros de Gullar são obras do mais fino lavor.

Nesse ponto, cabe observar que a literatura só faz revolução no âmbito da linguagem, dentro dos seus próprios limites, jamais fora dos seus domínios, de sua circunscrição, sendo-lhe praticamente impossível instaurar uma ruptura com o status-quo, com o estamento social.

Mas a boa literatura pode provocar, sim, uma espécie de revolução silenciosa, pois ao término de um livro de ficção ou de um poema, o leitor já não é o mesmo de antes, uma vez que passa a adquirir uma nova percepção da vida e do mundo.

Os poemas excessivamente políticos, por serem geralmente diretos, objetivos, desprezam as metáforas, o jogo imagético, o apuro formal, na medida em que apostam na mimese como único recurso capaz de captar a realidade em toda sua completude, como se ao eu-lírico cumprisse apenas a tarefa de testemunhar os fatos e de esmiuçá-los à semelhança dos realistas empedernidos, de carteirinha, que, pretendendo ser mais realistas do que a própria realidade, só se dariam por satisfeitos caso pudessem dar conta, tim-tim por tim-tim, com uma precisão milimétrica, “(...) do número exato dos fios de que se compõe um lenço de cambraia ou um esfregão de cozinha”.

Se os vanguardistas mais ortodoxos apostavam tão só no virtuosismo verbal, nas paronomásias, no jogo de palavra-puxa-palavra etc., a maioria quase absoluta dos poetas engajados atenta menos na textura do poema do que na carnadura da realidade objetiva, que, nos seus poemas, já vem pronta e acabada como um prato feito para ingestão dos incautos e para a indigestão de leitores que sabem distinguir entre a poesia política de alto nível e a poesia meramente panfletária, tribunícia, muitas vezes vociferante e até mesmo histérica, que não fala nas entrelinhas, nos meios-tons. Poesia que se nutre do dejà vu, das metáforas envelhecidas, das catacreses, de uma espécie de pot-pourri de tudo o que já se escreveu sobre a liberdade e a repressão.

Em dezembro de 1864, tropas paraguaias atacaram e ocuparam um forte no Mato Grosso e apresaram, no rio Paraguai, um navio mercante brasile...

O Voluntário da Pátria e o Poeta dos Escravos

ambiente de leitura carlos ensaio pesquisa flavio ramalho brito maciel pinheiro castro alves abolicionismo guerra paraguai joaquim nabuco
Em dezembro de 1864, tropas paraguaias atacaram e ocuparam um forte no Mato Grosso e apresaram, no rio Paraguai, um navio mercante brasileiro. Iniciava-se o mais grave e duradouro (mais de cinco anos) conflito que já houve entre os países da América do Sul, a Guerra do Paraguai, como ficou, aqui, conhecida a luta da Tríplice Aliança (Brasil, Argentina e Uruguai) contra o Paraguai.

O enfrentamento entre brasileiros e paraguaios se deu em razão de antigas divergências, com respeito às fronteiras entre os dois países, à necessidade de garantia da utilização pelo Brasil da navegação através do rio Paraguai (que era a principal via de acesso ao Mato Grosso), e, principalmente, devido a um reordenamento nas relações entre Brasil, Argentina e Uruguai, que os paraguaios julgavam prejudicial aos seus interesses na região.

A “Maldita Guerra”, como o historiador Francisco Doratioto denominou sua alentada obra sobre a conflagração (Companhia das Letras, 2002), deixou como saldo o quase total aniquilamento da população masculina do Paraguai que, ao final da guerra, era constituída, em sua maioria, por menores de 10 anos. Do lado dos aliados, as baixas também foram numerosas.

Para o historiador José Murilo de Carvalho, “a guerra parecia desigual por jogar, contra o Paraguai, Brasil, Argentina e Uruguai. Mas, olhando pelo lado militar, no Brasil só a Marinha estava preparada para a guerra”. Ao contrário do despreparo brasileiro para a guerra, o Paraguai fazia dois anos que se preparava militarmente para o conflito. Na época, o exército do Brasil tinha um efetivo bastante modesto e uma organização muito precária. As tentativas de compor as tropas arregimentando a Guarda Nacional, estabelecendo cotas de recrutamento por cada Província, não tiveram muito êxito. A Guarda Nacional era uma força civil, que havia sido criada em 1830, comandada pelos “coronéis” regionais e os seus quadros de comando eram compostos pelas elites locais, que resistiram em ir para a guerra.

