Ele falou se sentir cansado. Não conseguia, como alguns que conhecia — embora poucos — manter vivo o impulso de buscar novos interesses ou preservar os antigos que lhe motivaram no passado. Era como se a vida não apresentasse mais projetos e fosse diminuindo gradativamente as possibilidades e o tempo apenas existisse como um determinante de limitações.
30.11.22
“Duinho viu de longe a tia nadando ao seu encontro. Deve ter pensado que Rosário resolvera brincar. Ficou ainda mais alegre e recomeçou...
“Duinho viu de longe a tia nadando ao seu encontro. Deve ter pensado que Rosário resolvera brincar. Ficou ainda mais alegre e recomeçou a bater na água, dessa vez com mais força. O barulho não o deixou perceber o desespero da tia, muito menos entender que ela gritava para ele parar de se mexer.”
Duinho tem cinco anos, vem da cidade com os pais e a irmã maiorzinha para aventuras como essa no povoado onde reinam os avós, e, sem noção alguma do perigo, avança no imenso e fundo espelho d’água tendo uma cabaça como boia e na sua cabecinha “o meu barquinho”.
30.11.22
Foi quando o mutismo a invadiu Já não suportava mais tantas partidas manhã cedo, Pablo Milanês também parte Erasmo Carlos n...
Foi quando o mutismo a invadiu
Já não suportava mais tantas partidas
manhã cedo, Pablo Milanês
também parte Erasmo Carlos
nosso gigante gentil
Não saberia descrever o que sentia
sentimentos desconexos
só havia uma sensação nítida: o vazio
foram muitas, ao longo desses anos
E a cada uma delas: uma dor, uma saudade,
uma angústia surda, uma indagação
um luto que ainda não clareara.
29.11.22
Cuida de ti do teu coração das tuas horas As areias do tempo já escorrem Relógio de água Ritmo de vida Tempo E um dia, ao olhar no e...
Cuida de ti
do teu coração
das tuas horas
As areias do tempo já escorrem
Relógio de água
Ritmo de vida
Tempo
E um dia, ao olhar no espelho, eu as descubro. Rugas cheias de profundidade e histórias. Fazem par perfeito com os cabelos que se fazem fios de inverno. Olho para elas com algum carinho e nenhum medo. São o retrato do que experimentei, são o pergaminho em que escrevi o relato da minha vida.
29.11.22
Um pedaço de nuvem despejava sobre o ambiente a vida feito um regador. O barulho rápido e forte cai como um lençol sobre a terra enquan...
Um pedaço de nuvem despejava sobre o ambiente a vida feito um regador. O barulho rápido e forte cai como um lençol sobre a terra enquanto a luz reflete ouro na garrafa escura meio vazia, metade ainda cheia, antes da meia-noite, em tom de festa íntima, quase sagrada. Enquanto isso, no ar uma música suave, alegre, compondo quadros de tintas frescas, pinceladas de outros tempos na memória. Revisita as leituras lidas, as películas assistidas, as sonoras orquestradas das cenas projetadas pelos ouvidos, reviva.
29.11.22
Morreu nesta sexta (25) a cantora americana Irene Cara. Ela tinha 63 anos e estava longe da fama há muito tempo. No começo da década de...
Morreu nesta sexta (25) a cantora americana Irene Cara. Ela tinha 63 anos e estava longe da fama há muito tempo. No começo da década de 1980, Irene fez grande sucesso no mundo inteiro ao interpretar as canções dos filmes Fame e Flashdance. No primeiro, dirigida por Alan Parker, ela também atuou como atriz. Hoje, o nome e o rosto de Irene Cara podem ser pouco lembrados, mas não as músicas que a projetaram internacionalmente.
29.11.22
Chamava-se Marisa, era casada e não desgostava dessa condição. O que lhe era mais caro na vida, porém, era o seu sentimento de...
Chamava-se Marisa, era casada e não desgostava dessa condição. O que lhe era mais caro na vida, porém, era o seu sentimento de liberdade. Costumava comentar com Nébia, a amiga íntima: “Sempre fiz tudo, ou quase tudo, que quis”. A amiga contestava: “Tudo, não. Ninguém pode fazer tudo. E você é uma mulher casada”. Marisa reconhecia: “Claro, claro, sempre respeitei Eustáquio”. A outra: “E não está fazendo nenhum favor. Eustáquio é um homem corretíssimo. Além do mais, adora você”.
28.11.22
Viver através de suas batalhas diárias na busca da sobrevivência é um milagre que muitos conseguem realizar. Dormir ao relento por não ...
