Há substancial diferença entre ler e gostar de livros. Nem sempre quem os ama é um grande leitor, assim como nem todo leitor cultiva uma relação afetiva com esse objeto. Ler é mergulhar no texto, página a página, acompanhar as ideias do autor e dialogar com elas. Gostar de livros, por outro lado, envolve muito do que eles representam: o projeto gráfico impactante e inovador, o cheiro, a assinatura de um escritor consagrado, o fato de estarem entre os mais vendidos e até o prazer de possuí-los.
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Por gostar de ler e de livros, fui, este ano, à Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Não querendo ser apenas espectadora do evento e fazendo parte de uma comunidade de mulheres que escrevem e levam a escrita a sério, realizei, em um estande, algumas atividades, como lançar minha mais nova publicação, De gatos e outros bichinhos, e conduzir uma roda de conversa, juntamente com a amiga cordelista Juliana Soares, sobre o tema “Do verso à prosa, a poesia como lugar de encantamento e de reflexão”.
Marineuma Oliveira na 28ª Bienal Internacional de São Paulo ▪️ Acervo da autora /// publishnews.com.br
A maioria dos presentes era formada por jovens ansiosos por encontrar seus autores preferidos, conseguir um autógrafo, tirar uma fotografia ou participar de algum encontro promovido nos espaços para palestras e entrevistas.
Marineuma Oliveira na 28ª Bienal Internacional de São Paulo ▪️ Acervo da autora /// publishnews.com.br
Quanto aos livros em si, a diversidade de publicações era impressionante. Havia literatura de toda natureza, como produções acadêmicas, infantis, juvenis, religiosas e técnicas, além de inúmeras obras que ganharam adaptações para o cinema, a televisão e as plataformas de streaming. Tudo convidava ao encantamento e à descoberta, mas também ao consumo exacerbado.
28ª Bienal Internacional de São Paulo ▪️ Fonte: publishnews.com.br
Como resultado da experiência, vendi alguns livros, adquiri uns poucos, conheci muita gente interessante e não lamentei pelo que gastei com passagens, hospedagem e alimentação, assim como não me arrependi por não ter comprado um dos patinhos amarelos, febre entre o público das feiras literárias no Brasil, usados como acessórios na cabeça da maioria.













