Pompei Revisito o silêncio das trevas. Sonhos adormecidos, desfeitos por gestos que precedem a consciência. Sigo nos séculos,...

O silêncio das trevas

Pompei
Revisito o silêncio das trevas. Sonhos adormecidos, desfeitos por gestos que precedem a consciência. Sigo nos séculos, interrompido no ventre da mãe. Restos calcinados, dispersos, estremados, entrecortados pelo espanto. O céu sabe das cinzas. Sempre soube... E aproveitou-se da inocência dos que não me conheceram para dizer que me negaram a existência ao renegar o Deus, o Cristo. O Céu, criação humana, é ilusório. Não este céu furioso, de fuligem e chamas; este é terreno, pragmático, irrespirável, eficiente em devolver à Terra suas entranhas. Não este céu preciso, entornando água, moldando, fazendo onipresente o ventre que me gerou. Estou onde não existo. Persisto. Desafio o intransponível tempo nesse ventre vazio que seu olhar disperso fita. Parto contigo. Em sua memória o calor da sombra que não fui. Assim o caos, serenamente, retingirá de verde o olhar baço. Estou além do pretenso molde que permaneceu guardado pela redoma de vidro
Retorno ao rascunho do mundo
Eis o inerte, o sucumbido, aquele antes do instante em que se dissipou a paz. Desperta homem, vê a grandeza do seu nome e o Não, imposto ao seu destino. A página leve não tem a tessitura do seu caminho e o que lhe resta é o estampido ou um pilar qualquer que te convide ao abismo.
Fração do indizível
O branco desse gelo é todo poema – …….verdade possível. Entre o amor, e outras alucinações, o inefável me acena caridoso. (A grande face e sua biografia …….de renúncias e equívocos.) Minha distância não é exercício de retórica, apontamento de um ególatra, tons pastel despejados na boca de lobo. Não há indiferença quando parto e retribuo o aceno.
O que se arrepende é o avesso do nome
A morte é zelosa em sua força, e aprecia a fragilidade no arremate do erro, no estampido do verbo, no testemunho do assombro, no lento embuste dos passos catados. Digital falsa no contorno das letras que se desprendem nas entrelinhas. O flerte do verso com o abismo, o encantamento da bruma sobre os lençóis, ……………………o suborno do medo.
Madeixas das sombras
O Eu apagado, descrente, o crucifixo do outro e toda nudez do medo. Meu martírio: esta fogueira que não vesti. Se restam fagulhas, são versos roubados, pés trocados de outros passos no silêncio das cinzas.

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