'Alô, aqui é da UTI do Hospital Santa Isabel. Estamos ligando para informar que a paciente Carmen Coeli Gouveia Romero acabou de falec...

Morte e Vida sempre linda

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'Alô, aqui é da UTI do Hospital Santa Isabel. Estamos ligando para informar que a paciente Carmen Coeli Gouveia Romero acabou de falecer'.

Não houve surpresa nossa, pois fazia 7 dias que a visitávamos na UTI, inconsciente, respirando por aparelhos, e, naquele estado, a notícia era a melhor possível para quem ama de verdade.

Esse pássaro, que no Brasil pousou em 1921, já teve três filhotes no mesmo ninho. Diminuiu a prole em 1985 para de melhor modo se adequar ...

O ninho

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Esse pássaro, que no Brasil pousou em 1921, já teve três filhotes no mesmo ninho. Diminuiu a prole em 1985 para de melhor modo se adequar ao conceito da família moderna.

Trata-se de um tordo, ao que li, ave da família “Turdiae”, possuidora de uns 300 ramos na Europa, África e América. No nosso céu tropical, voa com as asas do sabiá.

I Antigamente, ardesse a noite em círios Até desfalecer em flores apodrecidas Velariam todos pelas virgens Por seus segred...

Arquetigramas

I
Antigamente, ardesse a noite em círios Até desfalecer em flores apodrecidas Velariam todos pelas virgens Por seus segredos levados à cova Em uma antiguidade mais recente O ódio, entre pesados tributos Passou a exigir também um incêndio Assim, no instante final da purga Na tarde borrada de insultos Um herege recebe as terríveis Explicações do fogo

Em Guarabira havia um barbeiro chamado Chico Luís que armava sua barraca nos dias de feira (quartas e sábados) para cortar cabelo e bar...

Começar 2022 rindo, né?

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Em Guarabira havia um barbeiro chamado Chico Luís que armava sua barraca nos dias de feira (quartas e sábados) para cortar cabelo e barba da matutada que vinha dos sítios.

Era comum ouvir um matuto dizer ao compadre que iria "à furquia de Chico Luís". É que o profissional da tesoura e da navalha ao invés de comprar uma cara cadeira de barbeiro improvisou uma cadeira comum amarrando no encosto uma forquilha de angico, sem sequer se preocupar em tirar as cascas. O resultado é que quase sempre o cliente ficava com o pescoço entalado na forquilha. Fosse reclamar, vinha a resposta: "O probrema num é furquia não, é que seu pescoço é troncho".

DE “DeuS E OUTROS QUARENTA PrOblEMAS” Gênio, não tenho. Me empenho. Essas palavras me soam como “Os morcegos não são aves, ...

Poema Número Um

poema solha problema
DE “DeuS E OUTROS QUARENTA PrOblEMAS”


Gênio, não tenho. Me empenho. Essas palavras me soam como “Os morcegos não são aves, mas voam”. Como evitar que o poema seja um rio não mapeado, que a vereda em que você está o cruze... e saia seca do outro lado? Como fazer com que, criado, ele cause a sensação,

Já fui assistente de direção e ator de cinema. Na primeira metade dos anos 70, fazendo o Curso de Direito, fui assistente de direção de Ba...

Cinema desaparecido

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Já fui assistente de direção e ator de cinema. Na primeira metade dos anos 70, fazendo o Curso de Direito, fui assistente de direção de Barreto Neto no curta-metragem “O Estranho Caso de Leila”, em super 8, com Anco Márcio e Fernando Castro como protagonistas.

Barretinho e Fernando Castro eram meus colegas de trabalho na Secretaria de Divulgação e Turismo (atual Secom), mas não me recordo onde Anco Márcio trabalhava na época.

Neste longo caminho já vi flores de primavera. Rosinhas miúdas, margaridas e cravos, lírios e tulipas traduziram a inocência dos primeiro...

Quanto tempo de inverno haverá?

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Neste longo caminho já vi flores de primavera. Rosinhas miúdas, margaridas e cravos, lírios e tulipas traduziram a inocência dos primeiros tempos – tão breves. Logo chegou o verão, com seus calores e risos. Tempo de despreocupação, de roupas curtas, suor no rosto, namoros e sonhos.

Agora caminho neste começo de inverno. Há uns silêncios profundos em mim. Vontade de mais ouvir que falar. Certezas? Apenas que sei tão pouco da vida e das coisas. Penso nos olhos dos filhos e na pilha de livros por ler e reler. Tantos escritores já estiveram no caminho. Suas vozes não se calaram. Este é o supremo segredo dos poetas: fingem que dormem entre páginas velhas, mas basta um gesto e saltam risonhos ou graves, a contar histórias que enredam. Suspiro.