Viver através de suas batalhas diárias na busca da sobrevivência é um milagre que muitos conseguem realizar. Dormir ao relento por não ter casa e por ser negro sofrer o descaso de uma sociedade racista e preconceituosa torna mais doída a luta.
Essa é a forma com que algumas pessoas buscam respirar em seus espaços, oferecidos no cardápio de ofertas em vidas mundanas.
28.11.22
Quando retornei ao sítio onde nasci, recentemente, era uma manhã em que as folhas das árvores e as poças de água refletiam os raios ...
Quando retornei ao sítio onde nasci, recentemente, era uma manhã em que as folhas das árvores e as poças de água refletiam os raios do sol e com o barro da estrada grudado na sola dos pés, entrei na casa que me serviu de abrigo desde quando mamãe deu à luz a mim e ali permaneci até aos quinze anos de idade.
Como que flutuando, andei em círculo pela sala e outros cômodos de mesmo piso grosso, desgastado, cimentado há mais de sessenta anos. Na lateral havia uma janela, mas foi tapada e recamada vultosa caliça. As paredes tinham a caliça original. As mesmas vigas de madeira postas sobre a meia parede apoiam as linhas de madeiramento roliças, caibros e ripas sustentam as telhas-vãs que nos protegeram das invernadas e do sol de verão.
28.11.22
Existe uma arte de reter informações, não é fácil lembrar do sonho de ontem à noite. Não é fácil estocar na memória fatos lindos e emoc...
Existe uma arte de reter informações, não é fácil lembrar do sonho de ontem à noite. Não é fácil estocar na memória fatos lindos e emocionantes, preferimos destacar os traumas. Que loucura né? Mas o que se viu na estreia do Brasil na Copa, foi a volta do futebol arte. Que essa cena não seja esquecida, ou melhor que o golaço ofertado por Richarlison aos brasileiros seja eternizado.
O garoto joga bonito dentro do campo e nem podemos dizer que “ nasceu uma estrela” pois o jovem já brilha fora dos campos há muito. O pombo é um gigante, não pelos seus 1.84 de altura, raros no futebol, mas pelo seu ativismo social, pois além de campeão olímpico,
28.11.22
O sonho irrealizado compõe também o acervo de nossas vidas”. Esta frase é de Josué Montello, o romancista, e gosto muito dela. Por sua...
O sonho irrealizado compõe também o acervo de nossas vidas”. Esta frase é de Josué Montello, o romancista, e gosto muito dela. Por sua verdade e pela inevitável reflexão a que ela nos conduz. Ao lê-la e ao refletirmos sobre ela, somos levados a fazer um balanço existencial, a conferir o que fizemos e, principalmente, o que não fizemos, o que deixamos de fazer, pelas impossibilidades que as circunstâncias da vida nos impuseram, a despeito de nossos desejos e até de nossos esforços. Sim, os sonhos irrealizados constituem um fato de nossa vida, da vida de todos e de qualquer um, e os fatos, fatos são, realidades que não podemos mudar. Mas ainda assim, como bem disse o escritor maranhense, essas quimeras também fazem parte do nosso currículo secreto, aquele que apresentamos apenas a nós mesmos, pois, em tese, a ninguém mais interessa.
Quando a escritora inglesa Virginia Woolf foi convidada para dar uma palestra sobre As Mulheres e a Ficção, ela sentou-se à margem de um rio e começou a pensar sobre o sentido dessas palavras e observou o rio que refletia o que bem quisesse de céu e ponte, e árvore flamejante. Woolf pensava: “Hoje vi uma mulher… hoje vi um avião… tudo pode acontecer quando a feminilidade tiver deixado de ser uma ocupação protegida… Mas que relação tem tudo isso com o tema… As mulheres e a ficção?”, perguntava ela. Já eu, por esses dias, também pensei sobre as mulheres e suas escritas. Hoje vejo um mulherio de mulheres; uma colcha de retalhos, e o que terá acontecido já que a feminilidade já não é uma ocupação tão protegida assim?
27.11.22
NO AR, O GOL DE VOLEIO Poderia dizer que foi um traçado, ou um desenho que fez no ar, na amplidão de Catar. Não. Foi...
NO AR, O GOL DE VOLEIO
Poderia dizer
que foi um traçado,
ou um desenho que
fez no ar,
na amplidão de Catar.
Não.
Foi só um gol
de voleio
no ar,
numa acrobacia
da nave dos pés
27.11.22
No início de agosto de 1896, o jornal “A União” noticiava a nomeação de João Pereira de Castro Pinto como professor da cadeira de Socio...
