"Aquele anjo velho, lembrando um norueguês com asas, havia caído no intramuros do alambrado “e as galinhas o bicavam ...

Um homem sobressaltado pelas paixões

"Aquele anjo velho, lembrando um norueguês com asas, havia caído no intramuros do alambrado “e as galinhas o bicavam em busca dos parasitas estelares que proliferavam nas suas asas”

A epígrafe que encabresta essa conversa foi extraída do conto “Um senhor muito velho com umas asas enormes”, de Gabriel García Márquez e grifada por Demétrio Diniz, com lápis marca-texto, em 17 de maio de 2010, dia do meu aniversário. O livro era “A incrível e triste história da cândida Erêndira e sua avó desalmada”, catalizador do realismo mágico, estilo que lastreou toda a produção literária do escritor colombiano. Lá se vão, portanto, doze anos do presente, e tudo ainda está muito verde em minha memória: a saudade do amigo, o livro como um indicativo de rota, plano de voo realizado por ele e a mim repassado como modelo. 0 deserto empestado de contrabandistas, missionários, índios, piratas, foragidos e garimpeiros, todos na maior secura por Erêndira, a garota acorrentada a uma cama e transformada em escrava sexual pela própria avó sem coração.

Uma sombrinha. Mero objeto perdido no último sábado no Mercado Central. Ela escolhendo banana e laranja. Soltou o amparo e se deixou ...

Sombrinha

conto feira livre chuva
Uma sombrinha. Mero objeto perdido no último sábado no Mercado Central. Ela escolhendo banana e laranja. Soltou o amparo e se deixou o olhar se encantar com as frutas bem nutridas. Saiu. A chuva recolhida nos pedaços de nuvem sem pingos. Só ameaça. Dona Maria, me dê um bago. Ela surda, pisando o chão lavado pela chuvarada, contando as notas restantes do auxílio, a evitar as poças coalhadas aqui, ali. Carne?' Nem pensar. Cara. A cara de d. Maria era envelhecida, esburacada, franzida. Arrisco, se muito quarenta anos de pobreza.

Estava escrevendo para hoje motivado pela criação da Secretaria do Meio Ambiente, quase no mesmo dia em que a TV Cabo Branco serviu, no ...

Fim feliz

paraiba joao pessoa historia porto capim
Estava escrevendo para hoje motivado pela criação da Secretaria do Meio Ambiente, quase no mesmo dia em que a TV Cabo Branco serviu, no café, a ruína, desde muito exposta, do lugar descrito como nosso Ponto Zero, o Porto do Capim. Porto que serviu à fundação, ao estabelecimento da cidade com o desembarque e embarque de seus possuídos até 1932, quando Gratuliano Brito inaugurou o de Cabedelo.

Depois que retornou da Paraíba, onde esteve em fevereiro de 1638, Maurício de Nassau decidiu aprontar no Recife uma armada com o objeti...

A grande batalha naval que aconteceu no litoral da Paraíba

invasoes holandesas
Depois que retornou da Paraíba, onde esteve em fevereiro de 1638, Maurício de Nassau decidiu aprontar no Recife uma armada com o objetivo de conquistar Salvador. Segundo o historiador Evaldo Cabral de Mello, Nassau teria se convencido de que mesmo tendo expulsado as forças de resistência para a margem direita do rio São Francisco e, em seguida, varrido-as também de Sergipe, a “gente de guerra” se deslocara para a Bahia, de onde o Governo-Geral do Brasil continuava “fomentando as incursões devastadoras dos campanhistas luso-brasileiros” o que “representaria uma ameaça permanente, a menos que a Bahia fosse igualmente conquistada”.

Há pouco mais de 20 anos, nós, povo brasileiro, éramos conhecidos por nossa bonomia, por sermos um povo cordato e alegre, independente ...

Antagonismo infeliz

Há pouco mais de 20 anos, nós, povo brasileiro, éramos conhecidos por nossa bonomia, por sermos um povo cordato e alegre, independente de quaisquer questões. Éramos um povo brincalhão que exaltava a mulata, que fazíamos piada com o gordo, com o magro, com o míope, com o gay e com o machão. Porém as piadas, as troças não eram para machucar, apenas para tornar a vida divertida.

Os riscos dos movimentos em ballet das nuvens constroem a cenografia para as avoantes de todas as formas e origens, biológicas ou ...

Céus, voos e pousos

ceu altura sonho nuvens
Os riscos dos movimentos em ballet das nuvens constroem a cenografia para as avoantes de todas as formas e origens, biológicas ou tecnológicas. O céu é um imenso palco em constante espetáculo mutável. O azul em multitons, o branco e o cinza formados pelos blocos de enevoamentos em caminhada como romaria ao sabor dos ventos, o negro tempestuoso ou o breu noturno. E ainda os alaranjados efeitos especiais declarando o início do dia ou a proximidade da noite. Sem contar a caixa de lápis de cor aberta pelas curvas dos arco-íris em ligação de dois pontos e como mensageiros aos homens: todas as cores importam.

