Li há algum tempo, num dos números de “Veja”, que os bons alunos brasileiros não querem seguir o magistério. Quem deseja abraçar essa carreira são os estudantes medíocres. Segundo pesquisa apresentada na reportagem, ser professor é o horizonte do “grupo dos 30% com as piores notas no boletim”. Parece que a sala de aula não atrai os que se acham preparados para conquistar coisa melhor.
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O desprezo pela docência liga-se à imagem dessa profissão num mundo em que o importante é ganhar bem, ganhar muito, e deixar isso claro para os outros. Na velha polarização entre o ter e o ser costuma-se associar o professor ao ser, enaltecendo-lhe o idealismo e o desprendimento (leia-se “desapego ao dinheiro”). Tais atributos não condizem com os ideais de uma sociedade pautada pelo pragmatismo e pela busca do sucesso.
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Se os jovens não mais se identificam com o professor, é porque no fundo não o admiram. E não o admiram porque são vários os fatores que concorrem para depreciá-lo. Um deles é o parco contracheque; outro é o tratamento muitas vezes dado ao mestre num universo mercantil de ensino, em que a voz do aluno pagante se sobrepõe à do humilde operário que lhe transmite o saber. Não são raras as situações em que a direção da escola, obrigada a fazer uma escolha, opta por quem a financia mesmo que isso venha ferir a disciplina ou as diretrizes do processo ensino-aprendizagem.
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