As desativadas estações ferroviárias do interior. Cachos de matos assanhados, flores tímidas, montanhas feitas pelas formigas entre as...

Estações desertas

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As desativadas estações ferroviárias do interior. Cachos de matos assanhados, flores tímidas, montanhas feitas pelas formigas entre as paralelas dos trilhos calados. Pela plataforma, sopram ventos indefinidos quais fantasmas de antigos passageiros que arrepiam as horas do sininho que comandava a partida eletrizante dos vagões. A correria dos que chegavam apressados carregando suas emoções nas maletas e embrulhos de jornal. A saudade ainda aguarda que os trens voltem a animar os carregadores com seus chapéus cocos, os chapeados.

Há livros que são para consultar, há livros que são para ler, há livros que são para reler, há livros que devem ser lidos com frequênci...

Os sertões, um livro didático (Parte I)

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Há livros que são para consultar, há livros que são para ler, há livros que são para reler, há livros que devem ser lidos com frequência, constantemente, permanentemente. Os sertões fazem parte desta última classificação.

Quando eu soube que a polícia do Estado do Espírito Santo apreendera 31 frascos da droga fentanil, com traficantes, comecei a pesquisar...

O diabo desembarcou no Brasil

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Quando eu soube que a polícia do Estado do Espírito Santo apreendera 31 frascos da droga fentanil, com traficantes, comecei a pesquisar o assunto. Três meses depois cheguei à conclusão que se trata do começo de um inferno que mata nos E.U.A. mais gente do que acidentes de automóveis ou armas de fogo. Informaram-me que lá já morreram mais americanos vítimas de opioides do que todos os mortos em todas as guerras que o país lutou desde a II guerra mundial.

Sendo hoje o dia mundial do coração, na qualidade de cardiologista, resolvi brindar os caros leitores, do Ambiente de Leitura Carlos Ro...

O coração como símbolo

Sendo hoje o dia mundial do coração, na qualidade de cardiologista, resolvi brindar os caros leitores, do Ambiente de Leitura Carlos Romero, com a temática que se segue:

Com base em dados fisiológicos, o comando da vida física, e a modulação do comportamento humano, estão centralizados no cérebro, mas é o coração que simboliza o sofrimento humano, o amor, e o ódio, a alegria e a tristeza, a coragem, e o medo. Órgão de maior simbolismo do corpo humano, o coração carrega em si, diferentes crenças, e valores construídos, pelo senso comum, através de milênios. A história nos revela o coração-símbolo, com vários significados: coragem, vontade, desejo, emoções, vida e amor.

O vento Leste me traz o cheiro de bacalhau na brasa e faz com que eu suspenda o chamego com o ring neck, o periquito de pescoço anelado...

Numa cama de alface

bacalhau churrasco
O vento Leste me traz o cheiro de bacalhau na brasa e faz com que eu suspenda o chamego com o ring neck, o periquito de pescoço anelado de quem espero, ao ponto da impaciência, que aprenda a dizer um mísero “olá, tudo bem?”. Debruço-me, então, na janela a fim de observar, dois andares abaixo, no prédio vizinho, o grupo ruidoso em torno de uma churrasqueira. Ali, sim, fala-se pelos cotovelos. E, ao que parece, come-se bem.

Nos dias de hoje, caminhamos encurvados não diante de Deus, mas sim encurvados diante da tecnologia. Nossas cabeças baixas, imersas em ...

Desconecte-se!

vicio celular tecnologia
Nos dias de hoje, caminhamos encurvados não diante de Deus, mas sim encurvados diante da tecnologia. Nossas cabeças baixas, imersas em telas de celulares, nos privam de enxergar o que acontece ao nosso redor. Estamos tão envoltos em um mundo virtual, que nos afastamos do contato real com pessoas próximas e nos tornamos distantes daqueles que estão ao nosso lado fisicamente.

É inegável que a tecnologia trouxe inúmeros avanços e facilidades para o nosso dia a dia. Através dos smartphones, temos acesso a informações ilimitadas, conexão instantânea com pessoas de diferentes lugares e

“Poesia não é meio de vida É um modo de viver” Viver e morrer, qual a glória? A pergunta, inscrita num poema de Professor Hildeb...

