A posse do professor e escritor João Batista de Brito na Academia Paraibana de Letras é um momento para relembrar. Foi uma noite em que a poesia, o cinema e a teoria literária ganharam uma maior dimensão para marcar a chegada dele à casa do pensamento paraibano. Leitor profícuo e tradutor do inglês para a língua portuguesa, João Batista reuniu, na sexta-feira, dia 25 de agosto, antigas e novas revelações da arte de escrever. Uma noite engalanada, enriquecida com os dois discursos, do empossando e do poeta Hildeberto Barbosa Filho, que falou em nome dos demais acadêmicos.
Foi aprovado esta semana, no Congresso, o fim da escala 6 x 1. Ou seja, a partir de dezembro, o trabalhador terá dois dias de descanso, frente a cinco de trabalho, sendo que um caia no domingo. Não é pouca coisa. Um dia a mais para o lazer, para a convivência familiar, para ficar na rede, ir à praia, cuidar do jardim e/ou dos filhos. Tratando-se da classe trabalhadora, sabemos que esse lazer está difícil. A carestia e a luta pelo pão de cada dia não deixam brecha para consumir cultura, lazer ou simplesmente descansar. Mas, mesmo assim, é um ganho histórico para quem trabalha a semana toda.
“Estou com o presidente; é preciso legalizar o porte de armas. O mundo está muito violento, e a gente tem que se defender das ameaças que sofre todo dia. Não que eu vá sair por aí dando tiros; só farei isso em caso de necessidade. E convenhamos que eles são muitos. Ontem, por exemplo, notei um sujeito olhando fixamente para as pernas de Odete, minha mulher. Ela tem, de fato, pernas bonitas e gosta de usar uns vestidos curtos para mostrá-las. Até já brigamos por causa disso, mas eu cedi depois de ela dizer que não era justo que eu, por um ímpeto machista, buscasse ‘suprimir’ uma parte do seu corpo.
Existe uma forma de desaparecer sem sair do lugar. Acontece quando continuamos caminhando pelas ruas, frequentando os mesmos cafés, cumprimentando conhecidos e participando das conversas. Mas, de alguma maneira, deixamos de ser percebidos. Estamos presentes e não somos notados. Somos lembrados para algumas coisas, mas raramente desejados para outras.
É linha da vida que se abre cheia de tracinhos salteados, ora sem interrupções. A velocidade une os intervalos do asfalto, do concreto. As imperfeições somem; agora tudo é apenas uma sequência perfeita. À frente, novas curvas, quebra-molas, buracos, cidades e destinos. Pelo retrovisor, é só uma olhadela rápida no passado, uma conferida, talvez uma cautela necessária para avaliar a rota, os marcadores, os atos do roteiro.
O mais produtivo dos nossos autores aldeãos lançou recentemente mais duas produções: Sarafim, Reino Encantado e Nunca mais quero tudo, ambos com o selo da Ideia Editora, sinônimo de qualidade. Os livros têm pouco mais de cem páginas cada um, como costumam ser as reuniões de poemas, mas diferenciam-se em alguns aspectos.
Entre o final da década de 1990 e os primeiros anos do século XXI, eu costumava frequentar, em Campina Grande, o Encontro para a Nova Consciência, uma iniciativa que demonstrava ser possível aproveitar o Carnaval para alguma coisa além de ressacas, confissões constrangidas e promessas de abandonar a bebida na quarta-feira de cinzas.
O artigo Tendências do pensamento brasileiro, do filósofo e professor Octavio Ianni (1926–2004), foi publicado em novembro de 2000, na revista Tempo Social (v. 12, n. 2, p. 55–74), da Universidade de São Paulo (USP). O texto apresenta um panorama analítico da tradição intelectual dedicada à formação social, política e econômica do Brasil. A tese central de Ianni é que o Brasil se distingue por ser um país que “se pensa contínua e periodicamente”, sobretudo em conjunturas críticas ou em momentos de ruptura histórica. Para o autor, o conjunto de interpretações nacionais e estrangeiras constitui tanto um esforço sociológico de explicação das forças sociais quanto uma complexa narrativa ficcional e metanarrativa produtora de significados sobre a identidade nacional.
Não sei se melhor seria envelhecer por igual, física e mentalmente — o descenso em harmonia com o corpo e a mente —, ou ter o juízo a andar sem obediência ao fôlego e à disposição das pernas e dos pés.
... no Grande Teatro do Mundo... ficaria muito longo o título, se bem que "perfeito". Coloco aspas, porque seria muita ousadia chamar um título de "perfeito". Na Espanha, sempre entrevisto ou encontro um fantástico professor, que me traz à mente a seguinte brincadeira: ao me apresentar pela primeira vez, eu teria dito "Olá, sou Denise", e ele responderia "Sou Perfeito" (note-se a letra maiúscula). Ao que pensaríamos: "ninguém na Terra é perfeito", mas ele é! Se chama Perfecto! Que interessante nome!
Existem livros que não se limitam a contar uma história: eles reabrem uma porta que o tempo julgava definitivamente fechada. Sarafim, Reino Encantado, de Hildeberto Barbosa Filho, pertence a essa espécie rara de obra em que literatura, memória, paisagem e existência se encontram numa mesma corrente subterrânea. O Sarafim não é apenas um lugar geográfico da infância do autor.
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É, sobretudo, um território interior, uma espécie de pátria íntima onde permanecem vivos os seres, os animais, os afetos, as paisagens e as primeiras descobertas que constituíram o homem antes que o homem se tornasse escritor.
A deusa Palas Atenas chega a Ítaca, para anunciar o retorno próximo de Odisseus, conforme se decidiu no Concílio dos Deuses, presidido por Zeus, no Olimpo (Odisseia, Canto I, versos 19-104). Telêmaco a recebe, sem saber que, sob a forma de Mentes, rei dos Táfios (εἰδομένη ξείνῳ, Ταφίων ἡγήτορι Μέντῃ, verso 105), se encontra a deusa de olhos glaucos. Após a recepção do estrangeiro, de acordo com o que prescreve a Lei da Hospitalidade, Mentes/Atena se apresenta como antigo amigo de Odisseus, que se orgulha de uma hospedagem recíproca de longa data (ξεῖνοι δ’ ἀλλήλων πατρώιοι εὐχόμεθ’ εἶναι ἐχ ἀρχής, versos 187-188).
Costumo ligar o televisor à procura de assuntos quase sempre ausentes da programação diária das emissoras nossas de cada dia, essas de canal aberto. O progresso tecnológico propicia isso: a navegação pelas ondas da Internet tendo-se como veículo uma smart tv, a “televisão inteligente” equipada com sistema operacional de conectividade de rede, via wi-fi. Quando essa inteligência eletrônica suplanta a minha, o que não raramente acontece, socorrem-me os filhos, ou o neto.
O tempo não é apenas aquilo que o relógio mede. É também a maneira como a vida se revela: às vezes depressa, às vezes devagar, quase sempre fora do ritmo que gostaríamos de impor a ela. Há momentos em que parece abrir caminhos diante de nós e outros em que nos mantém diante de uma porta fechada. Nesses intervalos, surge uma pergunta antiga: