Marineuma Oliveira (Bienal Internacional do Livro de São Paulo ⏤ setembro 2026) ▪️ Acervo pessoal"> Há substancial diferença e...

Da Bienal Internacional do Livro de São Paulo

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Há substancial diferença entre ler e gostar de livros. Nem sempre quem os ama é um grande leitor, assim como nem todo leitor cultiva uma relação afetiva com esse objeto. Ler é mergulhar no texto, página a página, acompanhar as ideias do autor e dialogar com elas. Gostar de livros, por outro lado, envolve muito do que eles representam: o projeto gráfico impactante e inovador, o cheiro, a assinatura de um escritor consagrado, o fato de estarem entre os mais vendidos e até o prazer de possuí-los.

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Existe uma espécie de aura em torno do livro. Para algumas pessoas, tê-los em casa, preencher estantes ou exibi-los tornou-se também uma forma de identidade e, às vezes, de distinção intelectual. Não por acaso, há artefatos decorativos que simulam livros verdadeiros apenas para compor ambientes. Em tempos de espetacularização da imagem e de exposição nas redes sociais, comprar livros nem sempre significa lê-los. Claro que não quero relativizar a questão. Há quem compre muito porque lê muito. Mas existe, evidentemente, quem veja nele um símbolo cultural, um objeto de desejo que ultrapassa o seu conteúdo. O fascínio pode nascer da leitura, bem como de tudo o que uma obra possa significar.

Por gostar de ler e de livros, fui, este ano, à Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Não querendo ser apenas espectadora do evento e fazendo parte de uma comunidade de mulheres que escrevem e levam a escrita a sério, realizei, em um estande, algumas atividades, como lançar minha mais nova publicação, De gatos e outros bichinhos, e conduzir uma roda de conversa, juntamente com a amiga cordelista Juliana Soares, sobre o tema “Do verso à prosa, a poesia como lugar de encantamento e de reflexão”.

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Marineuma Oliveira na 28ª Bienal Internacional de São Paulo ▪️ Acervo da autora /// publishnews.com.br
Impressionei-me com o tamanho das filas para entrar no evento e nos estandes, assim como para escolher, pagar e obter autógrafos. As pessoas se espremiam nos corredores e nos locais destinados ao mercado editorial. O movimento era intenso, contínuo, quase vertiginoso.

A maioria dos presentes era formada por jovens ansiosos por encontrar seus autores preferidos, conseguir um autógrafo, tirar uma fotografia ou participar de algum encontro promovido nos espaços para palestras e entrevistas.

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Marineuma Oliveira na 28ª Bienal Internacional de São Paulo ▪️ Acervo da autora /// publishnews.com.br
Em meio a tudo isso, uma cena me chamou a atenção: muitas pessoas circulavam puxando malas de rodinhas. À primeira vista, pensei que tivessem vindo diretamente de uma viagem. Logo percebi que elas serviam para acomodar os livros comprados ao longo do dia.

Quanto aos livros em si, a diversidade de publicações era impressionante. Havia literatura de toda natureza, como produções acadêmicas, infantis, juvenis, religiosas e técnicas, além de inúmeras obras que ganharam adaptações para o cinema, a televisão e as plataformas de streaming. Tudo convidava ao encantamento e à descoberta, mas também ao consumo exacerbado.

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28ª Bienal Internacional de São Paulo ▪️ Fonte: publishnews.com.br
Embora tantos escritores famosos constassem da programação oficial, encontrei pessoalmente apenas Conceição Evaristo e Thalita Rebouças, entre aqueles cuja obra eu já conhecia. Pela primeira vez, senti uma enorme distância entre minha geração e a de hoje, que puxa uma mala de rodinhas. Em meio à multidão, eu era apenas uma pequena parte daquela massa humana, anônima e barulhenta.

Como resultado da experiência, vendi alguns livros, adquiri uns poucos, conheci muita gente interessante e não lamentei pelo que gastei com passagens, hospedagem e alimentação, assim como não me arrependi por não ter comprado um dos patinhos amarelos, febre entre o público das feiras literárias no Brasil, usados como acessórios na cabeça da maioria.

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