Açucena era o seu nome. Nome de flor, sua mãe havia escolhido este nome porque se lembrava da mocinha ingênua de um filme antigo e o beij...

A mulher que fazia chover

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Açucena era o seu nome. Nome de flor, sua mãe havia escolhido este nome porque se lembrava da mocinha ingênua de um filme antigo e o beijo em seus lábios trêmulos. Nunca esqueceu esta imagem. Açucena seria um nome de amor.

E como Açucena ela desdobrava seu temperamento em outros nomes: lírio da paz, flor de lis, amarílis, flor da imperatriz, íris. Tantos nomes e cores para uma menina só.

Os poetas místicos buscam resposta para as inquietações motivadas pelas transformações em seu redor, sejam de ordem espiritual ou materia...

Há tempo para sonhar?

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Os poetas místicos buscam resposta para as inquietações motivadas pelas transformações em seu redor, sejam de ordem espiritual ou material, porque alteram a paisagem da vida e atormentam a alma.

Em qualquer época de nossa vida ou situação como a que se vive nos dias atuais, é tempo para buscar resposta nos poetas e místicos. Respostas que vêm de quem contempla o mundo com os olhos do coração e afastam a dor com uma metáfora.

Ah, meus amigos, minhas amigas, há certos acontecimentos ou ocasiões que servem para nos despertar do marasmo que a mesmice do cotidiano t...

Aquela placa

augusto paiva mata viaduto sao jose dos campos desabafo trauma
Ah, meus amigos, minhas amigas, há certos acontecimentos ou ocasiões que servem para nos despertar do marasmo que a mesmice do cotidiano teima em nos fazer vítimas, desse e de outros padecimentos. Querem que explique melhor? Vamos lá.

Algumas vezes precisamos de um balde d’água gelada sobre nossa alma preguiçosa. É como que se aquele frio desconforto nos dissesse: “Acorda, criatura! Veja o que está acontecendo no seu entorno.” Explico.

É difícil um instrumentista se destacar na música popular: a concorrência desleal com centenas de ótimos e excelentes cantores e cantoras ...

Miles Davis, um visionário

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É difícil um instrumentista se destacar na música popular: a concorrência desleal com centenas de ótimos e excelentes cantores e cantoras é algo que beira o absurdo. O instrumentista, miseravelmente, não canta, ou não sabe cantar. Mas, é preciso vender todo tipo de música – inclusive a instrumental, que a massa ignara detesta, ou nem sabe que existe, ou, pior, nem sabe que é música. Criam-se, então, categorias à parte para instrumentistas. Não para Miles Davis.

Abençoados os que se aconchegam no desencanto (a relva sob a bruma é mais úmida) Abençoados os de paixão ardente (o labirinto ...

Salmo de fim de ano

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Abençoados os que se aconchegam no desencanto (a relva sob a bruma é mais úmida) Abençoados os de paixão ardente (o labirinto é a única certeza de um abrigo) Abençoados os que relembram e sorriem (a possibilidade de atalhos é um fluir da memória) Abençoados os ausentes (a distância é um consentimento à perfeição) Abençoados os que se perdem no desmedido (o que cabe não transborda) Abençoados os que carecem das unhas (o arrepio é uma dádiva no desespero)

Haverá ou não Carnaval? Alguns governos estaduais e municipais já decretaram que não, mas ainda ...

Esquecendo a fantasia

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Haverá ou não Carnaval? Alguns governos estaduais e municipais já decretaram que não, mas ainda não há uma resposta definitiva para essa pergunta. Por via das dúvidas, vou deixar no fundo do baú a fantasia que comprei há algumas décadas e pretendia estrear na próxima festa de Momo. Ela está empoeirada (um pouco mais do que o dono) e precisa de uma lavagem que lhe remova o bolor.

O professor Felix de Carvalho é um homem de fé e de letras. A prova disso é seu livro recentemente dado a público, de título Poemas para r...

Os sonetos de Felix de Carvalho

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O professor Felix de Carvalho é um homem de fé e de letras. A prova disso é seu livro recentemente dado a público, de título Poemas para refletir – 100 Sonetos, Editora Ideia, 2021, cujo lançamento oficial - e certamente festivo – ainda está sendo decidido pelo autor, em face dos condicionamentos pandêmicos. Felix cuida muito bem de sua saúde e por isso preocupa-se também com a dos outros. Viva!