A lição do poeta Hildeberto

hildeberto barbosa literatura paraibana
“Poesia
não é meio de vida
É um modo de viver”

Viver e morrer, qual a glória? A pergunta, inscrita num poema de Professor Hildeberto Barbosa Filho, tem uma intensidade mágica especial. São versos de uma vitalidade agressiva que nos lança nas grandezas e misérias do que somos, enquanto inexoravelmente para a morte.

“Por que motivo as crianças, de modo geral, são poetas e, com o tempo, deixam de sê-lo?”, questiona Drummond no artigo “A educação do ...

Peculiaridades da poesia infantil

literatura poeisa infantil
“Por que motivo as crianças, de modo geral, são poetas e, com o tempo, deixam de sê-lo?”, questiona Drummond no artigo “A educação do ser poético” (1974). A comparação entre as crianças e os poetas é quase um clichê. Essa analogia ocorre pelas frequentes associações tão caras ao universo infantil. Tanto a criança quanto o poeta manifestam o assombro e uma leitura especial diante de acontecimentos que, para muitas pessoas, parecem banais ou corriqueiros, passam até despercebidos.

      Baco Baco fez seu império libertando performances Criadores Poetas Homens comuns de lentas atitudes Baco posta- se à ...

Sou seiva, musgo, a me multiplicar em séculos

 
 
 
Baco
Baco fez seu império libertando performances Criadores Poetas Homens comuns de lentas atitudes Baco posta- se à mesa Com os copos certos Serve- se do poder Da paixão Liberta o que se faz escuso Dá voz ao fraco Acende a tocha das verdades Não tolera a rigidez formal Enlouquece em ardor os homens Faz gemer de cio as mulheres E depois narcotiza em delírio a realidade Oferece a dádiva do esquecimento Todos os convivas conversavam em tom próximo do silêncio Ao fim, falavam de si, da vida e seus tormentos Quedaram - se mudos Sem culpa Libertos da sofrível mentira do veneno do olhar alheio
Na bagagem
Papéis em branco Asas da pipa gigante Empinando palavras Dobraduras de origami Pássaros libertos Voam
Árvore
E me enredo na complexa rede de vida em casca, sou seiva, musgo, pele nodosa a me multiplicar em séculos. Visto tons de infinitos verdes, folhas de enervação distinta. Tenho-a em mim árvore preciosa. Amo sua mudez distinta seu silêncio de raiz, sua força que me abraça em seus braços longos e me leva ao céu.

Quando procuramos culpados para nossas quedas, não temos essa clara visão que “o outro eu”, somos nós mesmos. O nosso “outro” cruel e...

Um simples ver

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Quando procuramos culpados para nossas quedas, não temos essa clara visão que “o outro eu”, somos nós mesmos.

O nosso “outro” cruel eu, nos assombra, segue, induz, persegue. Desconhece o limite da realidade, leva jovens à crueza de determinar seus próprios “aqui jaz”.

A coragem de se questionar é descartada e esquecida; negada.

A filosofia do holandês Baruch Spinoza (1632 – 1677) ensina a pessoa a perder o medo de viver, estimulando-a a desenvolver a própria ...

Necessidade dos afetos

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A filosofia do holandês Baruch Spinoza (1632 – 1677) ensina a pessoa a perder o medo de viver, estimulando-a a desenvolver a própria intuição, para vivenciar a liberdade e a alegria. Isso conduz o ser humano à arte da compaixão, que está associada a uma causa exterior, seja no cotidiano ou na convivência com os outros. Em seu livro Ética (1677), o filósofo apresenta a beleza de existir, formulando a tese de que a natureza humana é constituída de uma substância única e infinita, e por outros dois modos finitos: corpo e mente.

O AMOR O amor é brega, cego e ingênuo. Precisa de tempo, de beijo, saliva, contemplação. O amor é desastroso, embriagante, vagaros...

O amor é brega

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O AMOR

O amor é brega, cego e ingênuo.
Precisa de tempo, de beijo, saliva, contemplação.
O amor é desastroso, embriagante, vagaroso.
É preciso passar cem vezes por sua janela, que pise em nuvens, amacie espinhos.
Ainda assim, você não saberá que é amor.
O amor precisa de ideias, de hiatos incompreendidos, de lágrimas controvertidas.

Entre os sítios Tapuio dos Nunes e Olho d’Água, em Serraria, há um riacho que os separa. Há muito que não visitava o O...