No início de agosto de 1896, o jornal “A União” noticiava a nomeação de João Pereira de Castro Pinto como professor da cadeira de Sociologia do Liceu Paraibano e a notícia acrescentava que “Similhante nomeação, tendo recahido sobre pessoa muito competente e de tão invejavel talento, como é o dr. Castro Pinto, é digna de todo applauso”. Três dias depois, um grupo de estudantes e integrantes de um clube cultural que tinha o nome de Castro Pinto foram ao Palácio do Governo manifestar ao Presidente do Estado o seu contentamento pela nomeação do novo professor.
26.11.22
De maneira inquestionável ali se constata abandono, invasão e deterioração, desfigurando imagens e representações ainda presentes n...
''Por favor, salvem a balaustrada das Trincheiras''
De maneira inquestionável ali se constata abandono, invasão e deterioração, desfigurando imagens e representações ainda presentes no imaginário de quem a conheceu de perto, em tempos não tão distantes.
Refiro-me a uma dada balaustrada que em tempos passados tinha o condão de mostrar a quem a visitava, ou por lá transitava, a beleza singela que transmitia e a oportunidade de admiração de certo verde infindo, proporcionado pela vastidão da várzea canavieira e franjas de matas ainda compactas que ocupavam terras do Baixo Paraíba que desse local se podiam avistar.
26.11.22
Insubmissão Ancestral Não adianta me calar a boca pois a alma é água, brisa e vento. Não adianta me arrancar os olhos...
Insubmissão Ancestral
Não adianta me calar a boca
pois a alma é água, brisa e vento.
Não adianta me arrancar os olhos
ver, enxergar, expiar e reparar
é coisa de dentro.
Não adianta me cortar as mãos
para meu povo nação sigo sendo
quase tudo, de fé e de sentimento.
Não adianta me cerrar os pés
minha chama viva corre
em pensamento.
Não adianta me decepar cabeça
Outras iguais a minha seguirão
Obstinadas a por nós lutar.
Não adianta me atear fogo
as labaredas que há em nós
são salamandras a bailar.
O que, de verdade, adianta; seu branco
e ex feitor, é o senhor se lembrar,
de que vossa conta é alta,
e estou aqui para cobrar!
Não adianta xingar, nem gritar, nem fingir.
Sua hora já passou e a nossa é de Resistir.
De falar, olhar, amar, (re)construir, coisa e tal.
Hora de Libertar Ecos de Insubmissão Ancestral!
A Nova Uma
Eis-me aqui,
plena de melanina.
Porque assim me fez
quem me criou, o/a criador(a).
Alcunharam-me de negra.
Propositadamente,
criaram um apartheid
sócio histórico e cultural,
mas sigo irrompendo-o,
porque a África de hoje
não se cala, fala!
Minha voz tem sons
de outrora,
melodias robustas
que acalentam sonhos.
Ecos que rasgam a tez do preconceito
e abrem caminhos de Liberdade,
Igualdade, Equidade e Justiça.
Minha vida tem caneta própria
de reeditar destinos.
Minha história fundamenta-se
na “pedra angular” da Ancestralidade.
Por isso, no mundo novo que fundo;
com palavras, amor e arte,
Sou Rainha de mim em toda parte.
Sem esperar na janela,
Sou a Rainha da Nova Era.
E na pátria da existência;
que canta, escreve, luta e encanta,
e nos palácios onde os meus
deixaram egrégoras,
Sou a Rainha da Esperança,
essa Nova Primavera.
Transmutação EvocativaÀ Lugones.
Quando
uma
Mu-lher
se cala,...
Por "providência"
ou fatalidade
da existência,
é um novo
cha-ma-men-to.
O universo faz
uma nova
Con-vo-ca-ção...
O grande círculo
é (re)feito
em volta de
uma nova
fogueira que,
oportunamente,
se (re)acende(rá)
em algum lugar
do u-ni-ver-so.
E após a dança,
à grande
Deusa-Mãe,
em um grito
u-nís-so-no,
reconstitui-se
novas vozes
a partir daquela
que se fez
Partícula Universal
e multiplicou-se…
Isso acontece porque,
Voz de Mulher,
é
Con-vo-ca-ção
Ancestral,...
É Trans-mu-ta-ção
Evocativa:
E a carne se fez
V-o-z
"e habitou entre nós",...
E a voz fez-se
His-tó-ria
e viverá
em
Nós!