A saída para constituir as tropas que iam combater no Paraguai foi, então, a criação do chamado “Corpo de Voluntários da Pátria”. Foi esse agrupamento, formado pelo alistamento voluntário de pessoas, principalmente nos Estados do Norte e Nordeste, que forneceu o principal contingente do exército brasileiro.

Para cumprir as cotas de recrutamento estabelecidas para cada Província, houve, também, os chamados “voluntários da corda”, que eram, principalmente, escravos arregimentados à força para completar a cota de combatentes que fora determinada, como foi o caso de trinta “voluntários” que foram trazidos acorrentados da cidade de Pilar, “todos de gargalheiras ao pescoço”, para a capital da Paraíba, conforme registrou o historiador paraibano Adauto Ramos, no seu livro “A Paraíba na Guerra do Paraguai”.

No entanto, o chamamento para compor o Corpo de Voluntários, ao mesmo tempo, inspirou o patriotismo de muitos jovens idealistas, que, voluntariamente, se apresentaram para formar nas forças nacionais. Houve casos marcantes, como o da cearense Jovita Alves Feitosa, que vestida com trajes masculinos se alistou no Piauí, e o do filho de africanos forros Cândido da Fonseca Galvão, o baiano Príncipe Obá, que comandou trinta dos seus “súditos” e voltou da guerra como alferes, passando a residir no Rio de Janeiro, tendo acesso direto ao Imperador Pedro II.

O chamamento para compor o corpo de Voluntários da Pátria também sensibilizou vários acadêmicos de Direito, como aconteceu com alguns estudantes da Faculdade de Direito do Recife, dentre eles o paraibano Luiz Ferreira Maciel Pinheiro, então quartanista do curso.

Luiz Ferreira Maciel Pinheiro, que ficou comumente conhecido como Maciel Pinheiro, nasceu, em 1839, na capital da então Província da Paraíba, onde fez os estudos básicos. Em 1860, ingressou na Faculdade de Direito do Recife e passou a atuar na imprensa da capital pernambucana, publicando poesias e escrevendo artigos em vários jornais.

Em 1863, Maciel Pinheiro fundou e assumiu a direção de um “periodico scientifico e litterario”, chamado O Futuro, onde foram publicados, pela primeira vez, vários poemas de um jovem baiano de dezessete anos, que chegara ao Recife para cursar Direito e de quem Maciel Pinheiro ficara muito amigo.
O jovem baiano chamava-se Antônio Castro Alves e ficaria conhecido, pouco tempo depois, como o “Poeta dos Escravos”.

Naquela época, a Faculdade de Direito do Recife tinha entre os seus acadêmicos, além de Maciel Pinheiro, Tobias Barreto, Fagundes Varela, Castro Alves, José Higino, Martins Junior e outras tantas expressivas figuras que fizeram com que o período fosse considerado como o mais brilhante na história da Academia recifense.

Quando cursava o quarto ano de Direito, Maciel Pinheiro publicou, em um jornal do Recife, críticas a um professor da Faculdade. Em razão disso, foi punido pela Congregação com a penalidade de prisão, por quatro meses, nas próprias dependências da Faculdade, punição absurda e anacrônica, herdada do regulamento da Universidade de Coimbra, mas, à época, ainda aplicável em Pernambuco.

Em protesto contra a punição aconteceram várias manifestações dos estudantes, em solidariedade a Maciel Pinheiro, onde se destacava a voz já luminosa e inflamada do jovem Castro Alves. Para Jorge Amado: “será Recife quem fará do poeta um agitador e um líder. Desta cidade a voz de Castro Alves levantará as bandeiras da Abolição e da República [...] Recife será sua melhor tribuna”.