Belle de jour não, não é catherine de novo em busca de bordéis para saciar a sede secreta de buñnuel é juliana, sim, bela ...

À luz da lamparina

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Belle de jour
não, não é catherine de novo em busca de bordéis para saciar a sede secreta de buñnuel é juliana, sim, bela na tarde cajazeiras; bela na tarde capital remake do que ainda está por vir: surrealismo cinematográfico - quadro de dali em rascunho eterno juliana, que caminha nas tardes , inconscientes de sua beleza em primeiro plano, seu sorriso no the end, o silêncio e o sertão dialogam para que o litoral reverencie suas maçãs secretas : ela, protagonista de um filme de almodóvar.

Severino Ramalho, ou melhor, a prefeita D. Marta, sua ilustre consorte, foi governar Bananeiras para os bananeirenses e terminou governand...

Coisas de Bananeiras

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Severino Ramalho, ou melhor, a prefeita D. Marta, sua ilustre consorte, foi governar Bananeiras para os bananeirenses e terminou governando uma cidade confinada entre serras e suas tradições para muito além da Borborema.

Ouço falar de Bananeiras desde que um colega de banco escolar, Pedro Germano, saiu de Alagoa Nova ou de Clodomiro Leal, ainda do tempo da palmatória, para estudar no Patronato. Ora, foi isso em 1944 ou 45, a escola agrícola de Bananeiras fazendo a cabeça dos meninos de meu tempo bem antes que soubéssemos do seu antigo fastígio político e cultural. Não foi de graça, pois, o batismo do logradouro mais expressivo da Paraíba com o nome do bananeirense Solon de Lucena. Como poderia ter sido com outro bananeirense, Walfredo Guedes Pereira, historicamente o mais notável dos nossos prefeitos.

Ao ver “Piaf” (“La Vie en Rose”), de Olivier Dahan, com a esplêndida Marion Cottilard, convenci-me de que a genialidade não é dom pra do...

Angústia e genialidade

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Ao ver “Piaf” (“La Vie en Rose”), de Olivier Dahan, com a esplêndida Marion Cottilard, convenci-me de que a genialidade não é dom pra donos de biografia sensata. Claro que ter um corpo frágil e passar a primeira parte da vida com a avó paterna – que trabalhava num bordel – marcou sua personalidade e sua visão do mundo. Ao ler o romance “A Corrida Para o Abismo - O Gênio Caravaggio”, de Dominique Fernandez, concluí que o estado de tensão permanente – causada ou não pelo berço – determina a hipersensibilidade geradora da percepção particular dos indivíduos excepcionais.

Quem nasce desastrado tende a seguir assim. Então, o que rendeu um crônica meio que autobiográfica necessita de atualização e rememoriz...

Que desastrado! (II)

cronica desajeitado desastrado mancadas
Quem nasce desastrado tende a seguir assim. Então, o que rendeu um crônica meio que autobiográfica necessita de atualização e rememorização dos fatos. Após o estrondoso sucesso do epsódio um, quando foram revelados acontecimentos como o celular voador pela janela do carro e a faca saltitante e um quase "autosuicídio" (licença poética ao extremo gente!), agora o amigo desastrado surge em novas aventuras (ou desventuras).

Eita, Jesus. Hoje é Natal! Espiando o céu, ontem à noite, vieram-me lembranças das bordas do Mar da Galileia, de Cafarnaum, da sinagoga e ...

Eita, Jesus. Hoje é Natal

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Eita, Jesus. Hoje é Natal! Espiando o céu, ontem à noite, vieram-me lembranças das bordas do Mar da Galileia, de Cafarnaum, da sinagoga e da casa de Pedro, por onde Teus pés passearam, Teu Espírito derramou luz e nossos olhos, um dia, por lá andaram… E sempre nos vem a indagação sobre como um personagem de um lugar simples e humilde, nascido sob perseguição e fuga, acolhido de maneira extremamente rústica, adquire força tão poderosa que se espalha pelo planeta e se mantém presente em praticamente tudo?

Os 37 homens ( Os Miseráveis, Parte V – Jean Valjean, Livro I, Capítulo II ) que se encontravam na barricada da rua de Chanvrerie, nas pri...

