Olhando os guajirus que despontam em floração na manhã umedecida, sentei-me a contemplar com imensa gratidão o raiar do novo ...

O filhote da semente

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Olhando os guajirus que despontam em floração na manhã umedecida, sentei-me a contemplar com imensa gratidão o raiar do novo dia. Ao lembrar da maciez levemente adocicada dessa fruta tão praiana, bons eflúvios de outro tempo temperaram-me o sabor com distante nostalgia.

Um dos melhores seriados disponíveis no streaming, hoje, é um longo documentário — seus oito episódios somam mais de cinco horas de info...

O ano em que a música mudou tudo

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Um dos melhores seriados disponíveis no streaming, hoje, é um longo documentário — seus oito episódios somam mais de cinco horas de informação — sobre como a música mudou o mundo no início da década de 1970 (e, verdade seja dita, como ela foi mudada por ele). 1971: O Ano em que a Música Mudou o Mundo, disponível para assinantes da Apple TV+, não é só uma série sobre música,

A era moderna da filosofia começou com Descartes, o homem que duvidou de tudo e reduziu nosso conhecimento a uma certeza principal: Cogito...

O que veio depois de Descartes

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A era moderna da filosofia começou com Descartes, o homem que duvidou de tudo e reduziu nosso conhecimento a uma certeza principal: Cogito ergo sum (Penso, logo existo). Lamentavelmente, seu racionalismo partiu em seguida para a reconstrução do nosso conhecimento, como se nada tivesse acontecido.

Depois disso, os empiristas ingleses (Locke, Berkeley e Hume) envolveram-se em processo um tanto destrutivo e arriscado, afirmando que o conhecimento humano

Não há dia melhor para uma faxina do que a Quarta-feira de Cinzas. Em uma delas, acordei com essa disposição. Curar Ressaca? Não briquei c...

Um vestido do Afeganistão

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Não há dia melhor para uma faxina do que a Quarta-feira de Cinzas. Em uma delas, acordei com essa disposição. Curar Ressaca? Não briquei carnaval. Revirar as cinzas? Talvez... O certo é que já amanheci virada entre as gavetas, guarda-roupa, pastas, arquivos... os secretos também. O que a gente acha nesses arrumações! Uma carta perdida, um postal de um lugar longínquo, um guardado qualquer, uma roupa que não serve mais, um sapato fora de moda (tem isso?), coisas inúteis que juntamos com a certeza de um dia jogarmos fora. Que bom ver sacos e mais sacos de "lixo". O tal "lixo afetivo". Criei esse nome agorinha mesmo.

No princípio era o verbo, mas o que era mesmo esse verbo? Signo, carne, luz? Dependendo da resposta que cada um venha a dar, tem-se um mís...

A palavra e o palavrão

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No princípio era o verbo, mas o que era mesmo esse verbo? Signo, carne, luz? Dependendo da resposta que cada um venha a dar, tem-se um místico, um filósofo, um escritor. Ou mesmo um indivíduo pragmático, para quem a palavra é mera subsidiária da ação. Nascemos entre signos, e o verbo nos engendra.

Sobral Pinto – Heráclito Fontoura Sobral Pinto - foi um dos heróis brasileiros do século XX. Uma das unanimidades nacionais, um dos orgulh...

Sobral Pinto

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Sobral Pinto – Heráclito Fontoura Sobral Pinto - foi um dos heróis brasileiros do século XX. Uma das unanimidades nacionais, um dos orgulhos da raça, assim como também o foram Oscar Niemeyer, Pelé, Villa-Lobos, Tom Jobim e alguns poucos outros. Um homem e um nome que se tornaram legenda, pairando por sobre as controvérsias, as querelas miúdas e contingenciais, como acontece com aquelas figuras de grandeza indiscutível, impondo-se até mesmo aos eventuais adversários.

“Quando a notícia da morte de Jurandy Moura chegou à redação do jornal, seu corpo já estava estendido na lousa como pássaro sem vida“. ...

Pássaro estendido na lousa

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“Quando a notícia da morte de Jurandy Moura chegou à redação do jornal, seu corpo já estava estendido na lousa como pássaro sem vida“. É Gonzaga Rodrigues quem revela-nos esse estado em que Jurandy se encontrava, igual a um passarinho com asas abertas recolhendo os odores derradeiros exalados da fatídica madrugada.

Eu ia escrever um texto para dizer que falhei esta semana, que falei mais do que devia, que não me dei conta de que uns amados estão mais ...

A hora de reconhecer um erro

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Eu ia escrever um texto para dizer que falhei esta semana, que falei mais do que devia, que não me dei conta de que uns amados estão mais frágeis do que eu imaginava.

Eu ia fazer um texto cheio de imagens literárias que espelhavam meu esforço incessante para manter a minha paz de espírito; o combate ao sentimento de perda e ansiedade que ameaça a mim e a todos nós; a luta diária contra a vaga sensação de tristeza e algum medo que esses tempos infiltram na gente.