Os caminhos do padre

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Entre os sítios Tapuio dos Nunes e Olho d’Água, em Serraria, há um riacho que os separa.

Há muito que não visitava o Olho d’Água. Ao observar sua paisagem, a mim chegaram recordações e imagens do tempo de garoto, quando percorria o espaço de uma légua entre os dois sítios e atravessava a pé enxuto o rio Araçagi-mirim.

Em 2023 completei 50 anos de magistério. É muito, mas não o suficiente para ter aprendido o que d...

A voz

magisterio ensino conselho pai
Em 2023 completei 50 anos de magistério. É muito, mas não o suficiente para ter aprendido o que devia – sobre o que ensino e, mais ainda, sobre o ato de ensinar. Tudo começou por influência (e intimação) de meu pai, que era professor no Liceu Paraibano e em escolas particulares da capital. Certa vez um pequeno grupo o procurou para dar aulas para concurso público. Sem tempo, e sabendo do meu gosto pelas letras, ele transferiu a tarefa para mim.

Sozinhos ou em boa companhia, envelhecemos de qualquer forma. Mas, por vezes, nossas almas clamam tanto, que necessitamos sufocar esse ...

Manter viva nossa espécie

violencia compaixao
Sozinhos ou em boa companhia, envelhecemos de qualquer forma. Mas, por vezes, nossas almas clamam tanto, que necessitamos sufocar esse sentimento com uma dor física, que pode ser espetar agulhas abaixo de nossas unhas.

Nas línguas derivadas do Latim a palavra compaixão significa que não se pode olhar o sofrimento do próximo com o coração frio; em outras palavras: sente-se simpatia por quem sofre, que poderia ser por nós mesmos.

A intersecção entre saúde e espiritualidade é um tema de profunda relevância e complexidade, abordado de maneira singular pelo Espir...

Saúde e Espiritualidade

saude integral espiritismo espiritualidade
A intersecção entre saúde e espiritualidade é um tema de profunda relevância e complexidade, abordado de maneira singular pelo Espiritismo. Para compreendê-lo de maneira integral, é necessário explorar os conceitos subjacentes a ambos. A saúde, em seu sentido mais amplo, não se limita apenas à ausência de doenças físicas, mas também incorpora o bem-estar emocional, psíquico e espiritual. Já a espiritualidade refere-se à busca de significado e -propósito na vida, muitas vezes associada a crenças religiosas, mas não se limitando a elas. Ela envolve uma conexão profunda do indivíduo consigo mesmo, com os outros e com o universo.

De quantas traições é feita a história... Se fôssemos radicalizar, poderíamos até dizer que a história é feita, tem sido feita, a part...

Traições

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De quantas traições é feita a história... Se fôssemos radicalizar, poderíamos até dizer que a história é feita, tem sido feita, a partir de traições. Maiores ou menores, explícitas ou camufladas, não importa, mas sempre traições. De homens, de mulheres, de civis, de militares, reais ou inventadas, de todos os tipos. A literatura ficcional também é feita de traições, pelo menos boa parte dela, talvez a melhor. Que coisa é essa, tão presente – e com tanto poder?

A longevidade, combinada à intelectualidade, é algo que todos desejamos. Ser capaz de viver uma vida plena, cercado por conhecimento e ...

Carlos Romero: um homem íntegro e inspirador

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A longevidade, combinada à intelectualidade, é algo que todos desejamos. Ser capaz de viver uma vida plena, cercado por conhecimento e sabedoria, é o sonho de muitos.

E se alguém que personificou essas qualidades admiráveis, foi Carlos Romero.

Duas pessoas foram fundamentais no processo de atualização, digamos assim, do jornal A União, a partir do começo dos anos 1980, que...

Agnaldo Almeida: o nosso Alberto Dines

agnaldo almeida jornalismo paraibano
Duas pessoas foram fundamentais no processo de atualização, digamos assim, do jornal A União, a partir do começo dos anos 1980, que coincidiu com minha passagem por lá: Domício Córdula e Agnaldo Almeida. Domício, o mago das fotos coloridas, fazia uma “seleção de cores” impecável, de fazer inveja aos grandes profissionais do Sudeste. Grande profissional, Domício Córdula! Pena que, por razões que desconheço, não queira dar um depoimento para as memórias do jornal.