(Des)cabida
Nascida sob
o signo do
des(cabimento)
ratifico que
não caibo:
nas caixas, malas,
nas regras, normas,
nos ditames sociais
e atemporais
da hipocrisia
reportadas,
nessas,
tantas vias:
da família
da cidade
da sociedade
da menos valia
que, descaradamente,
forjam as alegrias
das gentes que é maioria
da/na nação!
Nos amores
per(feitos)
(des)feitos
na maresia
do machismo,
do racismo,
da LGBTQIAPN+ Fobia
vigilante senhorial da
heteronormatividade
que em meu peito,
não tem jeito:
dói, arde
e também
não cabe!
Descabida
como humana,
plena, e de
querelas,
caibo
é
na vida bela:
na imaginação,
mas, na fantasia,
ilusionada,
não quero
caber não!
Caibo é:
na autoria,
na alegria
na poesia
na emoção!
Mas, só
na vida
sem vida
é que faço questão
e não caibo não,
prestimoso,
coração!
Sou mesmo assim,
(des)-ca-bi-da,
com ou sem razão,
queira você
ou NÃO!
26.11.22
Há quem não se dê conta de que um texto, literário ou não, é algo fabricado, urdido, constituído de uma estrutura bem montada. ...
Há quem não se dê conta de que um texto, literário ou não, é algo fabricado, urdido, constituído de uma estrutura bem montada. Claro que me refiro aos textos bem escritos, que sugerem, apenas sugerem, ao leitor terem sido escritos com facilidade. Nem sempre. Para um texto parecer fácil, o leitor nem imagina a dificuldade por que passou o escritor para chegar até ali. Por outro lado, sabemos identificar muito bem o texto artificioso e, com mais facilidade ainda, o mal escrito, pela escrita forçada, pela falta de lógica ou de concatenação entre as suas partes. Dizer, portanto, que um texto é uma estrutura, é reconhecer que
25.11.22
MAIÚSCULAS LETRAS DE MIM Sou maiúsculas letras de mim Num eterno diálogo entre o existir e o ser... EU! Feita ...
MAIÚSCULAS LETRAS DE MIM
Sou maiúsculas letras de mim
Num eterno diálogo entre o existir e o ser...
EU!
Feita de nãos, porquês e imensuráveis interrogações,
Perco-me na distância do dito e o não dito,
Do acerto, e do erro,
Do direito de ser quem sou:
Louca, tempestiva, apaixonada, viva,
Exclamação, reticências e vírgulas.
Posso deixar-te, meu amor...
Depende de como a tua mão repousa em mim.
Sou mulher, bebo esse luto.
Submissa liberdade de ser quem eu sou,
25.11.22
Esta é a incrível e verdadeira história de Jho Low, um malaio que com menos de 30 anos conseguiu enganar o sistema finance...
Esta é a incrível e verdadeira história de Jho Low, um malaio que com menos de 30 anos conseguiu enganar o sistema financeiro internacional por muito tempo e tornar-se o mais destacado bilionário nas superfestas da mais alta sociedade do mundo. Para que vocês tenham uma pálida ideia de quem era Jho, ele conseguiu ser amigo de infância de Leonardo di Caprio e Paris Hilton em poucos meses, desviou algo em torno de 5 bilhões de dólares, dava festas semanalmente nas boates da moda onde nunca pagou uma conta de menos de um milhão de dólares. Exibia-se em leilões de arte, embora entendesse zero do assunto e chegou a arrematar um único quadro de Basquiat num leilão da Christie’s por 50 milhões de dólares.
24.11.22
Não estranhem. A história aconteceu, assim mesmo, no tempo em que os bichos falavam. Ninguém dava conta de Galileu, a onça. A indiazinh...
Não estranhem. A história aconteceu, assim mesmo, no tempo em que os bichos falavam. Ninguém dava conta de Galileu, a onça. A indiazinha Tuiuiú não continha o choro. Seu Nenem Moreira, enquanto isso, desfilava por perto com ares de satisfação mal disfarçados. Observava tudo a sua volta para depois repassar ao compadre Tonico Macedo cada reação daquele grupo onde também estavam o macaco Alan, o coelho Geraldinho e o amigo Moacir. Este último vivia da profissão de carteiro apesar da condição e dos passos lentos de jabuti. Fora ele o portador da notícia do sumiço de Galileu.
24.11.22
Vocês já notaram que a gente não sabe mais como se comportar diante de situações que, até pouco tempo, eram muito simples? ...
Vocês já notaram que a gente não sabe mais como se comportar diante de situações que, até pouco tempo, eram muito simples?