Eu sou um cara que não sou adepto dessas modernidades. Outro dia vi numa rede social um homem grávido — que negócio mais estranho, pode...

O Pesadelo!

pesadelo casamento
Eu sou um cara que não sou adepto dessas modernidades. Outro dia vi numa rede social um homem grávido — que negócio mais estranho, pode ser normal para os outros, mas para mim! Não tenho nada contra. Cada um faz o que bem entende do seu corpo e da sua vida. Mas que é estranho, eu acho.

Resolvi fazer uma visita ao centro de João Pessoa, motivado pela leitura do livro A primeira rua da capital paraibana , de Guilherme G...

Itinerário afetivo

joao pessoa centro historico
Resolvi fazer uma visita ao centro de João Pessoa, motivado pela leitura do livro A primeira rua da capital paraibana, de Guilherme Gomes da Silveira d'Avila Lins, meu amigo e confrade da Academia Paraibana de Letras. Menino, andei muito por aquelas ruas, levado pelo meus pais, em passeios ou obrigações. Adolescente, trabalhando como ajudante de serviços gerais, no escritório de um dos cunhados, situado à rua do Riachuelo, o centro da cidade virou para mim um conhecido íntimo, no vaivém das idas aos Correios, bancos e entregas de mercadorias, nas várias artérias que cortam o velho centro histórico. O livro de Guilherme me renovou a vontade de retornar ao centro e percorrer a Rua Nova, hoje General Osório, a primeira rua, que dá título a seu livro.

Ó praia, praia bela! quanta paz te traz a chuva… Ninguém lembra como dantes por aqui te encontraram como dantes te mostravas ...

Na manhã iluminada

poesia mar rocha germano romero
Ó praia, praia bela! quanta paz te traz a chuva… Ninguém lembra como dantes por aqui te encontraram como dantes te mostravas ao tempo em que vivias no silêncio da neblina. Decerto como agora sob os pingos que te caem Que tapete tão macio essa areia umedecida… Que aroma cheio de vida têm as algas que te bordam

Evita morreu de câncer aos 33 anos e seu corpo foi mantido num sistema de embalsamento contínuo à espera do término da construção do ...

Coitada de Eva Perón

eva evita juan peron misterio
Evita morreu de câncer aos 33 anos e seu corpo foi mantido num sistema de embalsamento contínuo à espera do término da construção do mausoléu, o que não ocorreu porque o General Aramburu “destronou” Juan Domingo Perón 3 anos depois e assumiu a presidência da Argentina. Naquela ocasião, o chefe do serviço de inteligência, Coronel Koenig, invadiu a sede da CGT e encontrou o corpo dela. Informado, o presidente Aramburu temeu que os peronistas sequestrassem o cadáver e o usassem como bandeira. Sabia que Evita morta teria um potencial político bem maior do que viva.

Bastou uma chuva fina, uns pingos breves, coisa apenas suficiente para umedecer a terra e agitar o cheiro que dela se ergue em tais oca...

Petricor

chuva sol nuvens
Bastou uma chuva fina, uns pingos breves, coisa apenas suficiente para umedecer a terra e agitar o cheiro que dela se ergue em tais ocasiões e, pronto, entrei em estado de graça.

Preciso dizer que o aroma de terra molhada faz isso comigo. Esteja onde estiver, eu logo me transporto para um mundo somente meu. Para um lugar sem tempo, compromissos nem problemas. Aí, tenho meus pais vivos, meus irmãos presentes, os velhos amigos de volta e, também assim, um ou outro amor perdido.

Aprendi, quando fazia curso de pintura, aos 15, 16 anos, que a diferença entre assistir a um filme e ver um quadro, uma foto, é que a c...

O caminho do olho

arte olhar guernica bernini
Aprendi, quando fazia curso de pintura, aos 15, 16 anos, que a diferença entre assistir a um filme e ver um quadro, uma foto, é que a câmera e a montagem nos levam ao que interessa numa narrativa, já uma boa pintura, uma grande escultura, um belo desenho, uma boa fotografia não prevalecem se não têm um caminho fluente para os olhos, atraídos por aquela única imagem desponível, quase sempre - como ensinava Cartier-Bresson - flagrando um momento pregnante, prenhe do que aconteceu e está para acontecer.

Voltamos a refletir sobre tão sublime e importante tema, pelo fato de vislumbrarmos que o coração somente é visto como órgão produtor d...

Os influxos simbólicos do coração

saude emocional medicina coracao
Voltamos a refletir sobre tão sublime e importante tema, pelo fato de vislumbrarmos que o coração somente é visto como órgão produtor de patologias, pensamento que é uma constante nas mentes de grande parte da classe médica, como da população como um todo. Portanto, convidamos os leitores a vê-lo de uma forma mais romântica, objetivando minimizar os medos e os pavores, com o toque filosófico do sentimento.

