28.2.23
Desde quando meu amigo Nathanael Alves passou para o mundo desconhecido, há mais de quatro décadas, tenho me valido de nossas conver...
Desde quando meu amigo Nathanael Alves passou para o mundo desconhecido, há mais de quatro décadas, tenho me valido de nossas conversas e das imagens que guardo dele quando me recolhia ao aconchego de sua biblioteca. Foi ele quem me ofereceu alguns livros de formação, mesmo que não tenha lido os mais conhecidos.
28.2.23
28.2.23
Ou, como diz Hamlet: “ Nada, em si, é bom ou mau – depende de como nos chega ” É famosa a sequência, em CASABLANCA - filme de...
Ou, como diz Hamlet:
“Nada, em si, é bom ou mau – depende de como nos chega”
É famosa a sequência, em CASABLANCA - filme de Michael Curtiz, 1942 (em plena Segunda Grande Guerra) - , em que um grupo de militares nazistas canta no bar do Humphrey Bogart, quando Paul Henreid – com o consentimento do dono da casa – manda que a orquestra execute a Marselhesa, que é cantada de pé por todos os presentes, humilhando os invasores alemães. Já na
“Abertura 1812" , composta em 1880 por Tchaikovsky, a Marselhesa representa a terrível invasão napoleônica na Rússia, que a esmaga, no final, com o hino “Deus Salve o Czar”.
28.2.23
28.2.23
Outrora as pessoas morriam mais cedo e nem assim deixavam de fazer as obras que poderiam notabilizá-las. Parece que a consciência da b...
Outrora as pessoas morriam mais cedo e nem assim deixavam de fazer as obras que poderiam notabilizá-las. Parece que a consciência da brevidade da vida levava-as a intensificar seu trabalho. Era como se, intuitivamente, soubessem que não tinham tempo a perder. Ameaçadas por um número maior de doenças sem cura, não podiam se dar ao luxo de adiar projetos e sonhos. Nossos poetas românticos, por exemplo, deixavam este mundo na flor da idade, ceifados pela sífilis ou pela tuberculose, mas as suas obras pareciam consumadas. Eram o melhor que eles poderiam fazer.
28.2.23
27.2.23
As possibilidades de passatempo, divertimento e serviços antiestresse surgiram para uma geração sem preparo suficiente em entender a fr...
As possibilidades de passatempo, divertimento e serviços antiestresse surgiram para uma geração sem preparo suficiente em entender a fria em que podem estar se metendo.
Nossos jovens, recém saídos da criancice, descobriram como se deleitar com um pouco de droga auditiva. A chamada I-doser, que é apenas um programa de computador, é febre entre os adolescentes vidrados na ‘internet’ das coisas. Ele existe no mercado há muitos anos, e supostamente produz “doses” de ondas sonoras
27.2.23
27.2.23
Nós, filhos adotivos da Paraíba, costumamos olhar essa nossa terrinha com olhos mais generosos, diria ...
Nós, filhos adotivos da Paraíba, costumamos olhar essa nossa terrinha com olhos mais generosos, diria com mais ternura, do que os aqui nascidos. Acho natural! Os descendentes biológicos, habituados à cultura e aos atrativos locais, veem com mais naturalidade aquilo que julgamos ser extraordinário.
27.2.23
27.2.23
Descansou finalmente o pensador. O escritor. O acadêmico. O gestor público. Descansou, como se costuma dizer aqui no Nordeste, após lon...
Descansou finalmente o pensador. O escritor. O acadêmico. O gestor público. Descansou, como se costuma dizer aqui no Nordeste, após longa enfermidade, o professor José Jackson Carneiro de Carvalho, ex-reitor da Universidade Federal das Paraíba, ex-secretário de Estado da Educação e ex muitas outras coisas relevantes na cena paraibana. Sua partida, aos 82 anos, se não foi surpresa, dado o seu delicado estado de saúde, causou comoção entre os familiares e amigos, face a imensa lacuna que ele deixa entre os que o conheceram e admiraram.
27.2.23
26.2.23
“Nós dançamos para rir, dançamos para chorar, dançamos por loucura, dançamos por medo, dançamos por esperança, dançamos para gritar, ...
“Nós dançamos para rir, dançamos para chorar, dançamos por loucura, dançamos por medo, dançamos por esperança, dançamos para gritar, nós somos os dançarinos, nós criamos os sonhos.”