Por exemplo, quando a gente se interessava por uma pessoa, tipo, ficar a fim de namorar se rolasse um clima (desculpem pela referência a uma situação recentemente indigesta), a gente paquerava, iniciava uma conversa, e, se o "clima" fosse mútuo, o namoro começava. As pessoas próximas traziam as informações de segurança. Namorador, cachaceiro, gente boa, moça de família, complicada e perfeitinha, falada... Essa era a rede social disponível. Agora a gente precisa oficializar o relacionamento para pessoas que nem nos conhecem, os chamados seguidores das redes sociais, e exigir a senha para ver quem está curtindo as fotos dos nossos recém-amores. Controle tipo "o grande irmão". Para quem não sabe o que é isso, vide 1984, de George Orwell.
24.11.22
Sempre tive no jornal o livro que nunca fecha, que se abre a cada rasgo no cotidiano. Nesse do domingo passado sublinhei de vermelho e...
Sempre tive no jornal o livro que nunca fecha, que se abre a cada rasgo no cotidiano. Nesse do domingo passado sublinhei de vermelho e guardei como recorte a aula que Lucilene Meireles foi extrair em entrevista com o presidente do Conselho Federal de Economia, presente num seminário do ramo em João Pessoa.
24.11.22
SONETOS NOUTRA VIDA Noutra vida escrevi uns versos puros, Tão singelos, amáveis, verdejantes; As rimas em estrofes sus...
Noutra vida escrevi uns versos puros,
Tão singelos, amáveis, verdejantes;
As rimas em estrofes sussurrantes,
Que as flores exultavam além-muros.
Harmônicos, formavam melodias,
Poetas se apinhavam ao meu lado;
Na alvorada, o momento cobiçado,
Alegres recitavam poesias.
Rubras rosas se abriam radiantes,
Pássaros pipilavam saltitantes,
E no céu reluziam as estrelas.
23.11.22
Vi o soldado paraguaio avançar em minha direção em passo de ganso, baioneta em riste, eu imóvel, as mãos pra trás, segurando o boné, ...
Vi o soldado paraguaio avançar em minha direção em passo de ganso, baioneta em riste, eu imóvel, as mãos pra trás, segurando o boné, o infeliz se aproximando como um robô, até o comandante gritar uma ordem em guarani, o que o fez estacar recolhendo a arma pra vertical junto ao peito, os calcanhares das botas batendo com eco no salão em que estava o túmulo de Solano López, no panteão que fica no centro de Assunção. Aí, nova ordem, giro do soldado, calcanhares batendo de novo, ele se foi, voltei pra continuar a ler a placa de bronze, o boné sempre nas mãos que mantive o tempo todo para trás, eu imaginando que aquilo tudo se devera ao fato de eu usar barba, o que era proibido, lá, naqueles sombrios anos 70.
23.11.22
Aquela senhora se dirigia seguida por seus filhos, a um terreno próximo de casa. Lugar coberto de pequenas árvores. Ali, ela escolhia u...
Aquela senhora se dirigia seguida por seus filhos, a um terreno próximo de casa. Lugar coberto de pequenas árvores. Ali, ela escolhia um bom galho, com copa bem arredondada e retornava para casa muito satisfeita.
Chegando em casa, assentava o galho dentro de um pesado jarro, de forma que ficasse bem firme. Começava a cobri-lo cuidadosamente e de forma homogênea cada galho com algodão, até que tudo ficasse bem branquinho. Trabalho minucioso que exigia paciência,
23.11.22
"O canto de Gal é cura, mas também é curadoria de toda a expressão da música popular brasileira". Carlinhos Brown "S...
"O canto de Gal é cura, mas também é curadoria de toda a expressão da música popular brasileira".Carlinhos Brown
"Sabe uma faca me rasgando?... Gal Costa sempre me trata com choque elétricos, eu chego pra ver ela e não vejo ela, e me arrebato por ela, e me arrebento por ela, me desarrumo por ela... cada vez acontece alguma coisa estranha, cada vez é como se a vida tivesse se partido, se começando, se acabando..."Tom Zé
22.11.22
Eu não vi o rei, que virou nome de café, jogar... Azar o meu! A minha primeira copa foi em 78. Havia uma ditadura por lá, Argentina, ou...
Eu não vi o rei, que virou nome de café, jogar... Azar o meu! A minha primeira copa foi em 78. Havia uma ditadura por lá, Argentina, outra por cá, Brasil. Rivais históricos, infelizmente, parceiros nos crimes contra a humanidade e a democracia. Perdemos sem perder em campo, campeões morais. Deu zebra, pior, Peru! Com oito anos, eu não tinha ideia do que era ditadura, ou mesmo “campeão moral”.