Durante cinco anos vivi em contato total com a natureza. Minhas roupas se restringiam a cangas, biquínis, shorts. As árvores do meu...

Aqui também consegui espalhar felicidade

caju praia nordeste neto
Durante cinco anos vivi em contato total com a natureza. Minhas roupas se restringiam a cangas, biquínis, shorts. As árvores do meu jardim eram pés de manga, jambo, cajus, acerola. As redes ficavam espalhadas pelas varandas num eterno convite ao balanço nas tardes mornas. O privilégio de morar em um lugar onde a natureza domina, é enorme.

Diariamente fazia uma longa caminhada pela praia. A beleza do lugar era uma total perfeição. O mar, encantador, às vezes verde-esmeralda, às vezes um verde profundo, a areia branca, fina e os coqueiros que a circundavam.

A inveja é o mal-estar que surge da incapacidade de adquirir algo quando se tem como referência um objeto de êxito do outro. Ela se man...

Estado psíquico do fracasso

inveja filosofia terapia
A inveja é o mal-estar que surge da incapacidade de adquirir algo quando se tem como referência um objeto de êxito do outro. Ela se manifesta na sensação de apequenamento, isto é, de frustação. Geralmente, é um sentimento autodestrutivo.

O “estado psíquico do fracasso” é o resultado de bloqueio do processo de automotivação. As causas desse insucesso são geradas na personalidade dissociativa, que frequentemente ocorre no interior ou no exterior do invejoso. A de origem interna é constituída de imperfeições emocionais como a falta de confiança,

Há 85 anos, José Lins do Rego publicou o romance Pedra Bonita . Neste livro ele afastou-se da paisagem da cana-de-açúcar para um pass...

Pedra Bonita busca espaço

Há 85 anos, José Lins do Rego publicou o romance Pedra Bonita. Neste livro ele afastou-se da paisagem da cana-de-açúcar para um passeio pelo sertão de caatingas esturricadas, o mundo de coronéis, de cangaceiros, misticismo rural, padres e fanáticos religiosos. Abordou um ambiente e um tema novo na sua literatura.

Ao elaborar um texto, seja uma crônica, um conto ou qualquer outra modalidade textual, prefiro, quando me é permitido, caminhar pelos ...

Crônica machucada

igreja sao francisco joao pessoa
Ao elaborar um texto, seja uma crônica, um conto ou qualquer outra modalidade textual, prefiro, quando me é permitido, caminhar pelos labirintos coloridos do humor. É uma tessitura mais complicada, exige mais habilidade e dizem especialistas que fazer rir com a leitura de uma escrita é mais difícil do que fazer chorar. Pelo menos é o que dizem alguns deles.

      Mercedes A uma espanhola basca que conheci À borda do Atlântico Que não te vejam mais os meus olhos Que de tão trist...

Coração de romã

poesia paraibana aurelio cassiano
 
 
 
Mercedes
A uma espanhola basca que conheci À borda do Atlântico
Que não te vejam mais os meus olhos Que de tão tristes turvariam O azul dos teus Somente os meus pensamentos Mansos de sentidos cheios Rumores e mistérios Que não se segredam mais Que te vejam mais uma vez os meus olhos Que “blues” ficaram dos teus (Somente os meus pensamentos Perdidos nas noites do Atlântico)

O quintal apinhado de fruteiras era saudade. Mudaram-se para um apartamento diminuto. Nele cabia o mobiliário, apertado, deixando um...

Como dois bonecos

indiferenca convivencia idoso familia
O quintal apinhado de fruteiras era saudade. Mudaram-se para um apartamento diminuto. Nele cabia o mobiliário, apertado, deixando um labirinto que conduzia à sala em “l”, dois quartos e cozinha. Na varanda não cabia, sequer, duas cadeiras de balanço. Somente a rede que não permitia fosse balançada. Abria-se a paisagem: edifícios longos, parecendo colados um ao outro. No pequeno apartamento de bairro mediano o casal idoso, na companhia de dois netos que criavam.

Uns sofrem do demônio da dúvida e vivem na gangorra do sim ou não. Outros são compulsivos e remordem-se de culpa sem motivo aparente...

Distração

distracao paciencia alienacao
Uns sofrem do demônio da dúvida e vivem na gangorra do sim ou não. Outros são compulsivos e remordem-se de culpa sem motivo aparente. Há também os ansiosos, que padecem de uma inexplicável “pressa por dentro” (expressão de Clarice Lispector).

Eu tenho um pouco de tudo isso, mas o que me incomoda mesmo é a distração. Não sou dos que chegam a um lugar sem saber o que foram fazer ali; nem dos que nunca lembram em qual estacionamento do shopping deixaram o carro. Mas já vivi situações que me causaram grande constrangimento. A maioria no âmbito doméstico, para desespero da minha mulher.