Ideal e desinteresse

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Os 37 homens (Os Miseráveis, Parte V – Jean Valjean, Livro I, Capítulo II) que se encontravam na barricada da rua de Chanvrerie, nas primeiras horas da manhã de 6 de junho de 1832, ali estavam motivados pelo ideal. Haviam sido 50 (“Ces cinquante hommes en attendaient soixante mille” – “Estes cinquenta homens esperavam sessenta mil”, Parte IV – L’idylle rue Plumet et l’épopée rue Saint-Denis, Livro XII, Capítulo VII). Reduziam-se a olhos vistos, mas não abandonavam o que buscavam atingir. Que ideal logravam conseguir estes homens? O ideal de construção de uma sociedade justa, de acordo com o discurso de Enjolras.

O mês de dezembro é o mais esperado para muitas pessoas e nos dizeres do folclorista Câmara Cascudo o Natal é a maior festa popular do Bra...

Então é Natal

campina grande tunel iluminado presepio lapinha
O mês de dezembro é o mais esperado para muitas pessoas e nos dizeres do folclorista Câmara Cascudo o Natal é a maior festa popular do Brasil. É a ‘Noite de Festa’. As festividades em homenagem ao nascimento de Jesus Cristo dão um tom todo especial e marcam o fim de ano. Em Campina Grande o Natal é festejado desde tempos imemoriais. A influência católica na colonização traz consigo o calendário religioso e este é seguido com afinco. Assim, de tradição familiar, a missa do galo e a ceia são bem representativos. Sob as bênçãos de Nossa Senhora da Conceição, Campina tem seus festejos iniciados na comemoração de sua padroeira exatamente no início de dezembro, transformando todo o mês em um período especial.

Quando nos aproximamos do sítio, pequena aglomeração rural, inesperadamente um menino saiu apressado de uma casa de taipa, pequena, telh...

Um menino chamado Jesus

Quando nos aproximamos do sítio, pequena aglomeração rural, inesperadamente um menino saiu apressado de uma casa de taipa, pequena, telha-vã e piso de chão batido. Parou perto de nós, descalço, tinha olhos de sol arregalados e fixos nos estranhos que chegavam. Se corpo tisnado, igual ao de outras crianças que chegavam com algazarra natural à idade.

Às vésperas do Natal de 1957, o menino que então eu era erguia os olhos na esperança de localizar aquela estrelinha miúda e veloz no céu e...

O Sputnik, há 64 Natais

corrida espacial guerra fria yuri gagarin
Às vésperas do Natal de 1957, o menino que então eu era erguia os olhos na esperança de localizar aquela estrelinha miúda e veloz no céu escuro. Os comentários dos mais velhos em tom de espanto, o Repórter Esso e outros noticiários despertavam a minha e a curiosidade de meio mundo.

Acabei de ler essa frase. Passei o dia inteiro tentando fazer desse dia mais um dia, apenas. Mas há, existe de fato, uma vala que foi abe...

'Ninguém nunca vai esquecer esse dia'

Acabei de ler essa frase. Passei o dia inteiro tentando fazer desse dia mais um dia, apenas. Mas há, existe de fato, uma vala que foi aberta na alma e que guarda memórias que nem sabia que tinha e que pulam pra fora à medida que o tempo vai passando.

Essas memórias de dois anos atrás trouxeram, no último dia dezessete, além das feições doídas e espantadas, vozes chorosas das pessoas que amo e que me amam também, diante do momento da minha (nossa) inexplicável prisão, uma mistura de sentimentos: solidão, indignação, medo, coragem…

“Eu não gosto de você, Papai Noel! Também não gosto desse seu papel de vender ilusões à burguesia. Se os garotos humildes da cidade soube...

Eu não gosto de você, Papai Noel!

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“Eu não gosto de você, Papai Noel! Também não gosto desse seu papel de vender ilusões à burguesia. Se os garotos humildes da cidade soubessem do seu ódio à humildade, jogavam pedra nessa fantasia. Você talvez nem se recorde mais. Cresci depressa, me tornei rapaz sem esquecer, no entanto, o que passou. Fiz-lhe um bilhete pedindo um presente e a noite inteira eu esperei contente. Chegou o sol e você não chegou.

Sem dúvida, aquele final de semana foi diferente ou talvez, estranho demais para ser ignorado. Numa sexta-feira pela manhã, havia tomado ...

O antes e o depois andam de mãos dadas

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Sem dúvida, aquele final de semana foi diferente ou talvez, estranho demais para ser ignorado. Numa sexta-feira pela manhã, havia tomado a terceira dose da vacina, e, à tarde, mesmo com o braço doendo um pouco, resolvi encarar uma faxina na varanda.

Este lugar não proporciona crescimento. Sou um residente sem lar. Comecei a partir no parto de minha mãe. Disse adeus, e já prometendo se...

