"Aquele anjo velho, lembrando um norueguês com asas, havia caído no intramuros do alambrado “e as galinhas o bicavam ...
Um homem sobressaltado pelas paixões
Uma sombrinha. Mero objeto perdido no último sábado no Mercado Central. Ela escolhendo banana e laranja. Soltou o amparo e se deixou ...
Sombrinha
Estava escrevendo para hoje motivado pela criação da Secretaria do Meio Ambiente, quase no mesmo dia em que a TV Cabo Branco serviu, no ...
Fim feliz
Depois que retornou da Paraíba, onde esteve em fevereiro de 1638, Maurício de Nassau decidiu aprontar no Recife uma armada com o objeti...
A grande batalha naval que aconteceu no litoral da Paraíba
Há pouco mais de 20 anos, nós, povo brasileiro, éramos conhecidos por nossa bonomia, por sermos um povo cordato e alegre, independente ...
Antagonismo infeliz
Os riscos dos movimentos em ballet das nuvens constroem a cenografia para as avoantes de todas as formas e origens, biológicas ou ...
Céus, voos e pousos
Eu sou um cara que não sou adepto dessas modernidades. Outro dia vi numa rede social um homem grávido — que negócio mais estranho, pode...
O Pesadelo!
Resolvi fazer uma visita ao centro de João Pessoa, motivado pela leitura do livro A primeira rua da capital paraibana , de Guilherme G...
Itinerário afetivo
Ó praia, praia bela! quanta paz te traz a chuva… Ninguém lembra como dantes por aqui te encontraram como dantes te mostravas ...
Na manhã iluminada
Evita morreu de câncer aos 33 anos e seu corpo foi mantido num sistema de embalsamento contínuo à espera do término da construção do ...
Coitada de Eva Perón
Bastou uma chuva fina, uns pingos breves, coisa apenas suficiente para umedecer a terra e agitar o cheiro que dela se ergue em tais oca...
Petricor
Preciso dizer que o aroma de terra molhada faz isso comigo. Esteja onde estiver, eu logo me transporto para um mundo somente meu. Para um lugar sem tempo, compromissos nem problemas. Aí, tenho meus pais vivos, meus irmãos presentes, os velhos amigos de volta e, também assim, um ou outro amor perdido.
Aprendi, quando fazia curso de pintura, aos 15, 16 anos, que a diferença entre assistir a um filme e ver um quadro, uma foto, é que a c...
O caminho do olho
Voltamos a refletir sobre tão sublime e importante tema, pelo fato de vislumbrarmos que o coração somente é visto como órgão produtor d...
Os influxos simbólicos do coração
Durante cinco anos vivi em contato total com a natureza. Minhas roupas se restringiam a cangas, biquínis, shorts. As árvores do meu...
Aqui também consegui espalhar felicidade
Diariamente fazia uma longa caminhada pela praia. A beleza do lugar era uma total perfeição. O mar, encantador, às vezes verde-esmeralda, às vezes um verde profundo, a areia branca, fina e os coqueiros que a circundavam.
A inveja é o mal-estar que surge da incapacidade de adquirir algo quando se tem como referência um objeto de êxito do outro. Ela se man...
Estado psíquico do fracasso
O “estado psíquico do fracasso” é o resultado de bloqueio do processo de automotivação. As causas desse insucesso são geradas na personalidade dissociativa, que frequentemente ocorre no interior ou no exterior do invejoso. A de origem interna é constituída de imperfeições emocionais como a falta de confiança,
Há 85 anos, José Lins do Rego publicou o romance Pedra Bonita . Neste livro ele afastou-se da paisagem da cana-de-açúcar para um pass...
Pedra Bonita busca espaço
Ao elaborar um texto, seja uma crônica, um conto ou qualquer outra modalidade textual, prefiro, quando me é permitido, caminhar pelos ...
Crônica machucada
Mercedes A uma espanhola basca que conheci À borda do Atlântico Que não te vejam mais os meus olhos Que de tão trist...
Coração de romã
O quintal apinhado de fruteiras era saudade. Mudaram-se para um apartamento diminuto. Nele cabia o mobiliário, apertado, deixando um...
Como dois bonecos
Uns sofrem do demônio da dúvida e vivem na gangorra do sim ou não. Outros são compulsivos e remordem-se de culpa sem motivo aparente...