De quando em quando volto a render minhas justas homenagens ao editorial, o qual, sobretudo agora, se impõe como fonte a mais responsáv...

O valor do editorial

editorial jornalismo paraibano
De quando em quando volto a render minhas justas homenagens ao editorial, o qual, sobretudo agora, se impõe como fonte a mais responsável na formação da opinião bem informada, tornando-se, depois da página de vitrine, minha primeira leitura.

Tomei esse caminho na própria A União, muito embora o editorial, escrito pelo diretor ou, em suas ausências, por veteranos da qualificação de Wilson Madruga ou Sá Leitão Filho, fosse costumeiramente a palavra do governo ou o que o governo (então de José Américo) julgasse mais interessante.

É a primeira vez que escrevo para o Ambiente de Leitura Carlos Romero . Para me sentir “em casa”, gostaria de começar a minha colabor...

Adalberto Barreto: O Tesouro da Pedra e o barulho d'A Cigarra

adalberto barreto revista cigarra
É a primeira vez que escrevo para o Ambiente de Leitura Carlos Romero. Para me sentir “em casa”, gostaria de começar a minha colaboração com este espaço recuperando a vida e a trajetória profissional do jornalista e escritor Adalberto de Araújo Barreto. Sou um parente distante de Adalberto: ele era tio do meu avô materno, Idevaldo Veras Barreto, mas tinham quase a mesma idade. Na verdade, Adalberto era apenas dez meses mais novo.

Era uma tarde solitária. Não para nós. Para ela própria. Mas a solidão não era total. Havia vento, muito vento. Nuvens densas desfilava...

Que cante a vida

silencio solidao mar reflexao
Era uma tarde solitária. Não para nós. Para ela própria. Mas a solidão não era total. Havia vento, muito vento. Nuvens densas desfilavam rápidas pelo céu, o dia todo. Velozmente. Dançavam em variadas formas. Umas passavam por cima, mais lentas, mais iluminadas, outras corriam por baixo, escuras, rápidas. Talvez tenha sido essa correnteza de nuvens que carregou a chuva, ansiosamente esperada desde ontem...

Gostaria de lembrar que o Brasil concentra entre 12 e 16% do volume total de recursos hídricos do nosso Planeta Azul e parte dos maior...

Reuso versus escassez de Água

reuso agua abastecimento esgoto irrigacao saneamento
Gostaria de lembrar que o Brasil concentra entre 12 e 16% do volume total de recursos hídricos do nosso Planeta Azul e parte dos maiores recursos hídricos renováveis do mundo (41.281 metros cúbicos anuais por habitante), pertence a nosso país, segundo a Food and Agriculture Organization (FAO). Entretanto, esses recursos não são distribuídos de forma homogênea e se encontram ameaçados por fatores socioeconômicos diversos. A título de exemplo, 16,7% da área do país está situada no Semiárido Nordestino.

Os dinheiros muitos, os luxos me são estranhos. Não saberia pisar sem receio tapetes excessivamente macios. Sou desajeitada. Tenho me...

Contento-me com tão pouco

flores vinca desapego sabedoria
Os dinheiros muitos, os luxos me são estranhos. Não saberia pisar sem receio tapetes excessivamente macios. Sou desajeitada. Tenho medo de quebrar taças de cristal. E de deixar cair migalhas às roupas.

Sou dos que se distraem com os pequenos favores do cotidiano. Respirar, por exemplo, é meu luxo particular. Pois tenho asma. Também me alegra achar morangos bem grandes e vermelhos na feira, ou descobrir árvores cheias de flores.

Epigrama I Vão-se encurtando os dias, com o Sol indo pro Norte. Vai de um Equinócio ameno pra um Solstício menos forte. Já no 21 d...

Sob o céu de João Pessoa: epigrammata astronomiae

constelacoes mitologia epigrama
Epigrama I

Vão-se encurtando os dias, com o Sol indo pro Norte. Vai de um Equinócio ameno pra um Solstício menos forte. Já no 21 de junho, quando o dia é mais curto, o Sol torna sobre os passos, aquecendo-nos a furto. E crescendo ele vai, vai queimando sem pudor, é que sai de outro Equinócio pra um Solstício de calor.

