Houve quem escrevesse, logo depois da Primeira Guerra, a França livre da ocupação nazista e do seu derrotismo, que “Um mundo ganho para...

Como se escreve bem, e quantos!

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Houve quem escrevesse, logo depois da Primeira Guerra, a França livre da ocupação nazista e do seu derrotismo, que “Um mundo ganho para a técnica está perdido para a liberdade”. Pinço a sentença do “Dicionário de Citações”, fruto da santa e generosa paciência de um sábio que escolheu o Brasil da ditadura de Getúlio para respirar a liberdade que faltou nos países detentores dos maiores arsenais bélicos de maior poder catastrófico, o húngaro Paulo Rónai.

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Georges Bernanos, influente escritor, ensaísta e jornalista francês do século XX, reconhecido por sua aversão à burguesia materialista e forte engajamento político autor de obra combativos contra a desumanização tecnológica e o totalitarismo ▪️
A sentença vem de Bernanos, veterano da Primeira Guerra, como Rónai, também corrido para o Brasil em 1938, já célebre com seu Diário de um pároco da aldeia, ainda com vestígios na minha memória.

Com ele, com Ortega y Gasset, com o grande Tristão de Ataíde, ficou-me um certo receio de ligar o chuveiro elétrico ou diante dessa caixinha que carboniza comida sem fogo. E gozo a felicidade de morar num país que não pensa em artefatos mortíferos nem em ganhar dinheiro com eles. País do Carnaval a se sacudir no romance de Jorge Amado. País do futebol na unanimidade da nossa cultura alegre.

Mas temos de nos render a este outro mundo novo, reduzido à aldeia pelas comunicações e próximo do milagre ou em pleno milagre, como os avanços inimagináveis no campo da saúde. Muitos deles produzidos pela pressão da guerra, como a penicilina, um tesouro forjado nos laboratórios e oficinas do mal.

Eis um introito comprido derivado de três livros que me chegaram esta semana, todos saindo de nossos prelos ou editoras de João Pessoa, Campina ou Cajazeiras, de um padrão editorial que nada fica a dever às experientes matrizes
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Padre Ernando Teixeira ▪️ Acervo Francisco Sales Cartaxo Rolim
tradicionais do Rio e São Paulo. Não há semana que não me venha uma novidade, um autor novo, além dos já implantados ou estabelecidos na expectativa do leitor viciado. Nem termino, emocionado, o convívio por duas horas com o pensamento e as obras de restauração histórica e religiosa do padre Ernando, pesquisadas e recobradas em livro de Francisco Sales Cartaxo Rolim, e me chegam, na semana, duas outras obras, entre elas Dito e Feito, de Adhailton Lacet Porto, obras que nos recomendam, gráfica e literariamente, a todos os públicos e mercados deste país. Sem falar na beleza de livro em que Gil Messias nos faz maiores.

A União Editora acrescenta, de uma só vez, mais de trinta títulos, a maioria de gente nova de idade, porém madura em sua estética literária, tendo a seu favor e da nossa cultura prelos a escolher, por mais que se restrinja hoje o número de livrarias.

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Linotipo, máquina de composição tipográfica por fundição a quente que revolucionou a indústria gráfica e a imprensa no final do século XIX ▪️ Facebook: @fotosevideosantigos:
Em 1978, quando editei meu livro Notas do meu lugar, dispúnhamos, além da nossa nobilíssima editora oficial, da Editora Universitária em seus primeiros trabalhos. Ainda compus em linotipo, já às vésperas de virar sucata com a composição a frio. E imprimi numa impressora plana que o presidente João Pessoa importou da Suíça para um salto de vara do velho jornal. Hoje, a tecnologia juntou, no mesmo teclado, a máquina do escritor e a do componedor. Isto justamente depois que o jornalismo, a literatura, a filosofia, a história passaram a ser ministrados pela Universidade, a grande revolução cultural com profunda e ostensiva influência na paisagem urbana e humana.

Leiam o jornal A União, legítimo testemunho e patrimônio cultural da Paraíba, e me digam o que falta para estarmos em qualquer esquina ou banca de revista do mundo. Como se escreve bem, e quantos!
  Publicado hoje, 27/09/26, no jornal A União

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