Apesar da cidade estar sempre em efervescência, os moradores daquela rua são pessoas que já estão colhendo os frutos de suas lavouras do v...

Pão velho

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Apesar da cidade estar sempre em efervescência, os moradores daquela rua são pessoas que já estão colhendo os frutos de suas lavouras do viver. Por isso, a calmaria e o sentimento de comunhão lá se enraizaram.

A moradora de rua, daquele bairro, é uma senhora que gasta seu tempo observando o movimento das casas.

Na casa azul, todos os dias, filhos e netos chegam para o café da tarde.

O menino se chamava Bem-te-vi e só estivera na escola ano e meio, depois não foi mais. Também a mãe não fazia questão, preferia que ficass...

A história de Zeca Rico

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O menino se chamava Bem-te-vi e só estivera na escola ano e meio, depois não foi mais. Também a mãe não fazia questão, preferia que ficasse pela praia na travessia da balsa onde conseguia umas moedas, ou ajudando os pescadores na volta do mar, ou na cata de tainha na pesca de arrasto.

Em certa época do ano os barcos regressavam vazios, e não tinha lanço porque a tainha não vinha e também quase não havia ninguém para atravessar o rio. No entanto, ainda havia os jangadeiros que saíam pela madrugada.

Bem-te-vi avistou as jangadas chegando, correu para ajudar com os cepos e empurrar a embarcação para terra firme. Semana boa não precisava ir longe,

É exclusivo do homem, de sua composição, que o espírito, a alma, seja que nome tenha, disponha de um corpo, transmigre com ele em format...

Ser bom não lhe pesava

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É exclusivo do homem, de sua composição, que o espírito, a alma, seja que nome tenha, disponha de um corpo, transmigre com ele em formato próprio, peculiar entre bilhões e bilhões, visível e tátil aos demais sentidos. Corpo, forma distinguível, aparência, mas dependendo desse espírito, guiado e caracterizado por ele.

VOCÊ ESTÁ ESCREVENDO UM ROMANCE – AQUI “A BATALHA DE OLIVEIROS” (com que peguei o Prêmio INL - Instituto Nacional do Livro, 1988) – QUAN...

Tudo se repete

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VOCÊ ESTÁ ESCREVENDO UM ROMANCE – AQUI “A BATALHA DE OLIVEIROS” (com que peguei o Prêmio INL - Instituto Nacional do Livro, 1988) – QUANDO SEU PROTAGONISTA – OLIVEIROS – conversando com o pai, DIZ QUE NÃO CONSEGUE SUPERAR A ANGÚSTIA DE – PRESO POR MIL DÚVIDAS - não TER acompanhado O IRMÃO – ROLDÃO – NA GUERRILHA DO ARAGUAIA. DE REPENTE VOCÊ NÃO FAZ MAIS DO QUE DIGITAR O QUE OUVE ESSE PAI (com tipo que me evocou Freud) DIZER:

Bom, você pode enxugar o texto imenso do conhecimento, eliminando-lhe as repetições. O incêndio de Moscou em “Guerra e Paz” é o mesmo de Atlanta em “E o Vento Levou”? Reduza os dois a um só. Branca de Neve morde a maçã proibida, como Eva, e se transforma na Bela Adormecida?! Faça isso de novo. E o gentil robô dourado de “Guerra nas Estrelas” – o C3PO – é o mesmo deslumbrante cyborg do “Metrópolis” de Fritz Lang? “O Grito do Ipiranga”, do Pedro Américo, é a mesma cena eternizada pelo Meissonier, no mesmo ano, com Napoleão em Friedland, no lugar de Pedro I no Ipiranga, com quase os mesmos cavaleiros ouriçados ao redor? O início da “Eneida” de Virgílio - “Canto as armas e o varão”... ecoa nos “Lusíadas”? “As armas e os varões assinalados”?

Charles Rhoades Senior se descobre com insuficiência renal grave e precisa de um transplante urgente, se quiser continuar vivendo. O probl...

O Clássico: lição para a vida

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Charles Rhoades Senior se descobre com insuficiência renal grave e precisa de um transplante urgente, se quiser continuar vivendo. O problema é que o hospital não o vê como candidato para um transplante elegível, tendo em vista a sua longa vida de desregramento na bebida e nos charutos. Seu filho, Chales Rhoades Junior, Chuck, não é compatível como doador. Seus outros filhos, fora do casamento, também não o são.

“O tempo do movimento” é um projeto concebido pelo artista visual paraibano João Lobo. Desenvolvido ao longo de três anos de dedicação ini...