Distração
Eu tenho um pouco de tudo isso, mas o que me incomoda mesmo é a distração. Não sou dos que chegam a um lugar sem saber o que foram fazer ali; nem dos que nunca lembram em qual estacionamento do shopping deixaram o carro. Mas já vivi situações que me causaram grande constrangimento. A maioria no âmbito doméstico, para desespero da minha mulher.
O relógio enlouqueceu! E não “acerta” mais parar de bater... Cansou de trabalhar por tantos anos, preso a uma parede, e agora vive do ...
O relógio e o tempo
Fico magoado, sim, quando o livro de outra pessoa é censurado, pois esse livro geralmente é um ótimo livro e há poucos deles. Charle...
David veste jeans
Charles Bukowski, em carta de 1985
George Orwell, 1984
Aldous Huxley
Capiberibe - Capibaribe Lá longe o sertãozinho de Caxangá Banheiros de palha Um dia eu vi uma moça nuinha no banho Fiquei parado o...
Sem nenhum alumbramento
E eis o gatilho!! As últimas chuvas, no Cariri, acenderam minhas lembranças e instigaram minha alma... O brilhante escritor José Amér...
Museu imaginário & memórias afetivas
O brilhante escritor José Américo de Almeida, minha inspiração como grande autor de frases impactantes, desperta minhas memórias afetivas e o meu particular museu imaginário, num processo de maturidade, que acessa as boas reminiscências. Cada frase de efeito reverbera na minha alma. "O que tem de acontecer tem muita força". Essa é uma das minhas preferidas.
A nossa Academia de Letras, como não podia ser diferente, dispõe de uma boa biblioteca de peso literário. E reflete a cultura dos se...
O vulto de Burity
Em dezembro de 1950, o escritor Graciliano Ramos publicou na seção dominical “Letras e Artes” do “Diário Carioca” um artigo no qual rel...
O Bacharel Feroz
ANCESTRALIDADE (Não sei o que faço falando por sua boca, brotando sabe-se por qual poro de sua existência....
Ancestralidade
(Não sei o que faço falando por sua boca, brotando sabe-se por qual poro de sua existência. ) O som como se soletram os mortos, o remorso, a solidão da passagem das sombras, o interlúdio, o ludibrio das expectativas, as cartas reembaralhadas e seu cheiro de saudade, algum resto de tinta revestindo as paredes dos sonhos, e o testemunho da História que é sua, dentre tantos esquecidos.
Quando estou sozinho tenho muitas coisas que não existem. A poesia é uma delas. (Hildeberto Barbosa Filho) Sábado (1 de abril), nã...
Hildeberto & as minhas memórias sagradas
tenho muitas coisas que não existem.
A poesia é uma delas.
(Hildeberto Barbosa Filho)
O menino atira o olhar em forma de flecha pela janela e atinge muitos tempos. Das eras dos outros garotos, dos velhos nas praças, d...
Olhar menino
Em termos estritamente materiais, a vida é um processo físico-químico. Sem a química do carbono, por exemplo, não existe vida, na form...
A química poética da vida
Apesar de ser a vida um processo físico-químico, não se pode dizer que cientistas do porte de Richard Dawkins e Ernst Haeckel – este contra o papismo romano, mas com uma profissão de fé monista; aquele ateu confesso –
DESPEDIDA A Juca Pontes Silêncio profundo no mar do olhar. A brisa do vento move as flores do jardim. O sol ...
Silêncio profundo no mar do olhar
A Juca Pontes Silêncio profundo no mar do olhar. A brisa do vento move as flores do jardim. O sol se reflete nas cinzas espargidas no ar. Lágrimas contidas escorrem por dentro de mim.
O que se espera da vida se o que mais nos acomete é o inevitável espanto diante de inusitadas partidas? O que nos explica a morte quando, na dor incontida, ela insiste em deixar bem abertas as nossas feridas?
Juro que é verdade e há provas. Nesses esquemas revelados pela finada operação lava-jato é impressionante o que a mídia deixou escapar...
Ladrões roubando ladrões
Os mensageiros das construtoras envolvidas na safadeza costumavam marcar com os destinatários das propinas as datas e locais para entrega dos milionários valores. Ocorre que algumas vezes havia desencontro e aquela dinheirama toda ficava na mão dos mensageiros, sujeitos a pessoas desonestas, né?
Houve uma época em que lemos um bocado sobre a história da nutrição, inclusive participamos de cursos com Dr. Flávio Zanatta, bioquímic...