O relógio enlouqueceu! E não “acerta” mais parar de bater... Cansou de trabalhar por tantos anos, preso a uma parede, e agora vive do ...

O relógio e o tempo

tempo passado idade liberdade
O relógio enlouqueceu! E não “acerta” mais parar de bater... Cansou de trabalhar por tantos anos, preso a uma parede, e agora vive do excesso, da balbúrdia, do desassossego, da efervescência! Nasceu há cento e dez anos. Adquirido na meia idade, foi restaurado por pessoa habilidosa, que esculpiu suas colunas torneadas. Seu nome de batismo, Junghans, natural das terras alemães... seu mostrador de porcelana e latão, ponteiros em flor-de-Lis... Sempre marcando pontualmente o tempo de acordar, sair, voltar, dormir, em algarismos romanos (com a característica de o número quatro se apresentar como "IIII", para fins de “proporção”). E, sem que nada o atingisse, uma vassoura, uma mão desavisada, porque as recomendações expressas de extremo cuidado com o idoso objeto não permitiriam... tudo para que não perdesse o ponto de equilíbrio... mesmo assim, enlouqueceu!

Fico magoado, sim, quando o livro de outra pessoa é censurado, pois esse livro geralmente é um ótimo livro e há poucos deles. Charle...

David veste jeans

censura livros orwell bukowski huxley
Fico magoado, sim, quando o livro de outra pessoa é censurado, pois esse livro geralmente é um ótimo livro e há poucos deles.
Charles Bukowski, em carta de 1985
Quem controla o passado controla o futuro. Quem controla o presente, controla o passado.
George Orwell, 1984
Grande é a verdade, mas ainda maior, do ponto de vista prático, é o silêncio sobre a verdade. Simplesmente não mencionando certos assuntos… os propagandistas totalitários influenciaram a opinião de forma muito mais eficaz do que poderiam pelas denúncias mais eloqüentes.
Aldous Huxley

Capiberibe - Capibaribe Lá longe o sertãozinho de Caxangá Banheiros de palha Um dia eu vi uma moça nuinha no banho Fiquei parado o...

Sem nenhum alumbramento

nudez feminina costume moral
Capiberibe - Capibaribe Lá longe o sertãozinho de Caxangá Banheiros de palha Um dia eu vi uma moça nuinha no banho Fiquei parado o coração batendo Ela se riu Foi o meu primeiro alumbramento

Estes versos, como se sabe, são de Manuel Bandeira, no famoso poema “Evocação do Recife”, constante de seu livro Libertinagem, de 1930. O poema foi escrito a pedido de Gilberto Freyre, para as comemorações do centenário do jornal Diário de Pernambuco, se não me engano, e nele Bandeira rememora e ressuscita o Recife de sua infância, um Recife que, infelizmente, já àquela época achava-se em franco processo de desfiguração urbana. Ó Brasil!

E eis o gatilho!! As últimas chuvas, no Cariri, acenderam minhas lembranças e instigaram minha alma... O brilhante escritor José Amér...

Museu imaginário & memórias afetivas

cariri paraiba chuvas
E eis o gatilho!! As últimas chuvas, no Cariri, acenderam minhas lembranças e instigaram minha alma...

O brilhante escritor José Américo de Almeida, minha inspiração como grande autor de frases impactantes, desperta minhas memórias afetivas e o meu particular museu imaginário, num processo de maturidade, que acessa as boas reminiscências. Cada frase de efeito reverbera na minha alma. "O que tem de acontecer tem muita força". Essa é uma das minhas preferidas.

A nossa Academia de Letras, como não podia ser diferente, dispõe de uma boa biblioteca de peso literário. E reflete a cultura dos se...

O vulto de Burity

tarcisio burity paraiba
A nossa Academia de Letras, como não podia ser diferente, dispõe de uma boa biblioteca de peso literário. E reflete a cultura dos seus fundadores e primeiros ocupantes, pródiga de clássicos portugueses e das celebridades de todos os tempos que os editores brasileiros do século passado puderam traduzir.

Em dezembro de 1950, o escritor Graciliano Ramos publicou na seção dominical “Letras e Artes” do “Diário Carioca” um artigo no qual rel...

O Bacharel Feroz

revolucao 1930 coluna prestes lourenco moreira lima
Em dezembro de 1950, o escritor Graciliano Ramos publicou na seção dominical “Letras e Artes” do “Diário Carioca” um artigo no qual relatava episódio acontecido, em 1936, na Casa de Detenção do Rio de Janeiro, onde, na época, ele se encontrava preso como comunista pelo governo de Getúlio Vargas, texto que seria incluído na sua obra póstuma “Memórias do Cárcere”:

      ANCESTRALIDADE (Não sei o que faço falando por sua boca, brotando sabe-se por qual poro de sua existência....