A caverna do Leão

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Este lugar não proporciona crescimento. Sou um residente sem lar. Comecei a partir no parto de minha mãe. Disse adeus, e já prometendo ser o filho pródigo que não voltará. Tanto desafeto faz minha vida intelectual retroceder. Descanso os meus sofreres na palavra, na tentativa de não ficar amargo e cristalizar o pior de mim. Sorrisos não me são mais familiares. O parentesco se estabelece. Todos os laços, menos o sanguíneo, se desatam. Espero pelo momento de síntese para pôr os valores, definhados, na balança.

Dr. Carneiro Arnaud envia-me o último relatório de gestão do Hospital Laureano. Começo a folhear, detenho-me nos seus recursos humanos,...

Estrela-guia

rede femiina combate cancer zelia henriques
Dr. Carneiro Arnaud envia-me o último relatório de gestão do Hospital Laureano. Começo a folhear, detenho-me nos seus recursos humanos, as lembranças correndo de imediato para pessoas que ajudam e ajudaram na grandeza da instituição. Um nome puxando outro, Efigênio, Carneiro, Raminho, João Batista Simões, Batista Ramos, Julet, minha amiga Letinha, não esquecendo a mulher de sociedade que irradiava o clima de campanha que ainda hoje sustenta o hospital. Falo de Zélia Henriques.

É certo que um dia toda história se completa. Mesmo se por frase dita ao acaso, como aqui. A trama – das mais ordinárias – traria as hor...

Um fraseado de Júlio De La Onça

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É certo que um dia toda história se completa. Mesmo se por frase dita ao acaso, como aqui. A trama – das mais ordinárias – traria as horas a serem gastas num fastidioso circulo que, lenta e obsessivamente, havia percorrido toda a incongruente rota dos acasos, e foi, aos poucos, adquirindo brusquidão e rotação estranha, feito um engenho que sofre manipulação invisível.

I Minha terra é uma ilusão da linguagem. Tenho de meu esse rastilho de palavras que pressinto atadas aos calcanhares. Se o...

A loucura atordoa

melancolia culpa sonho realidade poesia espiritossantense
I
Minha terra é uma ilusão da linguagem. Tenho de meu esse rastilho de palavras que pressinto atadas aos calcanhares. Se o desfaço, perde-se o encantamento das vivências cerzidas. Sei que as mãos ensaiam obscenidades entre dois espelhos. Quero mesmo criar algumas reentrâncias na estrutura dos olhares. Mas olhos extraviados não ardem

As cicatrizes relembram a realidade passada. É a presença viva, ou, porque não dizer, é a verdadeira imortalidade, dos momentos bons e ru...

Ser, fazer, ter

perseveranca coragem vontade amor
As cicatrizes relembram a realidade passada. É a presença viva, ou, porque não dizer, é a verdadeira imortalidade, dos momentos bons e ruins que se foram.

Apaixonar-se costuma ser uma péssima ideia, mas, mesmo assim, nos permite mergulhar no encantador, e desafiante, oceano do amor.

I Influências Quando eu era menino meu saudoso e querido pai Francisco Espínola comprou um disco LP chamado España Cañi . O LP tinha ...

¡Arriba, España!

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I

Influências

Quando eu era menino meu saudoso e querido pai Francisco Espínola comprou um disco LP chamado España Cañi. O LP tinha na capa um esboço do mapa da Espanha, nas cores vermelha e amarela, com o desenho de um touro negro.

Um rapaz andou dezenas de quilômetros para encontrar um mestre muito respeitado em sua aldeia por sua destacada sabedoria. Quando ali chego...

Duas grandes lições de um sábio

Um rapaz andou dezenas de quilômetros para encontrar um mestre muito respeitado em sua aldeia por sua destacada sabedoria. Quando ali chegou o mestre estava no centro de uma pequena multidão que, silenciosa e atentamente, ouvia seus ensinamentos. O rapaz se aproximou e, como os demais, passou a ouvi-lo. O mestre disse:

      Soneto de Natal A cada ano o gesto se renova e nos faz recobrar a esperanç...

Natal em versos

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Soneto de Natal
A cada ano o gesto se renova e nos faz recobrar a esperança. Quem de mágoa e dureza fez-se a prova anseia por voltar a ser criança. Verdade ou mito? Isso pouco importa à mão que se dispõe ao largo aceno e almeja em comunhão abrir a porta a quem a vida deu ou dá de menos.

Poucas cidades brasileiras têm o privilégio de contar com um grande projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer. João Pessoa é uma delas, com ...