Quando da partida de Maciel Pinheiro, como voluntário, para a guerra do Paraguai, Castro Alves lhe dedicou um poema com o título “A Maciel Pinheiro”, depois incluído no seu livro “Espumas Flutuantes”, único publicado em vida pelo poeta baiano.

ambiente de leitura carlos ensaio pesquisa flavio ramalho brito maciel pinheiro castro alves abolicionismo guerra paraguai joaquim nabuco

“Partes, amigo, do teu antro de águias, Onde gerava um pensamento enorme, Tingindo as asas no levante rubro, Quando nos vales inda a sombra dorme... Na fronte vasta, como um céu de ideias, Aonde os astros surgem mais e mais... Quiseste a luz das boreais auroras... Deus acompanhe o peregrino audaz.”

O cognome “Peregrino Audaz”, que finaliza as seis estrofes do poema de Castro Alves, ficou como uma marca que Maciel Pinheiro carregou pelo resto da sua vida. Nas Notas finais do livro “Espumas Flutuantes”, Castro Alves se refere, mais uma vez, ao amigo paraibano:


“Maciel Pinheiro é um destes moços que simbolizam o entusiasmo e a coragem, a inteligência e o talento nas Academias. Poeta e jornalista o moço estudante, aos reclamos da pátria, improvisou-se soldado. Hoje que o tempo e a distância nos separam é me grato falar de um dos mais nobres caracteres que tenho conhecido”.

Maciel Pinheiro voltou da guerra doente, acometido pela malária, mas conseguiu concluir o curso de Direito e passou a atuar na área jurídica. Foi promotor no Rio Grande do Sul, juiz no Recife e em comarcas no interior de Pernambuco e, depois, por perseguição pelas suas ideias, foi transferido para o interior do Pará. Como escreveu seu amigo Martins Junior, “era o tempo em que se castigava pelo crime de abolicionismo”.

Inconformado com a transferência que lhe fora imposta pelo governo imperial, Maciel Pinheiro solicitou licença do cargo de juiz. Negada a licença, decidiu abandonar a magistratura. Na ocasião, o escritor e líder abolicionista pernambucano Joaquim Nabuco publicou, na primeira página do jornal O Paiz, do Rio de Janeiro um longo artigo, que tinha como título “Maciel Pinheiro”:


“em toda a imprensa brasileira não há um homem igual. Há outros que escrevem com mais imaginação e, portanto, com mais brilho [...] Não há nenhum, porém, cuja pena corte, como uma espada afiada, como a dele [...] Em Maciel Pinheiro o jornalista é o homem. Pobre, combatido por uma enfermidade cardíaca, pai de família que, a presente, de um dia para o outro ficou ao desamparo, ele quer morrer na imprensa como José Bonifácio morreu na tribuna. [...] Estudante ainda, Maciel partiu para a guerra do Paraguai como voluntário da pátria, o Castro Alves, que conhecia pela atração que sentia por ele[...] deixou o nome do seu companheiro soldado gravado nas suas belas estrofes”

Abandonando a magistratura, Maciel Pinheiro voltou para o Recife dedicando-se inteiramente à imprensa, fazendo dos jornais as trincheiras de lutas na defesa dos seus ideais, a abolição da escravidão e a instauração da República no Brasil.
Desde o tempo do jornal O Futuro e, depois, em A Província, Maciel Pinheiro desenvolveu intensa campanha contra o sistema escravista vigente no País, inclusive denunciando casos de atrocidades contra escravos acontecidas na Paraíba. Por essa sua combativa participação em favor da extinção da escravidão no Brasil ele é considerado um dos principais nomes do movimento abolicionista brasileiro.