Ancestralidade

poesia capixaba jorge elias neto
 
 
 
ANCESTRALIDADE
(Não sei o que faço falando por sua boca, brotando sabe-se por qual poro de sua existência. ) O som como se soletram os mortos, o remorso, a solidão da passagem das sombras, o interlúdio, o ludibrio das expectativas, as cartas reembaralhadas e seu cheiro de saudade, algum resto de tinta revestindo as paredes dos sonhos, e o testemunho da História que é sua, dentre tantos esquecidos.

Quando estou sozinho tenho muitas coisas que não existem. A poesia é uma delas. (Hildeberto Barbosa Filho) Sábado (1 de abril), nã...

Hildeberto & as minhas memórias sagradas

Quando estou sozinho
tenho muitas coisas que não existem.
A poesia é uma delas.
(Hildeberto Barbosa Filho)

Sábado (1 de abril), não foi mentira!! fui ao lançamento duplo do poeta, crítico, professor, escritor, Hildeberto Barbosa Filho, para ver de perto os seus “pensamentos provisórios”, e quem sabe os permanentes. Aliás, desde que chegou nas redes, escrevendo suas ideias, devaneios e pensamentos, com esse título que me deixou des-norteada; que me pego meio tonta de tantas palavras mais lindas que findas, para refletir sobre tantos assuntos da vida e da literatura. Fico esperando esses escritos que me abastecem, me intrigam, me fazem mais conhecedora do universo literário, poético e filosófico da vida. Hildeberto tem imaginação, conhecimento, trajetória e ação para produzir inimaginavelmente. Como disse Paulo Sérgio Vieira na orelha do livro Cemitério Vivo:

O menino atira o olhar em forma de flecha pela janela e atinge muitos tempos. Das eras dos outros garotos, dos velhos nas praças, d...

Olhar menino

infancia olhar crianca
O menino atira o olhar em forma de flecha pela janela e atinge muitos tempos. Das eras dos outros garotos, dos velhos nas praças, do motorista da condução apressado, do sorveteiro concentrado no equilíbrio dos negócios para que não derretesse, da menina sonhadora da outra janela. E mirou máquinas modernas e ultrapassadas que se encontravam nas esquinas, nos desenhos e nos destinos.

Em termos estritamente materiais, a vida é um processo físico-químico. Sem a química do carbono, por exemplo, não existe vida, na form...

A química poética da vida

haeckel augusto anjos hawkins
Em termos estritamente materiais, a vida é um processo físico-químico. Sem a química do carbono, por exemplo, não existe vida, na forma como a conhecemos. Isto é ponto pacífico entre os cientistas e, principalmente, entre os evolucionistas. Ernst Haeckel, em Os enigmas do universo, é um dos precursores na constatação da importância do carbono para a criação da vida.

Apesar de ser a vida um processo físico-químico, não se pode dizer que cientistas do porte de Richard Dawkins e Ernst Haeckel – este contra o papismo romano, mas com uma profissão de fé monista; aquele ateu confesso –

    DESPEDIDA A Juca Pontes Silêncio profundo no mar do olhar. A brisa do vento move as flores do jardim. O sol ...

Silêncio profundo no mar do olhar

poesia paraibana marineuma oliveira
 
 
DESPEDIDA
A Juca Pontes Silêncio profundo no mar do olhar. A brisa do vento move as flores do jardim. O sol se reflete nas cinzas espargidas no ar. Lágrimas contidas escorrem por dentro de mim.
 
DESALENTO
O que se espera da vida se o que mais nos acomete é o inevitável espanto diante de inusitadas partidas? O que nos explica a morte quando, na dor incontida, ela insiste em deixar bem abertas as nossas feridas?

Juro que é verdade e há provas. Nesses esquemas revelados pela finada operação lava-jato é impressionante o que a mídia deixou escapar...

Ladrões roubando ladrões

lava-jato corrupcao politica brasileira
Juro que é verdade e há provas. Nesses esquemas revelados pela finada operação lava-jato é impressionante o que a mídia deixou escapar, fatos que com certeza serviriam para um excelente roteiro de cinema destinado a um Oscar.

Os mensageiros das construtoras envolvidas na safadeza costumavam marcar com os destinatários das propinas as datas e locais para entrega dos milionários valores. Ocorre que algumas vezes havia desencontro e aquela dinheirama toda ficava na mão dos mensageiros, sujeitos a pessoas desonestas, né?

Houve uma época em que lemos um bocado sobre a história da nutrição, inclusive participamos de cursos com Dr. Flávio Zanatta, bioquímic...

Consumo de carne

alimentacao carnivora nutricao macrobiotica naturalismo
Houve uma época em que lemos um bocado sobre a história da nutrição, inclusive participamos de cursos com Dr. Flávio Zanatta, bioquímico carioca, discípulo do professor George Ohsawa, fundador da Macrobiótica, teoria alimentar afinada com a Filosofia do Princípio Único.