João Lobo e os pilares da criação

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“O tempo do movimento” é um projeto concebido pelo artista visual paraibano João Lobo. Desenvolvido ao longo de três anos de dedicação ininterrupta, o trabalho resultou num pacote surpresa que será desembrulhado em momento oportuno. No combo vem um filme, uma exposição fotográfica e uma intervenção pública. Para concretizar isso, o paraibano — que há sete anos mora em Lisboa — mobilizou uma equipe para coadjuvá-lo, furou a burocracia lusitana, a ponto de chegar a acoplar uma câmera de alta resolução na locomotiva de um comboio, e por vários meses monitorou e armazenou as imagens que deram lastro e forneceram matéria-prima para a formatação desse empreendimento artístico de grande porte.

Para se ter uma ideia da grande sacada desse paraibano que coleciona prêmios nacionais e internacionais, a câmera de alta resolução foi colocada na frente da locomotiva “com o obturador aberto, e em todo o percurso ela faz uma só foto, um filme congelado numa única imagem”. A revelação de João Lobo queimou meu HD de imediato, porque não entendo nada desse negócio de jogar pedra na lua, e acertar. Arrastando os vagões de sua imaginação irrequieta e criadora, Lobo promete para breve a concretização da segunda etapa da obra, aquilo que ele chama de intervenção pública. Trata-se de um painel de 50 metros de comprimento por 5 de altura, ao longo de um viaduto de Lisboa. “Nesse painel eu inverto o processo cinematográfico”, explica João. Em outras palavras, ele quis dizer que a imagem é quem contempla o espectador. O cidadão vem no seu carro em movimento e, à medida em que avança, a imagem estática se reveste de ânimo, se movimenta.

No cinema, são necessários 24 quadros por segundo para se criar a ilusão do movimento. No caso do painel, o espectador a bordo do seu automóvel em velocidade é que faz o papel dos fotogramas.
Enquanto o observador se desloca para a frente, as fotografias do conjunto do painel provocam neste a ilusão do movimento. A impressão que se tem a seguir é de que há uma pessoa andando ao pé de um muro. Pois bem, essas fotos têm as digitais da pata do Lobo. A originalidade de tal criação desponta como nitroglicerina pura e cria uma expectativa nos meios artísticos, sobretudo dos patrocinadores. Isso naturalmente fritaria os neurônios dos irmãos Lumière, pioneiros do cinema, que conceberam a primeira projeção comercial da história, em Paris, com o célebre filme mostrando a chegada de um trem à estação.

Em entrevista concedida recentemente a Abelardo Jurema Filho, da TV Master, João Lobo detalhou alguns aspectos de sua vida como artista visual em Lisboa e a receptividade por parte do público daquele país à sua produção, como ocorreu em relação à recente exposição “Do outro lado”, reunindo fotógrafos de várias nacionalidades. João demonstra uma inquietude típica dos grandes criadores, de caras que desenvolvem ideias mirabolantes e vez em quando convence algum produtor igualmente maluco que o financia e faz a maluquice se tornar realidade. Isso aconteceu em 2019, em Brejo do Cruz, com uma mostra de fotografias do seu acervo projetadas diretamente na Pedra da Turmalina, uma formação granítica de 300 metros de altura e a mais de um quilômetro e meio de distância da cidade.

Nessa noite teve de tudo na terra do saudoso advogado Avany Maia, pai do artista, que não chegou a ver o filho João dinamitando a cidade. A primeira atração do performático João Lobo foi uma explosão mecânica seguida da aparição de Nossa Senhora, a padroeira da cidade projetada no paredão de pedra, cartão postal da cidade. Na torre da matriz os sinos tocavam e as fotografias uma a uma iam se refletindo em tamanho gigantesco na superfície do rochedo, enquanto a população levitava ouvindo os solos dilacerantes da guitarra de Alex Madureira. Depois veio o tsunami musical da Orquestra Sinfônica da Paraíba sob a varinha de bruxo que os deuses colocaram na mão do maestro Luiz Carlos Durier. Uma verdadeira apoteose. Há quem afirme ter escutado tiros de canhões, como na Abertura 1812 , de Tchaikovsky, mas foi o efeito de um baseado. Nessa noite só faltou chover. O senhor Barão, prefeito da cidade à época, ia pedir mais esse favorzinho a João Lobo, e acabou esquecendo.

“Os fotógrafos dizem que não sou fotógrafo, os cineastas dizem que eu não sou cineasta, e os artistas plásticos dizem que eu não sou artista plástico. O meu trabalho não tem uma personalidade e isso me agrada de certo modo, porque eu não estou preso a nenhuma escola, a nenhum tipo de segmento artístico. A minha produção é livre, espontânea, e diante disso eu procuro renovar e inovar a linguagem tanto da fotografia, como do cinema e das artes visuais como um todo”. A afirmação de João Lobo é para ser escrita no bronze, no granito, pois ela demonstra a dignificação da arte em todos os seus aspectos, sobretudo no tocante aos estatutos da originalidade, da independência e da sua capacidade de transgredir, de renovar, de ser universal. Cometer arte, na lente objetiva do filho de dona Jandira, é não ser candidato a nada, nem a vereador, não ficar refém de nenhum cânone estético, seja na forma, seja no fundo. Assim deve se portar o artista, livre dessas amarras, para poder subverter a ordem e renovar, desafinar o coro dos contentes e ser gauche na vida, como diria o poeta Carlos Drummond de Andrade.