22.11.22
16/09, sexta 6 horas. Florescia o dia no Jardim 13 de Maio, a plenos pulmões da primavera de setembro de 2022. Em lugar tão pr...
6 horas. Florescia o dia no Jardim 13 de Maio, a plenos pulmões da primavera de setembro de 2022. Em lugar tão próximo às águas que banham o Varadouro e o marco-zero da antiga Filipeia de Nossa Senhora das Neves. Era chegada a hora de bordar o tempo, acolher afetuoso chamado e oferecer abraço aos formidáveis laços do passeio pelos fios e rios que desenham e oferecem vida à extraordinária paisagem fincada entre o cariri e o sertão da Paraíba.
Seguimos, eu e meu filho, o arquiteto Tao Pontes, ao encontro do casal amigo Delma e Carlos Cesar, que, a nós se juntaria, por vias e rias nos largos arredores dos Bancários, até a ida ao ateliê do artista Chico Ferreira. Dalí, partiríamos, também, na doce companhia de Camila e Capitu, com destino a incrível e sublime aventura.
22.11.22
Houve uma época em que me passou pela cabeça escrever livros de autoajuda. A justificativa...
Houve uma época em que me passou pela cabeça escrever livros de autoajuda. A justificativa para isso, confesso, não era das mais nobres. Como os autores desse tipo de literatura vendem muito, pensei em me arriscar no gênero para, quem sabe, robustecer minha conta bancária.
Eu imaginava que fazer livro de autoajuda seria fácil. Não precisava ser erudito nem conhecer profundamente filosofia, psicologia, antropologia ou qualquer outra dessas especialidades nobres. Bastava ter delas uma leitura superficial, algum bom senso e, claro, uma boa dose de esperteza.
21.11.22
Os novos planos são refeitos a velhos tempos, sempre acompanhados de dúvidas, incertezas e previsões das mais diversas origens e reli...
Os novos planos são refeitos a velhos tempos, sempre acompanhados de dúvidas, incertezas e previsões das mais diversas origens e religiões. Mas parece que nossa resiliência foi ao limite nos últimos anos. Por isso, como poderemos manter o fôlego à frente de nosso tempo, este sábio que sempre mostra um caminho pra chamar de nosso, muitas vezes com areia e pedra?
Quando éramos jovens, o tempo passava por nós, e, hoje, mais velhos, o contamos a conta-gotas. Descobrimos que as melhores formas
21.11.22
Se Ernesto Sábato dizia que “depois de ler Proust você jamais conseguirá ser o mesmo”, com Gonzaga Rodrigues essa mudança radical ac...
Se Ernesto Sábato dizia que “depois de ler Proust você jamais conseguirá ser o mesmo”, com Gonzaga Rodrigues essa mudança radical aconteceu após a leitura de Lima Barreto, principalmente As Recordações de Isaias Caminha, este livro emblemático de um autor que, 100 anos depois de sua morte, continua conquistando jovens leitores, como se deu com a crônica de Café Alvear, há mais de setenta anos.
21.11.22
Pois é, existem diplomas e diplomas, medalhas e medalhas, títulos e títulos. As pessoas sabem disso, sem que ninguém precise explicar ...
Pois é, existem diplomas e diplomas, medalhas e medalhas, títulos e títulos. As pessoas sabem disso, sem que ninguém precise explicar a diferença entre uns e outros. E isso é bom, pois prova que a inteligência pública para intuir certas verdades muitas vezes é subestimada pelos que se julgam mais espertos que os outros. Circulando por aí, sabemos, tem muito diploma, muita medalha e muito título cujo recebimento diminui mais que engrandece os seus agraciados. E também, ao contrário, muito diploma, muita medalha e muito título cujo não recebimento só aumenta a estatura dos não contemplados.
Digitar para inserir a própria vida no livro não é simples. Requer coragem e planejamento e confesso que tenho ambos de sobra. Em se tratando da sociedade pós-moderna, quando tiramos de nossas vidas o lado ruim e os compromissos diários, fica somente o tempo da escrita. Eis a questão crucial: aproveitá-lo da melhor maneira (im)possível. Santo Agostinho perguntou “o que é o tempo” no livro XI de Confissões e até hoje perguntamos a mesma coisa e é assunto que não se esgota. Se o tempo também não se esgota, devemos preenchê-lo com questões interessantes para que a vida não se torne um tédio, contra o que tanto lutamos.