Um querido professor no curso de Direito da UFPB costumava me dizer que é sempre melhor ser julgado por sete do que ser carregado por s...

O júri americano

justica tribunal juri
Um querido professor no curso de Direito da UFPB costumava me dizer que é sempre melhor ser julgado por sete do que ser carregado por seis. Referia-se, por óbvio, à quantidade de jurados num júri e ao número de pessoas necessárias para carregar um caixão de defunto. Noves fora essa reminiscência, a primeira grande diferença entre o júri brasileiro e o americano é que lá não são sete membros, são doze.

A poeira acumula-se por todos os lados. Do álbum de fotografia aos cantos dos olhos, da vastidão da rua atravessa o vazio para o interi...

De volta à poeira

deserto vento destino
A poeira acumula-se por todos os lados. Do álbum de fotografia aos cantos dos olhos, da vastidão da rua atravessa o vazio para o interior da casa, está suspensa no ar quase que imóvel, girando em órbita aleatória sob o feixe de luz que adentrada na tarde pela fresta da janela entreaberta. Há pó na superfície dos planos, dos sonhos e de antigos sorrisos que, vez por outra, com um sopro, afastam a fina camada para reviver cenários e pessoas.

O título acima peca pela insuficiência. Poderia ser “Uma menina contra tudo e todos”. Contra o desprezo estúpido dos governantes, c...

Uma menina contra o mar

canal mancha kay france
O título acima peca pela insuficiência. Poderia ser “Uma menina contra tudo e todos”. Contra o desprezo estúpido dos governantes, contra a cegueira absurda dos que somente patrocinam gente e equipes já consagradas, contra a descrença generalizada.

Falo da saga de Kay France, a paraibana e, até então, a primeira latino-americana, a atleta mais jovem a atravessar a nado o Canal da Mancha, um desafio para poucos seres humanos. Ela fez isso em 19 de agosto de 1979, mal havia saído do 16º ano de vida. O Jornal Nacional divulgaria o feito, na edição seguinte, para o espanto

Li excelente texto do mestre e acadêmico Gonzaga Rodrigues , sob o título de ¨Riquezas encobertas¨, em que ele faz referências a meu a...

A mineração na Paraíba e na vida de Plínio Lemos

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Li excelente texto do mestre e acadêmico Gonzaga Rodrigues, sob o título de ¨Riquezas encobertas¨, em que ele faz referências a meu avô, Plinio Lemos. Como Engenheiro de Minas, resolvi demonstrar a importância que a mineração teve não apenas na vida desse político areiense de renome nacional, mas também no desenvolvimento da sociedade moderna.

Sob a marquise, espalhados em trajes maltratados, o homem, a mulher e os filhos. Um pano estirado sobre a calçada. Havia respingos a...

História de mãe pobre

maternidade desigualdade
Sob a marquise, espalhados em trajes maltratados, o homem, a mulher e os filhos. Um pano estirado sobre a calçada. Havia respingos a chorar a diminuição do temporal que se abatera sobre a cidade. Comeram um pão dividido entre todos, canecas de alumínio de café frio. As crianças sujas, chorando de fome, não se satisfizeram com o desjejum.

Não tive coragem de me aproximar, mas o dono da pequena loja protegida pela aba da marquise me contou que os deixara ali porque os outros comerciantes os rejeitaram. Muitos protestavam pela falta de higiene,

Não lhe disse Zé Ronald? Foi só o tema voltar à baila e as almas sebosas, sempre de prontidão, já despejaram um robusto rol de ofensas ...

Para encerrar o assunto

araucaria mantiqueira
Não lhe disse Zé Ronald? Foi só o tema voltar à baila e as almas sebosas, sempre de prontidão, já despejaram um robusto rol de ofensas sobre minha pessoa.

Agradeço sua solidariedade, a de Thomas Bruno, a do Zé Pequeno e às gentis palavras do Zé Edmilson que vieram socorrer-me neste momento de aflição. Mesmo assim, contrariando efusivos pedidos de minha cara metade, irei com vocês quatro ao Cariri lá pelos meados de outubro, conforme já havíamos combinado, pois é quando a chuva dá trégua e assim será mais fácil encontrá-los.

Parte I – No Vento das Despedidas Da pequena multidão espremida no cais, persiste apenas o lento acenar de braços para os agora...