Frase atribuída a Albert Einstein, que também era dançarino (aqui e entre as estrelas)
26.2.23
26.2.23
Durante minha última estada em Ouro Preto, recebi das mãos do escritor e historiador José Efigênio Pinto Coelho um presente valioso par...
Durante minha última estada em Ouro Preto, recebi das mãos do escritor e historiador José Efigênio Pinto Coelho um presente valioso para quem, como eu, gosta de enveredar por trilhas paralelas às da história oficial. Muitas vezes, na pescaria histórica, os estudiosos lançam a rede e, no arrastão, descobrem muito mais do que o que era procurado. Foi o que aconteceu com meu amigo Zé Efigênio, grande pesquisador, historiador, restaurador, artista plástico e expert na obra de Aleijadinho.
26.2.23
26.2.23
Indicam-me a farmácia de manipulação “que fica defronte do jornal O Norte”. Como gostei, como me senti agradado! Reparei na menina, n...
Indicam-me a farmácia de manipulação “que fica defronte do jornal O Norte”. Como gostei, como me senti agradado!
Reparei na menina, não a vi com idade para fazer de um jornal fechado há quatorze anos um ponto de referência. Menina, recepcionista, se muito nos seus 20 aninhos.
E lá me vou, a memória se encarregando de povoar as casas hoje fechadas ou transtornadas da velha Pedro II.
26.2.23
26.2.23
Um pouco mais de tempo e João Pessoa chegará a tal patamar de população, inevitavelmente. Mesmo as projeções mais pessimistas indicam ...
Um pouco mais de tempo e João Pessoa chegará a tal patamar de população, inevitavelmente. Mesmo as projeções mais pessimistas indicam que isto poderá ocorrer até 2030.
— O que esta dimensão representa? — Um alerta! — Uma luz amarela que se acende para lembrar que é hora de voltar olhares para prospecções em torno das dificuldades e necessidades que esta “vecchia signora”, hoje transformada, expandida e conurbada (com Cabedelo, Santa Rita, Bayeux e Conde) deverá enfrentar no seu porvir, dado que juntas já formam aglomerado urbano único.
26.2.23
25.2.23
A noite na beira do mar É outra noite A noite na beira do mar Tem sinfonia de ondas E quando tem luar Estrada de luz Q...
A noite na beira do mar
É outra noite
A noite na beira do mar
Tem sinfonia de ondas
E quando tem luar
Estrada de luz
Quando é breu na noite
A beira do mar tem estrelas
E Deuses a bailar
Sobre águas e areias
A noite
Uma fogueira
Luz distante
Saudades
Faróis
25.2.23
25.2.23
Já era tarde muito tarde, eu estava cansado e confuso com o ocorrido e não esperava por aquilo. Aliás não esperava que nada viesse à t...
Já era tarde muito tarde, eu estava cansado e confuso com o ocorrido e não esperava por aquilo. Aliás não esperava que nada viesse à tona com tanta relevância. Mas não quero lembrar, se possível nunca mais.
25.2.23
25.2.23
A Arturo Gouveia e Pierre Menard, às suas maneiras, autores do Quixote Epigrama I De como extraí um epigrama do D. Quixote (Capít...
A Arturo Gouveia e Pierre Menard, às suas maneiras, autores do Quixote
Epigrama I
De como extraí um epigrama do D. Quixote
(Capítulo XLV da quarta parte do Livro I)
D. Quixote começou grande caos na estalagem,
envolvendo todo o mundo, gente nobre e criadagem:
quadrilheiros da Irmandade e o senhor estalajadeiro,
Sancha Pança e o padre, um barbeiro e outro barbeiro;
D. Fernando e Cardênio, D. Luiz apaixonado,
filha e mãe estalajadeiras, o Ouvidor interessado;
Maritornes e as donzelas de beleza sem igual:
Doroteia e Zoraida e Lucinda angelical.
Ajudava a Irmandade o senhor estalajadeiro,
25.2.23
24.2.23
Ontem te vi partir fechado como um livro esquecido na estante queria teu olhar por mais alguns instantes mas só vi indif...
Ontem te vi partir
fechado como um livro
esquecido na estante
queria teu olhar
por mais alguns instantes
mas só vi indiferença qual espora.
