Há em Patos um personagem conhecido como “Chico das Preacas”. Dizem que ele é chegado a um dinheirinho emprestado; já pagar, que é bom, é outra conversa. Pois esse tal Chico soube que um novo gerente havia assumido a agência local do Banco do Brasil. Imediatamente, pôs seu terno branco, chapéu, gravata vermelha e subiu apressado a escada que dá acesso à gerência do banco. Largo de gestos e bem-falante, foi logo se apresentando.
GD'Art
— Boa tarde, eu sou o novo gerente, meu nome é Toshio, sou filho de japoneses que emigraram para São Paulo.
Querendo agradar, Chico apontou para um retrato do presidente Sarney (então presidente da República) pendurado na parede e perguntou ao nissei:
— É seu parente? É a sua cara. Mas veja bem, eu vim aqui para fazer negócios com o Banco do Brasil. Aliás, já tenho conta aqui.
Enquanto o gerente pedia a ficha de Chico, tomaram um café pequeno e o “japa” foi desfiando seu rosário.
— Pois é, seu Francisco, vim aqui para incrementar negócios; queremos emprestar dinheiro, financiar plantações, aquisição de gado, o que for necessário.
GD'Art
— Sr. Francisco, quanto é que o senhor quer emprestado?
— Quanto é que o banco tem?
— Não, seu Francisco, não é assim e, mais ainda, devo avisar que o prazo do empréstimo é muito pequeno.
— Dá tempo de descer as escadas da agência? Se der, é comigo mesmo.