Telescópio de contar dinheiro (I)

conto santo oficio navegacao cruzada maritima europa
Parte I – No Vento das Despedidas

Da pequena multidão espremida no cais, persiste apenas o lento acenar de braços para os agora indistintos tripulantes ainda avistáveis pelo tombadilho. Medo e esperança e júbilo, numa gama bastante variada de expectativas, seguem depositados naqueles navios acabados de levantar âncora no rumo do sol nascente. Penetrar o temível Mar Oceano é seu grande e desmesurado desafio. Estamos aí no início do século XVI, e o mundo cristão vive um dos seus mais duradouros estrangulamentos desde que as hordas de Gengis Khan, mil e duzentos anos antes, ainda no início de tudo, desceram do extremo Oriente e das estepes geladas da Ásia Setentrional empurrando centenas de tribos nórdicas para o sul, de encontro aos muros do império romano.

      Aí, os envolvidos na construção do Marco vêm, fascinados, de todos os lados, ver a Paixão, que chega ao vivo, em prosa, ...

E no meio desses horrores, ergue-se a cruz de Cristo

poesia paraibana waldemar solha
 
 
 
Aí, os envolvidos na construção do Marco vêm, fascinados, de todos os lados, ver a Paixão, que chega ao vivo, em prosa, sem trilha de Johann Sebastian nem Miklós Rózsa, pra ser – sem muitos porquês - o andar mil e três. — E eis encarregados de cordas, enxós e enxadas, martelos, serrotes, marretas, cutelos, com cravos e cunhas, legais testemunhas, e Longino: lança na mão, a cavalo, no embalo, a frase em hebraico, latim e grego na bolsa, junto ao pelego,

Sísifo é um personagem da mitologia grega, rei e fundador de um território que hoje se chama Corinto, localizado na região do Pelopones...

Absurdo da existência

sisifo camus existencialismo
Sísifo é um personagem da mitologia grega, rei e fundador de um território que hoje se chama Corinto, localizado na região do Peloponeso. Sísifo viu a bela Egina ser sequestrada por uma águia a mando de Zeus. Ela era filha de Asopo, deus dos rios, que estava muito abalado com o sumiço da sua amada menina. Sísifo pensa em tirar vantagem da informação que tem e conta-lhe que Zeus havia sequestrado a jovem. Em troca, pede que Asopo crie uma nascente em seu reino, pedido que é atendido. Zeus, ao saber que Sísifo havia lhe denunciado, envia Tânatos, o deus da morte, para levá-lo ao mundo subterrâneo. Mas Sísifo engana Tânatos ao dizer que gostaria de presenteá-lo com um colar,

Quando perguntaram a José Lins do Rego qual o alimento de seus romances, na época no auge do sucesso, com seus livros tendo segu...

Coisa de romance

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Quando perguntaram a José Lins do Rego qual o alimento de seus romances, na época no auge do sucesso, com seus livros tendo seguidas edições, o autor de Banguê apontou muitos caminhos para atender à curiosidade do repórter. Ressaltou que nutria sua vocação de romancista como quem ouvia dos cantadores de feira da Paraíba e Pernambuco, por onde costumava andar. Pois sabia que estes tinham muito o que dizer.

Nas páginas do livro Suicídio e vida após a morte: amargura e remorso de poetas suicidas , mergulhamos em uma exploração profunda ...

Suicídio e vida após a morte

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Nas páginas do livro Suicídio e vida após a morte: amargura e remorso de poetas suicidas, mergulhamos em uma exploração profunda e sensível das obras de quatro poetas marcantes – Antero de Quental, Batista Cepelos, Hermes Fontes e Francisca Júlia. Este livro não apenas revela a complexidade das mentes criativas desses escritores, mas também lança luz sobre a importância de suas poesias em relação ao arrependimento, reparação e, principalmente, à prevenção e posvenção do suicídio.

Gosto do termo “brumas” para figurar o esquecimento. O que vivemos se perde numa massa brumosa que dissipa as impressões do que...

A busca de ser lembrado

imortalidade esquecimento vaidade amnesia
Gosto do termo “brumas” para figurar o esquecimento. O que vivemos se perde numa massa brumosa que dissipa as impressões do que passou. Não se revive nada, toda lembrança é o registro de uma perda. Ainda assim insistimos em lembrar, pois disso depende em grande parte a nossa identidade.