Em junho de 1889, Maciel Pinheiro e Martins Junior, seu amigo e contemporâneo da Faculdade de Direito, fundaram, no Recife, o jornal de propaganda republicana O Norte. Durou pouco tempo a contribuição do paraibano ao jornal. Debilitado pela enfermidade contraída na guerra do Paraguai, Maciel Pinheiro faleceu, no Recife, na sua casa da Rua da Aurora, no dia 9 de novembro. Ainda não chegara aos 50 anos e faltavam apenas seis dias para que fosse implantada a República no País, regime pelo qual o jornalista tanto se batera. Para o político e historiador paraibano Tavares Cavalcanti, Maciel Pinheiro “foi dos que avistaram de longe a Terra da Promissão, mas nela não puderam entrar”.

Quando da instauração do regime republicano no Brasil, Maciel Pinheiro foi reverenciado, em várias partes do país, como um dos maiores propagandistas da República, como se observa em uma edição, do dia 15 de novembro de 1889, do jornal Libertador, de Fortaleza:

ambiente de leitura carlos ensaio pesquisa flavio ramalho brito maciel pinheiro castro alves abolicionismo guerra paraguai joaquim nabuco
Pouco tempo depois da morte de Maciel Pinheiro, a Paraíba Republicana rendeu homenagens ao seu destemido filho. Foi dado o seu nome às principais ruas do comércio, da capital do Estado e de Campina Grande. No Recife, a cidade que foi o palco das lutas do indomável abolicionista e republicano, foi denominada de Maciel Pinheiro a Praça Conde d’Eu, localizada no bairro central da Boa Vista, que fora construída em homenagem à vitória brasileira na guerra do Paraguai. Várias cidades do Brasil também prestaram homenagens a Maciel Pinheiro, colocando o seu nome em ruas e praças.

No meio de uma das extensas escadas rolantes do secular metrô do centro de Londres, muito profundo em certas estações, um grupo de garotas...

Para sempre, Beatles

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana the beatles musica pop inglesa banda rock twist roch n roll
No meio de uma das extensas escadas rolantes do secular metrô do centro de Londres, muito profundo em certas estações, um grupo de garotas, entre jovens e adolescentes, entoava eternas canções. Não pareciam se incomodar em ser vistas, admiradas, ouvidas, encobertas pela aura de alegria e espontaneidade com que cantavam. Afinal, a autenticidade dá brilho às manifestações nas quais o entusiasmo ofusca qualquer indício ou resquício de timidez.
ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana the beatles musica pop inglesa banda rock twist roch n roll
Era início da noite de sexta-feira, em um outono de Londres, e quem sabe aquela empolgação se houvera acrescida ao término de um dia de escola, de olho no fim de semana…

A cena perpassou da observação ao encanto em todos nós, surpresos ao ver que, após 50 anos, quase o triplo da idade daquelas garotas, a música dos Beatles permanecia viva. Viva porque é clássica, e como clássica se eterniza. É possível se antever que no próximo século outro grupo de adolescentes, talvez em um metrô aéreo ou numa jornada às estrelas, solfeje as inesquecíveis melodias.

Muito já se disse, muito já se escreveu, estudos abundantes confirmam os Beatles como fenômeno incomparável. Não apenas sob aspectos sociológicos, ideológicos, psicológicos, mas sobretudo pela qualidade musical de suas obras.

Concebidas em processo evolutivo que acompanhou o tempo, criou e influenciou conduta de gerações que as vivenciaram e sucederam, suas músicas refletem exatamente a amplitude diversificada de estilos, mensagem e poesia.

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana the beatles musica pop inglesa banda rock twist roch n roll
Bem além das partituras em que registrou a beleza das frases melódicas, o quarteto transmitiu ao mundo um manifesto inovador em prol do amor, do romantismo poético, causando ruptura paradigmática de costumes, contagiando, convidando à reflexão sobre as relações humanas, urbanas, principalmente por entoar um clamor à paz.

A arte dos Beatles impressiona qualquer estudioso de música erudita. Na tessitura composicional se insere cronologicamente uma estrutura enriquecida gradativamente, ao longo do exercício criativo, com processos mais ousados e bem elaborados, como ocorreu com grandes compositores da história. A simplicidade presente em um minueto de Bach, numa sonata de Mozart,
ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana the beatles musica pop inglesa banda rock twist roch n roll
numa sonatina de Beethoven, que se enrobustece em obras posteriores, a exemplo das grandiloquentes missas e sinfonias corais, é fenômeno circunscrito ao trabalho dos geniais rapazes ingleses.