Naquela manhã de setembro de 2018, nos gloriosos dias pré-covid 19, verão em Lisboa, a cidade abarrotada de turistas, encontrei João Lobo flanando pelo calçadão às margens do Tejo. Ele pisava sobre as enormes letras dos versos de Fernando Pessoa. “O Tejo não é maior que o rio que corre pela minha aldeia, porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia”. Dali entramos no Mosteiro dos Jerônimos, e eu levei uma facada e um tiro de doze quando me deparei com o túmulo de Luiz Vaz de Camões. Fiquei emocionado. E ali, entre as colunatas e os arcos daquele belíssimo exemplar da arquitetura manuelina, aos pés do mausoléu seiscentista, João se meteu a declamar um soneto do autor de Os Lusíadas. Quando já ia no segundo quarteto, uma senhora se aproximou, pedindo silêncio. Camões não deve ter gostado da interrupção. Nem eu. Rap*riga.

Texto escrito por Sérgio de Castro Pinto e Joaquim Inácio Brito O adágio “Quem canta os seus males espanta” já diz bem da função terap...

Sopros musicais do coração (médicos-compositores)

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Texto escrito por Sérgio de Castro Pinto e Joaquim Inácio Brito

O adágio “Quem canta os seus males espanta” já diz bem da função terapêutica da música, embora o Barão de Itararé, sempre nadando contra a corrente, tenha parodiado esse provérbio numa quadrinha bastante divulgada:

“Quem canta os seus males espanta, Diz o dito popular. Eu canto, dói-me a garganta E os males voltam ao lugar”.

Brincadeiras à parte, o certo é que a música serve de antídoto e de anestésico para neutralizar os males decorrentes, sobretudo, do amor. Do amor traído, bandido,

Este é um momento em que devemos ter fome da verdade. Para isso é necessário nos blindarmos contra a técnica utilizada pela grande mídia o...

Precisamos ter fome da verdade

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Este é um momento em que devemos ter fome da verdade. Para isso é necessário nos blindarmos contra a técnica utilizada pela grande mídia objetivando causar um curto-circuito na nossa consciência crítica, explorando o aspecto emocional. Termos o cuidado de não permitir que nossas mentes sejam moldadas de acordo com os interesses nefastos de veículos de comunicação que se apresentam como instrumentos de manipulação das massas. Buscar compreender o que pode estar por trás da produção da noticia, enxergar as mensagens sublimares que ela contem, perceber o que se intenciona transmitir nas entrelinhas.

Em minha visão particular, diria que Carlos era o exemplo de um homem feliz. Soube amar e ser amado. Além de nortear a existência por princ...

O cronista de Deus e da Natureza

Em minha visão particular, diria que Carlos era o exemplo de um homem feliz. Soube amar e ser amado. Além de nortear a existência por princípios que deram sentido e densidade a todos os seus dias. Podia descobrir, no menor fato do cotidiano, um grande acontecimento e assim alimentar constantemente sua alegria de viver. Sem dúvida, encontrou “a paz do coração” que, segundo Platão, “é o paraíso dos homens”.

Do alto do tempo olho o mundo, imenso mundo de universos desdobrado em universos. O mundo é globalizado mas o longe ainda é longe. Meu T...

Uma vovó amiga te espera

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Do alto do tempo olho o mundo, imenso mundo de universos desdobrado em universos. O mundo é globalizado mas o longe ainda é longe.

Meu Théo, de 13 anos, de malas prontas para ganhar o palco do mundo começando por si mesmo. Um pai, hoje de altura quase igual, ensinando a fazer barba, a dar nó na gravata. A mãe organizando a mudança em malinhas de mão e malões para várias estações.

Do livro a ser lançado sobre nossa juventude, extraí esse momento. Tratando dos jogos da primavera conto o mais incrível dia do esporte da...

Finalmente a confirmação

Do livro a ser lançado sobre nossa juventude, extraí esse momento. Tratando dos jogos da primavera conto o mais incrível dia do esporte da Paraíba em todos os tempos. Começo com a apresentação de Rogeraldo Campina, que estava a zero em grana para assistir aos jogos. Tanto pediu ao técnico Remo, do time de basquete do colégio Getúlio Vargas, que foi inscrito como último reserva, já que atletas entravam de graça.

Sempre que o time ia a campo as torcidas de todas as escolas se uniam num grito só:" - Bota Campina, bota Campina". Porém o destino tecendo as trapaças da sorte fez com que na partida final o Getúlio Vargas enfrentasse o colégio Lins de Vasconcelos, franco favorito. Naquela noite a multidão rugia:"- Bota Campina". E deu-se que faltando um minuto para acabar o jogo (que estava empatado) todos os titulares já haviam sido expulsos e substituídos pelos reservas.