Consumo de carne
Desde quando o conheci, em 1983, há 40 anos, deixamos de comer carne vermelha. Há uns 4 anos, optamos por não mais nos alimentar de carne de nenhum animal.
Era tarde demais, 12h de uma sexta-feira à noite. Ele havia chegado cedo e pensou em dar uma volta, correr riscos, se é que eles viri...
O veneno
Pior seria em casa, pensando nas perdas de tempo, na pandemia, ou nos livros de contos. Os tempos não eram para volumosos romances nem para entender o mundo e muito menos a si próprio.
Chega de buscas interiores. Nada mudaria o que ele se tornara. Não adiantaria tentar atenuar defeitos ou aceitar polidamente os dos outros. Não. Chega! Deixa como está. A vida é isto mesmo: um planejamento inviável, inatingível,
Eis que me falam dos 82 anos de Roberto. O moço é de 19 de abril de 1941. Escrevi sobre os 80, data redonda e tema então no jornalismo ...
O divã
Todos os sentimentos do mundo proclamam a sua poética, sobremodo quando alguém se põe em frente à obra de Augusto dos Augusto. E, em po...
Augusto e a magia da palavra
Acervo do autor
GALOPE À BEIRA MAR I Um mundo de cores pra mim vem surgindo, Com Sol escaldante descendo a ladeira; Guardei a poesia ...
Galopes à beira-mar
Um mundo de cores pra mim vem surgindo, Com Sol escaldante descendo a ladeira; Guardei a poesia na minha algibeira, Formei, bem depressa, o poema mais lindo. Um verso, maneiro, surgiu me despindo, Chamei meu amor pra comigo nadar, A moça faceira me fez suspirar, O céu azulado se abriu de repente, E a moça bonita abraçou loucamente,
Se Caetano Veloso fosse criar “Sampa” hoje talvez mudasse um dos versos mais emblemáticos para: “É que Narciso acha feio o que não é Fa...
Narciso acha feio o que não é Facebook
“É que Narciso acha feio o que não é Facebook”.
Não só Facebook, mas redes sociais de modo geral.
Elas, as redes sociais, foram feitas para que possamos cultuar nosso narcisismo, na medida em que estimula as curtidas, os “amei”, “uau”, compartilhamentos e comentários em cada postagem.
O apodo vem provavelmente do nome. De Octavio (com “c” mudo), virou Tavico e depois, como era natural, se tornou Vico e Vico ficou pel...
Coisas do velho Vico
Intitulava-se um “Nó de Pinho”. Vou explicar o porquê. A araucária, endêmica da Mantiqueira, oferece madeira vastamente usada em movelaria e construção civil. É árvore que chega fácil aos 30 metros de altura. No alto surge uma copa de onde sai a galharia formando uma espécie da taça de cabeça para baixo. É justamente dessa parte do tronco que está a parte de pouca utilidade como madeira. De onde saem os galhos é que nasce o nó, o chamado nó de pinho. O serrote comum de um carpinteiro não consegue encarar o dito cujo, é preciso serra elétrica para enfrentar o danado.
Ela está morando debaixo do nosso teto há 3 meses. Chegou pequenininha, mas aos poucos foi crescendo e expandindo sua jurisdição te...
A nova moradora
Ela é da ordem “superior” dos artrópodes (esse superior aí foi por minha conta), e da Família nobre dos aracnídeos.
Tem de vários tipos, caranguejeiras, viúvas negras, jardineiras… A minha possui cores vermelhas, pequenas partes amarelas, mas predomina o preto. Possui uma abundante bunda que dá inveja nas cantoras e
Recentemente iniciei os estudos do idioma Tupi-Guarani (Nhandewa, falado em São Paulo e Paraná, basicamente). O tronco Tupi se apresent...
O Dia 19 de Abril: Vamos falar de Epistemicídio Linguístico
Não foi à toa que o filósofo alemão do século XIX Arthur Schopenhauer recebeu o epíteto de “o filósofo do pessimismo”, pois via o mun...
Schopenhauer, a fuga para o nada
Sua filosofia foi influenciada por Kant, “o maravilhoso Kant”, como costumava chamá-lo. Partindo do idealismo transcendental de seu conterrâneo germânico, desenvolveu um sistema metafísico ateu e ético, buscando
Quando a madrugada se abriu ao Sol que chegava lento na manhã, foi a amiga Ana Paula Cavalcanti quem deu a notícia. A funesta n...