20.11.22
Tem um período da vida que é muito importante... ... ter um tempo sem perguntas, sem pedidos, apenas necessário para dar vazão ao chor...
Tem um período da vida que é muito importante...
... ter um tempo sem perguntas, sem pedidos, apenas necessário para dar vazão ao choro preso na garganta, engolido a cada manhã, escondido por baixo da fantasia "sou forte, tudo aguento" .
... ser criança para não ter que explicar as lágrimas, apenas sentir o colo consolador e a certeza do "vai passar" .
... ser adolescente e acreditar no amor dos contos de fada.
20.11.22
Há exatos cem anos, no mês de novembro de 1922, falecia no Rio de Janeiro um dos maiores escritores brasileiros. A notícia, publicada n...
Há exatos cem anos, no mês de novembro de 1922, falecia no Rio de Janeiro um dos maiores escritores brasileiros. A notícia, publicada no jornal carioca “A Noite”, afirmava que a sua morte já era esperada “pois que, de havia mezes, elle apresentava serios sympthomas de grave enfermidade, a que concorria a sua indole irreprimivelmente bohemia” e a matéria do jornal acrescentava que o falecido era:
19.11.22
Acorda. Corre pra varanda e olha o céu. Apesar das centenas de mãozinhas que queriam lhe prender na cama, reage, bota um cropped e vai ...
Acorda. Corre pra varanda e olha o céu. Apesar das centenas de mãozinhas que queriam lhe prender na cama, reage, bota um cropped e vai caminhar!
Uma volta no açude CAMINHANDO... Não tem joelhos pra correr [usa sempre esse argumento pra convencer seu comodismo]. Olha o mundo em volta, mais do que caminha. Dá bom dia pra cada olhar que cruza o seu. Nem todos respondem. Segue.
19.11.22
Memória Para escrever o presente texto não precisei ir ao arquivo de jornais, livros e documentos. Bastou o arquivo da memória, onde...
Para escrever o presente texto não precisei ir ao arquivo de jornais, livros e documentos. Bastou o arquivo da memória, onde o prédio da velha A União ainda permanece aceso dentro da noite, com o ruído seco das suas linotipos e o som de uma sineta anunciando a chegada de provas para a revisão.
Eis uma imagem que perdura na minha lembrança. Demoliram o antigo prédio do tradicional jornal mas ele continua presente dentro de mim. E chegou a vez de evocar aquele poema de Manuel Bandeira – Última Canção do Beco – em que há uns versos assim:
19.11.22
O cientista e evolucionista alemão Ernst Haeckel, no livro Os enigmas do universo (tradução de Camille Bos. Paris: Librairie C. Reinw...
O cientista e evolucionista alemão Ernst Haeckel, no livro Os enigmas do universo (tradução de Camille Bos. Paris: Librairie C. Reinwald/Schleicher Frères Éditeurs, 1902), que citaremos neste ensaio, em tradução nossa da língua francesa, procura nos dar uma rápida visão do olhar científico da sua época, a respeito de como a Terra, “uma parte infinitamente pequena do Cosmo” (Capítulo XIII – História do desenvolvimento do Universo, p. 285), teria se formado.
18.11.22
A abóbada celeste já estava ali, a olhos vistos. Não a cúpula que ostenta os céus ao redor da Terra, bem acima dela, mas o monumental t...
A abóbada celeste já estava ali, a olhos vistos. Não a cúpula que ostenta os céus ao redor da Terra, bem acima dela, mas o monumental teto do Royal Albert Hall, em Londres. Tudo brilhava com os mágicos efeitos de sua magnífica iluminação, em sintonia com a luz que contornava a aura coletiva de uma plateia em burburinho, já encantada com o porvir.
O hino “Vem, Espírito Criador” explode com o órgão, a grande orquestra, os quatro corais, dando início à “Sinfonia dos Mil”, como é conhecida a 8ª sinfonia de Gustav Mahler. A plateia, calada por dentro e gritando na alma, entra em sintonia com a mensagem:
18.11.22
O texto que publico a seguir foi escrito há quatro anos por minha bela e muito amada filha. Nada mais atual: ...
O texto que publico a seguir foi escrito há quatro anos por minha bela e muito amada filha. Nada mais atual:
Pra quem não sabe: sou nordestina. Não voto no PT. Já votei. Não mais. Mas não sou definida por isso. Também sou mãe, esposa, filha, irmã, amiga... Até inimiga.