Da bucólica inocência de Love me do, à pulsante alegria rítmica de Help e She loves you, do lirismo de The long and winding road às declarações amorosas de versos plenos de poesia, à instigante Sgt. Pepper's e à densidade dramática de A day in the life e Lucy in the sky with diamonds (com requintada participação do cravo), o espectro construído pelos Beatles é artisticamente completo. Não faltou por onde distribuir talento na obra que alcançou infinitas possibilidades.

Desde as canções primeiras, ainda restritas ao reduto britânico, já se percebe a arte de criar planos sonoros justapostos em aspecto contrapontístico, estabelecidos tanto nas vozes distintas como nos coros em background e na criativa instrumentalização. Já eram composições em que se denotava apuro técnico, ainda que adquirido pela talentosa inspiração, que tantas vezes se sobrepõe ao conhecimento acadêmico.

A afinidade com a concepção clássica de música se faz nítida sob vários ângulos, principalmente na sonoridade harmoniosa de linguagens simultâneas, rítmica, vocal e instrumental.
Paul McCartney revelou em entrevista possível influência da Bourrée em ré menor, de Bach, na melodia de Blackbird. O empresário e músico George Martin, tido como “o quinto Beatle”, fez menção à “Ária na Corda Sol”, também de Bach, na trilha sonora do filme Yellow Submarine. Há quem relacione os acordes iniciais de Because com os da Sonata ao Luar, de Beethoven, e a afinidade com a música erudita também se percebe nos solos dos instrumentos de cordas que acompanham, por exemplo, She’s living home e Eleanor Rigby — uma elegante composição com traços genuinamente clássicos. Ressalte-se igualmente a requintada participação do piano e outros teclados, em que desfilam tantas de suas músicas, como em Let it be e Hey Jude, na "barroca" parte central de In my life , no órgão que acompanha Long long long , sem esquecer da valorização da guitarra como voz de expressividade cantante singular exaltada em While My Guitar Gently Weeps .

Esta sintonia certamente estimulou as orquestras sinfônicas de Londres, Vancouver, Miami, São Petersburgo e a italiana Mitteleuropa Orchestra, entre outras, a produzir célebres arranjos e transcrições em cobiçados palcos, inclusive para gravação de álbuns.


A riqueza artístico-musical dos Beatles se estendeu e se enriqueceu por seus dramas e experiências de vida até os prenúncios e concretização da separação. Uma separação apenas física, com o espírito perpetuado nas carreiras solo.

A vivência mística com o psicodelismo, as conturbações existenciais, a busca pelos insights divinos por meio de alucinógenos, a aproximação com o hinduísmo e outras inserções em planos espirituais também pontuaram notória e notavelmente sua obra de maneira impactante.

A exploração instrumental foi igualmente profícua, em vários timbres, nos sopros, metais, cordas, teclados e até em cítaras. A percussão que recheia Revolution, o ritmo sincopado de Ticket to ride, a orquestração dos álbuns Magical Mistery Tour e Yellow Submarine,
o dissonante cromatismo de Being for the benefit of Mr. Kite e Tomorrow never knows atestam claramente a intimidade com a harmonia dos instrumentos.

Os Beatles excederam os limites e contornos de todos os outros grupos de música pop. Foram muito além de tudo. This boy, Girl , e You've got to ride your love away são exemplos da essência que caracteriza a plenitude de uma balada romântica. I me mine, o espelho da nostalgia, Penny Lane resume a força telúrica-urbana, o jingle dançante é imbatível em From me to you. O mistério se escuta em Blue Jay Way, a poesia permeia I'll follow the sun como em poucas canções, a doce harmonia coral de Because e Michelle é comovente. A religiosidade tem registro impressionante em Within' you without you . Em Helter Skelter a alma do rock se eterniza, para citar alguns exemplos alcançados pelo histórico conjunto.

