Foi o que li nesta última quarta-feira, 3, ao abrir a página para chegar de espírito aberto à bem-humorada crônica semanal de Luiz ...

Paínho, mainha morreu!

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Foi o que li nesta última quarta-feira, 3, ao abrir a página para chegar de espírito aberto à bem-humorada crônica semanal de Luiz Augusto de Paiva e deparar com o imprevisto, já um mês depois de decorrido.

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José Octávio A. Mello
José Octávio, fugindo ao estilo do expositor, do articulista veterano, muda de tom; o comentário semanal transmudado numa elegia a Amável, Amável Maria, nome feito para a sua exclamação, esposa e companheira durante cinquenta e seis anos de vida em comum, onde estava um vendo-se os dois. E despreguei-me do tempo e do jornal ao me confrontar com a notícia e o modo como pai e filho se viram partidos.

De jornal largado às pernas, entra-me sala adentro, aqui nos Expedicionários, o salão burocrático do Palácio de fins dos anos cinquenta, naquele mesmo cenário que tentei reviver com outra funcionária, Ismália Borges, a regente do expediente lembrada nas “Notas do meu lugar”, meu primeiro livro de vivência com a cidade e sua gente.

Não lembro, agora, naquela fase cerimoniosa ambientada em Palácio, se esse rosto fiel às mesmas feições já pertencia a seus quadros. Certamente que não, dada, entre nós, a
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Ismália Borges
grande diferença de idades. Mas vem dessa convivência no trabalho, cerceada em nossos passos pela solenidade do ambiente em que nos conhecemos, jovens de outras serranias, advindos do interior.

Pouco depois conquistei a amizade de Miguel Targino, seu irmão, chegado de Araruna e hóspede, como eu, do quarto que a API e José Leal reservavam para os jornalistas visitantes. Ocupávamo-lo indebitamente, eu por ser tesoureiro e Miguel por vir da terra de minhas primeiras grandes amizades sedimentadas no Pio XI de Campina, José Moura e Tota dos Carneiro da Cunha.

Na página que volta a escrever nas primeiras semanas de luto, o confrade José Octávio, entre as demais virtudes, realça, comovido, que todo mundo era amigo de Amável Maria, “beneficiário do seu companheirismo de amizade e amor”. E, linhas adiante: “Tinha a qualidade de não alimentar ódios” e “Não apoiava meus destemperos”.

É sobretudo nisto, creio, que conservo da jovem funcionária de Palácio a dívida de seu apego ao bom relacionamento. Não deve ter sido
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Amável Maria Mello
uma nem duas vezes que pôde interceder nos nossos “destemperos”, meus e de José Octávio, ele membro de uma família que me fez cruzar os seus batentes como se fosse um conterrâneo ou mesmo a ela pertencesse.

Era a casa de D. Otília, na Santos Dumont, família que não havia nome que não a ilustrasse, desde Inalda de Arruda Mello, com quem me defrontei numa mesa de Liceu para convalidar os dois anos de ginásio que eu trazia na bagagem de retirante.

Família sem anônimos, a partir do chefe, Doutor Arnaldo, integrante da equipe de agrônomos que deu nome à Paraíba na produção de qualidade do seu algodão, da sua pecuária e, dependesse da sua intervenção na nossa agricultura, estaríamos em outro patamar na fruticultura nordestina.

Com atraso, peço desculpas à família por não ter chegado em tempo com o pesar que não se encerra no aperto de mãos.

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