Pela aldeia

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Poucas cidades brasileiras têm o privilégio de contar com um grande projeto arquitetônico de Oscar Niemeyer. João Pessoa é uma delas, com uma obra arrojada e bela, a Estação Ciência, no Altiplano. É um complexo de edifícios e jardins realmente impressionante, não só pela beleza das formas, pelos materiais, pela amplidão dos espaços, pela vista inigualável. Um verdadeiro ponto turístico, um cartão postal, como se dizia antigamente. Ali se projetou originalmente um lugar para museu, exposições e eventos, tudo de que precisa uma cidade em termos culturais, seja ela grande ou pequena. E assim foi feito, e assim foi inaugurada a Estação, para logo depois ser praticamente abandonada,

Quanta coisa boba pode gerar um texto! A lembrança de meu gato de infância. É raro quem, durante os rápidos verdes anos, não tenha pos...

Pretinho

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Quanta coisa boba pode gerar um texto! A lembrança de meu gato de infância. É raro quem, durante os rápidos verdes anos, não tenha possuído um talismã vivo: gato, cachorro, papagaio.

Meu gato ou o bichano da casa era negrinho, retinto como se pintado de piche. Os olhos amarelos, flutuantes, invasivos. Um miado estranho. Certamente era poliglota, pois a tonalidade variava, e, não sei se por fantasia infantil ou besteira de criança, conversava comigo.

Venero Shakespeare, por isso prefiro pensar que é seu personagem Macbeth – e não ele — que diz isto:

A vida tem sentido, claro!

terra destino gaia filosofia biosfera
Venero Shakespeare, por isso prefiro pensar que é seu personagem Macbeth – e não ele — que diz isto:

      Dor da alforria Queria estar feliz Era um desejo Havia urgência Desejo puro, firme, duro De coração a galope Ouvir em sons...

As ondas voltam para as praias

lembrancas dores nostalgia saudade liberdade
 
 
 
Dor da alforria
Queria estar feliz Era um desejo Havia urgência Desejo puro, firme, duro De coração a galope Ouvir em sons tua voz Pedir pra te ver agora Era a essência E você disse não Que não era o dia E qual seria? Eu não entendi, Você falou que hoje não

Não lembro mais quem disse que se você alimentar seu cérebro exclusivamente com séries de TV bobinhas, tipo "Two and a half men"...

A ignorância é ruidosa

literatura classica leitura tecnologia my sweet lord
Não lembro mais quem disse que se você alimentar seu cérebro exclusivamente com séries de TV bobinhas, tipo "Two and a half men", não espere que ele entenda Platão. Se os Titãs já tinham alertado que a televisão "me deixou burro demais", o que dizer agora que a avalanche de vídeos do Tik Tok e de fotos de bobagens no Instagram parece ter dominado as mentes?

Publiquei, recentemente, um texto crítico sobre um projeto de lei apresentado por uma deputada federal, cujo propósito é retirar da celebr...

Língua e Linguagem: usos e maus usos

lingua portuguesa moderna linguagem neutra latim
Publiquei, recentemente, um texto crítico sobre um projeto de lei apresentado por uma deputada federal, cujo propósito é retirar da celebração do casamento civil a frase final “Eu vos declaro marido e mulher”, sugerindo alterações que neutralizariam essa conclusão.

As ladeiras têm sentidos próprios, conexões entre si. É como possuir algo mágico, o poder de capturar a história, de contar inúmeras histó...

Pelas ladeiras

As ladeiras têm sentidos próprios, conexões entre si. É como possuir algo mágico, o poder de capturar a história, de contar inúmeras histórias. E elas são muitas por esses brasis da vida. Inclinações que testemunharam invasões, batalhas, sacrifícios, martírios, vida e morte, honra e destruição. Oh ladeiras cujos paralelepípedos viveram ao longo de séculos a presença de herois e vilões de muitas raças. Quando ainda sem pavimento sentiram na própria terra o pulsar do país que começava a ser construído e cuja obra segue inacabada, como pele de testemunha das idas e vindas humanas.

Se João Pessoa possui poucas ladeiras, ainda assim podemos citar as de São Francisco e da Borborema. Acesso do berço de nascimento da cidade, o Porto do Capim, ao topo da elevação onde hoje existe a Catedral Basílica de Nossa Senhora das Neves, as duas ladeiras desafiam o vigor físico dos pedestres e guardam muito da história paraibana.