Esperava que no livro
eu leria mil histórias
de amores, desamores
dissabores esperança
renúncia, belas conquistas
de teu passado memória...
24.2.23
24.2.23
Eu estava saindo do Bompreço da avenida João Machado. Dirigia-me ao caixa quando fui surpreendido por uma mendiga magérrima com...
Eu estava saindo do Bompreço da avenida João Machado. Dirigia-me ao caixa quando fui surpreendido por uma mendiga magérrima com uma sandália na mão perseguindo e espancando duas crianças raquíticas, minúsculas, que haviam entrado correndo no supermercado fugindo dela. Não teriam mais de 5 anos de idade. Uma das crianças deixava uma linha de xixi à medida que levava chineladas.
24.2.23
24.2.23
Percebo as imagens através da taça de vinho que revela muitos dizeres e pensares e olhares. Que traz à vida a ladeira que ficou um tem...
Percebo as imagens através da taça de vinho que revela muitos dizeres e pensares e olhares. Que traz à vida a ladeira que ficou um tempo parada, nunca esquecida e que do vazio reviveu através das fantasias e antigas e eternas alegrias. Feito o beijo esquecido e desconhecido pelos becos e esquinas em todos os cantos, nos Quatro Cantos. E quando a festa acaba ficam pelo chão as lembranças das serpentinas e confetes, dos pés de muitas cores e dores, das latinhas esvaziadas e recolhidas para garantir o pão de alguém que vive em outra badalada vida.
24.2.23
24.2.23
Escapei no domingo quando o sol no ponto mais baixo do horizonte, metade da cara fora do mar, mal espreitava o mundo. Onde estacionei, ...
Escapei no domingo quando o sol no ponto mais baixo do horizonte, metade da cara fora do mar, mal espreitava o mundo. Onde estacionei, à beira do calçadão, ele pouco via, além de mim, numa Manaíra deserta.
Ali, naquele instante, a movimentação maior provinha das folhas dos coqueiros sopradas por ventos tão indecisos quanto eu e, quem sabe, quanto os ocupantes dos três carros que por mim passaram em marcha lenta, um após outro, em intervalos de poucos minutos. Apesar de saber de obrigações e compromissos em qualquer horário,
24.2.23
23.2.23
Agora chegando. As sombras da tarde mergulhando para baixo do carro, mas no momento da colisão subindo para lamber o para-lama e toda ...
Agora chegando. As sombras da tarde mergulhando para baixo do carro, mas no momento da colisão subindo para lamber o para-lama e toda borda, dando a ilusão de que se atropela a silhueta estirada da fileira de casas, silhueta não exatamente reta, na margem direita, mas logo depois se percebe os frontões projetados até um ponto em que se afastam do carro, recuados e parcialmente indistintos, antes de sumir da visão. Mas então, depois, como que voltando. Freiar. Sempre esquecendo de tomar o remédio.
23.2.23
23.2.23
Tem dias que parecem nunca acabar. São dias melancólicos e sem brilho. Quando acontece, fico até pensando se é o tempo, ou sou eu que e...
Tem dias que parecem nunca acabar. São dias melancólicos e sem brilho. Quando acontece, fico até pensando se é o tempo, ou sou eu que estou nublada. Pois é, às vezes me sinto assim, com vontade de hibernar, mas nem fera sou mais, acalmei as vontades, guardei as garras e a raiva, nublei à espera da chuva suave que não vem para alegrar meu coração.
Dia nublado é como a incerteza, não ajuda. Uma espera sem esperança, quieta. É insosso como arroz sem sal. No sertão, em dia nublado, as nuvens passam altas e pesadas, levando a chuva para longe.
23.2.23
23.2.23
Em 23 de fevereiro de 1973, com essa cara da foto, pus os pés pela primeira vez numa sala de redação, para trabalhar. Colaborações em ó...
Em 23 de fevereiro de 1973, com essa cara da foto, pus os pés pela primeira vez numa sala de redação, para trabalhar. Colaborações em órgãos de Imprensa, desde o final dos anos de 60, talvez tenham chamado a atenção do secretário extraordinário de Comunicação Noaldo Dantas, amigo de um tio meu e que me convidou, numa de suas idas ao Cartório Souto, ali na Praça 1817, para trabalhar na redação da Secretaria de Divulgação e Turismo, atual SECOM.
23.2.23