O que não pode ser visto não incomoda. Essa máxima nos protege dos males da natureza humana, que insistem surgir durante décadas e afet...

Maldades obscenas

asilo inquisicao
O que não pode ser visto não incomoda. Essa máxima nos protege dos males da natureza humana, que insistem surgir durante décadas e afetar as mentes mais frágeis entre nós.

Mesmo no início do século XX, os doentes mentais crônicos eram vistos como "degenerados" e "escória", o equivalente a criminosos e escroques, por isso a ideia de escondê-los em manicômios foi a saída na época, como tentativa de resolver as questões ainda desconhecidas de nossa alma.

Grande Ricardo Anísio! Eu o chamava Cado e ele me chamava Pêpa. Éramos tão amigos! Na verdade, quase inseparáveis. Nos tempos á...

Mente polêmica e ternura no coração

ricardo anisio perda saudade
Grande Ricardo Anísio! Eu o chamava Cado e ele me chamava Pêpa. Éramos tão amigos! Na verdade, quase inseparáveis. Nos tempos áureos, sempre estávamos próximos. Costumávamos nos reunir, sobretudo, em eventos culturais que, não raro, estendiam-se a barzinhos ou restaurantes, a exemplo do Apetitos ou Pontal do Cabo Branco.

      POESIA Dela somos dependentes. Dissecamos a poesia. Hermenêutica magia Das estradas convergentes. Dois poetas, complacen...

Vou subir velhas montanhas

poesia paraibana raniery abrantes
 
 
 
POESIA
Dela somos dependentes. Dissecamos a poesia. Hermenêutica magia Das estradas convergentes. Dois poetas, complacentes, _E esta dama prazerosa_, A flor da terra, formosa, Que nos beija, induz, fustiga, Nos botecos, nobre amiga, Na boemia dadivosa.

Com um pequeno atraso, repito o óbvio: o mundo ficou mais feio, pois morreu Jane Birkin, aquela deusa que cantava, desde 1969, “Je t’a...

Os sussurros libertadores de Jane Birkin

jane birkin serge gainsbourg
Com um pequeno atraso, repito o óbvio: o mundo ficou mais feio, pois morreu Jane Birkin, aquela deusa que cantava, desde 1969, “Je t’aime … moi non plus”, sussurrando mais que cantando, é verdade, até chegar ao clímax da imitação de um orgasmo que habitou ouvidos, corações e mentes de milhões de homens no mundo inteiro, a maioria hoje provavelmente na casa dos setenta. Que jovem daquela época heroica não dançou ou não sonhou dançar coladinho aquela linda canção feita exatamente para isso mesmo: dançar juntinho da garota dos nossos sonhos - ou pesadelos, não importa? Delícia e tortura, dependendo da situação,

A Casa de José Américo está resgatando o que se escreveu sobre o livro A Paraíba e seus problemas , nestes cem anos de presença do li...

Cem anos de um grande livro

jose americo seca paraiba bagaceira
A Casa de José Américo está resgatando o que se escreveu sobre o livro A Paraíba e seus problemas, nestes cem anos de presença do livro na biblioteca brasileira de estudos regionais.

Em sua 1ª edição de 1923, objetivava-se, de imediato, “expressar ao sr. Epitácio Pessoa o reconhecimento da Paraíba pelos benefícios outorgados como solução do problema das secas; perpetuar num livro a história desse esforço redentor.”

Parei de contar os anos. Percebi isso em duas situações: a primeira quando disse minha idade errada para um colega. Noutra, quando meu ...

Despassatempo

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Parei de contar os anos. Percebi isso em duas situações: a primeira quando disse minha idade errada para um colega. Noutra, quando meu pai errou minha idade e ele mesmo fez a retificação. Nem eu havia notado. Mas, por que em ambas as situações houve uma redução algorítmica? Talvez um anseio por querer parar o tempo ou regressar?

Nos anos 1980, eu era um garoto de 14 anos, quando li, na sessão de cartas de um gibi de super-heróis, o telefone e o endereço de E...

50 Anos de Velta

revista velta emir ribeiro quadrinhos
Nos anos 1980, eu era um garoto de 14 anos, quando li, na sessão de cartas de um gibi de super-heróis, o telefone e o endereço de Emir Ribeiro . Ele já era um quadrinhista renomado, com desenhos publicados nos Estados Unidos.