A grande importância da criação desta inesquecível banda se imprime justamente na originalidade e abrangência de seu universo. A manifestação solidária, a relação entre a urbe e o ser humano, a rebeldia, a liberdade, o romantismo consolidam-se emblematicamente na grandiosa mensagem de paz, poesia e amor, presentes nas três memoráveis canções: All you need is love , Something e Yesterday . Melodias que indubitavelmente soarão pelos lábios das futuras gerações, por infinitas eras, em metrôs, naves espaciais ou na simples fantasia de um submarino amarelo.

Recentemente sentei sozinha em uma pedra às margens do lago Tahoe. Na tarde gelada, um silêncio solene cabia no meu coração. Observei ...

A voz das pedras

ambiente de leitura carlos romero cronica sonia zaghetto reflexoes vida morte pedras sonhos colecao livros
Recentemente sentei sozinha em uma pedra às margens do lago Tahoe. Na tarde gelada, um silêncio solene cabia no meu coração. Observei as águas lisas por muito tempo, eram de um azul-claro pacificado, como um lençol de seda estendido sobre a superfície da Terra. Uma felicidade simples preenchia os minutos. Ao redor da minha solidão havia pedras de todos os formatos e cores. Duas delas atraíram o meu olhar. Rolei-as entre os dedos e as coloquei no bolso.

Não é fácil tirar os olhos de Manaus. Já ficou muito mais distante, quando Chico Avelino, meu avô, saiu de burra do Riachão entre Areia e ...

Por mais que a vida continue

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana gonzaga rodrigues amazonas jornal a uniao pandemia falta oxigenio descaso saude manaus editora a uniao
Não é fácil tirar os olhos de Manaus. Já ficou muito mais distante, quando Chico Avelino, meu avô, saiu de burra do Riachão entre Areia e Alagoa Nova até alcançar a Serra do Cuité, e de lá juntar-se aos cearenses da Paraíba, do Rio Grande do Norte e do próprio Ceará para se afundarem ou se afogarem nas águas e seringais ilusórios do Amazonas.

Nesse tempo, o que fosse do Norte era cearense. “Baiano” e “paraíba” vieram bem depois. O Ceará, da primeira academia de letras, de onde saiu o primeiro romance da seca, emplacava toda a região que, nas primeiras décadas do século XX, passou a se chamar Nordeste. Depois de 1922, já sob a onda da revolução modernista, ainda eram do Norte os que ousaram se estabelecer por conta própria, como José Américo. “São os do Norte que vêm!” - gritaram do Rio e de São Paulo.

O velho aprendiz agora é com vocês, jovens meus cabelos já caíram e as palavras estão feridas no último grão da semente que não g...

Enquanto os barcos acenam ao longe

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana linado guedes livro mataforas duelo no sertao editora patua
O velho aprendiz
agora é com vocês, jovens meus cabelos já caíram e as palavras estão feridas no último grão da semente que não germinou falem de helenas, sim nunca de uma única helena que a poesia não deve ser refém apenas daquela musa

Assisti, por esses dias, a um documentário sobre essa famosa peça de ir à praia: o biquíni. Não foi a primeira vez que vi a história desse...

Um biquíni de bolinha amarelinha...

Assisti, por esses dias, a um documentário sobre essa famosa peça de ir à praia: o biquíni. Não foi a primeira vez que vi a história desses dois pedaços de pano que as mulheres vestem nas areias.

Diariamente me encontro às voltas com as plantas do jardim. É sempre um hábito diário que cultivo assim que acordo. Nasci com o “ dedo v...

Regando a minha paciência

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana veronica farias jardinagem cultivo flores rosas plantas jardim
Diariamente me encontro às voltas com as plantas do jardim. É sempre um hábito diário que cultivo assim que acordo. Nasci com o “ dedo verde “. Para quem desconhece o termo, significa que tenho facilidade em fazer brotar as minhas plantinhas com certa facilidade... dom que Deus me deu e que herdei da família. À medida em que vejo florescer uma folhinha nova... um galho mais saliente, percebo que os dias estão minuto a minuto se escoando em minhas mãos.