Juca e o mar
Ele se foi silencioso. Uma partida definitiva. Sem despedida.
Os poetas são silenciosos. Disso sabemos. Uns mais, outros nem tanto. Sabem absorver o silêncio e a tristeza do mar. Porque o mar é triste, no entender do cronista-poeta Gonzaga Rodrigues.
Nascido em Pirpirituba, no ano de 1921, lá, no pequeno povoado, Magela Cantalice fez seus primeiros estudos. Aos onze anos, foi inte...
A criação poética como compromisso de vida
A saída de Magela é surpreendente. Vai para o Rio de Janeiro e ingressa na Polícia Militar. Seis anos depois, Cabo Cantalice regressa à Paraíba, fixando-se em Guarabira. Transforma-se em professor do Colégio Nossa Senhora da Luz, vindo depois a assumir a direção do Instituto Arruda Câmara, aqui em João Pessoa.
Em 1948, volta ao Rio de Janeiro para a função de auxiliar de escritório. Posteriormente, experimenta o jornalismo, trabalhando no Correio do Povo, na Gazeta de Notícias e no Diário Trabalhista.
Acompanhando sua trajetória, compreende-se por que Magela Cantalice apontava com ênfase suas "sandálias peregrinas" e se autodenominava de "ave de arribação", ao tomar posse na Academia Paraibana de Letras.
Ainda, na área jurídica, exerceu os cargos de Procurador do Município e de Assistente da Casa Civil do Governo do Estado.
Revisitando esta existência de ocupações tão diversificadas quanto desiguais, cabe a indagação sobre o traço característico que o teria conduzido à vida acadêmica.
Brasil, Por que não sou comunista e Luzeiros da Fé definem suas convicções ideológicas. Noções de Direito Romano e Influência do Cristianismo sobre o Direito Romano sedimentam sua experiência didático-pedagógica. Folhas de Outono, Trevas de Luz, Pérolas de Amor, Flores da Noite, Vozes D'Alma, Réstias de Luar, Ecos do Silêncio, Festival de Solidão, Lição do Tempo, Fantasia de Palhaço, Taça de Cristal, Brinde de Amor, Rosa Mística, Torre de Marfim e Casa de Ouro constituem sua opção mais definitiva.
Magela parece haver incorporado esta forma (leia-se fôrma) poética à sua dicção, à semelhança de um vocábulo ou de um modo de dizer que se incorpora à fala. Nela registrou tudo quanto quis, lembrando a postura espontânea dos cantadores em suas rimas improvisadas.
"Acontecimentos", "afinidades", "aniversários", "incidentes pessoais", o "excelente, completo e confortável corpo" , "a gota de bile", "a careta de gozo", "sentimentos"; "a cidade", "a sepultada e merencória infância" — todo o avesso da lição drummondiana.
Fascinado pelo som da rima e pelo desafio dos catorze versos, neles encontrou sua forma especial e eficaz de comunicação. E bem mais que isso. Neste exercício permanente de que resultou sua produção predileta também se revela, sem qualquer disfarce, um jogo de sedução a que o dado referencial empresta uma característica inusitada. Na maioria das circunstâncias, a mulher é o objeto deste entretenimento, visualizada através de conceitos reducionistas e deformadores ou de preconceitos incompatíveis com a tradição antecipadora e libertária da expressão poética.
Levando em conta os aspectos já apresentados, as concepções de Magela a respeito do poeta e da poesia não surpreendem. Podendo-se constatar a compatibilidade entre a sua produção e a estranheza dos conceitos enunciados à margem da teoria poética.
Temos os versos finais de Revide que se desenvolve na presunção de uma polêmica há muito arquivada pela História e pela crítica. Sabendo-se que rima e métrica são recursos poéticos ou anti-poéticos, dependendo da utilização que deles se faz. Não podem ser entendidos como condição de existência da poesia.
Impossível não lembrar Heidegger em sua categórica retificação: "O poema não é uma vagabundagem do espírito, inventando por toda parte aquilo que lhe apraz." Entendimento este que os poetas reiteram na metalinguagem de suas metáforas, onde a criação poética, assumida como compromisso de vida, se traduz em trabalho, luta, suor, desespero, degredo, sangue, morte etc.











































