Desde quando o conheci, em 1983, há 40 anos, deixamos de comer carne vermelha. Há uns 4 anos, optamos por não mais nos alimentar de carne de nenhum animal.

Era tarde demais, 12h de uma sexta-feira à noite. Ele havia chegado cedo e pensou em dar uma volta, correr riscos, se é que eles viri...

O veneno

noite solidao
Era tarde demais, 12h de uma sexta-feira à noite. Ele havia chegado cedo e pensou em dar uma volta, correr riscos, se é que eles viriam. Mas pros diabos se não viessem.

Pior seria em casa, pensando nas perdas de tempo, na pandemia, ou nos livros de contos. Os tempos não eram para volumosos romances nem para entender o mundo e muito menos a si próprio.

Chega de buscas interiores. Nada mudaria o que ele se tornara. Não adiantaria tentar atenuar defeitos ou aceitar polidamente os dos outros. Não. Chega! Deixa como está. A vida é isto mesmo: um planejamento inviável, inatingível,

Eis que me falam dos 82 anos de Roberto. O moço é de 19 de abril de 1941. Escrevi sobre os 80, data redonda e tema então no jornalismo ...

O divã

roberto carlos jovem guarda
Eis que me falam dos 82 anos de Roberto. O moço é de 19 de abril de 1941. Escrevi sobre os 80, data redonda e tema então no jornalismo impresso, na tevê, no rádio, blogs e portais de notícia. Assim o fiz com a caneta do repórter que mora em mim, ao atentar para o fato de que um povo inteiro a ele concede o tratamento que as nações ricas e pobres costumam dar a seus grandes ídolos.

Todos os sentimentos do mundo proclamam a sua poética, sobremodo quando alguém se põe em frente à obra de Augusto dos Augusto. E, em po...

Augusto e a magia da palavra

augusto dos anjos helder moura leopoldina
Todos os sentimentos do mundo proclamam a sua poética, sobremodo quando alguém se põe em frente à obra de Augusto dos Augusto. E, em poucos lugares, essa sensação é mais presente do que Leopoldina, em Minas Gerais. Ali, há um Augusto imortal e, ao mesmo tempo, de uma intrigante ubiquidade.

augusto dos anjos helder moura leopoldina
Hélder Moura (Túmulo de Augusto dos Anjos em Leopoldina (MG)
Acervo do autor
Por isso, estar em Leopoldina, diante de seu túmulo e, especialmente, do tamarindo que hoje lhe dá uma sombra de conforto, foi como experimentar também as emoções desse sentimento de paraibaneidade, em torno da vida e obra de Augusto, numa irmandade com todos quantos adotaram o nosso poeta maior entre os seus.

      GALOPE À BEIRA MAR I Um mundo de cores pra mim vem surgindo, Com Sol escaldante descendo a ladeira; Guardei a poesia ...

Galopes à beira-mar

poesia paraibana raniery abrantes
 
 
 
GALOPE À BEIRA MAR I
Um mundo de cores pra mim vem surgindo, Com Sol escaldante descendo a ladeira; Guardei a poesia na minha algibeira, Formei, bem depressa, o poema mais lindo. Um verso, maneiro, surgiu me despindo, Chamei meu amor pra comigo nadar, A moça faceira me fez suspirar, O céu azulado se abriu de repente, E a moça bonita abraçou loucamente,

Se Caetano Veloso fosse criar “Sampa” hoje talvez mudasse um dos versos mais emblemáticos para: “É que Narciso acha feio o que não é Fa...

Narciso acha feio o que não é Facebook

Se Caetano Veloso fosse criar “Sampa” hoje talvez mudasse um dos versos mais emblemáticos para:

“É que Narciso acha feio o que não é Facebook”.

Não só Facebook, mas redes sociais de modo geral.

Elas, as redes sociais, foram feitas para que possamos cultuar nosso narcisismo, na medida em que estimula as curtidas, os “amei”, “uau”, compartilhamentos e comentários em cada postagem.

O apodo vem provavelmente do nome. De Octavio (com “c” mudo), virou Tavico e depois, como era natural, se tornou Vico e Vico ficou pel...

Coisas do velho Vico

campos jordao araucaria
O apodo vem provavelmente do nome. De Octavio (com “c” mudo), virou Tavico e depois, como era natural, se tornou Vico e Vico ficou pelo resto da vida.

Intitulava-se um “Nó de Pinho”. Vou explicar o porquê. A araucária, endêmica da Mantiqueira, oferece madeira vastamente usada em movelaria e construção civil. É árvore que chega fácil aos 30 metros de altura. No alto surge uma copa de onde sai a galharia formando uma espécie da taça de cabeça para baixo. É justamente dessa parte do tronco que está a parte de pouca utilidade como madeira. De onde saem os galhos é que nasce o nó, o chamado nó de pinho. O serrote comum de um carpinteiro não consegue encarar o dito cujo, é preciso serra elétrica para enfrentar o danado.