Após passarmos o mês de janeiro de 1976 no Pantanal do Mato Grosso, participando do Projeto Rondon, Ilma, eu e Alcides Diniz tomamos um ...

A conquista dos Andes (Parte 2)

ambiente de leitura carlos romero cronica viagem jose mario espinola peru cusco machu picchu aguas calientes andes montanhas lhamas ruinas
Após passarmos o mês de janeiro de 1976 no Pantanal do Mato Grosso, participando do Projeto Rondon, Ilma, eu e Alcides Diniz tomamos um trem e partimos para aquela que seria a maior de nossas aventuras: a nossa Conquista dos Andes.

Fausto Cunha escreveu que Augusto dos Anjos foi salvo pelo povo. Ele se referia ao entusiasmo e à fidelidade do homem comum ao poeta, em c...

Augusto dos Anjos e o povo

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana chico viana augusrto dos anjos poeta do eu verso intimos
Fausto Cunha escreveu que Augusto dos Anjos foi salvo pelo povo. Ele se referia ao entusiasmo e à fidelidade do homem comum ao poeta, em contraste com a má-vontade de certos críticos que não teriam compreendido o significado do “Eu” para a literatura brasileira. De fato, o povo amou Augusto desde o início, e o declamou e vem declamando nos mais diversos rincões deste país. Sobretudo no interior, tem sempre alguém cujo avô ou o pai possui um exemplar do único livro do poeta, e o recita em momentos de solidão ou de congraçamento familiar.

Tenho uma amiga que adora fotografar a natureza. Adora a natureza porque a natureza está no sangue e na alma dela. Também estudou as esta...

Fotografia que é um poema

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana jose nunes belezas litoral rio grande norte barra cunhau natureza belezas naturais praias brasil nordeste
Tenho uma amiga que adora fotografar a natureza. Adora a natureza porque a natureza está no sangue e na alma dela. Também estudou as estações para melhor compreender as mudanças que ocorrem a cada período do ano. Mais que amar a terra, as plantas, os animais e o mar, ela busca entender a essência da espiritualidade que edifica a paz interior. Quer entender a beleza da poesia que emana da Natureza com seus componentes.

Parte II - O Açude Velho O garoto tinha atingido o alto e já não estava longe de casa, sendo-lhe inútil agora correr ou apressar o pas...

A Caieira do Vivente (Parte II)

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana alberto lacet caieira do vivente sociologia humana exploracao trabalho vida floresta
Parte II - O Açude Velho

O garoto tinha atingido o alto e já não estava longe de casa, sendo-lhe inútil agora correr ou apressar o passo, pois estava ensopado, fora alcançado pelo temporal no meio do caminho, onde se pôs às pressas depois que o homem, quase gritando lhe ordenara correr para casa Senão vai adoecer e sua tia põe a culpa em mim / não se esqueça da panela Debaixo do que parecia ser o céu se abrindo e fechando em questão de segundos, produzindo interferências no som apenas para não deixar escapar mais que estilhaços de ira vocálica, de imprecação escandalosa e fragmentada, e isto numa escala de som quase insuportável – brados terríveis, entrecortados, de algum deus antigo e esquecido, mas que dele não fosse aquilo resultado de nenhuma ação presente, mas apenas o eco ou memória virtual auditiva de situações remotas e incompreensíveis, sendo as falhas de voz defeitos naturais de registro, causados pelo tempo.

O bom humor do amado mestre amenizava a disciplina ensinada. Direito Comercial, árido, enfadonho, pelo menos para mim, recebia uma ducha de...

Amado mestre Carlos Romero

ambiente de leitura carlos romero cronica conto poesia narrativa pauta cultural literatura paraibana jose leite guerra correio das artes amizade recordacoes professor
O bom humor do amado mestre amenizava a disciplina ensinada. Direito Comercial, árido, enfadonho, pelo menos para mim, recebia uma ducha de verdor, quando o professor mesclava a matéria exposta com sutil anedota. Um passarinho, quase que declamava poemas, enquanto trocava sorrisos com o alunado.