No final de dezembro de 1878, um jornal do Rio de Janeiro publicava uma notícia, vinda de Nova York, com declarações que foram dadas po...

Quando a iluminação elétrica chegou à Paraíba

joao pessoa antiga luz eletrica
No final de dezembro de 1878, um jornal do Rio de Janeiro publicava uma notícia, vinda de Nova York, com declarações que foram dadas por um auxiliar do inventor Thomas Edison:

“Há poucos dias o preparador do laboratorio de Melon Park e ajudante do celebre inventor do phonographo declarou em uma conferencia publica que em breve não só as ruas e praças de Nova York,

Domenico Di Masi se despediu da vida na semana passada. O sociólogo italiano que se tornou famoso também pelo conceito de "ócio c...

''O Ócio Criativo''

Domenico Di Masi se despediu da vida na semana passada. O sociólogo italiano que se tornou famoso também pelo conceito de "ócio criativo", segundo o qual o ócio, longe de ser negativo, é um fator que estimula a criatividade pessoal. Conceito esse que foi contra tudo o que aprendemos desde a sociedade vitoriana com o seu senso de dever, ao capitalismo selvagem, em que tempo é dinheiro e você vale pelo que produz. O irônico é que, em mais de 40 obras, Di Mais escreveu sobre o trabalho. A atividade intelectual sempre foi renegada a um lugar às margens, como também a atividade artística. A de professora igualmente, pois pensa-se que o conhecimento cai feito um facho de luz nas nossas cabeças. E que os livros são objetos diletantes. Também.

A quanto dista o zelo do cientista ao abuso apaixonado do poeta com a palavra? Aprendi assim, colhendo poesia no coração lúdico das p...

A poesia do coração

poesia medicina cardiologia
A quanto dista o zelo do cientista ao abuso apaixonado do poeta com a palavra?

Aprendi assim, colhendo poesia no coração lúdico das pessoas; era um tempo em que desconhecia o bombear cardíaco, apesar de sentir aquela aceleração gostosa no peito - condição comum para os apaixonados platônicos de todos os tempos.

O tão conhecido primeiro verso de “Art Poétique”, de Paul Verlaine, “De la musique avant toute chose” , encaminha o leitor, aparentemen...

Estesia antes de tudo

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O tão conhecido primeiro verso de “Art Poétique”, de Paul Verlaine, “De la musique avant toute chose”, encaminha o leitor, aparentemente, para o entendimento da poesia como música, no sentido restrito de musicalidade. Será isto mesmo? Na discussão do que é ou do que não é literatura, esta formalidade que reveste a criação com a palavra, o poeta francês busca a música ou ele, sutilmente, vai além e a entende à maneira dos gregos, à maneira de Platão, μουσική, definida como as artes de todas as Musas? Fico com a segunda possibilidade.

Meus pais me levaram a São Paulo quando eu tinha 4 anos. Foi a primeira vez que viajei de avião e provavelmente deve ter sido a bord...

Nas asas da Panair

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Meus pais me levaram a São Paulo quando eu tinha 4 anos. Foi a primeira vez que viajei de avião e provavelmente deve ter sido a bordo da Panair. Não lembro de quase nada, afora um terno branco com o qual me vestiram para aquela viagem. Lembro porque há uma foto registrando o momento.

Faz bem se ele resolver sair, nesta chuva que escorre rápida pelos regos e açoita vidraças. Precisa comprar o presente para o aniversár...

Presente de aniversário

conto perda fatalidade
Faz bem se ele resolver sair, nesta chuva que escorre rápida pelos regos e açoita vidraças. Precisa comprar o presente para o aniversário do próximo sábado. A bota que gostava de usar está com cicatrizes de remendos. Ainda trocou o pijama azul pelo casaco de couro, ficou pestanejando, a olhar as bátegas caírem com estrondo, enquanto a mulher, o rapaz e a moça, friorentos, se agasalhavam nos quartos e nos cobertores. Ninguém desejava que ele saísse numa tarde daquelas balançada pelo toró ameaçador em permanecer noite adentro. Não queria deitar-se, embora escutasse o apelo da família enrodilhada nos abrigos domésticos.