Um tributo a Walt Whitman e Vaughan Williams “O mar é para mim um milagre sem fim: os peixes nadando, as pedras, o movimento das onda...

A Sinfonia do Mar

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Um tributo a Walt Whitman e Vaughan Williams

“O mar é para mim um milagre sem fim: os peixes nadando, as pedras, o movimento das ondas, os navios que vão com homens dentro — existirão milagres mais estranhos?”... Com poucas palavras e muita poesia, Walt Whitman descreve os fabulosos mistérios desta maravilha aquática, a “sopa primordial”, que, segundo o biólogo Aleksandr Oparin, deu origem às formas de vida na Terra.

Perdón quando procuro teu perdão estou procurando um indulto para sandices e tolices que se agarram nos cabelos do mar mas a...

Sempre existe um oásis

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Perdón
quando procuro teu perdão estou procurando um indulto para sandices e tolices que se agarram nos cabelos do mar mas a maresia corrói outros medos e as raízes de teus cabelos, mais profundas: não vem e vão, como as ondas do bessa : se mantêm firmes

Os governadores todos, eles todos, sem exceção, sabem perfeitamente que estão perdendo o tempo em querer modificar a natureza desse presid...

Pau que nasce torto...

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Os governadores todos, eles todos, sem exceção, sabem perfeitamente que estão perdendo o tempo em querer modificar a natureza desse presidente que, num equívoco da maioria de cabeça feita pela Globo, o Brasil elegeu.

O erro já vinha de trás, quando o PT, na ambição de se manter colado na cadeira, guarnecido de meios para garantir sua política, lançou mão de uma mulher sem jogo de cintura, dura para sentar na cadeira mais demandada e

Não perco muito do meu latim com o futebol, há longo tempo. A bem da verdade, nunca fui um desses torcedores apaixonados a ponto da arenga...

Fora de jogo

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Não perco muito do meu latim com o futebol, há longo tempo. A bem da verdade, nunca fui um desses torcedores apaixonados a ponto da arenga em ambiente doméstico, ou público. Torço, moderadamente, por três times: o Santa Cruz do Recife, o Fluminense do Rio e o Modena de Pilar.

Datam de 1980 meus últimos ingressos em estádios e, mesmo assim, por dever do ofício. Foi uma época na qual eu era solicitado a cobrir para “O Globo”

Saímos de Roma Itália afora, em direção à Toscana. A nossa viagem estava sendo muito agradável, circulando por estradas vicinais alter...

Breve passeio pela Toscana (Parte II)

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Saímos de Roma Itália afora, em direção à Toscana. A nossa viagem estava sendo muito agradável, circulando por estradas vicinais alternando com as auto-estradas. Viajávamos ao som das músicas que havíamos comprado em Roma, na maior parte rock italiano dos anos ‘50 e ‘60. Lembro-me muito bem de Luglio, Legatta a un Granello di Sabbia , Roberta, Aprite le Finestre, Nella Vecchia Fattoria,

Flora a aurora lá fora, brilha o sol entre flautas e plumas. A acolher o orvalho que nos envolve, a colher o pensamento que nos move. O d...

Lourdes Araújo e seu florescido ninho de amor e vida

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Flora a aurora lá fora, brilha o sol entre flautas e plumas. A acolher o orvalho que nos envolve, a colher o pensamento que nos move. O dia sopra o tempo a favor do vento, feito um rio a caminho do mar.

O bordado da água acalma a alma, anunciando o finzinho do friozinho que enche de ternura e agasalha nosso formidável inverno de incontidos versos campinenses.

Só assim será possível atravessar o azul com o doce perfume da primavera, quando se aproxima e renasce na tarde crescente do horizonte. Retrocede e segue o vento a enrugar a nuvem em fuga, enquanto sangram noturnos em rasgos de luz.

Borborema rainha, também alma minha e mar do meu olhar: bem ali, ao redor do Açude Velho, onde o silêncio cavalga pelo agreste das águas. Sagrada jornada desenha infinitas calçadas que compõem e regem esses afetuosos gestos em aconchegantes lares da cidade.

Sobre eles, um sincero e meigo olhar se faz abordar e brotar nos fabulosos arredores da Prata, entre as ruas Paraguai e Duque de Caxias, em meio a melhores e bem guardadas memórias que espelham e espalham a paisagem da infância. Lugar onde Lourdes construiu, ao lado do seu amado Franklin Araújo, seu ninho permanente de amor e vida.

Bem agora, nessa hora, me vejo voltando e envolto à sua formosa e elegante presença, por meio das mãos queridas de Maura Ramos, pela feliz lembrança de meus tios Onélia e Antônio Arruda ou pela fraterna convivência com Tarcísio, Germana, Marcílio, Fernanda, Neto, Luciana, Maurício, todos Araújo, e com meus primos Izabel, Anamélia e Marcos Arruda, em torno desses anos todos.