Ela está morando debaixo do nosso teto há 3 meses. Chegou pequenininha, mas aos poucos foi crescendo e expandindo sua jurisdição te...

A nova moradora

teia aranha
Ela está morando debaixo do nosso teto há 3 meses. Chegou pequenininha, mas aos poucos foi crescendo e expandindo sua jurisdição territorial com suas teias.

Ela é da ordem “superior” dos artrópodes (esse superior aí foi por minha conta), e da Família nobre dos aracnídeos.

Tem de vários tipos, caranguejeiras, viúvas negras, jardineiras… A minha possui cores vermelhas, pequenas partes amarelas, mas predomina o preto. Possui uma abundante bunda que dá inveja nas cantoras e

Recentemente iniciei os estudos do idioma Tupi-Guarani (Nhandewa, falado em São Paulo e Paraná, basicamente). O tronco Tupi se apresent...

O Dia 19 de Abril: Vamos falar de Epistemicídio Linguístico

Recentemente iniciei os estudos do idioma Tupi-Guarani (Nhandewa, falado em São Paulo e Paraná, basicamente). O tronco Tupi se apresenta de forma distinta. Na Paraíba estuda-se o Tupi-Potiguara e me questiono sobre a diversidade de línguas tupis.

Não foi à toa que o filósofo alemão do século XIX Arthur Schopenhauer recebeu o epíteto de “o filósofo do pessimismo”, pois via o mun...

Schopenhauer, a fuga para o nada

filosofia schopenhauer jovem
Não foi à toa que o filósofo alemão do século XIX Arthur Schopenhauer recebeu o epíteto de “o filósofo do pessimismo”, pois via o mundo dos fenômenos como produto de uma vontade metafísica cega, colossal e maligna.

Sua filosofia foi influenciada por Kant, “o maravilhoso Kant”, como costumava chamá-lo. Partindo do idealismo transcendental de seu conterrâneo germânico, desenvolveu um sistema metafísico ateu e ético, buscando

Quando a madrugada se abriu ao Sol que chegava lento na manhã, foi a amiga Ana Paula Cavalcanti quem deu a notícia. A funesta n...

Juca e o mar

juca pontes literatura paraibana
Quando a madrugada se abriu ao Sol que chegava lento na manhã, foi a amiga Ana Paula Cavalcanti quem deu a notícia. A funesta notícia da partida de Juca Pontes para outra dimensão.

Ele se foi silencioso. Uma partida definitiva. Sem despedida.

Os poetas são silenciosos. Disso sabemos. Uns mais, outros nem tanto. Sabem absorver o silêncio e a tristeza do mar. Porque o mar é triste, no entender do cronista-poeta Gonzaga Rodrigues.

Nascido em Pirpirituba, no ano de 1921, lá, no pequeno povoado, Magela Cantalice fez seus primeiros estudos. Aos onze anos, foi inte...

A criação poética como compromisso de vida

magela cantalice fazer poesia critica literaria
Nascido em Pirpirituba, no ano de 1921, lá, no pequeno povoado, Magela Cantalice fez seus primeiros estudos. Aos onze anos, foi interno com o objetivo de preparar-se para o sacerdócio. Sete anos de formação intelectual e religiosa nos Colégios Sto. Antônio e São Luís de Tolosa. Mas a vida monástica não lhe despertaria "tão longo amor" para outros sete anos. A conselho do padre Superior, deixa o seminário.

A saída de Magela é surpreendente. Vai para o Rio de Janeiro e ingressa na Polícia Militar. Seis anos depois, Cabo Cantalice regressa à Paraíba, fixando-se em Guarabira. Transforma-se em professor do Colégio Nossa Senhora da Luz, vindo depois a assumir a direção do Instituto Arruda Câmara, aqui em João Pessoa.

Em 1948, volta ao Rio de Janeiro para a função de auxiliar de escritório. Posteriormente, experimenta o jornalismo, trabalhando no Correio do Povo, na Gazeta de Notícias e no Diário Trabalhista.

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Daí transferiu-se para Belo Horizonte, onde se fez funcionário da Belgo-Mineira. A seguir, retorna ao Rio de Janeiro para acumular as funções da Belgo Mineira, com as de Chefe de Relações Públicas da Mesbla e Diretor Cultural da Panair do Brasil.

Acompanhando sua trajetória, compreende-se por que Magela Cantalice apontava com ênfase suas "sandálias peregrinas" e se autodenominava de "ave de arribação", ao tomar posse na Academia Paraibana de Letras.

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Celyn Kang
Encontrou em Salvador sua estação final. Lá, ingressou no Serviço Público Municipal, ocupando sucessivamente as funções de Almoxarife, Agente Fiscal, Chefe da Casa Civil, e de Secretário Adjunto de Administração. Simultaneamente, concluiu o curso de Direito na Universidade Católica de Salvador, de onde se tornou, logo a seguir, professor de Direito Romano.

