A cidade nasceu quando as terras férteis e o clima atraíram pessoas entendidas em engenhos, fazendas de gado e outros afazeres do campo.
Alguns chegaram trazidos no lombo de cavalos e de mulas, subindo pelas veredas escuras, e, com o machado, deixavam o clarão entre as árvores, onde a passarada entoava suas melodias. O lugar tinha belezas atrativas, com perfume que exalava das serras, e nos córregos abundava água cristalina.
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Meus antepassados, a exemplo de outras famílias, aqui chegaram de mansinho, atraídos pelo mesmo desejo de ocupação das terras fecundas, sesmarias cobiçadas. Com o tempo, outros adotaram esta terra.
Serraria nasceu formosa. Começando um tempo promissor, não demorou a tornar-se vila e, logo depois, cidade, graças ao empenho de senhores apaixonados pelo lugar. Nos derradeiros anos do século dezenove, mesmo pequena, ostentava o símbolo do progresso.
No começo do século passado, novos moradores chegavam para residir no povoado que nascia em torno de uma serraria. Eram poucas casas de taipa e chão batido, erguidas no declive mais alto do centro do Brejo, coberto de matas, de onde, a olho nu, se avista uma vasta região ao largo, em todas as direções, cuja beleza arranca um sorriso do mais carrancudo visitante.
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No momento em que a Paraíba se dividiu entre perrepistas e liberais, a cidade não se intimidou diante de ameaças por ocasião dos entreveros protagonizados por simpatizantes de João Pessoa e João Suassuna, tomando posições que nos orgulham e carecem de ser lembradas.
Época em que se destacava, sobremaneira, pela força produtiva advinda do campo, com o algodão, a cana-de-açúcar, a pimenta-do-reino, o fumo, a castanha-de-caju e a agave ganhando status no mercado internacional, até chegar ao bananeiral de hoje, dando camisa e animando as festas de final do ano.
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Apesar de seu apogeu econômico e destaque político em décadas passadas, a cidade definhou.
É preciso rememorar o passado para construir caminhos alvissareiros. Por isso, um grupo de filhos desta terra, vivendo distante ou não, mas carregando no sangue a fibra dos antepassados, pensa em propostas culturais para ajudar a cidade a se desenvolver. A esperança é de que, no futuro, tenhamos menos gente com a mão estendida, pedindo arrego para saciar a fome.
Os caminhos são longos, com curvas que podem levar a outras paisagens, mas, focando no alvo maior, independentemente das curvas e dos caminhos distantes, haveremos de construir a cidade desejada, sonhada pelos seus primeiros habitantes. O ganho será o prazer de ver a cidade sorrindo, com menos problemas e famílias sem panela vazia.