Na ladeira de São Francisco, um pouco após a sua metade, estrategicamente, foi erguida da Casa da Pólvora. Era o paiol das armas, das munições da antiguidade, atualmente celeiro de cultura. Hoje a calmaria do local disfarça os caóticos momentos de batalhas. Pólvora, tiros, sangue, morte... Portugueses, holandeses, escravizados africanos, locais das três raças e muitas misturas. Do alto, a visão do entardecer a jogar ouro na cidade baixa. Percurso paralelo faz a ladeira da Borborema, após surge do encontro com a Rua da Areia.

Ladeiras tão antigas quanto as famosas elevações de outro ouro, pontilhadas por igrejas da velha e magnífica Vila Rica do passado, a Ouro Preto. A cidade mineira dos inconfidentes, da luta pela independència, sufocada por forcas e esquartejamentos. Da Praça Tiradentes elas despontam. Nessas ladeiras mineiras repousam os ideias de liberdade individual e coletiva. Lá, elas foram criadas como acessos entre as ruas históricas encravadas pela busca do ouro das montanhas das Minas Gerais. Por ali, muitos passaram ora como senhores, ora como escravizados. Uns tantos encontraram o fim sobre o platô no Morro da Forca, sombrio lugar de belo nascer e por do sol. Pelos arredores, ladeiras que levam a muitas igrejas.

Conterrâneas de lutas são as ladeiras de Olinda. Passarelas de carnavais, serpenteiam pela velha cidade pernambucana. Conexões de tempos, ladeiras de multidões e solidões, dos blocos e bares, da pitombeira e seus quatro cantos, do Alto da Sé e sua ladeira a despejar azuis de céus e do mar. Local estratégico que domina os arrecifes e as terras baixas. Uma das mais famosas e íngrimes é a Ladeira da Misericórdia, acesso à Igreja e ao Hospital da Santa Casa da Misericórdia. “Ó linda!” Por onde surgem bonecos gigantes com vida. Desfiles diversos da alegria do frevo precedido pelas lutas do país nada pacífico de colônia, império e república.

Ladeiras como as seculares de São Salvador, a primeira capital brasileira. Construída numa elevação por questões de segurança, a fortificada cidade viu surgir caminhos íngremes a trazer para o alto víveres e humanos desembarcados dos navios. Aí surge a Ladeira da Preguiça, uma das três mais antigas da cidade. E ainda tem as da Conceição, Misricórdia, Montanha, Curuzu, Aflitos e tantas outras. Subidas e descidas na formação nacional da mistura da Bahia tão nobre ao Brasil.

E tome ladeira! O esforço físico para percorrê-las é maior, vencer os aclives/declives exige resistência, atenção redobrada. Porém, as ladeiras históricas merecem um olhar mais atento, carinhoso do visitante. São páginas da nossa história que guardam beleza singular. Se a subida é um desafio, como diz o dito popular: “Para descer todo santo ajuda”.

Radicalizando e depurando a proposta sonora do Movimento Armorial, tema abordado em nosso artigo anterior, Ariano Suassuna então abraça o ...

Armorial, um grito de liberdade

quinteto armorial movimento ariano suassuna musica brasileira
Radicalizando e depurando a proposta sonora do Movimento Armorial, tema abordado em nosso artigo anterior, Ariano Suassuna então abraça o Quinteto Armorial, que viria a se tornar um dos mais substanciais grupos musicais brasileiros, na verdade o mais importante a criar, até hoje, uma música de câmara erudita brasileira de raízes populares. Formado em Recife, em 1970, e liderado por Antônio José Madureira, gravou quatro discos até o seu encerramento, em 1980. Sua proposta era criar um diálogo entre o cancioneiro folclórico medieval galaico-português e as práticas criativas e interpretativas nordestinas, ligadas à tradição oral e musical da região, buscando uma síntese entre a música erudita e as tradições populares.

Li que essa coisa de superstição tem origem no tempo das bruxas medievais e seus gatos pretos. E que, desde então, habita a mente e o cora...

Cauby tinha razão

cronica nostalgia baile supersticao cauby peixoto
Li que essa coisa de superstição tem origem no tempo das bruxas medievais e seus gatos pretos. E que, desde então, habita a mente e o coração de muita gente mesmo nos grandes e modernos centros culturais do mundo.

Fugir do número 13, desse modo, não é, assim, uma exclusividade do subdesenvolvido que vos fala. Fazem isso, igualzinho, nos Estados Unidos, a ponto de certas companhias aéreas não oferecerem assento com esse número.