Reencontrar tão estimada Dona Lourdes é sempre estar de volta ao passado, onde é possível alcançar as belas janelas do coração. Porque desfolhar o tempo é renascer por dentro, assim, dessa maneira, desse jeito, tão próximo a cultivar preciosos jardins, como o faz, verdadeiramente, o encantado e extraordinário dedo de Deus.

99 anos de uma vida bem vivida. São e serão afetivos e efetivos anseios e ensejos para amar o sublime olhar dessa firme e maravilhosa, solidária e dadivosa figura humana, mulher, esposa, mãe, avó, bisavó e melhor amiga dos amigos queridos.

No auge de completar em vida o seu sublimado centenário, tão logo à vista, tão pertinho assim, ela é exemplo maior de amor à vida para todos nós. Isso sem contar, em segredo, que sou um dos seus maiores e orgulhosos fãs. Desde sempre, a vida inteira.

"AMANHÃ EU FAÇO", era o que estava escrito na plaquinha torta pendurada na parede do seu quarto. Foi um presente que ganhou quan...

O procrastinador

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"AMANHÃ EU FAÇO", era o que estava escrito na plaquinha torta pendurada na parede do seu quarto. Foi um presente que ganhou quando era adolescente, mas até hoje ainda não agradeceu.

Sua tendência a “deixar pra depois”, começou ainda na barriga da mãe. Segundo o prontuário médico sua gestação foi de 44 semanas, fato inédito que intrigou e chocou a Sociedade Internacional de Obstetrícia. Houve acusações de erro médico, mas depois de muito estudo, exames e discussões acaloradas,

Escrever é um ato solitário, requer silêncio e meditação, entretanto ao final é prazeroso o produto desse isolamento, mesmo sabendo que sã...

Os leitores de cada dia

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Escrever é um ato solitário, requer silêncio e meditação, entretanto ao final é prazeroso o produto desse isolamento, mesmo sabendo que são poucos os leitores. Somos leitores de nós mesmos, manuseadores de nossos próprios livros.

Uma vez Ariano Suassuna falou que se dava por satisfeito sabendo que seus livros tinham sido lidos por uma pessoa. Dizia isso para demonstrar quanto apreço tinha pelos livros,

1 - Eu, candidato pelo PT? Jamais seria eleito para o governo do estado, Derly: O que a oposição argumentaria para o povo, depois de cont...

Biografemas

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1
- Eu, candidato pelo PT? Jamais seria eleito para o governo do estado, Derly: O que a oposição argumentaria para o povo, depois de contar que fui à casa do José Américo de Almeida dizer a ele que A Bagaceira, tido como o romance que livrou a literatura brasileira da inglesa, foi feita em cima do Hamlet, e que ele foi o autor intelectual da morte de João Pessoa, e que escrevi um livro com a tese de que Jesus nunca existiu, e que perdi tudo que tinha e o que não tinha num longa-metragem chamado “O Salário da Morte”?: “É doido!”

A História revela que nenhuma teoria científica nasceu completa. Por mais bem elaborada que tenha sido é submetida a revisões periódicas ...

Evolução centrada nos genes

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A História revela que nenhuma teoria científica nasceu completa. Por mais bem elaborada que tenha sido é submetida a revisões periódicas ou revogada totalmente. Neste aspecto, é costume dizer que, em Ciência, não há o “sempre” nem o “jamais”. Percebemos, no entanto, que se há assuntos facilmente resolvidos pelos estudos científicos, tal não ocorre com outros. Entre estes, o tema evolução se enquadra perfeitamente,

1 O individualismo é a verdadeira religião universal. Como o indivíduo não se liga a grupos, credos, partidos, não exclui ninguém; está s...

Croquis (2)

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O individualismo é a verdadeira religião universal. Como o indivíduo não se liga a grupos, credos, partidos, não exclui ninguém; está sempre aberto a todos. Mas o individualismo, ressalte-se, é diferente do egoísmo. O egoísta tende a recusar os outros. O individualista, não.

Reconheço que é um tema delicado. Corre-se o risco de parecer elitista, tal como ocorre em qualquer análise que aponte males – ou problema...

O inferno de Sartre

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Reconheço que é um tema delicado. Corre-se o risco de parecer elitista, tal como ocorre em qualquer análise que aponte males – ou problemas — decorrentes da massificação em qualquer setor da vida social. Para muitos, talvez a maioria, a massa tornou-se um valor por si mesma, depositária de virtudes absolutas e imune a quaisquer críticas. Decorrência provável do apreço cada vez maior – no mundo ocidental — à democracia generalizada, também esta convertida em valor por si mesma. Não vamos entrar nessa discussão por falta de espaço, de preparo e de ânimo. Mas é claro que vejo – ou intuo – as dificuldades advindas da absolutização do que talvez seja – ou deva ser – apenas relativo.

Quebrei uma ponta do dente da frente. Primeiro, foi o susto e depois, ao olhar no espelho, enxerguei um buraco negro do tamanho do mundo. ...