Me formei em direito. Cursei Letras. Pós em tradução jurídica pela PUC e tradução pela USP (tomando inclusive vagas de sulistas no processo seletivo). Pós também em gastronomia, mais exatamente Cozinheira Chef Internacional. Teatro e TV também fazem parte de minha formação.
Nuzree
Luto boxe e Muay Thai. Fui da equipe estadual de natação. Joguei vôlei e handebol no colégio. Hoje em dia corro.
Sei dirigir carro mecânico. Sou ótima com decoração. Faço terapia. Falo inglês com fluência. Me viro no francês e no espanhol e estou aprendendo japonês.
Sou espírita.
Viajei e viajo muito pelo Brasil. Morei na Inglaterra. Já viajei para Argentina, Paraguai, França, Irlanda, Escócia, EUA, Chile e Austrália. Portugal também, a passeio, para conhecer aqueles que um dia falaram de nós como hoje você fala de mim.
Leio pra caramba. Assisto a filmes até cansar os olhos. Tenho amigos gays, héteros, casados, solteiros, divorciados e até viúvos.
Ainda assim, nada disso me define.
Como nada disso definiria você. E, mesmo que definisse, eu te respeitaria.
Nuzree
Não é a escolha política de uma pessoa, um estado ou uma região que a define.
Porém é sua opinião pequena que a define, uma atitude diz mais sobre quem você é, e qual o tipo de caráter que você tem, do que sobre seus supostos julgados.
Soberba é pecado. Racismo é crime. Arrogância é feio.
Você acaba sendo pequeno.
Graças a Deus tenho fé na humanidade e esperança de que você evolua.
Negros já foram execrados, assim como mulheres, assim como judeus, assim como homossexuais, assim como nós todos, brasileiros.
Seja sempre bem-vindo ao meu Nordeste; lindo, hospitaleiro e misericordioso. Espero, pelo bem do Brasil, que ele não fique independente, porque senão, você, racista preconceituoso, estará perdido!"
Ana Carolina Pires Bezerra Muro
Nota do autor: Só tomei conhecimento deste texto, de minha filha Ana Carolina (foto à direita), esta semana, através do amigo Dedé Borréia, que soltou uma graça: “- Você nunca vai escrever tão bem como sua filha”. Mas posso me esforçar, né?
18.11.22
Acho que acontece a todo mundo. Muitas vezes, a gente sai da cama com umas saudades esquisitas. E a coisa se agrava na marcha irrefreáv...
Acho que acontece a todo mundo. Muitas vezes, a gente sai da cama com umas saudades esquisitas. E a coisa se agrava na marcha irrefreável dos anos. Quanto mais velha a cabeça se põe, mais embaralha o miolo. Já acordei com falta de doce americano, raspadinha de morango, porta-chapéu, brilhantina, estampas da Eucalol e camisa volta-ao-mundo.
17.11.22
Sempre me senti no vácuo em relação ao Ministro Oswaldo Trigueiro de Albuquerque Melo. Em 1946/47, quando, nos meus 13 anos o surpreend...
Sempre me senti no vácuo em relação ao Ministro Oswaldo Trigueiro de Albuquerque Melo. Em 1946/47, quando, nos meus 13 anos o surpreendi de retrato colado na janela de nossa casa, em Alagoa Nova, candidato a governador pelo partido do Brigadeiro, seu retrato não me pareceu mais simpático que o do herói dos Dezoito do Forte de 1922, um esquisitão que a Igreja adorava e que a oposição castigava com baixezas do tipo “é capado.”
17.11.22
Olhando o espelho retrovisor de tempos vividos, muitas vezes nos surpreendemos com lembranças que nos contam acontecimentos até de muit...
Olhando o espelho retrovisor de tempos vividos, muitas vezes nos surpreendemos com lembranças que nos contam acontecimentos até de muita alegria, vividas naquela época, notadamente quando exibíamos a primeira grande conquista da vida, que era o ingresso na Universidade da Paraíba.
Nos investíamos das muitas indulgências que a cidade nos concedia, como universitários.
17.11.22
No último dia 10 de novembro, dentro da Programação do 2° Festival de Arte e Cultura do IFPB , a referida instituição, por meio da Pró-...
No último dia 10 de novembro, dentro da Programação do 2° Festival de Arte e Cultura do IFPB, a referida instituição, por meio da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (Proexc), incluiu entre suas quatro atividades o 3° Concurso Literário do IFPB, em foram homenageadas, simultaneamente, as escritoras Lourdes Ramalho (in memorian) e Marília Arnaud.