Ainda, na área jurídica, exerceu os cargos de Procurador do Município e de Assistente da Casa Civil do Governo do Estado.

Revisitando esta existência de ocupações tão diversificadas quanto desiguais, cabe a indagação sobre o traço característico que o teria conduzido à vida acadêmica.

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Patrimônio Paraíba
Pode-se responder que Magela imprimiu às suas publicações o mesmo ritmo da vida que viveu. Deixou 19 livros, lançados a partir de 1950.

Brasil, Por que não sou comunista e Luzeiros da Fé definem suas convicções ideológicas. Noções de Direito Romano e Influência do Cristianismo sobre o Direito Romano sedimentam sua experiência didático-pedagógica. Folhas de Outono, Trevas de Luz, Pérolas de Amor, Flores da Noite, Vozes D'Alma, Réstias de Luar, Ecos do Silêncio, Festival de Solidão, Lição do Tempo, Fantasia de Palhaço, Taça de Cristal, Brinde de Amor, Rosa Mística, Torre de Marfim e Casa de Ouro constituem sua opção mais definitiva.

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Matheus Farias
A recitação dos títulos já denuncia o gênero. São 14 livros, onde a forma (leia-se fôrma) poética do soneto predomina quase absoluta.

Magela parece haver incorporado esta forma (leia-se fôrma) poética à sua dicção, à semelhança de um vocábulo ou de um modo de dizer que se incorpora à fala. Nela registrou tudo quanto quis, lembrando a postura espontânea dos cantadores em suas rimas improvisadas.

"Acontecimentos", "afinidades", "aniversários", "incidentes pessoais", o "excelente, completo e confortável corpo" , "a gota de bile", "a careta de gozo", "sentimentos"; "a cidade", "a sepultada e merencória infância" — todo o avesso da lição drummondiana.

Fascinado pelo som da rima e pelo desafio dos catorze versos, neles encontrou sua forma especial e eficaz de comunicação. E bem mais que isso. Neste exercício permanente de que resultou sua produção predileta também se revela, sem qualquer disfarce, um jogo de sedução a que o dado referencial empresta uma característica inusitada. Na maioria das circunstâncias, a mulher é o objeto deste entretenimento, visualizada através de conceitos reducionistas e deformadores ou de preconceitos incompatíveis com a tradição antecipadora e libertária da expressão poética.

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ALCR
Um curioso exemplário poderia ser exposto. Mas fiquemos apenas com a rápida amostragem de alguns versos ou estrofes, para comprovação da análise:

Tu és linda demais e eu, teu poeta, Que contigo convive e se completa Sem poder, todavia, ser teu dono. (Platônico) Seu nome inda não sei. Não me interessa. Tudo quanto desperta minha pressa É gozá-la da forma mais completa! (Bela Morena) Mulher quando diz "não", diz é "talvez" E, quando diz "talvez", quer dizer "sim". Logo, diz sempre "sim", "nunca diz "não"! (Será mesmo verdade?) A sorte a maltratou desde menina De mocinha passou a vitalina E carregou pro céu a virgindade. (Felicidade) Perdão Senhor, no mundo eu fui um poeta Minha falta mais séria e mais completa Foi ter gostado muito de ... mulher! (E Deus mandou-me entrar) E vou ficar no meu assanhamento Até que, com ela, eu me satisfizer. (Meu Sargento) Posso até fazer contas das dezenas De fêmeas - loiras, ruivas ou morenas (Carência Forçada)

Levando em conta os aspectos já apresentados, as concepções de Magela a respeito do poeta e da poesia não surpreendem. Podendo-se constatar a compatibilidade entre a sua produção e a estranheza dos conceitos enunciados à margem da teoria poética.

Poesia é a que possui métrica e rima E eu jamais haverei de renegá-la

Temos os versos finais de Revide que se desenvolve na presunção de uma polêmica há muito arquivada pela História e pela crítica. Sabendo-se que rima e métrica são recursos poéticos ou anti-poéticos, dependendo da utilização que deles se faz. Não podem ser entendidos como condição de existência da poesia.

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Debby Hudson
Em Bem-aventurados e Gratíssima Resposta, onde se propõe a refletir sobre o poeta e sua atividade, o que se estabelece são desconcertantes afirmações em detrimento da tradição firmada neste sentido.

Sou poeta, nasci pra fazer verso E sonho transformar todo universo Num lindo festival de fantasia Poetar é passatempo a mim dileto

Impossível não lembrar Heidegger em sua categórica retificação: "O poema não é uma vagabundagem do espírito, inventando por toda parte aquilo que lhe apraz." Entendimento este que os poetas reiteram na metalinguagem de suas metáforas, onde a criação poética, assumida como compromisso de vida, se traduz em trabalho, luta, suor, desespero, degredo, sangue, morte etc.