Um grande pequeno problema

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Quebrei uma ponta do dente da frente. Primeiro, foi o susto e depois, ao olhar no espelho, enxerguei um buraco negro do tamanho do mundo. Não havia nada a fazer às 23 horas de uma sexta-feira. Mesmo tendo a melhor dentista e amiga, nunca a incomodaria em tal horário.

Pesarosa, fui dormir. Mas, todos conhecem os pensamentos ruins que surgem nas madrugadas. Comigo não foi diferente. Imaginava que o dente quebrado não teria como ser consertado, teria que fazer um implante. A causa provavelmente era a velhice, que fatalmente enfraquecia os ossos. Ou era deficiência de uma das vitaminas A, B, C, D, ou E... sei lá. Era falta de cálcio. Porque não tomei leite, que detesto, ou comi peixes, brócolis, agrião, acelga?

O filme Uma Casa à Beira-mar ( La Villa , França, 2017), tem início com um homem que, sozinho na varanda, contempla o cenário idílico da...

Uma Casa à Beira-mar, Petrônio Souto e o tempo

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O filme Uma Casa à Beira-mar (La Villa, França, 2017), tem início com um homem que, sozinho na varanda, contempla o cenário idílico da paisagem marítima do sul da França. Seu êxtase e silêncio diante daquela paisagem também nos invade. Imerso na beleza do lugar, o senhor idoso se inundará também de sangue ao extremo. Sofre um acidente vascular cerebral e emudece. Literalmente.

O Afeto era jovem e belo, talvez um pouco triste... e, passando para além de suas serras, encontrou a Criatividade, com um sorriso maroto....

O afeto e a criatividade

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O Afeto era jovem e belo, talvez um pouco triste... e, passando para além de suas serras, encontrou a Criatividade, com um sorriso maroto. “O afeto está sempre à deriva” (Lacan). O amor estendeu o laço e o irmão autorizado abençoou. A simplicidade foi convidada para juntos, constituir uma família, baseada nos princípios morais e religiosos. O acordo assinado incluía a felicidade do estar junto, dividir um sonho, não querer o que além do possível fosse... “A sabedoria não existe na razão, mas no amor” (André Gide).

Numa fresca manhã de outono do ano de 79 d.C., o vulcão Vesúvio acordou de um prolongado sono de mais de 500 anos. Aos seus pés, florescia...

Um invisível brinde à vida

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Numa fresca manhã de outono do ano de 79 d.C., o vulcão Vesúvio acordou de um prolongado sono de mais de 500 anos. Aos seus pés, floresciam vinhas e uma pequena cidade voltada para as alegrias da cama e da mesa: Pompeia. Em poucos minutos, fogo e cinzas sepultaram copos de vidro, jarras coloridas, estátuas de jardim e pães recém-saídos do forno. As casas decoradas com mosaicos e afrescos tornaram-se o túmulo de milhares de habitantes da cidade que cultuava dois mundos – o da morte e o dos prazeres.

O que dizer daquelas almas artísticas mais operosas, abundantes na história da Arte ocidental e que, mais do que avanços artísticos, firma...

A visão das baleias douradas

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O que dizer daquelas almas artísticas mais operosas, abundantes na história da Arte ocidental e que, mais do que avanços artísticos, firmaram marcos civilizacionais que até hoje, representam um legado cultural de quase transcendência, encerrados que estão em grandes museus quais ícones em templos sagrados, enfileirados em seus nichos e à espera dos indecisos fieis que venham preencher parte do vazio deixado em suas almas por um cristianismo soterrado de contradições? De Giotto a Grunewald, dos Brueguel a Reembrandt, passando por Ticiano e Velásquez, para citar alguns, é razoável supor terem esses abnegados, em algum momento de seus percursos de aprendizado para os cúmulos da maestria, formatado internamente seu amálgama de conceitos pelo somatório de um conjunto de impressões sobre tendências gerais traduzidas e personalizadas, e intimamente acrescidas de novas contribuições subjetivas, fazendo brotar através das referidas obras, num jorro de lava, fulgor mais ou menos incandescente, e esse processo, condensado numa crisálida formal, eclodido para tornar-se o novo basalto, a nova matéria e plataforma atualizada de um novíssimo trato civilizatório.

A calçada é ou era uma extensão da casa, feita e conservada pelo proprietário, mas de uso garantido e disciplinado pelas Posturas Municipa...

A calçada e a porcelana

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A calçada é ou era uma extensão da casa, feita e conservada pelo proprietário, mas de uso garantido e disciplinado pelas Posturas Municipais. Temos uma Lei de Posturas sancionada há 26 anos pelo então prefeito Francisco Monteiro da Franca.

