As Igrejas de São Francisco, o Mosteiro de São Bento, a Catedral Basílica Nossa Senhora das Neves, a Igreja do Carmo e da Misericórdia formam um conjunto arquitetônico para acolher a presença humana que busca harmonia com Deus.
Na arquitetura e na arte dos templos religiosos, sejam os antigos ou os da modernidade, possibilita-se a vivência do contato com Deus e nos educa para entender sua presença no Cosmos.
Igreja N. S. do Carmo (J. Pessoa-PB) ▪️ Fotografia: Noelia Brito
Contemplando-os, fico a pensar nas mãos que construíram estes santuários religiosos, porque talvez não tenham se dado conta de que edificavam lugares onde as pessoas iriam para o encontro com o Invisível, no espaço visível.
Catedral de São Basílio, em Moscou ▪️ Fotografia: W. Bulach
Enquanto caminho pelas ruas na peregrinação solitária, cheguei à conclusão de que as cidades se apresentam como uma casa a nos acolher. No caso específico da antiga Filipeia de Nossa Senhora das Neves, as antigas igrejas estão em posição geográfica a irradiar energias espirituais.
Naquela manhã, desejava sentir o Supremo em cada templo. Como caminhante na estrada de Emaús, escuto as palavras de Jesus aos meus ouvidos e reconheço o Invisível na Eucaristia quando me aproximo do Sacrário ou do altar, com o pão e o vinho colocados nas âmbulas e patenas, fontes inesgotáveis, no mais amplo sentido, para reconstruir o projeto de minha vida a cada dia.
Sem conhecer as catedrais góticas e templos milenares existentes em lugares distantes para o repouso do espírito, contento-me em caminhar pelas igrejas existentes em nossa cidade para nelas sentir a presença de Deus, vivo no Sacrário.
Igreja da Misericórdia (J. Pessoa-PB) ▪️ Facebook: BrasilisRegnum
Se as pessoas buscassem as igrejas com maior frequência para desfrutar do silêncio do espaço litúrgico, viveriam o reencontro consigo e se alimentariam da paz emanada do lugar.
Sem me dar conta, na minha infância e adolescência, tinha o repouso no cansaço quando andava pela Natureza, escutando o vento nas palmeiras de Serraria e o barulhinho da água nos riachinhos perto de nossa casa, no sítio Tapuio.
Quando cresci, percebi Cristo na fração do pão próximo. Este pão que conhecemos no grande gesto de Jesus, que os habitantes de Emaús também compreenderam depois de ele repartir à mesa.
Enquanto percorro os caminhos das cinco igrejas da cidade de João Pessoa, observando a beleza arquitetônica, recordo que cada uma, no seu interior, tem o sentido de recordar o Cosmos. O claustro do Convento São Francisco possibilita essa conexão com o Invisível quando olhamos para o alto.
Capela da Ordem Terceira de São Francisco (J. Pessoa-PB) ▪️ Fotografia: Rogerio Freitas
Como na arte, a literatura inspira-nos no cotidiano, nas paixões e na construção de sadios acontecimentos na vida espiritual. Tudo que vem da arte enche a vida de sementes que dão bons frutos.
Nestes espaços sagrados, não podemos renunciar às palavras e ao sopro místico. Quem aprende a ver o interior e o exterior dos templos religiosos e da Natureza aproxima-se ainda mais de Deus.
Fico com os teólogos quando apontam que “a verdadeira Igreja é a Igreja das pessoas, pedras vivas”.
Isso porque tudo, “a roupa, o alimento, a construção, por mais bela que seja, serve à construção das pedras vivas”.
Nos espaços onde Deus habita, há esperança; devem entrar os sábios, os poderosos, os coxos, os aleijados, os estropiados, as pessoas com suas dúvidas.
Estes espaços devem estar sempre de portas escancaradas para receber a todos.











