Neste ano, entre os dias 22 e 26 de julho, ocorreu a 24ª FLIP (Feira Literária Internacional de Paraty), considerada o maior evento do gênero, cuja homenageada foi a poeta Orides Fontela. Embora desconhecida pelo grande público, a escritora teve sua obra avaliada e elogiada por críticos de renome, a exemplo de Antonio Cândido, Davi Arrigucci, Marilena Chauí, Nelly Novaes Coelho, Alcides Villaça e Augusto Massi.
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Massi, inclusive, estava na programação principal da Festa. A participação de todos os autores convidados para o programa central do evento está disponível no Youtube.
Dada a relevância cultural da cidade e da festa, sempre sonhei em viver esse momento. Ansiava encontrar personalidades como Drauzio Varella, Lilia Schwarcz, Vera Iaconelli, Valter Hugo Mãe, Carol Tilkian, Itamar Vieira Júnior, Renato Noguera, entre outras. Cheguei ao Rio de Janeiro no dia 22 e de lá segui para rodoviária para tomar um ônibus rumo à cidade histórica. Foram mais de 5h de estrada.
No primeiro dia, já deu para sentir o clima da cidade, repleta de pessoas de diversas partes do Brasil e do mundo. A pequena urbe exalava vontade de saber, de beber, comer (doces e outros quitutes), festejar e, sobretudo, de ler. Minha impressão era de que a cidade, naquele momento, era o local do Brasil com a maior quantidade de gente bonita e feliz por metro quadrado.
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Eu precisava disso e disto: ver de perto tantos intelectuais cujo trabalho venho acompanhando há tempos, ouvindo-os de longe, lendo-os nos meus preciosos momentos de solidão. Dia 25 foi o Dia do Escritor; 31 de julho, meu aniversário. Desde 2019, tenho me dado de presente alguma viagem. A FLIP – sonho antigo – vinha sendo para mim adiada, por circunstâncias diversas.
E veio no momento certo: encontrar pessoas como o Pedro Pacífico – o Bookster –, que vem disseminando pelo Brasil o prazer da leitura, apresentando-nos excelentes sugestões de leitura;
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Lilia Schwarcz, historiadora e antropóloga que, junto a professora Heloísa Starling promoveu grandes reflexões acerca sobre nosso País nesse um quarto do século XXI; Drauzio Varella, cujas obras li em sua maioria, a quem pude fazer uma pergunta durante sua participação na CasaFolha. Essa oportunidade, de indagá-lo e receber a resposta com ele olhando em meus olhos – dentre tantos outros encontros – trouxe-me uma emoção que não cabe no papel, mas vale o registro – aqui, na memória, nas fotografias.
Tão prazeroso quanto encontrar essas personalidades é a oportunidade de conversar com pessoas nas imensas filas que se formam durante a FLIP. Foi em uma delas que conheci a psicanalista Ruth Jeunon, que acabou adquirindo o único exemplar de O peso da borboleta que levei na bagagem — justamente pensando no encontro de leitor(a) e obra.
Não obstante os bons encontros, claro que vem o cansaço. Para a maioria das sessões nas casas parceiras da Feira, era necessário chegar 1h antes e até 5h, como foi o caso do local Caixa de Histórias, onde se apresentaria o escritor Valter Hugo Mãe. Quem esperava assistir a muitas palestras e rodas de conversa teve de se contentar com vinte por cento do que se programou ou procurar outro espaço menos concorrido. Afinal, os locais destinados cabiam em média 30 pessoas.
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Para mim, o mais absurdo foi a escolha de um desses espaços para acontecer o show de Chico César. Não deu para quem quis, inclusive, para mim. Com espaços amplos, como a Praça da Matriz e outro ao lado da ponte principal, nos quais era possível reunir um público muito, muito maior...
Além das filas imensas e dos diminutos espaços, há muita dificuldade de transitar. Quem já esteve em Paraty pode dizer que conheceu o caminho das pedras, muitas e irregulares, difícil até mesmo para os joelhos mais fortes e jovens. Um quilômetro de caminhada tem peso cinco.
No último dia, a literatura foi outra. Optamos por um passeio pelas ilhas paratienses. Por sinal, domingo foi o único dia desde o início da Festa em que, de fato, o sol se mostrou. Arrisquei, então, um mergulho no mar – bem gelado para um nordestino –, mas retornei com a alma bem aquecida e ainda mais fascinado pela força das palavras.