Lembrei-me da existência dessa lei ao descer do carro, esta semana, no início da Pedro I, logo atrás do Palácio do Carmo, e ser impedido de tomar a calçada. Não existe calçada, toda ela, de uma esquina a outra, um farelo esburacado, destroçada pelo abandono, reduzida a um montão de cacos, ínvia como diria a mais catedrática titular do português

Hoje, domingo pela manhã, acordei cedo e fui caminhar na orla, como é de costume. Antes de voltar para casa fui ao supermercado comprar b...

Sonho de uma manhã de verão

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Hoje, domingo pela manhã, acordei cedo e fui caminhar na orla, como é de costume. Antes de voltar para casa fui ao supermercado comprar banana, minha fruta preferida. Aproveitei para comprar ricota, presunto de parma, um vidrinho de molho de caponata e um vinho tinto português. Depois de fazer a limpeza habitual dos alimentos por causa da pandemia e logo após o banho, preparei um coquetel de tequila Jimador com Le Jirop de Monin de gengibre, um xarope francês e suco de um limão. Preparei os ingredientes, fui para a sala de visitas e liguei o YouTube na minha TV. Imediatamente sintonizei o vídeo de Chico César

O suicídio é uma atitude condenável há muito tempo. No mais das vezes, por razões religiosas. No Fédon (Φαίδων), Platão é incisivo quando...

Platão, Calímaco e o suicídio

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O suicídio é uma atitude condenável há muito tempo. No mais das vezes, por razões religiosas. No Fédon (Φαίδων), Platão é incisivo quando trata do assunto e põe na boca de Sócrates, personagem do diálogo, a afirmação de “dizerem o suicídio não ser permitido pela lei de Thêmis”, lei que servia a regular as ações dos deuses e dos mortais (οὐ γάρ φασι Θεμιτὸν εἶναι, 61c). Se o suicídio é proibido, porque, então, Sócrates se suicida? Há, pelo menos, três explicações para o fato: o Fédon não foi lido; o diálogo foi lido, mas não foi entendido; apesar de lido e entendido, prevaleceu a simplificação – Sócrates tomou a cicuta, então, ele suicidou-se.

No meio da manhã as lágrimas da noite chuvosa já haviam secado na praça. O vento espiçava com força suave seus tentáculos fortes e invisív...

Viagens instantâneas

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No meio da manhã as lágrimas da noite chuvosa já haviam secado na praça. O vento espiçava com força suave seus tentáculos fortes e invisíveis sobre a grama, os balanços, os bancos de pedra e os galhos das mais altas árvores. No mais, era o silêncio. Uma paz ruidosa que se fazia presente em embalagens plásticas que rolavam sobre a calçada de cimento, nas folhas arrastadas aqui e acolá, no motor a impulsionar um veículo distante que se afastava cada vez mais até se perder do alcance dos ouvidos. E tão importante, a tranquilidade poderosa da voz do rádio a cantar mitologias, sertões, filosofias, pulsações. Zé Ramalho evocando deuses, mitos e sonhos delirantes e reais de Brejo do Cruz, do mundo anterior e interior em expansão.

Estreia amadurecida a de Antônio Mariano no gênero romance. E amadurecida porque “Entrevamento” (Kotter Editora, Curitiba, 2021) tem como...

Uma estreia amadurecida

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Estreia amadurecida a de Antônio Mariano no gênero romance. E amadurecida porque “Entrevamento” (Kotter Editora, Curitiba, 2021) tem como lastro, como suporte, o contista de “O Dia em que comemos Maria Dulce”. Quer dizer, Mariano não é um neófito em termos de ficção, pois a sua experiência vem de longe.

Por outro lado, se o conto e o romance são gêneros distintos, isso não quer dizer que sejam antípodas, que deixem de possuir algumas afinidades, tanto que o narrador carreia para o interior de “Entrevamento” alguns recursos estilísticos comuns aos dois gêneros. Mas nesse romance também está presente a poesia, uma vez que todos os gêneros se consorciam e conjugam esforços para a conquista de um objetivo comum: o de emprestar ao texto um caráter polifônico, múltiplo, regido por muitas e diversas vozes. Aqui, cabe não esquecer a tendência açambarcadora do romance, a sua pretensão de “oferecer uma imagem total do universo”.

Tempos atrás escrevi nesta coluna uma manifestação de protesto em desagravo a uns vizinhos que tinham vindo morar aqui ao lado. Entre eles...

Saborosa corrupção

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Tempos atrás escrevi nesta coluna uma manifestação de protesto em desagravo a uns vizinhos que tinham vindo morar aqui ao lado. Entre eles e os aqui de casa apenas um muro fazendo fronteira. Do outro lado, uma menina que chorava dez horas por dia e um galo que começava cantar as três da matina. Nem duraram seis meses e Deus deve ter ouvido minhas fervorosas preces e ajeitou para que eles se mudassem. Desapareceram. Bernadete, a menininha, deve estar arrastando suas manhas noutras vizinhanças; já o galo... Se não virou um guisado deve estar atormentando outras gentes, em outras freguesias. Ufa!