O dia mal nasceu. A noite dá seu último adeus, dizendo:

Mendigos

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O dia mal nasceu. A noite dá seu último adeus, dizendo:

— Você tem mais um presente à sua espera: o novo dia.

As ruas da cidade, os cantos e recantos logo se enchem de mendigos.

Todos os rostos se confundem: velhos, novos ou infantis. Há neles alguma coisa em comum, como se esperassem — errado ou certo — que a mão estendida lhes desse uma esperança. Alguns não sabem de quê.

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Mas neles não deixa de haver um brilho nos olhos, debaixo dos farrapos ou das mil mentiras de que falam. Parecem ter sonhos em que acreditam. Parecem esquecer que a rua é o seu leito. Todos são como um milhão de outros mais. Vivem no limite, não importando, neste momento, o porquê.

Quero falar de outros mendigos, fechados em casas ricas ou pobres. Acordam por acordar. Repetem as mesmas coisas de todo dia. Dão bom-dia sem olhar nos olhos e também não são olhados. Ninguém quer saber, de verdade, como estão. Seu tempo passou. Suas palavras são cansativas para os parentes.

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Olham o céu pela janela. Estão em paz. Levantam o olhar e choram. Mas continuam, porque se alimentam da fé. Quem sou eu para julgar? Mas, se não fosse Jesus, esses zumbis das grandes metrópoles não resistiriam. Só Ele os consola. Ele lhes diz que a felicidade é tê-Lo no coração. Ele cuida deles, assim como daqueles que estão nos guetos.

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O segredo que está em seus corações ninguém sabe. Hoje não se fazem visitas... Não se recebe mais ninguém. Marcam-se encontros. Relacionamentos sociais que tiram a beleza das conversas em família.

Viver assim é ter um único Amigo: Jesus. Só Ele dá força a esses milhões de mendigos da solidão! É tão pouco o que querem: um abraço sincero, uma palavra amiga e alguém que os ouça de verdade.

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