A poda foi criminosa por dois motivos: a violência do fato em si e a grave consequência. O ninho que abrigava o filhote de bem-te-vi veio ...

Ele agora é do mundo...

bem-te-vi amor aos animais natureza bichos meio ambiente
A poda foi criminosa por dois motivos: a violência do fato em si e a grave consequência. O ninho que abrigava o filhote de bem-te-vi veio ao chão com galhas e lágrimas da cajazeira depenada. Uma pena...

Eis que sai do morno aconchego uma coisinha de asa e cauda, com mancha amarela no papo, assustada, olhinhos brilhando sem entender nada. Os pais aflitos piavam de um lado pro outro numa algazarra sonora, em sinais de alerta e protesto. E agora?

Meu amigo Luciano B. saía de uma boate no Recife enfrentando uma chuva intensa. Estava a bordo de uma loura espetacular e queria "se...

A força da gentileza

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Meu amigo Luciano B. saía de uma boate no Recife enfrentando uma chuva intensa. Estava a bordo de uma loura espetacular e queria "se amostrar". Logo que seu potente carro começou a percorrer o caminho que os levaria à suíte presidencial do Sheraton, um outro veículo que vinha atrás passou a dar insistentes sinais de luz e buzinar freneticamente. O Don Juan paraibano quis mostrar sua macheza e baixou o vidro, estendeu o braço para fora e mostrou aquele dedo que significa vocês sabem o quê. O outro veículo continuou a buzinar e a dar luz alta e segundos depois o carro do meu amigo caiu num enorme buraco, sem condições de continuar andando.

Lembro que neste período do ano, quando as árvores mudavam as folhas, os cajus e as mangas maduros se esparramavam pelo chão, os araçás a...

Cantigas do Natal

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Lembro que neste período do ano, quando as árvores mudavam as folhas, os cajus e as mangas maduros se esparramavam pelo chão, os araçás amadureciam nas capoeiras e em casa mamãe pendurava num galho de árvore capulhos de algodão colhidos no roçado, onde colocava objetos – caixas de fósforos cobertas com papel dourado e flores de papel branco –, sabíamos que chegou Natal.

Na bodega se falava dos preparativos da festa que ocorria na cidade entre o Natal e Ano Novo, com parques de diversões, pescarias, barracas de jogos e bingos, além do pavilhão onde ocorriam os leilões com perus e galinhas assadas. Dias antes, comitiva da Igreja, com uma carta do padre, pedia pelos sítios donativos para as festividades e o custeio da limpeza e manutenção do templo dedicado ao Sagrado Coração de Jesus.

Eram oito dias de festas, com início pelo Natal, com a celebração do advento e nascimento do Menino Jesus, e concluídas em primeiro de janeiro, com a imagem do homenageado num andor que percorria nos braços do povo a Rua Monsenhor Walfredo até a Praça Antônio Bento, em frente da Igreja, onde ao entardecer, era celebrada missa.

De roupa e sapato novos, na boca da noite acompanhávamos grupo de gente procedente dos sítios que se dirigia à cidade, numa boa prosa, às vezes sob o luar.

A praça ficava engalanada para a festa, que começava ao final do dia, tinha intervalo para a Missa do Galo e depois todos voltavam aos folguedos para brincar até o dia amanhecer. Retornávamos felizes, empoeirados e cansados para a labuta do dia, aos afazeres do sítio que não poderiam deixar para depois.

O pensamento voltou para o menino que não saiu da manjedoura. As cantigas ensinadas por minha avó e mamãe são lembradas agora, enquanto a memória reconstrói aquelas cenas.

No sítio onde morávamos, vovó cantava essa modinha que recordo emocionado:

Nossa Senhora à beira do rio, Lavava os paninhos do seu bento filho. Nossa Senhora lavava São José estendia. O menino chorava com o frio que fazia. A Virgem, sorrindo assim lhe dizia: Não chore meu amor! Isso são os orvalhos do Pai do Senhor. O filho do rico em berço dourado e Tu, meu menino, em palha deitado!

Agora são recordações. Boas recordações. O tempo mudou ou mudamos nós? Ficaram as lembranças que nos consolam.

O Menino Jesus que venerávamos naquela época, renasceu agora, mas o coração de todos vive a apreensão da festa que pode não começar devido às balas a zunir sobre nossas cabeças, vindo não se sabe de onde.

Pedaços de recordações de como tudo se realizava com simplicidade, diferente do que vimos agora.

Recentemente visitei uma senhora de noventa anos, que resida em nosso recanto de terra, recordou estes versos, versos que não lembrava.